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Raras, antas albinas são estudadas por pesquisadores em São Paulo

Gasparzinho (Foto: Reprodução/Luciano Candisani)

Antas albinas, consideradas raras, que vivem na reserva ambiental privada Legado das Águas, estão sendo estudadas por pesquisadores de São Paulo. Dois animais foram identificados no local, um em 2014 e outro em 2018, por isso pesquisas estão sendo feitas para apontar o grau de parentesco entre esses animais.

O local que se tornou ambiente de estudo está localizado em um trecho preservado de Mata Atlântica, próximo a Juquiá, no Vale do Ribeira (SP), onde vivem outros animais da espécie. Gasparzinho e Canjica, como foram nomeadas as antas albinas, são as únicas identificadas até o momento com total falta de pigmentação.

A bióloga Mariana Landis, responsável pelo Projeto Anta, do Instituto Manacá em parceria com o Legado das Águas, explicou ao G1 que o albinismo é caracterizado pela falta de melanina e que as antas estão sendo monitoradas.

“Para que um animal tenha albinismo, os pais tem que ter os genes correspondentes. O fato de termos duas antas albinas na mesma área, bem raro, levanta a hipótese de que sejam irmãos ou pai e filho”, explicou.

Os pesquisadores pretendem coletar pelos das antas através de armadilhas de pelo, que são montadas com arames, mas não ferem os animais. O objetivo é ter o material genético da dupla para determinar a possível existência de parentesco entre elas e tentar explicar a incidência de duas antas albinas na mesma região.

“Já conseguimos coletar um pouquinho do pelo do Gasparzinho, já o Canjica é um pouco mais tímido e ainda não conseguimos o material dele. É um privilégio poder trabalhar com esses animais, faz a gente voltar o olhar para o individuo, é uma oportunidade única”, disse.

Canjica (Foto: Reprodução/Luciano Candisani)

Gasparzinho foi fotografado pela primeira vez em 2014, pelo fotógrafo Luciano Candisani. “Algumas pessoas, funcionários da reserva, diziam que tinham visto uma anta branca. Antes do primeiro registro, elas eram consideradas um ‘mito’ pelas pessoas da região”, contou a bióloga.

A segunda anta albina foi vista em 2018. “Em algumas fotos, vimos uma anta albina com um corte na orelha. Comparamos com outras fotos que já tínhamos e descobrimos que se tratava de outra anta. São os primeiros registros com provas dessas antas na natureza”, explicou.

“Essa pelagem faz com que o animal se destaque e fique exposto na natureza. Mas como há poucas onças-pintadas, predadoras das antas, nessa região, eles estão em vantagem, além de estarem em uma floresta bem desenvolvida”, completou.


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Por trabalho na conservação de antas, brasileira ganha prêmio internacional

A National Geographic Society premiou a brasileira Patrícia Medici, do Instituto Ipê, por seu trabalho na conservação da anta brasileira (Tapirus terrestris), considerada o maior mamífero da América do Sul. A celebração ocorreu ontem, 12 de junho, em Washington DC (EUA). O prêmio Buffett Award for Leadership in Conservation (Prêmio National Geographic Society/Buffett para Liderança em Conservação) destaca o trabalho de cientistas na conservação da vida selvagem e é oferecida todos os anos a profissionais de dois continentes, África e América do Sul.

Foto: Paul Morigi/National Geographic

Patrícia Medici é referência mundial nos estudos sobre a anta brasileira, espécie foco de seus trabalhos há mais de 23 anos. A cientista é idealizadora e coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas), organização da sociedade civil que atua pela conservação da biodiversidade.

Patrícia também preside o Grupo de Especialistas em Antas (Tapir Specialist Group – TSG), da Comissão de Sobrevivência de Espécies (Species Survival Commission – SSC) da União Internacional para a Conservação da Natureza (International Union for the Conservation of Nature – IUCN), onde coordena uma rede global de mais de 130 conservacionistas de anta em 27 países diferentes.

“Este prêmio é, sem dúvida, um dos mais importantes reconhecimentos que já tivemos por nossos esforços de conservação da anta brasileira em mais de duas décadas de trabalho. Isso aumenta ainda mais nosso compromisso com a conservação da espécie e com a biodiversidade brasileira”, declara a cientista brasileira.

Ainda segundo Patrícia, a premiação indica o quanto a pesquisa científica de longo prazo gera resultados relevantes. “Ter a certeza de que nosso trabalho pode contribuir e ser modelo para projetos de conservação no mundo todo, transformando a realidade das quatro espécies de anta por suas áreas de ocorrência ao redor do planeta, é uma de nossas maiores conquistas. Estamos emocionados”, disse.

