Entrevistas

Ex-adestradora de cavalos inicia santuário e escreve livro sobre seu amor pelos animais

Foto: Arquivo Pessoal

Em 2015, ela decidiu iniciar a New World Sanctuary Foundation e um santuário localizado em Oregon, nos Estados Unidos. A transformação do seu relacionamento com os animais é relatada em seu livro “Riding on The Power of Others:  A Horsewoman’s Path to Unconditional Love”, no qual ela relata como a compaixão a ajudou a compreender que os cavalos necessitam de amor e dignidade.  Atualmente, Ren trabalha em seu segundo livro “Animal Kin: Restoring Connection to Wild Wisdom” que irá abordar a domesticação dos animais e suas consequências. Nesta entrevista exclusiva, ela relata como seu amor pelos animais ressignificou sua relação com eles e com o mundo.

ANDA: Conte um pouco sobre sua história com os cavalos.

Ren Hurst – Comecei a andar a cavalo assim que consegui convencer alguém a me colocar em um. Eu tive meu primeiro cavalo quando tinha 12 anos e comecei a comprar / vender cavalos aos 15 anos. Isso rapidamente evoluiu e eu me tornei uma adestradora e corretora profissional e foi assim até a universidade. Obtive um diploma em ciências equinas na universidade e continuei ganhando dinheiro com cavalos para me tornar uma especialista no tratamento de cascos. Comprei, vendi e treinei centenas de cavalos e fui educada por alguns dos melhores profissionais holísticos no campo de cuidados e treinamento de cavalos.

ANDA: Como você percebeu que estava envolvida em uma relação de exploração com eles?

Ren Hurst – Suponho que sempre soube que estava envolvida em uma relação de trabalho. Nunca tive a impressão de que meu trabalho com cavalos não estava relacionado ao trabalho, nem me preocupava com isso.Eu acreditava que estava tudo bem em amar alguém e, simultaneamente, usá-lo para ganhar a vida. Foi muito mais tarde, no final da minha carreira, que percebi  o quanto eu e a maioria dos profissionais envolvidos com cavalos temos pouca consideração com os cavalos, além do nosso uso deles.

ANDA: Como foi abandonar a equitação e de que forma a sua relação com os animais se transformou?

Ren Hurst – Eu me esforcei ao máximo para decidir se desistia ou não de cavalgar. Estudei tudo o que podia, em que conseguia colocar minhas mãos ou meus olhos. Conversei com todos os que consegui, incluindo os melhores veterinários que conheci e tive muitas conversas desconfortáveis ​​com pessoas que eu respeitava apenas porque estava questionando algo que todos acreditavam estar certo.  Isso não ocorreu até que eu percebi verdadeiramente, pela primeira vez o que era um “não” verdadeiro de um cavalo. Decidi nunca voltar a cavalgar.   Foi devastador perceber com que frequência eles “não” e nós ignoramos isso, e como é bastante impossível reconhecer a forma mais sutil do “não” a partir de suas costas. Não foi o fim da equitação que mudou meu relacionamento com os cavalos: foi honrar a autonomia deles, além do cuidado absoluto necessário que sou responsável por fornecer como sua guardiã. Tudo sobre o relacionamento mudou, não apenas desistir de cavalgar.

ANDA: Quando você decidiu criar o New World Sanctuary e como tem sido essa jornada até agora?

Ren Hurst – Decidi criar a fundação quando percebi as implicações de longo alcance deste trabalho e como seria necessário apoiar os outros – humanos e animais – ao longo desse caminho no futuro. Isso foi em 2015 e criamos um santuário físico como uma necessidade para os animais que já estão em nosso cuidado, mas a verdadeira missão da fundação – além de criar um modelo sem exploração de animais – é apoiar uma rede global de outras organizações que desejam adotar filosofias não exploratórias ao oferecer um santuário. Essa jornada tem sido bastante difícil, pois é muito difícil administrar uma organização sem fins lucrativos, além de apanhar os cacos da vida que deixei para cuidar de animais em vez de usá-los. Tivemos todos os tipos de altos e baixos e desafios ao longo do caminho, mas, mais do que nunca, estou convencida de que esse trabalho é necessário e requerido, então continuaremos enquanto outros forem servidos por nossa mensagem.

