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Crise climática: Antártica registra temperatura recorde

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a Antártica provavelmente registrou um novo recorde de temperatura de mais de 18°C na quinta-feira (6)


Novos temores de danos acelerados nas camadas de gelo do planeta e aumento do nível do mar foram alimentados pela confirmação da agência meteorológica da ONU de que a Antártica provavelmente registrou um novo recorde de temperatura de mais de 18°C nesta semana.

Falando a jornalistas em Genebra, a porta-voz Clare Nullis, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), disse que a temperatura recorde registrada no norte do continente é considerada incomum, mesmo nos meses mais quentes do verão.

(Foto: ONU/Eskinder Debebe)

“A base de pesquisa argentina, chamada Esperanza, fica no extremo norte da península Antártica; ontem estabeleceu um novo recorde de temperatura: 18,3°C, o que não é um número que você normalmente associaria à Antártida, mesmo no verão. Isso bate o recorde anterior de 17,5°C, que foi retomado em 2015.”

Agora, especialistas da OMM verificarão se a temperatura extrema é um novo recorde para o continente antártico, que é definido como a principal massa continental.

O continente antártico não deve ser confundido com a região antártica, que é toda parte ao Sul a 60 graus de latitude, e onde uma temperatura recorde de 19,8°C foi registrada na ilha de Signy em janeiro de 1982.

Fenômeno “Foehn”

Os especialistas da OMM vão examinar as condições meteorológicas que cercaram o evento, particularmente se este está associado a um fenômeno climático conhecido como “foehn”.

Comuns nas regiões alpinas, os episódios de foehn geralmente envolvem ventos fortes em altitude e o rápido aquecimento do ar enquanto ele desce por encostas ou picos, causado por diferenças significativas de pressão.

“Está entre as regiões de aquecimento mais rápido do planeta”, disse Nullis sobre a Antártica. “Ouvimos muito sobre o Ártico, mas essa parte específica da península antártica está esquentando muito rapidamente. Nos últimos 50 anos, aqueceu quase 3°C.”

Diante de temperaturas cada vez mais quentes, Nullis observou que a quantidade de gelo perdida anualmente na camada de gelo da Antártica “aumentou pelo menos seis vezes entre 1979 e 2017”.

A maior parte dessa perda de gelo ocorre quando as camadas derretem por baixo, quando entram em contato com a água do oceano, relativamente quente, explicou ela.

O derretimento é especialmente marcado no oeste da Antártica, de acordo com a OMM, e em menor extensão ao longo da península e no leste da Antártica.

Recuo acelerado de geleiras

Nullis alertou que cerca de “87% das geleiras ao longo da costa oeste da Península Antártica recuaram nos últimos 50 anos, com a maior parte delas mostrando um recuo acelerado nos últimos 12 anos”.

A preocupação é alta com os principais afluentes da geleira da Antártica Ocidental, em particular a geleira Pine Island, onde duas grandes fendas que foram detectadas pela primeira vez no início de 2019 cresceram cerca de 20 quilômetros.

“Há muita conversa no Twitter no momento; a imagem de satélite mostrando rachaduras na geleira de Pine Island, na Antártica”, disse Nullis. “Elas cresceram rapidamente nos últimos dias. A União Europeia tem um satélite chamado Sentinel que mede e monitora esses dados, e há imagens bastante dramáticas.”

Aproximadamente o dobro do tamanho da Austrália, a Antártica é fria, com ventos fortes e seca. Sua temperatura média anual varia de cerca de 10°C na costa a 60°C negativos nos pontos mais altos do interior.

Sua imensa camada de gelo tem até 4,8 quilômetros de espessura e contém 90% da água doce do mundo, o suficiente para elevar o nível do mar em cerca de 60 metros, em caso de derretimento.

Em um relatório importante do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), de setembro passado, os pesquisadores alertaram que centenas de milhões de pessoas, além de animais, estão sob risco com o derretimento do gelo nas regiões polares do planeta, ligado ao aumento do nível do mar.