O conservacionista Tomas Diagne, que atua há mais de 25 anos na conservação de tartarugas de água doce ameaçadas de extinção, também foi premiado na mesma categoria.

Fonte: O Eco


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Antas contaminadas alertam para uso de agrotóxicos proibidos no Brasil

O Brasil tem usado em suas áreas agrícolas agentes químicos e agrotóxicos que foram banidos em outros países há três décadas. São materiais que oferecem riscos à saúde humana e também aos animais que circulam por essas regiões.

Foto: Divulgação IPÊ

A comprovação veio de uma pesquisa inédita realizada pela Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab), grupo ligado ao Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). De acordo com um levantamento feito entre 2015 e 2017, no Mato Grosso do Sul, as antas do Cerrado, bioma que fica no epicentro do desenvolvimento agrícola do país, estão com a saúde altamente comprometida pela exposição a esses produtos.

A espécie pode ser considerada uma “sentinela”, que utiliza áreas de monocultura como passagem e tem contato com esses materiais com frequência. Isso mostra que o cenário de contaminação também afeta, consequentemente, as pessoas ao redor.

No período do estudo, pesquisadores coletaram centenas de amostras biológicas de 116 antas capturadas em armadilhas – em uma ação que serviu para a colocação de colares de telemetria por satélite para monitoramento – ou de carcaças de antas mortas por atropelamento em rodovias de sete municípios do MS. As amostras foram avaliadas no Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), da Unesp de Botucatu (SP), que é referência nacional para esse tipo de estudo.

O resultado foi que mais de 40% das amostras avaliadas estavam contaminadas com resíduos de produtos tóxicos, incluindo inseticidas organofosforados, piretróides, carbamatos e quatro diferentes tipos de metais pesados.

“Encontramos um carbamato chamado Aldicarb, que é de uso proibido aqui no Brasil. Ele foi encontrado em conteúdo estomacal de algumas das antas analisadas. Isso comprova uma irregularidade na fiscalização e chama a atenção para a necessidade de medidas mais efetivas sobre o uso e o comércio desse agrotóxicos pelos órgãos competentes”, explica a pesquisadora Patrícia Medici, que se preocupa com a dificuldade em descobrir a origem do uso irregular.

“O problema é que a questão dos agrotóxicos é muito difusa. Nós jamais saberemos exatamente quem são os responsáveis pela aplicação dos produtos já que, no ponto onde fizemos o levantamento, são quase 3 mil quilômetros quadrados de área com um mosaico de diferentes usos da terra. O que temos é que foram 13 diferentes agentes químicos encontrados em 116 indivíduos, fato que serve de alerta para que a situação seja enfrentada”, diz.

Foto: Divulgação IPÊ

AGENTE QUÍMICO

O Aldicarb é um agrotóxico de alta toxicidade, praguicida, também usado ilegalmente para a produção de raticida – conhecido como chumbinho. Ele é responsável por milhares de envenenamentos e mortes de pessoas, especialmente crianças, e de animais domésticos e silvestres, além da contaminação do solo, de alimentos, rios e lençóis freáticos.

Esse agente químico já é proibido em diversos países, como Alemanha e Suécia, desde 1990. Outros países europeus como Portugal, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Grécia e Holanda deixaram de utilizar o produto em 2007. No Brasil, o Aldicarb é proibido desde 2012. Estimativas do governo, na época, apontavam que o produto seria responsável por quase 60% dos 8 mil casos de intoxicação relacionados a chumbinho no país, todos os anos.

Um único grama do veneno pode matar uma pessoa de até 60 quilos em meia hora. Se inalado, o produto percorre a corrente sanguínea e também pode levar rapidamente à morte. Nos animais, o efeito é bem semelhante, atingindo principalmente pulmões, fígado e rins.

“Verificamos que os 116 indivíduos amostrados estavam contaminados, a maioria deles por mais de um agente químico. Muitas lesões de fígado e rins. Isso pode levar os animais à morte, redução da longevidade e até mesmo influência em sua capacidade reprodutiva”, aponta Patrícia.

A pesquisa mostra ainda que as antas estão expostas a essas substâncias no ambiente que habitam por contato direto com as plantas, solo e água contaminados. A análise estomacal demonstrou exposição pela ingestão de plantas nativas contaminadas e de itens das culturas agrícolas eventualmente utilizados como recurso alimentar.

PULVERIZAÇÃO

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Toxicológicas (Sinitox), ocorre no Brasil uma média de 3.125 casos de intoxicação por agrotóxico de uso agrícola ao ano, ou oito intoxicações diárias. O Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) acreditam que, para cada caso notificado, existem outros 50 não notificados, o que aumentaria significativamente essa estatística, reforça a pesquisa.

