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Leis de censura "ag-gag" estão com dias contados nos EUA

Artigo: One Green Planet (Tradução: Dhamirah Hashim/ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais)

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Foto: Divulgação

Investigações sigilosas em fazendas e matadouros têm desvelado repetidamente o lado escuro do agronegócio: o tratamento abusivo de bilhões de animais.

Em resposta a estas revelações, o agronegócio, empresas e os interesses da indústria têm empurrado duramente o que são conhecidas como leis “Ag-gag”. Tais leis “amordaçariam” denunciantes e ativistas disfarçados, tornando ilegal a gravação e divulgação de fotografias ou filmagens tiradas em operações agrícolas.

Oito estados – Kansas, Dakota do Norte, Montana, Iowa, Utah, Missouri, Idaho, e North Carolina – aprovaram leis “Ag-Gag”. Além disso, Wyoming aprovou duas leis que não são Ag-Gag, mas efetivamente criminalizam operações de gravações escondidas.

Tais leis visam esconder o sofrimento de bilhões de animais em fazendas industriais, mas eles também permitem fazendas de ocultar outras atividades que ponham em causa a segurança dos alimentos, direitos dos trabalhadores, e proteções ambientais.

Apesar de seus grandes números, e da gravidade do abuso que elas sofrem, o sistema jurídico dos EUA dá apenas proteções mínimas para animais de criação:

– Não existem leis federais que regulam as condições em que os animais são criados.
– A maioria dos abusos sofridos pelos animais são isentos das leis anti-crueldade.
– Muitas leis anti-crueldade isentam práticas agrícolas “padrão” ou “comumente aceitas” como definidas pela indústria, incluindo encaixotar bezerros, confinar galinhas em gaiolas em bateria, cortar os bicos de pintinhos com uma faca quente e sem anestesia, e uma série de outras práticas industriais intrinsecamente cruéis, mas comuns.

Defensores de animais, liderados pelo Fundo de Defesa Legal Animal (ALDF) e unidos por organizações de direitos do consumidor, segurança alimentar, liberdades civis e de proteção de informantes, estão desafiando as leis Ag-Gag nos tribunais com sucesso.

Leis Ag-Gag provaram ser maciçamente impopulares com o público; quase 20 legislaturas estaduais derrotaram a legislação. Até mesmo alguns lobistas da indústria declararam publicamente que empurrar essas leis só torna claro que a indústria tem algo a esconder.

Coligações de diversas organizações de interesse público continuarão a desafiar as tentativas inconstitucionais dos Estados para restringir a liberdade de expressão e esconder a verdade sobre a agricultura industrial. Cada vitória tribunal só apressa o fim da era Ag-Gag.

*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

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Vitória da investigação vegana nos EUA

Por Lobo Pasolini (da Redação)

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Muitos dos vídeos filmados dentro de fazendas de produção que exploram animais são feitos por investigadores veganos que se infiltram em tais operações para conseguir as imagens e mostrar ao mundo o horror que os animais vivem.

O agronegócio tentou fechar essa via de ativismo com leis draconianas que tornem esse tipo de ação terrorismo. Chamado Ag-Gag, o primeiro estado americano que tentou calar os investigadores foi Idaho, um estado com alta concentração de fazendas de animais.

Mas felizmente um tribunal considerou o projeto de lei inconstitucional porque fere o princípio da liberdade de expressão. Um processor foi movido por uma coalizão de ONGs que inclui o Animal Legal Defense Fund (ALDF), People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), American Civil Liberties Union (ACLU) de Idaho e o Center for Food Safety (CFS).

O tribunal concluiu que a lei Ag-Gag, Idaho Code sec. 18-7042, é uma violação da primeira e décimoa quarta emendas ca constituição americana.

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Lei que pretendia transformar ativistas em terroristas foi considerada inconstitucional

(da Redação)

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Nesta segunda-feira, um juiz federal derrubou a controversa lei ag-gag de Idaho, nos Estados Unidos, considerando-a como inconstitucional.

