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Finalista de competição australiana lança preservativos veganos

Por Sophia Portes / Redação ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais)

Veg News

Dustin Leonard, ex-participante da competição australiana “Bachelor of The Year”, lançou uma nova linha de preservativos veganos e lubrificantes à base de plantas. Leonard fundou em 2013 a empresa Hero, com o intuito de ajudar a criar soluções para problemas globais, principalmente a epidemia do vírus HIV na África.

Os novos preservativos não contém produtos de origem animal e nem foram testados em animais. “Alguns preservativos e lubrificantes incluem uma proteína animal que também é usada para engrossar e congelar alguns alimentos e outros produtos”, contou Leonard ao site Veg News.

Já o lubrificante tem PH equilibrado e é feito apenas com ingredientes vegetais, incluindo aloe vera. Para cada compra, a empresa de Leonard vai doar uma caixa de preservativos para clínicas em Botsuana, no Sul da África, como forma de continuar sua luta contra a disseminação da AIDS.

 

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Artigos

Cientistas fazem macacos ter Aids pela primeira vez: vitória ou derrota?

Há algo de tolo e irracional na ciência tal como a entendemos hoje.

Vírus HIV: após modificação, macacos contraíram aids pela primeira vez (Thinkstock)
Vírus HIV: após modificação, macacos contraíram aids pela primeira vez (Thinkstock)

Após 30 anos do início da pandemia de AIDS em todo o mundo e milhões gastos em pesquisa, finalmente cientistas comemoram a noticia . . . não de que conseguiram a cura para a doença em seres humanos, mas que conseguiram criar a doença em outros primatas.

Historicamente, primatas sempre foram os “modelos” escolhidos para pesquisa de AIDS e, no entanto, jamais qualquer desses animais inoculados desenvolveu a doença. Centenas de chimpanzés, macacos Rhesus e primatas de outras espécies, milhões de animais de outras ordens, vários anos e recursos gastos. . . e tudo o que sabemos sobre a AIDS não tem nenhuma relação com essa pesquisa, mas da observação clínica de seres humanos. Ainda que o vírus se reproduzam no organismo de chimpanzés, seu sistema imune sempre acaba por vencê-lo. Primatas não-humanos não adoecem de AIDS, eles não deveriam ser considerados “modelos”.

Qualquer criança entende que um modelo é uma miniatura ou réplica de algo. Os engenheiros chamam de modelo as maquetes de edifícios, Os plastimodelistas chamam de modelo as réplicas de trenzinhos e aviões, os dioramas e artefatos militares que imitam exatamente cenas de guerra. Esses são modelos. Se algo não é uma réplica nem uma miniatura ou uma cópia, nem mesmo as crianças ousam chamar de modelo. Crianças sabem disso, engenheiros sabem disso . . . mas cientistas que adotam o termo “modelo animal” utilizam o termo para se referir aos animais que eles utilizam em pesquisas, apesar de abertamente (e contraditoriamente) admitirem que esses animais não são miniaturas nem réplicas de seres humanos, não se parecem em nada com seres humanos e nem desenvolvem suas doenças.

Uma infinidade de recursos aplicados e milhões de animais mortos em pesquisas sobre a AIDS e finalmente o que temos não é a cura, mas animais que estão desenvolvendo uma nova doença. E isso é motivo para comemorar?

Vejamos:

O que os vivissectores até agora fizeram não foi buscar uma forma de destruir um vírus, mas sim uma forma de criar um novo vírus. Toda vez que um vírus que coloniza determinado hospedeiro entra em contato com um novo hospedeiro duas coisas podem acontecer: Ou ele morre por não conseguir colonizar o novo hospedeiro ou ele consegue colonizar o novo hospedeiro, e possivelmente sofre mutações para se adaptar à nova situação. Aliás, essa é a principal razão porque novas doenças surgem.

Vírus são organismos altamente adaptáveis e propensos a mutações. O que fizemos investindo milhões em pesquisa em modelos animais foi estimular essa mutação dos vírus, quando os forçamos a entrar em contato com novas espécies.