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Estudo revela o impacto das mudanças climáticas nos pinguins da Antártica

Pinguim da espécie gentoo salta de um bloco de gelo no porto de Mikkelsen, na Península Antártica. | Foto: Kelton McMahon
Pinguim da espécie gentoo salta de um bloco de gelo no porto de Mikkelsen, na Península Antártica. | Foto: Kelton McMahon

Os pinguins antárticos estão entre os animais mais atingidos pelas mudanças climáticas, sofrendo grandes transformações em seu habitat natural à medida que as temperaturas e a atividade humana na região aumentam. Uma nova pesquisa revela como os pinguins estão lidando com mais de um século de impactos humanos na Antártica e porque algumas espécies são vencedoras ou perdedoras neste ecossistema em rápida mudança.

Pesquisadores da Universidade de Oxford, Universidade Estadual da Louisiana, Universidade de Rhode Island, Universidade da Califórnia de Santa Cruz e Universidade de Saskatchewan estudaram populações de pinguins com o objetivo de entender como a interferência humana nos ecossistemas antárticos, durante o último século, levou a explosões e interrupções na disponibilidade de uma importante fonte de alimento para os pinguins: o krill antártico.

“O krill antártico é um crustáceo semelhante ao camarão, que é uma importante fonte de alimento para pinguins, focas e baleias. Quando as populações de focas e baleias diminuíram devido à caça, acredita-se que isso tenha causado um excedente de krill durante o início até meados de 1900. Em tempos mais recentes, acredita-se que os efeitos combinados da pesca comercial de krill, mudança climática antropogênica e recuperação de populações de focas e baleias tenham diminuído drasticamente a abundância de krill”, diz Michael Polito, coautor principal do estudo e professor assistente no Departamento de Oceanografia e Ciências Costeiras da Universidade Estadual da Louisiana.

Neste estudo, a equipe se concentrou nas dietas dos pingüins das espécies chinstrap (Pygoscelis antarcticus) e gentoo (Pygoscelis papua), analisando os valores isotópicos estáveis de nitrogênio dos aminoácidos, que atuam como um sinal químico do que o pinguim comeu, nas penas de pinguim coletadas durante explorações da Península Antártica durante o século passado. Os resultados foram publicados em 4 de dezembro no periódico Anais da Academia Nacional de Ciências.

“Dado que os pingüins gentoo são comumente vistos como vencedores da mudança climática e pinguins chinstrap como perdedores sob o mesmo ponto de vista, queríamos investigar como as diferenças em suas dietas podem permitir que uma espécie lide com uma mudança na oferta de alimentos enquanto a outra não”, disse Tom. Hart, coautor e penguinologista do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford. “Queríamos entender por que os pinguins chinstrap tiveram um declínio populacional grave, enquanto as populações de pinguins gentoo aumentaram na Península Antártica no último meio século”.

A equipe descobriu que ambas as espécies de pinguins se alimentavam principalmente de krill durante o excedente de krill no início e meados de 1900, causado pela caça de focas e baleias. Por outro lado, durante a segunda metade do século passado, os pinguins gentoo mostraram cada vez mais uma mudança adaptativa no ato de comer estritamente krill passando a incluir peixes e lulas em suas dietas, ao contrário dos pinguins chinstrap que continuavam a se alimentar exclusivamente de krill.

“Nossos resultados indicam que a caça de mamíferos marinhos e as mudanças climáticas recentes alteraram a rede alimentar marinha antártica ao longo do século passado. Além disso, as diferentes dietas e respostas populacionais observadas nos pinguins indicam que espécies como os pinguins chinstrap, com dietas especializadas e a forte dependência do krill provavelmente continuarão em declínio à medida que as mudanças climáticas e outros impactos humanos se intensificarem”, diz Kelton McMahon, coautor principal e professor assistente da Universidade de Rhode Island.

Os autores preveem que a região da Península Antártica continuará sendo um ponto importante para as mudanças climáticas e os impactos humanos durante o próximo século, e acreditam que suas pesquisas serão benéficas na previsão de quais espécies provavelmente se sairão mal e quais irão resistir – ou até se beneficiar – com as mudanças futuras.

McMahon diz: “Ao entender como os ecossistemas do passado respondem às mudanças ambientais, podemos prever melhor as respostas futuras para gerenciar as interações homem-ambiente na Antártica”. As informações são do Science Daily.

