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Antidepressivos poluem águas e afetam o comportamento dos animais

Um dos efeitos colaterais muito conhecido dos antidepressivos é a redução da libido em humanos. Novas pesquisas mostraram, no entanto, que não são apenas as pessoas afetadas pelas substâncias presentes na fluoxetina (Prozac). Fêmeas de estorninhos, tipo de pássaro muito comum na Europa, que muitas vezes consomem a droga que tem poluído as águas, se tornam menos “atraentes” para os machos e menos propensas a acasalar. Esta é a última evidência que destaca o dano potencial do que tem sido liberado no meio ambiente.

Como muitas drogas que são consumidas no cotidino, os antidepressivos que não se dissolvem completamente em nossos corpos são excretados pela urina, e encontram o caminho para as estações de tratamento de águas residuais. Essas instalações não têm a capacidade de decompor as drogas, que entram em nossos rios e estuários e entram em contato e se acumulam nos organismos de animais selvagens.

Reprodução | The Independent

Com o aumento do número de pessoas jovens e idosas com problemas de saúde mental e o rápido aumento das prescrições de antidepressivos e medicamentos ansiolíticos, esses problemas de contaminação da água devem piorar. Já sabemos bastante sobre os efeitos da poluição do comportamento animal. Sabemos que os produtos químicos podem alterar a agressão, a capacidade de cheirar, o namoro e a reação da vida selvagem a estímulos como a luz.

Todos esses comportamentos são críticos para os animais que fogem de predadores, encontram comida e companheiros ou defendem territórios. Mas a maioria desses dados vem de estudos em laboratórios. E o comportamento de um animal é muitas vezes muito sensível ao ambiente. Então, para descobrir exatamente como a poluição das drogas está afetando os animais na natureza, meus colegas e eu nos voltamos para a tecnologia para rastrear, medir e analisar seu comportamento.

Uma das dificuldades com isso é que o comportamento animal frequentemente muda rapidamente e é difícil de gravar sem perturbar os espécimes que você está tentando monitorar, especialmente em algo como um rio sombrio. Para levar os humanos como um exemplo, um indivíduo pode não ser agressivo ou ansioso o tempo todo. Seu comportamento pode alterar dependendo se eles estavam em um espaço grande ou contido, ou a hora do dia.

Se você quisesse medir o “efeito feminilizante” do efluente de esgoto nos peixes, você poderia coletar alguns peixes a montante e a jusante da instalação de esgoto e dissecá-los. Ou você pode tirar amostras de sangue que lhe dão um retrato da sua fisiologia ao longo do tempo. Alternativamente, você poderia prender um animal a jusante de uma estação de tratamento de esgoto e fazer medições semelhantes.

Soluções técnicas

Mas quando se tenta medir o comportamento dos peixes, não há um exame de sangue fácil ou uma amostra de tecido que lhe dê um instantâneo do comportamento anormal. Cagar animais naturalmente altera seu comportamento. É aí que a tecnologia pode ajudar.

Por exemplo, marcar animais com marcadores GPS e segui-los com satélites permitiu que os cientistas estudassem o movimento das baleias azuis gigantes em resposta ao ruído, bem como o mergulho em tartarugas e a migração de pássaros. Essas tecnologias permitiram aos cientistas determinar as novas partes das histórias de vida de espécies remotas e ameaçadas, como rotas de migração anteriormente desconhecidas, e como elas respondem a alimentos, predadores e até mesmo distúrbios humanos, como o transporte marítimo.

Pesquisas anteriores em meu próprio laboratório mostraram que crustáceos expostos a antidepressivos gastam cinco vezes mais tempo na luz do que animais que não receberam drogas. Usando câmeras infravermelhas e software de rastreamento, estamos agora otimizando nossos experimentos para que possamos medir seu comportamento no escuro. O software nos permitiu medir automaticamente muitos aspectos do comportamento dos crustáceos, como quais atividades eles realizam, a distância e a velocidade de seus movimentos e a velocidade e ângulos de seus giros. Antes, teríamos que ver meticulosamente horas de vídeos chatos de seus movimentos e registrar manualmente suas ações específicas.

Novos sistemas de software agora incluem software de reconhecimento de comportamento. Por exemplo, se estivéssemos estudando um rato ou um rato, o software registraria automaticamente o tempo que o animal passou preparando, farejando ou comendo, para citar apenas alguns tipos de comportamento. Os desafios futuros envolverão o uso de algoritmos de aprendizado de máquina (uma forma de inteligência artificial) que permitem que o computador identifique padrões de comportamento que não conhecíamos e comportamentos muito sutis não reconhecíveis para os seres humanos. Isso ajudará os pesquisadores a descobrir tipos incomuns de comportamento causados ​​pela poluição.