A lei ag-gag foi promulgada em resposta direta a uma investigação secreta feita em 2012 pela MFA (Mercy for Animals) documentando a horrível crueldade animal e a negligência da Bettencourt Dairies, maior fazenda e fábrica de laticínios do estado de Idaho.

Essa investigação documentou imagens chocantes dos trabalhadores espancando as vacas, torcendo violentamente suas caudas e até abusando delas sexualmente, o que acarretou acusações judiciais de crueldade aos animais contra vários trabalhadores da Bettencourt Dairies, incluindo um gerente, e estimulou reformas políticas de bem-estar animal significativas pelos principais fornecedores de alimentos.

Em 2014,  legisladores em prol das fazendas de consumo criaram  a lei ag-gag, que foi promulgada pelo governador de Idaho “Butch” Otter , segundo a qual estariam proibidas filmagens dentro de fazendas industriais e seriam criminalizados os denunciantes corajosos que lutam contra a crueldade animal e outras atividades criminosas que ocorrem no interior das instalações agrícolas de Idaho.

Em resposta a uma ação judicial movida por uma coalizão de proteção animal, segurança alimentar e grupos de defesa civis, o juiz B. Lynn Winmill do Tribunal Distrital de Idaho declarou que a lei viola a Primeira Emenda e a Cláusula de Proteção Igualitária da Constituição.

Com base na decisão desta semana, a lei ag-gag de Idaho não está mais em vigor.

Você pode assistir ao vídeo da investigação da MFA aqui:

A decisão do juiz Winmill é o primeiro passo para que se visibilizem os abusos e  situações degradantes em que os animais vivem nas fazendas industriais dos Estados Unidos. Espera-se que perigosas leis ag-gag promulgadas em outros estados sejam rapidamente derrubadas como resultado desta decisão.

Os legisladores de Idaho deveriam ter vergonha de desperdiçar tempo precioso e recursos valiosos na promulgação de leis inconstitucionais que visam encobrir situações de extrema violência contra animais. Ao contrário, devem concentrar seus esforços para premiar os autores de corajosas denúncias que descubram atividades criminosas em operações agrícolas de Idaho.

Nota da Redação: Sem dúvida a descriminalização das investigações feitas por ativistas dentro das fazendas é uma grande vitória – ela inibirá possíveis abusos como maus-tratos em níveis requintados de crueldade contra os animais que já sofrem o suficiente nestes lugares. No entanto, a lei é apenas bem-estarista, ou seja, ela permite que os animais  continuem a ser explorados, escravizados e mortos, sem nenhum mínimo direito à liberdade, dignidade e vida. Os passos devem continuar sendo dados rumo à conscientização da população, que precisa perceber que a crueldade se mantém mesmo se todas as condições sanitárias e de segurança forem atendidas. Que a transparência possibilitada pela revogação da lei ag-gag permita que os consumidores passem a enxergar cada vez mais que o sofrimento dos animais é inerente à indústria de carne e derivados, qualquer que seja o tratamento dado aos animais. E que as leis progressivamente sejam verdadeiras em proibir o uso de animais, e não apenas o abuso.

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Ativistas pelos direitos animais são punidos por fotografar porcos em fazendas industriais

(da Redação)

Foto: Waterkeeper Alliance Inc.
Foto: Waterkeeper Alliance Inc.

Existem leis contra a invasão de propriedade privada ou contra fotografar alguém sem permissão. Todas elas envolvem seres humanos, mas há uma legislação em Utah que inclui também os animais.

Quatro ativistas foram acusados de invasão criminosa em terras agrícolas e de “interferência em operações agrícolas”. A lei estadual diz que as pessoas não podem se envolver em operações secretas em fazenda industriais, e isso inclui ações para captação de fotos ou vídeos que são utilizados para denunciar os horrores da exploração de animais pela pecuária.