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Destaques

Mais da metade dos pinguins-imperadores do mundo morrerão em 80 anos

Foto: Shutterstock/Mario Hoppmann
Foto: Shutterstock/Mario Hoppmann

Mais da metade dos pinguins-imperadores do mundo morrerão nos próximos 80 anos por causa do derretimento do gelo, alertam os cientistas.

Graças a pesquisas aéreas e por satélite, os pinguins-imperadores são provavelmente as únicas espécies nas quais os cientistas podem ter certeza de seus números – cerca de 600 mil.

Mas na terça feira (8) o Departamento Britânico de Pesquisa na Antártica alertou que mais da metade das aves – pelo menos 300 mil – morrerão sob as atuais taxas do aumento da temperatura global.

Isso ocorre porque o gelo marinho no qual eles precisam para se reproduzir corre o risco de derreter devido ao aumento da temperatura.

Em um artigo publicado na revista Biological Conservation, uma equipe internacional de pesquisadores revisou mais de 150 estudos sobre a espécie.

Os cientistas dizem que a pesquisa atual sugere que “as populações de pinguins-imperadores diminuirão em mais de 50% ao longo do século atual”.

Os pinguins-imperadores são espécies únicas entre os pássaros, pois se reproduzem no gelo marinho antártico sazonalmente.

Foto: Shutterstock/Gaearon Tolon
Foto: Shutterstock/Gaearon Tolon

Eles precisam de gelo marinho durante o tempo em que incubam seus ovos e enquanto criam seus filhotes.

Eles também precisam de gelo marinho estável depois de terem se reproduzido, durante o período em que migram anualmente, período em que não podem entrar na água, pois suas penas não são mais à prova d’água.

Pinguins-imperadores dependem de gelo estável durante todo o seu período de reprodução.

Consequentemente, a formação tardia de gelo no mar, o rompimento precoce ou mesmo a falha completa da formação rápida de gelo reduzem fortemente as chances de reprodução e criação de filhotes bem-sucedida e persistência da espécie em qualquer local.

O autor principal do estudo, Dr. Philip Trathan, chefe de Biologia da Conservação no Departamento Britânico de Pesquisa na Antártica (BAS) disse ao Daily Mail: “A taxa atual de aquecimento em determinadas partes da Antártica é maior do que qualquer coisa no recente registro glaciológico”.

“Embora os pinguins-imperadores tenham experimentado períodos de aquecimento e resfriamento ao longo de sua história evolutiva, as taxas atuais de aquecimento não possuem precedentes”, alertou o cientista.

Foto: Frederique Olivier
Foto: Frederique Olivier

“Atualmente, não temos ideia de como os pinguins-imperadores se ajustarão à perda de seu habitat primário de reprodução – o gelo do mar. Eles não são ágeis e conseguir escalar em terra através de formas íngremes na costa será difícil”.

“Para a reprodução, eles dependem do gelo marinho e, em um mundo em aquecimento, há uma alta probabilidade de que isso diminua. Sem ele, eles terão pouco ou nenhum habitat para reprodução”.

Peter Fretwell, especialista em sensoriamento remoto da BAS e co-autor do artigo, disse ao Daily Mail: “Algumas colônias de pinguins-imperadores podem não sobreviver nas próximas décadas, então devemos trabalhar para dar o máximo de proteção possível às espécies, a fim de lhes dar a melhor chance”.

Rod Downie, consultor-chefe polar da WWF, que financiou o estudo, disse ao Daily Mail: “Os pinguins-imperadores estão perfeitamente adaptados para sobreviver na fronteira mais remota e extrema do planeta. Mas nem eles podem se esconder da crise climática global, pois perdem o gelo do mar bem debaixo de seus pés.”

“Precisamos tomar medidas urgentes para proteger essas espécies incríveis por meio da criação de vastas áreas marinhas protegidas e cortes rápidos e profundos nas emissões de gases de efeito estufa”.

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Poluição: microplásticos são encontrados no organismo de pinguins da Antártica

Cientistas da Universidade de Coimbra, em Portugal, encontraram microplásticos no organismo de pinguins que habitam a Antártica. O resultado do estudo provou que a alimentação desses animais já está sendo afetada pela poluição gerada pelos humanos.