Patrícia ressalta que o país tem um histórico de pulverização indiscriminada, sendo que em alguns estados não há nem protocolos estabelecidos para essa atividade. “Mesmo nas regiões onde há critérios, de maneira geral, eles não são respeitados”, diz a pesquisadora.

“No caso dos agrotóxicos, aqui no Brasil, não é mais uma questão de exposição, mas imposição. Isso está no nosso ambiente, na nossa água, na comida fresca, nos grãos, no leite materno, enfim, está em tudo.”

No mesmo período da coleta de amostras com as antas, a equipe da Incab realizou um levantamento de dados sobre o uso de agrotóxicos no estado do Mato Grosso do Sul, buscando dados e informações de inserções de imprensa, registros junto à Polícia Militar Ambiental e Tribunal de Justiça do MS.

Segundo as informações encontradas, a pulverização aérea é a forma de aplicação de agrotóxicos mais utilizada no estado, sendo ainda o método mais relacionado à ocorrência de contaminação do meio ambiente, especialmente por influência do vento e deriva do produto para áreas indesejadas.

No Mato Grosso do Sul, os inseticidas – principal grupo de agrotóxicos constatado no organismo das antas – são as substâncias responsáveis por mais de 70% dos casos de intoxicação aguda em humanos.

Mas se engana quem pensa que esse é um problema restrito ao Centro-Oeste. “Certamente, esse cenário de contaminação está sendo repetido em todas as outras regiões do país onde agrotóxicos são utilizados em larga escala. É um problema amplo, que afeta o meio ambiente e as pessoas. O Brasil, de maneira geral, pega muito leve em relação às restrições”, comenta Patrícia, dando um exemplo alarmante em relação à água.

“A grande maioria dos países da União Europeia aceita, no máximo, 0,5 micrograma de quaisquer agrotóxico ou metal pesado na água que é consumida pela população. Aqui, em alguma regiões, aceitamos até 5 mil microgramas desses produtos. É bastante chocante a leveza com a qual o nosso país leva essa problemática e a leveza com que deixam passar diversas oportunidades de criar critérios mais fortes para proteger a população”, lamenta.

“Não tem nenhum ser humano que não esteja contaminado por agrotóxicos e, quando se fala em Brasil, as áreas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são onde existem as condições mais sérias.”

Muitas das substâncias autorizadas para uso nestas culturas no Brasil estão proibidas para uso e comercialização em outros países. Existem 504 ingredientes ativos com registro autorizado e uso permitido no Brasil. Destes, 149 (30%) são proibidos na União Europeia.

A dimensão atual do uso de agrotóxicos no Brasil tem gerado um indiscutível impacto sobre a saúde da população humana, sobretudo de trabalhadores rurais. Entretanto, o problema não atinge somente áreas rurais e pequenas cidades, tendo relevância também em grandes centros urbanos, especialmente por conta da potência e do uso indiscriminado de agrotóxicos pelo país.

Foto: Divulgação IPÊ

Além disso, o aumento na incidência de câncer entre trabalhadores rurais e pessoas envolvidas nas campanhas sanitárias, no final da década de 80, levou ao estudo mais detalhado sobre a interação dos agrotóxicos com o organismo no surgimento desses tumores, entre outras disfunções de base celular.

Uma série de pesquisas atuais correlaciona a maior incidência de câncer em determinadas regiões do país com a exposição prolongada à agrotóxicos. Entre 1980 e 2011, houve aumento das taxas de mortalidade por câncer de próstata em todas as regiões brasileiras, sendo que a região Centro-Oeste apresentou tendência crescente, assim como a expansão da atividade agropecuária.

A larga utilização de agrotóxicos no processo de produção agropecuária tem implicações importantes para o ambiente. A contaminação ambiental e acúmulo destas substâncias na água, ar, solo e sedimentos pode causar consequências significativas para as comunidades de seres vivos que compõem o ecossistema.

Poucos estudos avaliaram as consequências da contaminação ambiental por agrotóxicos em espécies da fauna. Todavia, efeitos adversos já são comprovados em populações de anfíbios e peixes de várias espécies.

Uma preocupação inerente à contaminação de recursos naturais é a dispersão de contaminantes para fora das áreas consideradas fonte, atingindo não somente comunidades do entorno das áreas de uso e aplicação de agrotóxicos, como também comunidades afastadas.

Fonte: G1

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Construção de rodovia causa a morte de 97 antas no MS

Rodovia corta habitat de antas | Divulgação

A inauguração e pavimentação da MS-040, rodovia que liga os municípios de Campo Grande e Santa Rita, no Mato Grosso do Sul, causou a morte de aproximadamente 100 antas.

Os dados foram divulgados pela Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab) e mostram o impacto da destruição de ambientes naturais para a extensão de malhas viárias.