Porcas fêmeas exploradas para a reprodução (Foto: Farm Sanctuary)
Porcas fêmeas exploradas para a reprodução (Foto: Farm Sanctuary)

Os ativistas são do movimento Farm Animal Rights Movement, e eles estavam em Utah para fotografar porcos desde sua criação em Utah até a transferência para um matadouro em Los Angeles. O advogado do grupo diz que eles não fizeram nada de errado e não estavam invadindo, mas sim tirando fotos do lado da estrada. Os promotores, por outro lado dizem os quatro invadiram a propriedade, mesmo que por apenas alguns minutos enquanto tiravam fotos. As informações são do site Sputnik News.

“Todos nós nos olhamos e pensamos: o que é isso, o que interfere com a agricultura. Nenhum de nós tinha ouvido falar nisso”, afirmou o advogado Matthew Phillips ao The Salt Lake Tribune.

O grupo está programado para fazer uma aparição no tribunal na próxima quinta-feira, mas Phillips diz que eles esperam que o caso vá a julgamento para que eles possam apontar que o mesmo é inconstitucional e “completamente absurdo.” O advogado revelou os planos do grupo sobre a apresentação de uma ação civil pública contra o escritório do xerife local por detenção ilegal.

Porcos amontoados sob condições precárias (Foto: Compassion in World Farming)
Porcos amontoados sob condições precárias (Foto: Compassion in World Farming)

Utah não é o único estado a fazer isso. Pelo menos sete outras regiões americanas implantam as leis chamadas de “ag-gag”, ou lei da mordaça, que os críticos dizem são apenas uma tentativa por parte do agronegócio e seus aliados para impedir às pessoas de enxergarem a verdade sobre as atividades da indústria. Dois anos atrás, por exemplo, uma operação secreta em uma fazenda em Idaho levou a acusações de crueldade contra animais e multas para a fazenda, mas também resultou em uma lei estrita a respeito de qualquer um que investiga secretamente atividades agrícolas. O acusado pode pegar até um ano de prisão e uma multa de 5 mil dólares.

Grupos de direitos animais se uniram para desafiar essas leis. No entanto, eles estão contra adversários perigosos, dado que, por exemplo, a empresa Koch Brothers, que pratica a pecuária, financiou a American Legislative Exchange Council que liderou o movimento pela aprovação das leis “ag-gag”.

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Autoridades australianas pretendem implantar leis para punir ativistas de direitos animais

(da Redação)

Autoridades alegam que ativistas infiltrados em fazendas expõem animais a doenças. Foto: D.Hurst/Alamy/Reprodução
Autoridades alegam que ativistas infiltrados em fazendas expõem animais a doenças. Foto: D.Hurst/Alamy/Reprodução

Ativistas que invadirem fazendas em New South Wales (Austrália) para filmar secretamente crueldade a animais poderão receber pesadas penalidades, sob novas medidas de biosegurança que o governo pretende aprovar. As informações são do The Guardian.

Agora, aqueles que entram disfarçados nas fazendas estão sendo acusados de expor os animais a doenças, e por isso estarão sujeitos a penas de até três anos de prisão e multas de mais de um milhão de dólares, de acordo com a legislação proposta.

Katrina Hodgkinson, Ministra do setor primário de New South Wales, afirma que os “visitantes indesejados” – como se refere aos ativistas – representam o principal risco econômico à pecuária do estado, “que movimenta 12 bilhões de dólares”.

“Nossas fazendas de criação intensiva são altamente suscetíveis a pestes e doenças. Só no ano passado, um surto de gripe aviária em duas propriedades próximas a Young levou à destruição de cerca de meio milhão de galinhas”, disse ela.

Bede Burke, avicultor de Tamworth e presidente do Comitê de Fazendeiros produtores de ovos de New South Wales, apoiaram a nova política. Ele declarou que os fazendeiros têm o mesmo direito que os moradores de serem  protegidos contra pessoas que “rondam suas casas ou quintais”.

Emmanuel Giuffre, consultor jurídico do grupo ativista de direitos animais Voiceless, avaliou que as medidas são um pretexto para a introdução de leis no estilo americano “ag-gag” – também conhecidas como “leis da mordaça”, que proíbem a filmagem de fazendas de criação de animais para consumo humano e matadouros em alguns estados. “É uma tentativa de impedir a liberdade de expressão”, disse Giuffre.