Foto: Jose Xavier/Divulgação Universidade de Coimbra

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores analisaram 80 mostras de fezes de pinguins da espécie gentoo Pygocelis papua. O microplástico estava presente em 20% delas.

De acordo com o estudo, publicado nesta quarta-feira (2) na revista Scientific Reports, os microplásticos encontrados eram partículas minúsculas de diferentes tamanhos, formatos e cores, o que indica uma variedade do material no território da Antártica. As informações são do jornal Extra.

A quantidade de microplástico encontrada nas fezes dos animais impressionou os cientistas. Isso porque, embora essas partículas já tenham sido encontradas nos oceanos Antártico e Ártico, os especialistas acreditavam que a presença delas na alimentação dos animas ainda fosse bastante reduzida.

Principal autora da pesquisa, a cientista Filipa Bessa, da Universidade de Coimbra, afirmou que “é alarmante que microplásticos já tenham chegado à Antártica”. Bessa disse ainda que que “a variedade de microplásticos encontrados nos pinguins poderá indicar diferentes fontes de poluição e uma difícil solução para este problema”.

Encontrados em praticamente todos os ambientes marinhos do mundo, os microplástico são engolidos pelos animais, o que os adoece e os leva à morte precoce. O resgate de animais marinhos, vivos ou mortos, com plástico no estômago, tem sido cada vez mais comum.


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De olho no planeta

Derretimento da Antártica é seis vezes maior do que há 40 anos

Um dos mais abrangentes estudos sobre mudanças climáticas na Antártica, feito pela Nasa, concluiu que o derretimento de gelo no continente é seis vezes maior do que era há 40 anos. Para a elaboração da pesquisa, foram usadas fotos aéreas, dados de satélites e modelos climáticos da década de 1970 em todas as regiões da Antártica.

Foto: Pixabayde olho

O derretimento do gelo já elevou o nível do mar no local em 1,4 centímetro desde 1979. Caso a situação se mantenha desta forma, o aquecimento poderá ser responsável por um aumento ainda maior futuramente. As informações são do O Globo.

Entre 1979 e 1990, segundo o estudo, o continente perdeu, em média, aproximadamente 40 bilhões de toneladas de gelo por ano. Entre 2009 e 2017, foram perdidas cerca de 252 bilhões de toneladas por ano, o que fez com que o nível dos mares subisse 3,6 milímetros a cada década.

“Nós estamos falando apenas da ponta do iceberg. Enquanto a massa de gelo da Antártica continuar a derreter, o nível do oceano deverá aumentar vários metros nos próximos séculos”, disse Eric Rigton, professor da Universidade da Califórnia, em Irvine, e autor do estudo publicado na Nature Geoscience.

A pesquisa permitiu ainda entender a confusão que levou alguns céticos das mudanças climáticas a acreditarem que o gelo da Antártica estaria aumentando, ao invés de diminuindo, como mostraram os pesquisadores. A confusão se deu devido a alguns estudos anteriores que sugeriram que a cobertura de gelo tem aumentado no leste do continente com rapidez suficiente para anular as perdas da região oeste mais visíveis, especialmente na extensão do gelo marinho. A última pesquisa indica uma contribuição significante para o aumento do nível do mar por parte de uma perda de gelo no leste do continente, mas recomenda a execução de outros estudos sobre os fatores que geram esse impacto.

“A área da Terra Wilkies, no leste da Antártica, sempre foi, no geral, um importante participante na perda de massas, mesmo nos anos 1980, como a nossa pesquisa mostrou. Essa região é provavelmente mais sensível ao clima do que tradicionalmente se supõe e isso é importante saber, uma vez que tem mais gelo do que o oeste e a península da Antártica juntos”, diz Rignot.

De acordo com os pesquisadores, não foi encontrada nenhuma mudança significativa na queda de neve no continente, mas foi constatado que o aquecimento do mar tem impulsionado uma perda de gelo acelerada, aumentando as taxas de derretimento das geleiras ao redor das bordas dos continentes.

“Na medida em que o aquecimento do clima e o esgotamento do ozônio enviam mais calor para esses setores, eles seguirão contribuindo para o aumento do nível do mar na Antártica nas próximas décadas”, explica.