No caso da pesquisa em questão, os cientistas não se limitaram a fazer isso. Eles hibridizaram o DNA do HIV com o DNA do SIV, o vírus da imunodeficiência em símios. Um novo vírus foi criado em laboratório, e ele contém elementos de ambos os vírus. Possivelmente uma nova doença não apenas para macacos, mas também para seres humanos.

Os cientistas comemoram, mas eles não estão mais perto de obter a cura para a AIDS, nem sequer de entender a forma como a doença se comporta em seres humanos. Eles comemoram seus próprios feitos, mas isso diz mais respeito aos seu próprio ego e não ao avanço real da ciência. Estamos agora mais próximos de termos uma nova doença (caso esse virus fuja do controle) do que de extinguir uma doença existente.
Doenças não são sintomas, Se engana quem crê que um macaco inoculado com um novo virus é um modelo de doença que incide naturalmente em seres humanos. Ainda que os sintomas possam se manifestar de maneira semelhante (e nesse caso isso sequer ficou demonstrado) uma doença é muito mais do que seus sintomas. Temos de entender porque que alguns seres humanos lidam bem com o vírus e outros não, e isso nenhum animal poderá nos dizer. Há milhões de pessoas que tem de lidar com o HIV diariamente e enquanto isso cientistas gastam recursos e tempo inoculando animais com doenças.

Sim, a ciência moderna não está acima da tolice e da irracionalidade.

 

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Direitos dos Grandes Primatas

Um escândalo criminoso

“Os chimpanzés norte-americanos”

Foto: Santuário Save the Chimps

Na década de 80, o HIV apareceu na vida dos humanos para infernizar sua existência e enriquecer algumas grandes corporações. Nós conhecemos muito bem o jogo de interesses que explodiu no mundo pela cura da AIDS. Sofremos com aquilo, já que nosso grupo empresarial foi o primeiro no mundo a desenvolver um teste, barato e manual, para o diagnóstico da doença. Algum dia contaremos em detalhe essa história que desmascara muita gente que lucra com a saúde.

Agora vamos falar de chimpanzés, que também foram – sem culpa alguma – mutilados e torturados em nome da cura impossível da AIDS. O NIH (Instituto de Saúde dos Estados Unidos) e algumas corporações farmacêuticas concentraram seus esforços no fim da década de 80 para procurar uma vacina contra o HIV a qualquer custo.

Sem o menor preparo científico, sem testar nenhum chimpanzé para ver sua sensibilidade ante o vírus, começaram a tirar centenas de bebês chimpanzés da África, alimentando o tráfico destes primatas e inflando os preços do mercado negro e branco dos mesmos. Como não eram suficientes, foram montados Centros de Reprodução de Chimpanzés em diversas cidades norte-americanas, para atender a demanda dos laboratórios farmacêuticos, que investiam, com a chancela do NIH, centenas de milhões de dólares para chegar antes que outros à descoberta da cura ou da prevenção da doença.

Os chimpanzés chegavam a custar 60 mil dólares e eram arrancados de suas mães 24 horas depois do seu nascimento, para acelerar seu uso e o acesso ao mercado. Porém, existia um problema “legal”. O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (FWS), que tem a responsabilidade de fiscalizar a entrada e saída, permanência e uso de animais selvagens, classificava os chimpanzés (Pan troglodytes) como uma espécie na categoria “endangered” (em perigo de extinção), dentro de uma classificação usada mundialmente. Uma espécie nesta categoria não poderia ser importada, exportada, vendida, usada em tortura médica ou explorada comercialmente.

Como num passe de mágica, que ninguém explicou até agora, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos passou a classificar os chimpanzés como “espécie ameaçada (Threatened)”, já que era uma espécie “diferente” da africana, visto que tinha nascido no cativeiro dos Estados Unidos e eram chimpanzés norte-americanos. Atuando como agente das corporações farmacêuticas, o NIH forçou um órgão do Governo Norte-Americano a mudar a classificação de uma espécie, para poder torturar e explorar na forma mais insana possível aqueles chimpanzés nascidos no país e justificar seu status ante a Lei.