“Já existem leis para impedir a invasão de propriedade, assim como há leis de segurança alimentar; então qualquer lei que tenha por alvo os ativistas só tem um propósito: evitar que a informação seja levada ao conhecimento do público”.

A lei voltará a ser discutida na retomada das atividades do parlamento de New South Wales após as eleições de março.

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"Serei afetado pelo que vi até o fim da minha vida", diz investigador secreto que trabalhou em fazendas industriais

(da Redação)

"Serei afetado pelo que vi até o fim da minha vida", conta Tumasse. Foto: Reddit
“Serei afetado pelo que vi até o fim da minha vida”, conta Tumasse. Foto: Reddit

Não tem sido incomum a publicação de matérias internacionais revelando o que ocorre em fazendas ou indústrias onde animais são explorados para consumo humano, com informações obtidas por investigadores infiltrados secretamente. Mas pouca gente sabe como é a vida de alguém que faz esse tipo de trabalho.

T.J. Tumasse, que realizou 15 investigações secretas de 2007 a 2013, decidiu contar, e não só para ativistas que o conhecem e conhecem o seu trabalho, mas para uma multidão maior. Tumasse começou com uma sessão “Ask Me Anything” (“Pergunte-me qualquer coisa”) na rede social Reddit, permitindo que questões sobre o seu trabalho entrassem e recebessem respostas honestas de volta.

Não foi uma surpresa a conclusão de que o seu trabalho não foi fácil. As informações são da Ecorazzi.

Tumasse, cujos esforços foram em grande parte para a organização de direitos animais sem fins lucrativos Mercy for Animals, nunca foi descoberto durante os seis anos em que atuou disfarçado. Ele admitiu que sentia medo, pois, se fosse descoberto, acreditava que sua punição poderia variar “de algo como agressão física até ser jogado na prisão por crime de falsa identidade”.

Enquanto trabalhou em uma fazenda produtora de ovos em Iowa e Minnesota, e em uma de criação de perus na Carolina do Norte, entre muitas outras missões, Tumasse conta que viu poucas mulheres trabalhando nesses locais. Viu também alguns funcionários que se opunham ao tratamento cruel aos animais, e conheceu também outros que sentiam prazer na tortura. Trabalhar disfarçado colocou-o em uma posição difícil.

“Quando nós trabalhamos disfarçados, nós temos que fazer o trabalho na empresa com o máximo de nossa habilidade, e ao mesmo tempo manter um trabalho ético e livre de crueldade para com os animais tanto quanto possível”, explicou o ativista quando questionado se ele já teve que torturar um animal para se misturar aos colegas. “O problema é que a crueldade é frequentemente inerente no padrão das práticas da pecuária. Isso faz o trabalho dos investigadores extremamente difícil”.

Essa cultura da crueldade que Tumasse expôs é o que ele afirma que as leis “Ag-Gag” estão tentando proteger.

“Eu atuei em estados que agora têm leis ‘ag-gag’ como Iowa, antes de elas terem sido aprovadas”, disse ele com relação às leis que incriminam a filmagem secreta de empresas e fazendas de produção pecuarista. “Esta é uma tentativa flagrante de silenciar o nosso direito à livre expressão. Essas fazendas e empresas têm tudo a ocultar pois as pessoas não iriam continuar comprando das mesmas se soubessem o que acontece dentro delas. O fato de irem tão longe para tentar manter suas ações escondidas mostra que a crueldade do que eles fazem é algo que causa vergonha”.

Tumasse segue uma “dieta compassiva à base de vegetais” há 10 anos e já encorajou muitas pessoas a fazerem o mesmo, inclusive pequenas famílias de fazendeiros, de acordo com ele.

“Falar em carne produzida eticamente é, na minha opinião, uma contradição. Não existe nenhuma forma de explorar e matar alguém bondosamente, não importa se for um ser humano ou outra espécies”, disse ele. “Eu tenho visto todos os tipos de animais sendo criados, usados e mortos para satisfazer a desejos humanos; nós estamos explorando-os e não há meios de se explorar moralmente um outro ser senciente”.