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Biodiversidade da Antártica floresce onde quer que pinguins e focas defequem

Foto: Guy Bryant/Adobe Stock
Habitat da Antártica é enriquecido graças aos excrementos de pinguins e focas | Foto: Guy Bryant/Adobe Stock

Cientistas descobriram que na desolada península da Antártida, excrementos de animais ricos em nitrogênio de colônias de pinguins e focas enriquece o solo de uma forma tão plena que ajuda a criar florescimentos de biodiversidade em toda a região. O trabalho científico, publicado em 9 de maio na revista Current Biology, mostra que a influência desse excremento pode se estender por mais de mil metros além da colônia.

Os pesquisadores enfrentaram o frio severo da Antártida e manobraram através dos campos de resíduos animais e grupos de elefantes marinhos, pinguins das espécies gentoo, chinstrap e adélie para examinar os solos e plantas que cercam essas colônias.

“O que vemos é que os excrementos produzido por focas e pinguins evaporam parcialmente como amônia”, diz Stef Bokhorst, pesquisador do Departamento de Ciências Ecológicas da Vrije Universiteit Amsterdam. “Então, o amoníaco é absorvido pelo vento e soprado para o interior, e isso faz o seu caminho para o solo e fornece o nitrogênio que os produtores primários precisam para sobreviver nesta paisagem.”

Na verdade, esse processo permite que a amônia enriqueça uma área até 240 vezes o tamanho da colônia. E os resultados desse enriquecimento: uma florescente comunidade de musgos e líquenes, que por sua vez suporta um número incrível de pequenos invertebrados, como colêmbolos e ácaros.

“Você pode encontrar milhões deles por metro quadrado aqui, mas em pastagens nos EUA ou na Europa, há apenas cerca de 50 mil a 100 mil por metro quadrado”, diz Bokhorst. “Demorou meses e meses sentado no laboratório contando e identificando-os sob um microscópio”, diz ele, e observa que a caminhada pelas temperaturas amargas da Antártida era muito preferível a essa tarefa.

Em última análise, um círculo de enriquecimento de nutrientes, conhecido como a pegada de nitrogênio, envolve a colônia. Inesperadamente, os autores descobriram que a extensão da pegada de uma colônia tem pouco a ver com o quão fria ou seca a região é, mas depende muito do número de animais presentes.

Foto: Paul A. Souders/CORBIS
Foto: Paul A. Souders/CORBIS

Usando essa informação, Bokhorst e seus colegas conseguiram mapear pontos críticos de biodiversidade em toda a península. É importante ressaltar que esses mapas podem ser facilmente atualizados usando imagens de satélite para determinar a localização e o tamanho das colônias reprodutoras, liberando futuros pesquisadores de terem que realizar trabalho de campo. Este é um passo importante para uma região como a Antártica, cujo tamanho maciço, temperaturas perigosamente baixas e total desolação dificultam a pesquisa.

Bokhorst diz que uma grande ameaça à biodiversidade existente que eles observam é a mudança climática e a atividade humana. As vibrantes comunidades de invertebrados na península experimentam uma predação muito baixa, mas a introdução de espécies de plantas invasoras, cujas sementes podem ser sopradas da África do Sul e da América do Sul ou transportadas para o sistema por aves marinhas e humanos, pode mudar isso.

“Assim como as colônias de pinguins e focas enriquecem o solo para plantas nativas, também é possível que elas sejam ideais para espécies invasoras, que podem ser mais resistentes e fornecer abrigo para insetos predadores como aranhas e besouros”, diz Bokhorst. “Neste momento, o sistema é muito improdutivo para suportar qualquer mamífero, como ratos e camundongos”.

Avançando, os autores pretendem abordar essas preocupações, pesquisando os papéis das espécies invasoras no Ártico e na Antártida. Um dos objetivos principais é determinar se as atividades das colônias de focas e pinguins realmente promovem o sucesso de espécies invasoras e quais ações podem ser tomadas para impedir a introdução de invasores nessas regiões intocadas no futuro.

Os autores do estudo agradecem o apoio do Programa Polar da Holanda e do Conselho de Pesquisas do Ambiente Natural.

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Quais animais sobreviverão em uma Antártica cada vez mais quente?