Dias atrás a Sociedade Humanitária dos Estados Unidos, o Instituto Jane Goodall, a PASA e outras organizações solicitaram oficialmente ao Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos que volte a classificar os chimpanzés como “em perigo de extinção”, já que para nenhuma espécie no mundo existe esta diferenciação entre os nascidos na natureza e os nascidos em cativeiro.

Na realidade, as instituições que fizeram a solicitação foram até delicadas demais, pois na verdade o estelionato científico patrocinado pelo NIH e executado pelo órgão do Ministro de Agricultura Norte-Americano foi um ato criminoso, a fim de justificar as torturas realizadas contra centenas de chimpanzés naquele país. E depois de 20 anos de sofrimento, foi descoberto que eles eram resistentes ao vírus da AIDS humano e tinham seu próprio vírus, o SIV, que não infecta os humanos.

É muito simples voltar atrás e esquecer o sucedido. Uma sociedade que se autopromove ressaltando sua Justiça e suas Instituições deve abrir uma investigação real e objetiva de como aquela mudança de classificação foi realizada, quem a solicitou e quem a aprovou, já que centenas de vidas de chimpanzés foram ceifadas; e os que sobreviveram vivem um mundo tenebroso de medos e loucuras, pelos anos sofridos nas jaulas dos laboratórios, torturados diariamente durante anos a fio.

É necessária uma explicação pública. Os chimpanzés não podem hoje falar e exigir justiça, mas nós, que também fomos vítimas nos anos 80, dos interesses por trás dos exploradores da saúde humana, exigimos que os culpados sejam identificados e punidos pelo crime que praticaram.

A MORTE DE CENTENAS DE CHIMPANZÉS NÃO PODE FICAR IMPUNE!

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Notícias

Cachorro é abusado sexualmente por mulher forçada pelo marido

A Polícia Civil continua investigando o mais asqueroso caso de abuso sexual já registrado em Santarém. O fato, segundo a delegada da Mulher, Márcia Rabelo, ocorreu no bairro da Nova República, onde um homem, cujo nome não pode ser revelado, está sendo acusado de obrigar sua esposa a manter relações com animais, entre eles, um cachorro. O caso também está sendo acompanhado pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pelo Fórum de Justiça de Santarém.

Em entrevista ao Diário, a delegada Márcia Rabelo relatou que a vítima procurou a Delegacia da Mulher dois dias depois de ter sido espancada pelo marido e, após muita conversa, confessou o motivo da violência. Aos prantos, ela informou que era obrigada a manter relação sexual com um cachorro e que o acusado já teria um cavalo no quintal de sua residência para também ser usado no abuso.

Por medo do que viesse a acontecer, a vítima procurou a Delegacia da Mulher, onde o caso foi registrado como lesão corporal. A autoridade policial também solicitou diversos tipos de exames à paciente, inclusive de Aids. “Essa senhora já se encontra em segurança, juntamente com seus filhos, já o acusado, como não foi flagrante está respondendo em liberdade”, contou a delegada.

De acordo com a autoridade policial, a agressão foi comunicada ao MPE e, se houver necessidade, a vítima será encaminhada a um especialista para que seja avaliado o abalo psicológico. A delegada lembra que, na feitura do procedimento policial, a vítima não quis e nem precisou de atendimento psicológico, porém, cabe ao MPE ou ao Fórum de Justiça a decisão de encaminhá-la para atendimento com uma equipe especializada. O objetivo dessa medida é avaliar o sofrimento da vítima e, dependendo do resultado, colocar o marido na condição de autor da violência física e psicológica.

“O marido da vítima ainda pode ir para a penitenciária, depende só do MPE denunciar e o juiz decretar a prisão do acusado”, destacou Márcia Rabelo, enfatizando que o fato foi relatado pela vítima, mas negado pelo acusado, o que ficou sem comprovação efetiva. “Mas o inquérito foi feito e a vítima já está em segurança. Agora o juiz e o Ministério Público é que vão decidir os procedimentos do caso”, concluiu a autoridade policial.