Os anos de trabalho como investigador secreto trouxeram consequências permanentes para Tumasse, que afirma ter pesadelos constantes e sofrer de estresse pós-traumático das imagens que ele viu.

“Toda vez que eu via uma tortura, isso partia o meu coração. Eu odiei ter visto tudo aquilo que vi”, admitiu ele. “Eu me tornei muito sensível à violência. Não posso assistir a filmes violentos nunca mais, e não gosto de vê-los. Eu abraço a Ghandi e ao Doutor Martin Luther King. Eu acredito na revolução não-violenta e na paz. Também lido com o estresse pós-traumático e alguns problemas físicos dolorosos. Enquanto os animais sofrerem por caprichos humanos, eu vou sofrer com eles. A exploração animal é algo horrível. Serei afetado pelo que vi até o fim da minha vida”.

É um trabalho extremamente difícil, mas alguém tem de fazê-lo. Para qualquer pessoa que queria seguir os seus passos, ele sugere que entre em contato com uma organização de direitos animais, pois “há lugar para investigadores de todas as formas e tamanhos”.

E para os que querem ajudar mas não suportariam uma missão assim, ele disse que há muitas outras formas de fazer a diferença.

“As melhores formas para as pessoas se envolverem e se voluntariarem localmente são pelo compartilhamento de informações nas mídias sociais e pela ajuda a organizações como a Mercy For Animals, a Compassion Over Killing e outras que realizam trabalhos secretos”, disse ele, acrescentando que “a melhor coisa que qualquer indivíduo pode fazer é abraçar uma dieta compassiva baseada em vegetais e sem derivados de animais”.

Para ver o “Ask me Anything” de Tumasse no Reddit e todas as perguntas respondidas por ele, clique aqui.

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Lei "ag-gag" é barrada no Legislativo da Carolina do Norte

(da Redação)

Foto: Reprodução Internet
Foto: Reprodução Internet

Um projeto de lei “ag-gag” submetido a legisladores na Carolina do Norte, o último estado dos EUA a considerar um projeto de lei de seu tipo em 2013, não conseguiu passar, marcando uma vitória significativa para os defensores dos animais no estado. O projeto, que iria proibir filmagens secretas e fotografias em fazendas industriais e matadouros, será ouvido novamente pelos legisladores em poucas semanas, mas está engavetado por enquanto. As informações são do The Dodo.

As chamadas leis “ag-gag” estão se espalhando por vários estados dos EUA, graças a grandes empurrões da indústria pecuária nos últimos anos. Enquanto os defensores dos animais afirmam que as autoridades estão permitindo que os abusos aos animais não sejam denunciados, essa é também uma questão fundamental de direitos. Essencialmente, as leis podem punir jornalistas por fazerem o seu trabalho. Algumas leis permitem classificar denunciantes dos direitos dos animais como terroristas.

Existem inúmeras investigações marcantes em fazendas industriais que têm desvelado a crueldade na indústria. Com a presença de leis “ag-gag”, essas denúncias cruciais nunca teriam sido feitas.

O grupo ativista de direitos animais Mercy for Animals expôs abusos horríveis em fazendas da Carolina do Norte no passado recente, o que não teria sido possível se a legislação proposta já tivesse passado. O grupo realizou três investigações sigilosas em várias fazendas de criação de peru da Butterball na Carolina do Norte, mostrando os funcionários jogando, chutando e batendo em animais vivos.

Você pode ver a exposição abaixo – as imagens são fortes e perturbadoras.

Ainda mais preocupante é que a mais recente investigação na pecuária industrial do Estado, realizada pelo grupo Compassion Over Killing, ocorreu em um fornecedor da Pilgrim – a segunda maior “abatedora” de frangos do mundo. Entre as várias imagens perturbadoras está a filmagem de aves sendo enterradas vivas em poços ao ar livre e deixadas para morrer.