A engenheira florestal e especialista em antas Patrícia Medici afirma que a construção da rodovia incidiu drasticamente na rotina dos animais e que os acidentes acontecem em horários específicos.

“É no amanhecer e no anoitecer. Não ajuda o fato de que é um animal acinzentado, então você está trafegando pela rodovia, no lusco-fusco, e um animal acinzentado, em cima do pavimento acinzentado, fica bastante difícil de ser visualizado”, explicou em entrevista ao G1.

O estudo realizado pela Incab foi apresentado ao Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MP-MS) e propõe a implantação de medidas que reduzam o impacto da destruição ambiental intrínseca à construção da MS-040. Algumas das sugestões são instalações de dutos, pontes ou túneis para a mobilidade dos animais que precisam atravessar a região.

Felizmente o trabalho foi bem avaliado e considerado referência na área. Marcelo Miglioli, secretário estadual de Infraestrutura, afirmou os requerimento já estão sob análise e que serão solicitados recursos financeiras para a realização das alterações.

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Antas resgatadas são levadas para Santuário dos Elefantes em MT

Duas antas fêmeas, sendo um filhote de quatro meses e outra jovem, que foram resgatadas em Mato Grosso, foram levadas para passarem por reabilitação no Santuário dos Elefantes, em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá. Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) os animais devem ficar no novo lar para passarem por um processo de reabilitação, avaliações e ter a possibilidade de voltar à natureza.

Antas resgatadas foram levadas para o Santuário dos Elefantes (Foto: Fauna Sema-MT)

De acordo com a Sema, a filhote precisa aprender de forma gradativa a conviver na natureza. O acompanhamento será feito porque a soltura não pode ocorrer de maneira abrupta, pois sem um preparo a anta pode se tornar presa fácil para outros animais, conforme avaliou a secretaria.

Ainda segundo a Sema, as antas resgatadas são da espécie brasileira Tapirus terrestris, e foram resgatadas sem nenhum ferimento pelo Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), no mês de setembro.

Uma delas estava em uma área urbana do município de Querência, a 912 km de Cuiabá, e outra em Chapada dos Guimarães. Outras três antas já passaram por este mesmo procedimento no Santuário, uma delas já foi solta e as outras estão ainda em processo de acompanhamento.

Criar animal silvestre é crime

A Lei Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, estabelece pena de seis meses de detenção e multa para quem manter em casa animais silvestres sem a devida autorização/licença do órgão competente. A sanção vale também para quem matar, caçar, vender ou transportar estes animais.

Santuário

Depois de mais de 40 anos vivendo em cativeiro e passando por maus-tratos, as elefantas Guida e Maia são as primeiras habitantes do primeiro Santuário de Elefantes da América Latina. Os animais chegaram à área, localizada em Chapada dos Guimarães, no dia 11 de outubro de 2016.

Guida e Maia eram atrações em shows de circos na Ásia e foram resgatadas. Elas estavam vivendo em um pequeno sítio em Minas Gerais, até que em outubro de 2016 chegaram ao Santuário.

Segundo a presidente do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), Junia Machado, outro elefante deve chegar do Chile, nos próximos meses, para fazer companhia às duas. A antiga fazenda de criação de gado que tem áreas preservadas, onde Guida e Maia estão, foi ampliada. O local tem capacidade para abrigar 50 elefantes.

Fonte: G1

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Antas ganham coleiras luminosas para evitar atropelamentos

Divulgação
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As antas vivem em constante ameaça no Cerrado por conta do desmatamento e das queimadas que atendem o desenvolvimento do agronegócio (especialmente por causa de culturas como a da cana de açúcar e da soja), mas também dos atropelamentos nas rodovias do Mato Grosso do Sul, que só crescem.

De acordo com pesquisas da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) do Instituto Ipê, em dez trechos de estradas nesse estado – nas rodovias BR-163, 262, 267, 040, 080, 134, 145 e 395 – foram registrados 162 atropelamentos desde março de 2013, que incluem também filhotes. Isso significa uma média de quatro por mês, em uma extensão de pouco mais de 1.450 quilômetros. Os trechos campeões são a BR-267 (Nova Alvorada do Sul/Casa Verde), com 60 atropelamentos, e a MS-040 (Campo Grande/Santa Rita do Pardo), com 49.

“Os históricos anteriores de atropelamentos de antas em diversas regiões do Brasil já indicava que o número de animais mortos por essa razão seria grande. Especialmente por se tratar de uma região com um ambiente muito alterado e paisagem extremamente antropizada e cortada por rodovias muito movimentadas e totalmente sem sinalização para a presença de animais. Entretanto, o dado é assombroso!”, alerta Patrícia Médici, pesquisadora que se dedica há 20 anos aos estudos de conservação das antas no Brasil e é coordenadora da INCAB/Ipê, referência no país.