Fonte: Diário do Pará

Nota da Redação: No senso comum, o caso choca apenas pela preocupação com a mulher, sem dúvida vítima de um abuso asqueroso e traumático. No entanto, o cachorro, o cavalo, ou qualquer animal explorado em uma situação como esta, são vítimas do mesmo abuso, podem sofrer com dores, feridas e psicologicamente da mesma maneira que qualquer ser humano. O homem deve ser acusado também de maus-tratos a animais.

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Colunistas, Desobediência Vegana

Expointer: a feira da coisificação humana e animal

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A Expointer, evento que começa hoje em Esteio, é a menina dos olhos do Rio Grande do Sul, onde todos se voltam para festejar o sucesso do agronegócio, com a presença dos veículos de comunicação, a propaganda e a divulgação de diversos tipos de produtos. Todos aproveitam o espaço da feira para encantar as milhares de pessoas que por lá passam. O governo se faz presente e é um desfile de autoridades e atrações artísticas.

A Expointer é o maior exemplo de como o ser humano coisifica tudo em função do lucro. Os animais lá expostos valem milhões, boa parte deles recebe um tratamento exemplar, outra boa parte servirá de cadáver para os incontáveis churrascos e há também os que são obrigados a ser exibidos nas feiras,rodeios e outras modalidades de exibicionismo tanto dos que participam quanto dos animais que sofrem as mais diversas formas de agressão.

Ninguém se dá conta disso.Grande parte dos visitantes que pagam ingressos absurdos e lá dentro gastam até R$ 8,00 por um cachorro-quente, por exemplo, está lá apenas para passear, para achar o que fazer, para ver esta ou aquela atração, para exercitar a sua fantasia de “homem do campo”, para encontrar conhecidos e sair do normal. A grande maioria não sabe que está sendo manipulado, incentivado a participar de um jogo onde poucos saem ganhando.

Só para se ter uma ideia, este ano os porcos não estarão presentes na feira. O motivo parece claro, mas não é: para que os porcos não peguem a gripe suína dos humanos!

As notícias de que na grande feira haverá dispositivos de gel para que seus frequentadores façam a sua higiene parece piada, pois sabemos que, embora a higiene seja importante, o H1N1 é transmitido principalmente através do ar contaminado por aquele que tem a doença.

Evitamos boa parte do contágio tendo boa higiene (que é recomendada, afinal, para todo tipo de enfermidade), mas há outras formas de contágio e num ambiente com grande circulação de pessoas fica difícil confiar apenas no gel – que inclusive deve ter uma boa graduação para ser efetivo. Sabemos que a maioria dos desinfetantes com gel tem mais água do que álcool em sua composição.

Ilusões à parte, os animais não são nem lembrados, a menos que isso implique riscos econômicos, como foi o caso de retirar os porcos da feira.

O grande enfoque que se dá ao fato de que comer carne de porco não causa mal nenhum não contamina o consumidor com H1N1 (ou Gripe Suína, nome que não é nem um pouco agradável aos criadores de porcos!) é um bom exemplo de que as informações são passadas apenas pela metade. Mesmo que ao consumir a carne não se contraia a doença, deveríamos ser informados que a Gripe Suína surgiu numa grande indústria de criação de porcos, mantida por uma corporação multinacional americana em Veracruz, México. Neste local onde os animais são confinados e estressados pela vida miserável que levam, recebem bombas de antibióticos e outros medicamentos até mesmo proibidos por lei, e desenvolvem enfermidades que podem sofrer mutações e ser transmitidas ao homem.