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Lei visa criminalizar o registro secreto de animais em fazendas de Kentucky

(da Redação)

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Lei que visa criminalizar a captação de imagens secretas de operações em fazendas de criação animal avançou no Senado de Kentucky na terça-feira com o apoio da organização fazendeira mais influente do estado. As informações são do The Gleaner.

A medida tornaria uma contravenção o acesso de um indivíduo a uma fazenda particular sob falsos pretextos  para filmar ou fotografar as atividades sem o consentimento do proprietário. Os infratores podem pegar até 90 dias de prisão e uma multa de US$ 250.

“É uma prioridade muito grande porque nós estamos vendo uma tendência”, disse Jeff Harper, diretor de relações públicas do Kentucky Farm Bureau. “Agora isto está vindo para Kentucky, e como uma organização pecuarista nós pensamos que é nosso dever … tomar alguma atitude.”

A proposta foi denunciada pela Humane Society dos Estados Unidos.

“A proposta ocorreu cerca de um mês depois de uma investigação secreta revelar a crueldade contra os animais em uma fazenda de porcos em Western Kentucky”, disse Paul Shapiro, vice-presidente de proteção animal da Humane Society. “Vídeos e fotos mostram grandes suínos confinados em gaiolas tão pequenas que não podem se virar, e mostrou porcas sendo alimentadas com restos de leitões doentes”, disse ele.

Nos últimos anos, grupos de direitos animais lançaram filmes secretos em outros lugares do país expondo casos de abuso contra animais em matadouros e fazendas. Agora, a indústria de carne do estado está tentando silenciar os denunciantes. “Isso realmente mostra o quanto a indústria da carne tem a esconder”, afirmou Shapiro.

Apoiadores dizem que a lei visa impedir intrusos na propriedade privada. Se o Senado aprovar o projeto, ele irá retornar para a Câmara. A versão da Câmara não incluiu atribuições feitas pela comissão do Senado.

A Humane Society vai apelar que os membros Câmara rejeitem as mudanças do Senado, disse Shapiro. A chamada “ag gag” ou lei da mordaça, foi adicionada a um projeto de lei que originalmente procurava impedir que abrigos de animais usassem câmaras de gás como uma forma de induzir a morte de cães e gatos.

No início do mês uma lei similar foi aprovada no estado de Idaho.

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Lei que criminaliza gravações secretas de abusos a animais em fazendas é aprovada em Idaho

(da Redação)

Foto: Ecorazzi
(Foto: Ecorazzi)

O Governador do estado americano de Idaho, C.L.“Butch” Otter, assinou há poucos dias a mais recente lei “Ag-Gag” – também chamada “lei da mordaça” – que permite a condenação de qualquer pessoa que registrar secretamente abusos a animais em fazendas e instalações agropecuárias de Idaho. As informações são do Ecorazzi.

Quem infrigir a lei será multado em 5 mil dólares e terá que cumprir um ano de prisão. Idaho é o sétimo estado dos EUA a criminalizar gravações secretas de áudio e vídeo, ou a captação de imagens de operações em locais onde animais para o consumo humano são criados. A obtenção de empregos em fazendas para esses fins também será considerada infração.

Segundo a reportagem, o Governador é também um fazendeiro. “A minha assinatura hoje reflete a minha confiança na ação responsável por parte dos fazendeiros, cujo meio de vida depende dos animais”, escreveu Otter em um comunicado. O interesse do Governador, portanto, reside em beneficiar as pessoas que trabalham na indústria de carnes e laticínios.

Otter chegou a dizer que “nenhuma organização de direitos animais se preocupa mais que os fazendeiros e rancheiros de Idaho em assegurar que os animais estejam saudáveis, bem tratados e produtivos”, em uma declaração no mínimo contraditória, uma vez que quer ocultar o que ocorre dentro das instalações onde os animais estão confinados, e pretende mandar para a prisão quem investigar e divulgar o o que realmente ocorre nesses locais.