O pinguim-imperador é um exemplo de animal que, de acordo com os pesquisadores, enfrentará grandes dificuldades para sobreviver em uma Antártica mais quente. (Siggy Nowak/Pixabay)

O aquecimento global tem produzido efeitos em todo o mundo, e a Antártica não é exceção. No entanto, possuidor de um ecossistema único, o continente pode sofrer de forma ímpar com as recentes mudanças climáticas.

Um estudo publicado no periódico científico Frontiers in Marine Science buscou compreender como as alterações na temperatura do mundo podem afetar a vida animal na Antártica. Os cientistas tomaram como base os possíveis impactos de um clima mais quente, da redução do nível do mar e das mudanças na disponibilidade de comida, para entender quem seriam os vencedores e perdedores da transformação climática no território.

O resultado encontrado foi de que predadores do assoalho marinho, como estrelas-do-mar, e animais como a água-viva se beneficiarão com a transformação do seu habitat. Também serão positivamente influenciados os seres que se alimentam de restos orgânicos, a exemplo do ouriço-do-mar.

Por outro lado, o pequenino crustáceo chamado krill será muito prejudicado pelo aquecimento global. Uma das principais consequências do aumento da temperatura na Antártica é a quebra e o desaparecimento de geleiras e blocos de gelo. Embaixo desse gelo, no entanto, vivem muitas algas, das quais esses organismos se alimentam quando jovens. Assim, essa alteração causará uma redução do número de krill. Em consequência, pinguins-de-barbicha e baleias-jubarte, os quais costumam se alimentar desse crustáceo, sofrerão com a mudança.

Já o icônico pinguim-imperador será negativamente afetado porque usa esses blocos de gelo como local para se reproduzir. Quando essas estruturas forem destruídas, o animal encontrará muitas dificuldades nesse sentido.

De acordo com os cientistas responsáveis pela pesquisa, os próximos passos incluem coletar mais dados e pesquisar outros fatores que podem impactar a vida dos organismos que vivem na Antártica.

Fonte: Veja

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Um pinguim-de-adélia andando na neve, virado para a direita Ele está com as asas levantadas para trás e uma de suas patas está levantada para dar o próximo passo.
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Colônia de pinguins desconhecida é descoberta pela NASA via satélite

A NASA descobriu numa investigação sobre o continente da Antártica uma colônia de aproximadamente 1,5 milhão de pinguins-de-adélia. A descoberta foi devido a uma mancha rosa identificada via satélite por cientistas como rastros das fezes dessas aves. Os cientistas estão tentando analisar as alterações na dieta dos pinguins como uma consequência das mudanças climáticas.

Um pinguim-de-adélia andando na neve, virado para a direita Ele está com as asas levantadas para trás e uma de suas patas está levantada para dar o próximo passo.
Colônia de pinguins-de-adélia é descoberta pela NASA. Foto: NZ Birds Online

Essa tal mancha rosa, conhecida como guano, origina-se do acúmulo de fezes e cadáveres das aves oceânicas. E os cientistas dizem que pode-se determinar o que os pinguins estão comendo com base na observação do guano.

“O guano pode mudar de branco para rosa e para vermelho-escuro”, disse Heather Lynch, uma professora associada da Universidade de Stony Brook. “O guano branco ocorre quando a dieta é baseada em peixes, e fica rosa e vermelho quando os pinguins se alimentam de krill.”

Numa reunião da União de Geofísica dos Estados Unidos em Washington, pesquisadores revelaram que a super-colônia de pinguins residia na Ilha do Perigo há aproximadamente 2.800 anos. Mas foi somente após a criação de um algoritmo da NASA que permitia identificar o guano nessas áreas que os cientistas se deram conta da existência dessa colônia.

De acordo com Lynch, a surpresa foi em grande parte “porque não esperávamos encontrá-los.” Os pesquisadores dizem que as descobertas podem esclarecer questões sobre a mudança na disponibilidade de presas, entre outras mudanças ambientais na área.

Pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa fizeram uma viagem até as ilhas para fazer uma contagem dos pinguins habitantes da ilha. Com a ajuda de um drone, contaram ao todo 750 mil casais, 1,5 milhão de indivíduos.