“Vale ressaltar que as 162 antas mortas são apenas a ponta do iceberg, uma vez que certamente outras mortes não foram detectadas por nossa equipe. E não devemos esquecer que ainda houve a perda de vidas humanas nesses acidentes: até junho, registramos 14 óbitos de pessoas envolvidas em colisões com antas em rodovias do MS”, acrescenta Patrícia.

E foi após longo tempo acompanhando a espécie e vendo tantas mortes que, numa conversa informal entre Patrícia e sua equipe, veio a ideia de acoplar refletores luminosos às coleiras usadas para fazer o monitoramento, a fim de reduzir os atropelamentos. Afinal, as colisões acontecem porque os motoristas não enxergam os animais na pista. Os pesquisadores se inspiraram nos refletores dos caminhões e também na roupa e acessórios dos ciclistas e motociclistas que frequentam as rodovias e os grandes centros urbanos.

Essa iniciativa foi implantada no meio do ano passado, quando foram capturadas 14 antas. Dez delas usam coleiras (com validade de três anos) equipadas com GPS e refletores e, até agora, todas estão vivas. A tensão é constante, claro, mas, a priori, parece que esta ação é eficaz e tem ajudado a reduzir o risco de atropelamentos desse tipo.

Por terem hábitos noturnos, elas começam suas atividades ao entardecer, quando buscam alimento. Atravessam áreas antes ocupadas pela vegetação nativa, mas que agora estão cobertas por plantações de soja e de cana, que são cortadas por rodovias. Daí, sua vulnerabilidade. Com mais um detalhe: como são da cor cinza, as antas se confundem facilmente com o asfalto. Ou seja, os motoristas só as enxergam quando estão muito próximos delas e o acidente é inevitável.

Torcemos para que esta iniciativa engenhosa ajude a proteger as antas do Cerrado e se espalhe como prática para salvar outros animais da realidade desenvolvimentista que assola o Cerrado.

Fonte: Conexão Planeta

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Animais são prejudicados com as queimadas em áreas verdes no Mato Grosso

Brigadistas resgataram recentemente iguanas, jiboias, cachorro-do-mato e um tucano (Reprodução/TVCA)
Brigadistas resgataram recentemente iguanas, jiboias, cachorro-do-mato e um tucano (Reprodução/TVCA)

Com mais de 15 mil focos de incêndios registrados durante este ano, Mato Grosso lidera o ranking de queimadas no país. Além da destruição de parte do ecossistema vegetal, as chamas afetam também a fauna local. Os animais silvestres resgatados após queimaduras são tratados e devolvidos à natureza, em um ambiente em que as chances de queimadas são menores.

Entre os animais afetados estão cobras, antas, onças, macacos, tamanduás e tartarugas. O resgate é realizado pelo Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental.

De acordo com o sargento da Polícia Militar Joelson de Paula, gerente de Fauna da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), as queimadas afetam mais os filhotes. No caso das aves, principalmente, já que ainda não têm a habilidade de voar e os répteis, como explica o sargento. “Mamíferos, como os macacos, geralmente conseguem fugir por causa da boa mobilidade que eles têm, diferentemente dos répteis, que entre os mais afetados. Por se arrastarem, eles não têm condições físicas de fazer grandes deslocamentos e, por isso, geralmente, eles se escondem onde dá.”

O PM disse ainda que as queimadas chegam a alterar o comportamento social dos animais. Em busca de sobreviver nesse ambiente que é hostil a grande parte das espécies, é comum observar traços específicos que os animais não teriam em outros contextos.
“Às vezes, o desespero é tanto, que é bem normal encontrar duas espécies conflitantes em um mesmo espaço. Esses animais acabam encontrando um buraco para se abrigar, por exemplo, e acabam compartilhando o refúgio com um animal que normalmente não convive com ele”, comentou.

Tratamento
Os animais machucados resgatados são levados para o Centro de Triagem do Batalhão Ambiental e passam por alguns exames. Dependendo da lesão que for constatada, ele é encaminhado para o Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ou para o Centro Universitário de Cuiabá (Unic).

O sargento afirmou que ainda não existe uma contagem oficial de animais resgatados com lesões causadas pelo fogo, mas que o número tem aumentado acompanhando o aumento dos focos de queimada em Mato Grosso.

“Nessas últimas semanas, nós atendemos duas iguanas, duas jiboias, um cachorro vinagre [também conhecido como cachorro do mato] e um tucano. Todos foram vítimas de algum tipo de queimada no estado. Somente o cachorro vinagre que infelizmente não resistiu e acabou morrendo. Os outros nós conseguimos reabilitar e estamos devolvendo para a natureza, para regiões com menores riscos de incêndio”, informou.