A ONG Mercy For Animals (MFA) posicionou-se imediatamente contra a decisão de Otter: “O Governador falhou com Idaho e com o povo americano”, disse o fundador do grupo e diretor-executivo Nathan Runkle. “Ao assinar este projeto de lei, ele ficou do lado daqueles que procuram manter práticas corruptas em fazendas agrícolas de Idaho, escondidos da vista do público, e criou um porto seguro para o abuso de animais e outras atividades criminosas no Estado”.

“O objetivo da lei não é esconder nada, mas abordar aqueles que ficam em operações agrícolas sob falso pretexto, com a pré determinação de causar lesões e danos econômicos”, disse Bob Naerebout, que dirige a Idaho Dairymen’s Association (IDA), que promoveu a medida. “Os produtores de leite de Idaho – e de todo este país – têm extremo cuidado com o gado”.

Em declaração exclusiva para a ANDA, Tom Regan, filósofo e ativista internacional pelos direitos animais, afirmou: “A liberdade perdeu uma batalha, mas a liberdade nunca pode perder a guerra. A lei ag-gag só vai chamar a atenção do público para o que os fazendeiros querem esconder. Afinal, se eles não têm ‘nada a esconder’, não haveria essa lei. Mas defensores dos animais descobriram novos aliados na imprensa internacional, pessoas que têm uma nova apreciação por seus colegas denunciantes.”

“A Mercy For Animals está explorando todas as vias legais para derrubar essa lei perigosa, inconstitucional e antiamericana”, disse Runkle. “Este é um dia triste para os animais, para a Constituição e para os meios de comunicação…a nova lei equivocada e mal direcionada de Idaho vai fechar as portas das fazendas e permitir que o abuso de animais, as violações ambientais e a contaminação alimentar floresçam sem detecção e contestação”.

Apelos por um veto à lei também emergiram de outros grupos ativistas e figuras públicas notáveis, incluindo o ator e apresentador Bob Barker.

Conforme a reportagem, o que o Governador Otter está fazendo é condenar as pessoas por serem compassivas e, além disso, está claramente defendendo o abuso de animais ao não permitir investigações, “amordaçando” aqueles que se preocupam com os animais com ameaças de multas e prisão. Segundo o texto, “em Idaho, a compaixão e a preocupação com os animais explorados para consumo humano serão, agora, puníveis por lei”.

O brasileiro Márcio de Almeida Bueno, diretor-geral da Vanguarda Abolicionista, declarou que “em uma sociedade midiática, o que não é visto não existe. Nada mais natural que a indústria faça uso de seus legisladores para proteger-se, até mesmo, de quem a flagre fazendo algo abusivo. Ou seja, a lógica dá um nó e o errado não é errado, mas aquele que diz que o errado é errado. Muitas pessoas se conscientizaram, e mudaram seus hábitos de vida, justamente porque assistiram vídeos que documentavam a condição de vida dos animais não-humanos em locais de escravidão socialmente aceitos – fazenda, circo, zoo, laboratório, etc – porque não é algo que se vê estampado nos jornais. Assim, o registro de algo errado assusta quem está sentado no trono da hegemonia, acostumado com uma imprensa que é recebida com hora marcada. A censura tem muitas formas, e no momento em que uma lei estabelece que é proibido documentar algo, a sociedade é quem deveria reclamar, pois abre um precedente perigoso, tal como se vê nos regimes totalitários. E sequer citei a liberdade negada a todos esses animais na masmorra, bem tratados ou não.”

Assista ao vídeo da Mercy for Animals e entenda o que os ativistas americanos estão reivindicando.

Nota da Redação: As investigações em locais onde animais são criados e mortos para consumo humano apenas atestam o que é possível pressupor mesmo sem elas: abusos e maus-tratos. Buscar impedir e punir a divulgação de imagens é uma violação de liberdade que acentua ainda mais o erro principal: o consumo de animais pelos humanos. As investigações secretas são importantes para expor à sociedade a situação que esses seres enfrentam diariamente. Enquanto houver esse consumo, são os animais que estarão amordaçados, sem possibilidade de fuga ou de defesa, isolados o suficiente – ou nem tanto – para que seus gritos não sejam ouvidos, e continuarão sem poder exercer o seu direito mais fundamental, que é o direito à vida.

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