Agora, a população mundial de pinguins-de-adélia chega aos 4 milhões de pares, uma marca que dobrou nas últimas quatro décadas, apesar da queda substancial de indivíduos na Península Antártica Ocidental — um dos locais que mais sofrem com o aumento global da temperatura.

“Essa novas colônias mudaram totalmente nosso apreço pelas Ilhas do Perigo como um point de pinguins”, declarou Heather Lynch ao The New York Times. Após esta descoberta, os cientistas esperam receber mais apoio em relação a conservação da Antártica.

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Grupo de pinguins na Antártica
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Reino Unido apoia criação de santuário na Antártica

Uma reserva cinco vezes o tamanho da Alemanha. A proposta ambiciosa de especialistas é transformar 1,8 milhão de km em um santuário para pinguins, focas, orcas e baleias no oceano Antártico. Com papel estratégico na área, o Reino Unido demonstrou seu apoio ao projeto.

Grupo de pinguins na Antártica
Países atuantes na região decidirão sobre a criação do santuário | Foto: Pixabay

Uma vez criada a reserva, a pesca seria proibida em grande parte do Mar de Weddell e trechos da Península Antártica. A ação seria fundamental na contenção da mudança climática. Cientistas apontam que os mares da região são capazes de absorver enormes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera.

O apoio do Reino Unido à iniciativa é crucial. Michael Gove, secretário do meio ambiente, disse à impressa local que está totalmente comprometido com a criação do novo santuário antártico, o que seria um momento-chave no esforço para proteger os oceanos do mundo. A reserva seria a maior do mundo.

A ideia do novo santuário foi apresentada pela Alemanha e é apoiada pela União Europeia. Organizações ativistas têm juntados esforços na promoção da ideia.

Uma decisão deve ser tomada pelas nações que compõem a Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos em Hobart, Tasmânia, no final deste mês. Resta saber como países ativos na pesca da região vão se posicionar. Rússia, Noruega e China devem se posicionar no evento.

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De olho no planeta

Estudo confirma presença de poluição plástica na Antártica

Plástico e vestígios de produtos químicos perigosos foram encontrados na Antártica, um dos últimos grandes desertos do mundo, de acordo com um novo estudo.

Plástico foi encontrado na Antártica
Apesar da distância, a Antártica também foi atingida pela poluição plástica. (Foto: reprodução)

Pesquisadores passaram três meses recolhendo amostras de água e neve de áreas remotas do continente no início deste ano. Elas foram analisadas ​​e os investigadores confirmaram que a maioria continha “químicos perigosos persistentes” ou microplásticos.

As descobertas acontecem em meio à crescente preocupação com a extensão da crise da poluição plástica, que os cientistas alertam como sendo um risco de “contaminação permanente” do planeta.

No início desta semana, a ONU alertou que essa poluição é uma das maiores ameaças ambientais do mundo e disse que, embora 60 países estejam tomando medidas urgentes, mais ações são necessárias.

O novo relatório de pesquisadores do Greenpeace faz parte de uma campanha global para criar o maior santuário oceânico do mundo nos mares ao redor da Antártica. A iniciativa tem intenção de proteger esse frágil ecossistema, que é diretamente afetado pela pesca industrial e por mudanças climáticas.

Frida Bengtsson, da campanha Protect the Antarctic do Greenpeace, disse que as descobertas provaram que mesmo as áreas mais remotas do planeta não estão imunes ao impacto da poluição provocada pelo homem.

“Precisamos de ação na fonte, para acabar com esses poluentes que acabam na Antártica. E precisamos de um santuário oceânico antártico para dar espaço para pinguins, baleias e todo o ecossistema se recuperar das pressões que estão enfrentando”, ela disse.

Foto: Divulgação/Reuters

Sete das oito amostras de água da superfície do mar continham microplásticos, como microfibras. Das nove amostras de neve testadas, sete continham concentrações detectáveis ​​de produtos químicos perigosos persistentes – substâncias polifluoradas alquiladas.

Pesquisadores disseram que os produtos químicos são amplamente utilizados em muitos processos industriais e produtos de consumo e estão ligados a problemas reprodutivos e de desenvolvimento na vida selvagem. Eles disseram que as amostras de neve sugeriam que as substâncias químicas perigosas vieram de chuva ou neve contaminada.