Nosso próximo objetivo também é determinar se os efeitos do registro da poluição antidepressiva no laboratório também estão ocorrendo na natureza. Pesquisadores na Suécia têm abordado essa mesma questão usando gravações sonoras para rastrear o comportamento de peixes expostos à medicação anti-ansiedade (oxazepam) em um lago inteiro.

Os peixes foram equipados com transmissores acústicos cujos sinais foram captados por receptores ao redor do lago que poderiam triangular com precisão as posições dos peixes. Curiosamente, os peixes expostos ao oxazepam eram mais ousados ​​e se aventuravam mais longe das margens do lago, possuíam territórios maiores e geralmente eram mais ativos. Esses resultados de campo espelharam aqueles reunidos no laboratório, dando certo grau de confiança de que experimentos baseados em laboratório podem estar fornecendo boas informações sobre os efeitos de drogas na natureza.

No futuro, esperamos que o hardware usado para rastrear animais se torne ainda menor, de modo que até pequenos invertebrados, como camarões e caracóis, possam ter seu comportamento monitorado. Mas mesmo agora, essa tecnologia já está nos dando uma boa visão do comportamento de nossa vida selvagem e fornece uma indicação preocupante do impacto das drogas no meio ambiente.

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Derramamento de óleo mata mais de 2.300 animais na Colômbia

No mês passado, uma fonte de petróleo quebrada despejou o material em importantes áreas fluviais no estado de Santander, na Colômbia. Autoridades dizem que o vazamento está sob controle, mas como Elaina Zachos relata para a National Geographic, o desastre ambiental causou a morte de 2.400 animais, danificou 1.000 espécies de árvores e forçou os moradores a saírem da área.

O derramamento começou no dia 3 de março no poço Lizama 158, que é operado pela empresa estatal Ecopetrol, segundo Jacqueline de Klerk, do jornal The City Paper. Desde então, o petróleo se infiltrou nos rios Lizama e Sogamoso. A contaminação também atingiu o rio Magdalena, uma importante via fluvial que se estende por 950 milhas pela parte ocidental do país.

(Foto: Colombia Reports)

Ainda não há informações exatas sobre a quantidade de petróleo que foi derramado; A Ecopetrol diz que 550 barris, mas a Agência Nacional de Licenças Ambientais (ANLA) da Colômbia, diz que 24 mil barris já vazaram nos rios.

Cerca de 1.250 animais foram resgatados das áreas afetadas, porém milhares de vacas, peixes, pássaros e outras espécies morreram. O derramamento também esgotou os meios de subsistência das comunidades ao longo dos rios Liazma e Sogamoso, e vários moradores estão sofrendo tontura, dores de cabeça e vômitos.

centenas de ecossistemas foram destruídos com o derramamento de óleo.
O derramamento de óleo destruiu centenas de ecossistemas. (Foto: Colombia Reports)

“Não tenho praticamente nada para comer, passamos pelo rio a vida toda e a contaminação já chegou à Madalena”, disse o morador Elkin Cala à emissora colombiana Noticias Uno.

A Ecopetrol informou no sábado que o derramamento foi controlado. Segundo as agências de notícias do país, o Escritório do Controlador Geral havia aconselhado a Ecopetrol, em 2015, a encerrar suas atividades na região de Lizama. Uma auditoria do governo de 2016 descobriu que 30 dos poços abandonados pela empresa corriam o risco de quebrar.

O derramamento de óleo matou milhares de peixes.
O óleo dominou os rios e matou milhares de peixes. (Foto: Colombia Reports)

Felipe Bayón, presidente da Ecopetrol, disse acreditar que a atividade sísmica – e não as falhas técnicas – fez com que Lizama 158 quebrasse. O estado de Santander enfrenta frequentes tremores sísmicos, mas de acordo com Alsema, o Ministério Público da Colômbia iniciou uma investigação sobre ações que negligenciam o vazamento. O Ministério do Meio Ambiente do país também informa que pode impor sanções à Ecopetrol, que falsamente alegou ter interrompido o vazamento um dia depois de ter começado.

centenas de aves morreram na região.
Ave atolada no petróleo. (Foto: RT)

A  agência ambiental ANLA declarou que não sabe quanto tempo levará para a região se recuperar da crise devastadora.