Juntando A+B, quem tem um neurônio que funcione em seu cérebro pode vir a se dar conta de que as condições de todos os criadouros de porcos podem ser as mesmas, senão piores. Que ao consumir esta carne, ou qualquer outra (visto que os animais são criados da mesma forma), estarão contribuindo para um grande número de enfermidades novas e incuráveis. Já sabemos pela AIDS (vírus que surgiu da mutação de um tipo de vírus presente no chimpanzé – notem a coincidência – e até hoje ninguém sabe exatamente em que condições o vírus surgiu, se foi na exploração de animais de laboratório ou pelo contato do animal com humanos) que vírus sofrem constantes mutações e a cura torna-se praticamente impossível.

A grande quantidade de esterco que a suinocultura libera é um número astronômico diário, com o qual os criadores não sabem o que fazer, ou nem mesmo se interessam em fazer algo. O número cresce a cada dia, e a velha ideia de adubar a terra com esterco funciona no quintal, mas essa quantidade infinita de esterco vem sendo responsável pela poluição de mananciais de água, poluição do ar e outras consequências…

A humanidade não quer mudar seus hábitos de maneira alguma, esta é a verdade. E quer iludir-se com a farsa da “cultura”, que na verdade é um mesclado de interesses, um mosaico de arremedos que nada tem a ver com a realidade da população gaúcha.

Amanhã, na frente da Expointer, ocorre a manifestação do Grupo Vanguarda Abolicionista – VAL, que pretende mostrar aos visitantes o outro lado da criação de animais, ligada a muitos males da humanidade como a fome e doenças diversas, incluindo a Gripe Suína, e degradação ambiental, como o aquecimento global, desmatamento, poluição da águae demais tipos de poluição que a pecuária provoca, mas que ninguém divulga com medo das forças que movem este poderoso negócio.

O grupo estará na frente da Expointer das 10 horas até o final da tarde, distribuindo panfletos e materiais cedidos pela entidade da Alemanha Vida Universal que está apoiando este manifesto.

Para saber mais visite: http://www.vanguardaabolicionista.com.br/

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Notícias

Espécie de HIV mata chimpanzés em ritmo intenso, diz estudo

Cientistas acreditam ter encontrado um “elo perdido” na evolução do vírus causador da aids. Ele preenche a lacuna entre um vírus que não faz mal a macacos infectados e outro que mata milhões de pessoas.

O elo é um vírus que está matando chimpanzés na natureza num ritmo alto, de acordo com estudo publicado na edição desta quinta-feira, 23, da revista científica Nature.

Chimpanzés são os primeiros primatas, além do homem, em quem se constata uma alta taxa de mortalidade, na natureza, causada por um vírus relacionado ao HIV. Os chimpanzés também são os primatas mais semelhantes ao ser humano.

A versão em macacos do vírus que causa a aids é chamada vírus da imunodeficiência símia (SIV), mas a maioria dos macacos e primatas que o adquirem não demonstra sintomas ou doença.

O estudo dos chimpanzés em seu hábitat natural durou nove anos, no Parque Nacional Gombe, na Tanzânia, e determinou que chimpanzés infectados com SIV têm uma taxa de mortalidade de 10 a 16 vezes maior que os chimpanzés não infectados. E autópsias dos macacos infectados mortos mostraram contagem baixa de proteínas de leucócitos T, semelhantes aos níveis encontrados em humanos com aids.

Quando os cientistas analisaram o vírus responsável, descobriram que se trata de um parente extremamente próximo da primeira versão do HIV a infectar seres humanos.

Fonte: Estadão

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Artigos

AIDS

Por Sérgio Greif

Artigo que será em breve publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences reporta que uma equipe da Universidade Rockefeller (EUA) está desenvolvendo um novo modelo animal para a pesquisa da AIDS. A espécie dessa vez escolhida é a Macaca nemestrina, originária do sudeste da Ásia, e sua infecção somente é possível quando os cientistas induzem uma mutação no vírus HIV-1.

Por infecção entenda-se a reprodução do vírus no corpo do hospedeiro, mas não necessariamente o desenvolvimento de alguma patologia por parte dos animais. Também nesse caso, como em outras pesquisas envolvendo primatas, as cobaias não desenvolveram a doença que conhecemos como AIDS, ou seja, não adoeceram por conta da infecção pelo HIV.