Alex Rogers, especialista em oceanos sustentáveis ​​da Universidade de Oxford, disse que a descoberta de plásticos e produtos químicos nas águas do continente confirmou que os poluentes produzidos pelo homem estão afetando os ecossistemas em todos os cantos do mundo. E ele advertiu que as consequências dessa contaminação generalizada continuam, em grande parte, desconhecidas.

“A grande questão agora é quais serão as consequências reais de termos encontrado esse material aqui? Muitos desses químicos são muito nocivos ​​e, à medida que avançam na cadeia alimentar, podem causar impactos negativos à saúde da vida selvagem e, em última instância, para os seres humanos. Os efeitos dos microplásticos na vida marinha, da mesma forma, em grande parte não são compreendidos ”, disse ele.

Há poucos dados sobre a quantidade de microplástico nas águas da Antártica, e os pesquisadores disseram esperar que este novo estudo leve a um maior entendimento da extensão global dos poluentes químicos e plásticos.

Bengtsson disse: “O plástico foi encontrado em todos os cantos dos oceanos, desde a Antártica até o Ártico, e também no ponto mais profundo do oceano. Precisamos de uma ação urgente para reduzir o fluxo de plástico em nossos mares e precisamos de reservas marinhas em grande escala – como um enorme santuário antártico oceânico que mais de 1,6 milhão de pessoas estão pedindo – para proteger a vida marinha e nossos oceanos para as gerações futuras ”.

As amostras foram coletadas durante uma expedição de três meses do Greenpeace à Antártica, de janeiro a março de 2018.

Uma decisão sobre a proposta do santuário, que está sendo apresentada pela UE e apoiada por grupos de campanha ambiental em todo o mundo, será tomada na próxima reunião da Comissão do Oceano Antártico na Tasmânia, em outubro.

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De olho no planeta

Derretimento de geleira na Antártica pode aumentar o nível do mar

Esta é uma descoberta importante para compreender e projetar as contribuições da camada de gelo para o aumento do nível do mar. As análises, feitas por uma equipe de Stanford liderada engenheiros e geofísicos, usaram dados coletados na região em 2004, 2012 e 2014, que revelaram detalhes das geleiras abaixo da superfície.

Foto: NASA

As pesquisas mostram que a água do oceano está alcançando a borda da Glaciar Pine Island, a cerca de 7,5 milhas a mais do que o indicado por observações anteriores do espaço, informa o Phys.

Foi revelado também que o Southwest Tributary of Pine Island Glacier, um canal de gelo profundo entre as duas geleiras, pode gerar ou acelerar a perda de gelo na geleira de Thwaites caso o derretimento observado na geleira de Pine Island pela água oceânica aquecida continue no canal. Os resultados foram publicados on-line nos Annals of Glaciology.

O aumento do nível do mar tornou-se uma grande preocupação global e pode ser exacerbado com o derretimento de Thwaites.

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De olho no planeta

Campanha global quer criar maior santuário do mundo na Antártica

A expedição de três meses visa contribuir para a construção de um enorme santuário oceânico. Em um esforço para combater as ameaças da pesca, da poluição plástica e das mudanças climáticas na Antártica, a União Europeia (UE) e o Greenpeace têm feito desde Outubro uma campanha global para criar a maior área protegida da Terra – um santuário de 1,8 milhão de quilômetros quadrados no Mar de Weddell e em torno da Península Antártica, revela o Ecowatch.

Foto: WHOI.

A proposta do santuário em uma área de cerca de cinco vezes do tamanho da Alemanha criaria “uma zona segura de urgência” para animais como pinguins, baleias e focas, explica a ativista do Greenpeace na Nova Zelândia Amanda Larsson.

“Isso significaria que as águas seriam proibidas para grandes frotas de pesca industriais que querem pegar o pequeno krill de camarão do qual a vida antártica depende”, explicou Larsson.

A proposta foi apresentada pela UE e já é apoiada por vários países. Além disso, 250 mil pessoas em todo o mundo se inscreveram para endossar o projeto, de acordo com o The Guardian.

O plano será apresentado em uma conferência sobre a Antártida que será realizada em Outubro na Austrália, onde 24 governos nacionais e a UE decidirão seu destino.

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