Queimadas
Mato Grosso lidera o ranking de queimadas no país em 2016, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Até o dia 25 de agosto foram registrados 15.807 focos de calor em todo o estado, número 45% maior ao computado no mesmo período no ano passado.

Os municípios mais atingidos no estado durante o mês de agosto foram Colniza, distante a 1.065 km da capital, com 425 focos e Nova Nazaré, localizado a 800 km de Cuiabá, que contabilizou 399 pontos de calor. Levando em consideração o ano todo, Gaúcha do Norte, a 595 km da capital, é a quinta cidade com mais registros no Brasil. Foram 887 focos de incêndio.

Fonte: G1

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Antas são resgatadas em estação de tratamento em Campo Grande (MS)

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Na última terça-feira (19) policiais militares ambientais e bombeiros resgataram duas antas que apareceram no pátio da empresa de papel e celulose Fibria, em Três Lagoas, cidade a 338 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com informações policiais, os animais “deram trabalho” para os policiais. No momento da operação houve inclusive a necessidade de uma embarcação, pois as antas entraram na lagoa de tratamento de efluentes.

Um dos animais era um macho adulto que foi capturado e avaliado por veterinários e como se apresentava em bom estado de saúde, foi solto em uma floresta nas proximidades da cidade. O segundo animal, uma fêmea, que só foi capturada no final da tarde estava com ferimentos nos olhos e foi encaminhada para atendimento no Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) da Capital.

Fonte: Midia Max

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Segundo estudo americano, a Amazônia libera mais CO2 com caça a macacos grandes e anta

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A caça a grandes mamíferos da Amazônia prejudica a capacidade da floresta de estocar carbono porque atrapalha a reprodução de árvores densas, que dependem desses animais para espalhar sementes, diz um novo estudo.

A conclusão foi tirada de uma simulação que projetou o impacto que a Amazônia sofrerá caso cada um dos 915 mil domicílios em zona florestal passe a abrigar uma pessoa praticante de caça. Sob esse cenário, a floresta perderia até 6% de sua biomassa, dizem os autores do trabalho, publicado na revista “PNAS”, da Academia de Ciências dos EUA.

Segundo os pesquisadores, a caça mesmo com escala pequena, aumenta a pressão sobre animais como antas, macacos-aranha e macacos barrigudos. Esses mamíferos, defecando sementes de frutos ingeridos, são cruciais para a dispersão de semente de árvores como a maçaranduba, com alta densidade de carbono.

Espécies de árvores menos densas têm sementes que tipicamente podem se dispersar pelo vento ou por animais pequenos, por isso não dependem criticamente de grandes mamíferos que as espalham por fezes.

Simulação

Para medir o impacto que a perda de população dos grandes mamíferos teria na região, os cientistas fizeram uma simulação de computador que levou em conta a composição florestal de 2.345 áreas de 1 hectare cada, mapeadas em toda a Amazônia.

O impacto da perda de biomassa por ausência de espécies de alta densidade, — não só da maçaranduba, mas de uma miríade de espécies de madeira densa — variou conforme a região estudada. Em algumas delas, porém, as árvores em questão representavam até 38% da biomassa local.

“Nossa estimativa é conservadora, porque tem muitas espécies de animais de grande porte que não consideramos no estudo”, afirmou Peres, que contou com a colaboração de colegas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Fiocruz de Manaus.

Caça e caçador

Segundo o pesquisador, não existe um levantamento mostrando se realmente existe um caçador por domicílio nas áreas isoladas da Amazônia. Com experiência de três décadas trabalhando na região, porém, ele diz crer que esse número deve estar longe do real.

“Em quase todos os domicílios rurais num contexto de mata, de floresta, o pessoal realmente caça, sem pudor nenhum”, afirma. “Eles desconhecem a legislação e, além disso, a lei ‘tapa com a peneira’ a caça que na prática acaba sendo permitida.”

Oficialmente, o macaco-aranha, o macaco-barrigudo e a anta não podem ser capturados, pois são considerados ou “ameaçados” ou “vulneráveis”. Mesmo com o impacto relativamente pequeno da caça, esses animais têm suas populações afetadas, pois seus ciclos de reprodução são muito lentos.

Uma fêmea de macaco aranha, se viver até cerca de 18 anos, vai parir 5 a 6 filhotes — menos do que uma humana seria capaz durante toda sua idade reprodutiva.

Peres e seus coautores defendem no estudo que a presença de grandes animais frutívoros seja levada em conta na seleção de áreas para projetos de retenção de carbono na floresta.

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Redução de emissões

Esquemas como o “Redd+”, por exemplo, permitem que governos e entidades que trabalhem para manter a mata em pé sejam financeiramente remunerados, e que o valor dependa de quanto carbono cada floresta estoca, porque isso se traduz em redução de emissões de CO2.

