Home [Destaque N2], Notícias

Cão agitado é submetido a mutilação dos dentes caninos por sua tutora

Por Marcela Couto (da Redação)

Cotton é um cão cujo temperamento “difícil” levou sua tutora, Diane Krieger, a buscar a solução em um procedimento nada ortodoxo chamado “desarmamento de caninos”.

O cãozinho Cotton na mesa de cirurgia para o procedimento
Foto: Jake Stevens / Los Angeles Times

Para “desarmar” um cão da capacidade de morder, um dentista veterinário (neste caso, o Dr. David Nielsen de Manhattan) remove alguns milímetros dos dentes caninos usando um laser CO2. O resultado é um animal que ainda consegue morder, mas causando muito menos danos do que se tivesse seus dentes intactos.

Krieger diz que não tomou facilmente a decisão de desarmar Cotton. Ela conta que foram usadas muitas táticas que falharam para mudar o comportamento do cão da raça American Eskimo de 6 anos de idade. Houve até mesmo uma sessão com o famoso “Encantador de Cães” do Animal Planet, Cesar Millan. Por fim, Krieger optou pelo método invasivo como último recurso.

Os pedaços dos caninos de Cotton
Foto: Jake Stevens / Los Angeles Times

Mesmo assim, muitas pessoas que leram a notícia encontraram problemas nesta decisão, argumentando que o procedimento foi apenas um contorno conveniente para o problema de Cotton que não resolveu nada. “Me impressiona o fato dela nunca ter procurado um veterinário especialista em comportamento canino para solucionar os problemas de Cotton,” escreveu o leitor Cliff Hall.

“Desarmar os dentes não cura a ansiedade que o cão deve sentir toda vez que alguém entra em seu território. Cortar um pedaço de seus dentes significa não fazer absolutamente nada para ajudá-lo”. A leitora Shelly disse que o procedimento é “tão desumano quanto a cirurgia que mutila as cordas vocais para evitar latidos”.

O Los Angeles Times recebeu diversas cartas e e-mails criticando o procedimento. “Assustador”, “violento” e “repugnante” foram alguns termos usados para qualificar o ato.

Muitos veterinários também deram a sua opinião, um deles, Bud Stewart de Santa Barbara, escreveu dizendo que já realizou um procedimento similar há 40 anos e que os resultados foram positivos.

Mas Shane N. White, uma professora da Escola de Odontologia UCLA, disse que a agressão de Cotton é “um problema comportamental, e não dental. Logo, só poderá ser tratado com terapia, não com tratamentos dentais invasivos e radicais”.

O veterinário Anson J. Tsugawa de Los Angeles, escreveu uma carta denunciando a prática. Eis um trecho:

“Muitos tutores que consideram o desarmamento canino para seu cão nunca conheceram a opção de ter um veterinário especialista em comportamento, confiável e certificado. Simplesmente, “desarmar” um cão não ataca a causa do temperamento, é preciso um plano de tratamento desenvolvido por um profissional especialista para alcançar a mudança “.

Não existem documentos científicos que relatem a eficácia do procedimento. Todas as técnicas de desarmamento canino envolvem riscos de infecção e até fratura da mandíbula – cuja dor causada no animal pode se manifestar novamente na forma de agressão.

Muitas pessoas nunca ouviram falar em veterinários especialistas em comportamento, mas o Colégio Americano de Veterinários Especialistas em Comportamento oferece uma lista de profissionais para consulta.

Krieger admite que o desarmamento canino não melhorou as tendências difíceis de Cotton – ele ainda tenta morder estranhos quando entram em casa. Ela acredita que suas mordidas se tornaram menos perigosas do que antes, mas que de qualquer forma continuará investindo em tratamentos para mudar o comportamento do animal e encontrar as causas do problema.

Nota da Redação: A mutilação dos dentes de Cotton parece ter resolvido apenas o problema de sua tutora, que achava bastante inconveniente o fato dele morder  as visitas. Os transtornos do cão continuam, com o agravante de que agora seus caninos foram privados da função de defesa natural.  Isto é inaceitável e configura maus-tratos. A tutora deve ser responsabilizada judicialmente e procurar um tratamento para ela também. Pobre Cotton.cotton1

Com informações de Los Angeles Times

 

​Read More