A origem da AIDS

A escolha de primatas como modelo animal para a pesquisa da AIDS se deve à proximidade que existe entre o vírus HIV (human immunodeficiency virus) e o vírus SIV (simian immunodeficiency virus). A teoria comumente aceita é a de que o vírus HIV surgiu quando seres humanos entraram em contato com chimpanzés contaminados com o vírus SIV, possivelmente nas selvas de Camarões.

De que forma o vírus passou dos chimpanzés para os seres humanos ainda não está claro, no entanto, estudos mostram que existem mais de 30 espécies de primatas em toda a África que possuem sua própria linhagem de SIV, sendo que o vírus sofre mutações cada vez que entra em contato com um novo hospedeiro. 

A criação de novas linhagens do vírus

Da mesma forma que ocorre na infecção natural, quando uma espécie transmite o vírus à uma outra, seja por processo de predação, seja por outra forma de contaminação cruzada, o processo de pesquisa da doença tem potencial de criar novas linhagens do vírus e, portanto, novas variantes da doença.

A pesquisa em questão deixa isso claro, pois pesquisadores nesse caso deliberadamente criaram uma nova variedade do vírus para conseguirem infectar o primata. Pode-se alegar que o experimento é controlado e que a nova linhagem desenvolvida está confinada a um laboratório, mas a história mostra que não existe processo inteiramente seguro, que organismos escapam de laboratórios.

Novas linhagens de vírus surgindo são justamente o que torna qualquer possibilidade de combate ao vírus inefetiva. Em resumo, uma pesquisa como essa tem mais potencial de causar prejuízos para seres humanos do que trazer benefícios.

A AIDS e os modelos animais

Como ocorre em outras doenças, no caso da AIDS animais não são modelos preditores da forma como a enfermidade se manifestará em seres humanos. Em qualquer patologia, mesmo quando a infecção de animais é possível, os sintomas e o desenvolvimento da doença ocorrem de maneira completamente diferente da forma como ocorre em seres humanos.

Mesmo a pesquisa do SIV em primatas não tem potencial de trazer conhecimento sobre a forma como o HIV se comporta. Embora exista alguma similaridade, o SIV e o HIV diferem significativamente.

Muito tempo, dinheiro e recursos humanos já foram gastos na pesquisa da AIDS em modelos animais, sem nenhum sucesso. Essa nova pesquisa será apenas mais um passo na direção errada. Os próprios pesquisadores admitem que os dados que eles obtiveram não são aplicaveis, que eles apenas lançam uma luz sobre pesquisas futuras. E que pesquisas seriam essas? O desenvolvimento de uma vacina que seja efetiva em curar animais que sequer ficam doentes? Anos e anos de pesquisa desperdiçados em algo que por fim não terá nenhuma aplicação para seres humanos?

O futuro da pesquisa sobre a AIDS

Por mais de 20 anos grande parte da pesquisa referente a AIDS envolveu primatas e outros modelos animais, no entanto tudo o que sabemos sobre essa doença proveio da pequena quantidade de pesquisas envolvendo a observação de seres humanos infectados naturalmente com AIDS e de seus tecidos. Parece claro que qualquer forma de tratamento deverá vir dessa mesma fonte.

Autópsias, pesquisa in vitro envolvendo tecidos humanos, pesquisas epidemiológicas, pesquisas genéticas, utilização de modelagem matemática e computacional são formas mais efetivas de pesquisa porque elas adotam como modelo uma situação real e não um modelo forçado que não condiz de forma alguma com a realidade. Torna-se evidente que o modelo animal nunca serviu e que precisa ser completamente abandonado.

Sérgio Greif é biólogo, mestre e ativista pelos direitos animais. Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”. Entre outros assuntos, Sérgio se interessa por bioética, gestão de sistemas de saúde e métodos substitutivos ao uso de animais na ciência e ensino.

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