“Até hoje, porém, esses programas bilaterais de contenção de emissões não consideraram absolutamente nada em relação à fauna” diz Peres. “O Redd+ não considera uma floresta defaunada [cujos animais foram extintos] uma floresta degradada.”

Isso precisa ser levado em conta, diz, porque uma floresta sem grandes mamíferos pode não conseguir reter a mesma quantidade de carbono no futuro, mesmo protegida do desmatamento.

Fonte: G1

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Floresta amazônica é a última esperança para salvar as antas

Anta-brasileira, espécie ameaçada de extinção (Foto: Mauro Galetti)
Anta-brasileira, espécie ameaçada de extinção (Foto: Mauro Galetti)

Mais da metade das espécies de grandes herbívoros – acima de 100 quilos – de três regiões do mundo correm o risco de desaparecer. A informação é de um estudo, publicado no começo de maio na revista Science Advances, que analisou 74 espécies. Pelo menos 44 delas são consideradas em risco de extinção, como rinocerontes, zebras, gorilas e elefantes. E uma dessas espécies está nas florestas do Brasil: a anta (Tapirus terrestris), já classificada como vulnerável ao desaparecimento pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.

Essa espécie, também conhecida como anta-brasileira, é o maior herbívoro da América do Sul e pode ser visto em regiões da Mata Atlântica, Cerrado e na Amazônia. Apesar dessa distribuição, são nas florestas amazônicas que há mais chances de preservarmos a existência da espécie. Mauro Galetti, professor de ecologia da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) e coautor do estudo, afirma que as antas, como todos os herbívoros, precisam de um espaço amplo para encontrar alimentos, se locomover, socializar com outros indivíduos da espécie e reproduzir. “A Amazônia ainda é uma região com vastas extensões de matas preservadas, ideais para o bem-estar das antas. Seu papel então é resguardar esse grande herbívoro”, diz. A Mata Atlântica, bioma do qual restam apenas alguns fragmentos descontínuos de florestas, não é mais um lugar seguro as esses animais, segundo o professor.

O estudo aponta que um dos principais fatores para o declínio das populações de herbívoros é a caça em larga escala para aproveitamento da carne. Na Amazônia, esse também é um problema para as antas, ainda que a prática seja proibida por lei. Sua carne, que é tradicionalmente apreciada por povos indígenas, hoje também é alvo de desejo de moradores de cidades da região. Como têm uma reprodução lenta – a gestação dura certa de 400 dias –, a reposição delas na natureza é mais difícil.

O desaparecimento das antas geraria efeitos colaterais nos ecossistemas e na vida dos seres humanos, como o estudo aponta. Esses grandes herbívoros são responsáveis por serviços ambientais cruciais para a biodiversidade. A anta é um dos poucos animais que conseguem comer frutos de palmeiras, que são grandes e de casca rígida – como o buriti. Como não são digeridas, as sementes do buriti saem nas fezes da anta e conseguem brotar pelas matas, resultando em novas árvores. As antas, portanto, são importantes dispersores de sementes e cultivadores árvores.

A cadeia alimentar e a segurança das espécies também estariam ameaçadas não fosse a presença das antas pelas florestas. Elas competem com roedores por sementes e frutos e, sem antas ao redor, os roedores teriam muito mais alimentos à disposição e sua população cresceria sem controle. Ao mesmo tempo, as antas são as presas dos animais carnívoros, como a onça. Se não existissem mais na natureza, essas onças teriam menos oferta de alimento e também estariam com sua sobrevivência em xeque.

A anta é a última espécie representante de um grupo de mamíferos que já foi muito comum na América do Sul: os megamamíferos. Todos os outros, como a preguiça-gigante e o tatu-gigante, foram extintos nos últimos 10 mil anos. Esses animais de grande porte que desapareceram com o avanço da humanidade são chamados de megafauna. Cientistas acreditam que as causas podem ser tanto a presença dos seres humanos, disputando espaço com esses animais, quanto uma mudança no padrão do clima. “A América do Sul era o local dos grandes mamíferos, como a África é hoje. Por isso, é ainda mais importante que preservemos a última espécie que temos aqui ”, diz Galetti.

A história da descoberta recente de uma nova espécie de anta ilustra os riscos que esses animais sofrem atualmente no Brasil. A identificação da Tapirus kabomani, conhecida como anta-pretinha, foi feita em 2013. Ela é encontrada na divisa de Rondônia e Amazonas, em uma região que hoje está prestes a ser explorada para mineração. “Sabemos poucas informações sobre a anta-pretinha. E infelizmente, já descobrimos que ela corre risco de ser extinta antes mesmo de ser bem estudada”, afirma Galetti.