“Como a vegetação está morrendo, a área tem que passar por um processo de reabilitação”, disse Claudia Gonzalez, oficial da ANLA, ao jornal La Vanguardia , segundo Alsema. “As margens dos desfiladeiros precisam ser recuperadas novamente e o habitat das espécies da área precisa ser melhorado.”

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Presença humana: poluição mata animais na Lagoa da Pampulha, em BH

Por Janaína Fernandes | Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Animais estavam em meio a lixo acumulado na Lagoa da Pampulha (Foto: Kilder Costa/Divulgação)

Móveis antigos, televisões, latas de tinta, garrafas pet e uma extensa camada de lixo são elementos do cenário em que duas capivaras foram encontradas mortas na Lagoa da Pampulha (BH). Próximo ao mirante Bem Te Vi, o lixo foi avistado por Fabiane Coutinho Rocha, de 36 e seu marido, Kilder da Costa Ribeiro, 40.

O casal afirma que enquanto caminhavam pela orla da lagoa avistaram o cenário crítico: “Segunda e terça-feira foram os piores dias. Parece que uma barreira que retém o lixo se rompeu. A poluição aumentou muito e aí foram aparecendo os animais mortos”, descreve Fabiane.

Além da extensa camada de lixo, haviam dois passarinhos mortos e uma garça suja e machucada na grama. Segundo a psicóloga, para tentar ajudar a garça, o marido e ela precisaram agir por conta própria: “Ligamos para os Bombeiros, Polícia Militar Ambiental e até o Ibama, mas não estava funcionando. Então, a própria PM do Meio Ambiente nos disse de uma clínica conveniada ao Ibama que recebe animais aqui em BH e levamos a garça, enrolada em um lençol, porque não sabíamos nem mesmo como agir com ela”, disse.

Diante da situação e da falta de assistência, o casal acredita que é preciso mais investimento e atenção por parte da Prefeitura: “A impressão é de que o investimento que a prefeitura anuncia estar fazendo na Pampulha é como se fosse dinheiro descendo pelo ralo, porque a situação nunca se resolve”, critica Fabiane.

De acordo com a prefeitura de Belo Horizonte, o lixo encontrado na Lagoa da Pampulha foi retirado ontem (o excesso foi atribuído ao carnaval e às chuvas), e uma equipe da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), fará remoção das capivaras mortas para investigar a causa da morte dos animais.

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Água poluída da Baía de Guanabara prejudica reprodução de espécies

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A água que hoje está bem suja não lembra em nada o que o Jornal Hoje mostrou em julho do ano passado, quando foi registrado com exclusividade o reaparecimento de cavalos-marinhos na Baía de Guanabara.

É uma espécie que só sobrevive em águas limpas. Na época, o professor César Bernardo Ferreira guiou a equipe da TV até o local onde foi encontrado em poucos minutos de mergulho três casais.

Nove meses depois, a situação agora é bem diferente. A água está poluída. Não é possível avistar uma espécie sequer no local. Águas escuras, oleosas e sem vida aparente. Técnicos da Secretaria do Ambiente coletaram amostras de esgoto industrial das três únicas empresas instaladas na região.

Na fábrica de lubrificantes, Cosan, o nível de poluentes encontrado estava nove vezes acima do limite estabelecido por lei. Por ser reincidente, o valor da multa chega a R$ 35 milhões.

“Em outubro passado eles já tinham uma orientação para que suspendessem esse efluente e pelo visto não cumpriram, isso é um agravante. E nós estamos dando a multa máxima permitida, que é R$ 35 milhões”, fala o secretário Meio Ambiente, André Correa.

Os fiscais entregaram a notificação na última semana. A empresa de lubrificantes pode recorrer.

Quem não sabe o que fazer agora é o professor César. Ele investiu com recursos próprios e de doações R$ 12 mil na montagem de um laboratório, referência no estudo dos cavalos-marinhos da Baía de Guanabara, que se tornou um centro de visitação.

“Cavalo-marinho, não tem mais. Como a gente vai trabalhar sem o foco da nossa pesquisa. Eles sumiram. A Baía de Guanabara é um local que consegue se regenerar ela consegue sobreviver, mas a gente tem que agredi-la. Se a gente parar de agredir a Baía de Guanabara a vida consegue volta se continuar nesta forma nem cavalo marinho, nem peixe nem invertebrado nenhum vai ter na Baía de Guanabara”, fala o professor.

A empresa Cosan informou que não tem conhecimento da abertura de um processo administrativo contra a companhia, não teve acesso aos autos e desconhece a aplicação de multa.

Fonte: G1

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