Fonte: Revista Época

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Homens são detidos com antas e jacarés mortos em Goiás

Dois homens, de 41 e 49 anos, foram presos na GO-164, entre Araguapaz e Faina, no noroeste de Goiás, com 12 quilos de peixes, três jacarés que somavam 30 quilos, além de mais de cinco quilos de carne de anta e de cateto, mamífero também conhecido como caititu. A prisão aconteceu na madrugada deste domingo (21), no km 604 da rodovia.

De acordo com informações da Polícia Militar, a dupla também portava dois rifles. Todo o material estava em uma caminhonete Ford Ranger com placa de Goiânia. As carnes foram apreendidas e os suspeitos encaminhados à delegacia.

Em março do ano passado o governo de Goiás sancionou uma lei que estabelece a “cota zero” para o transporte de qualquer quantidade de peixe em todo o estado durante três anos. A medida vai ser alvo de estudo e, dependendo do resultado, pode ser prorrogada.

Fonte: G1

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ONG MAE registra imagens de antas fora da Mata dos Godoy, em Londrina (PR)

Um trabalho desenvolvido pela ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), de Londrina, registrou a presença do maior mamífero terrestre brasileiro, a anta, na área do entorno da Mata dos Godoy, na região sul do município. A ONG já acumula diversas imagens, pegadas e registros deste animais em terras pé-vermelhas.

Os registros compõem o banco de dados do projeto Caminho das Antas, financiado pela Fundação Boticário de Proteção à Natureza. São parceiros do projeto de conservação o Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistemas (LABRE/UEL), Promotoria do Meio Ambiente de Londrina e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Segundo a ONG MAE, um dos registros dos passeios de uma anta (Tapirus terrestris) foi realizado há aproximadamente um mês, fora da Mata dos Godoy, mas dentro da zona de amortecimento do Parque Estadual.

Estes são os primeiros registros em imagens da existência de antas ao redor do Parque. Até então, os indícios observados da existência destes animais em trajetos fora da mata eram pegadas e excrementos coletados para análise em laboratório.

Nas imagens captadas pela ONG MAE foram identificados um indivíduo macho e uma fêmea. Os registros foram feitos por cinco câmeras que são fixadas em árvores e disparam quando há movimento. Além das antas, os equipamentos também flagraram um puma andando na região.

Os pesquisadores da ONG devem entrevistar, até 2016, cerca de 100 agricultores, seguindo rastros e pegadas, além de instalar câmeras para saber por onde os animais circulam dentro e fora da Mata dos Godoy. Esta varredura é feita em uma área de 100 mil hectares ao sul da zona urbana de Londrina e que abrange parte dos municípios limítrofes de Cambé, Rolândia e Arapongas.

Os pesquisadores da ONG devem entrevistar, até 2016, cerca de 100 agricultores, seguindo rastros e pegadas, além de instalar câmeras para saber por onde os animais circulam dentro e fora da Mata dos Godoy. Esta varredura é feita em uma área de 100 mil hectares ao sul da zona urbana de Londrina e que abrange parte dos municípios limítrofes de Cambé, Rolândia e Arapongas.

Em busca de corredores

Os técnicos deste projeto, além do trabalho de campo, utilizam imagens de satélite cedidas pelo Instituto de Terras, Cartografia e Geociências (ITCG) para mapear os fragmentos florestais mais importantes próximos à Mata dos Godoy e do Ribeirão dos Apertados, estabelecendo a existência de corredores ecológicos ideais para a vida das antas.

O objetivo é relacionar a cobertura florestal na área e a ocorrência desta espécie animal. As principais ameaças às antas são o avanço da urbanização sobre seu habitat e a caça.

“Com base nos resultados parciais do projeto é possível afirmar que apenas a área da Mata dos Godoy não é suficiente para todos os indivíduos locais da espécie. As antas dificilmente sobreviveriam se não fossem as florestas de sítios e fazendas, conectadas ao Parque. Também percebemos que a anta está contribuindo para a regeneração de florestas que tiveram corte seletivo de madeira no passado”, apontou Gustavo Góes.

Registro impressionante

Antes do começo do projeto, a ONG MAE já acumulava registros de antas pela mesma região. “O problema é que a baixa conectividade entre as áreas verdes torna os habitats dela isolados. E esses animais acabam vagando por áreas descampadas, sem proteção, vulneráveis à caça e longe do abrigo seguro que precisam ter”, informou o biólogo e integrante do projeto, Marcelo Arasaki.

Ele é testemunha deste quadro: no ano passado, durante o Projeto Londrina Verde, flagrou uma anta totalmente perdida, correndo sem rumo, em meio a áreas de colheita e pastagens entre os distritos de São Luís e Guaravera (zona rural sul). “Não há como não ficar espantado com a cena”, afirmou.

Fonte: O Diário

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