ANDA: Poderia falar um pouco sobre seu livro “Riding on The Power of Others”?

Ren Hurst –  “Riding On the Power of Others” é a jornada completa da minha vida com cavalos, que termina com a percepção do que o amor incondicional realmente significa. Isso explica o caminho que fiz para chegar a essas conclusões, a minha credibilidade com os cavalos especialmente e o “o quê” do meu trabalho.

ANDA: Seu novo livro é “Animal Kin: Restoring Connection to Wild Wisdom”. Que assuntos são explorados nele?

Ren Hurst – Se “Riding On the Power of Others” é a história e o “o quê”, então “Animal Kin” é o “porquê” e o “como” . Neste novo livro, falo muito sobre os danos da domesticação e como reverter isso quando nós já temos tantos animais domesticados para cuidar no planeta. Eu também faço a conexão entre domesticação, exploração emocional e codependência dentro dos relacionamentos. O livro propõe três seções, a primeira das quais incluirá o que acabei de falar e a segunda será a minha jornada aplicando este trabalho com meu cachorro, Denali. Um husky fora de controle não domesticando um grupo de cavalos parece uma peça infantil, para dizer o mínimo.  Os leitores conseguem ver o que é realmente transformar um relacionamento com um animal que vive ao seu lado em vez de sair no pasto onde você só precisa se aparecer quando decidir. A seção final do livro é o desdobramento real dos 13 princípios do meu trabalho – o modo como relacionamentos não domesticados podem ser aplicados a qualquer espécie, incluindo outros seres humanos.

 

 

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Notícias

Processo de adaptação de cão com novo bebê deve começar ainda na gravidez

Ele era tratado como filho pelos tutores, até que um dia é surpreendido com a chegada de um bebê na família. Esse momento tão especial na vida de qualquer ser humano pode ser também sinônimo de problema para cachorros acostumados a reinar sozinhos em seus lares.

Segundo a adestradora Hetyene Borges, o impacto da chegada de um bebê na vida de um pet que vive nessa situação é grande. “A maioria deles pode ter problemas comportamentais como: ciúmes, ansiedade, compulsões, agressividade, depressão, entre outros distúrbios emocionais”, afirmou.

A adestradora, que já foi contratada para socorrer vários casais nessa situação, orienta que o melhor a fazer é começar a preparar o cachorro antes mesmo da chegada do bebê. “A partir do momento em que a mulher descobre a gravidez, ela deve começar a diminuir a atenção dada ao animal e passar a ignorá-lo algumas vezes. Desta forma, ele não vai estranhar tanto quando não receber atenção dos futuros pais”, disse.

Caso o casal não queira que o cachorro entre no quarto da criança é preciso também começar a educá-lo antes da chegada do filho para que ele não relacione a criança às coisas negativas. “O ideal é que os futuros papais peguem uma boneca e simulem com ela as atitudes que terão quando o bebê nascer. Só assim será possível observar o comportamento do pet e, caso ele reaja de forma agressiva, será possível corrigir”, afirmou Hetyene Borges.

Toquinho

A jornalista Luciana Tibúrcio tutora do shitzu Toquinho está grávida de sete meses. Em breve, o cão terá que se acostumar com a presença da pequena Ana Laura, que tomará boa parte do tempo da jornalista.

A futura mamãe acredita que no início o shitzu vai sentir a falta do seu colo “O Toquinho foi o centro das atenções da casa desde que nos casamos, há cinco anos”, disse.

Para que Toquinho não sofra com a chegada da Ana Laura, a jornalista deixa que ele fique deitado debaixo do berço enquanto ela organiza o quarto da filha. “Eu também deixo que ele cheire o enxoval da neném e coloco a cabecinha e a patinha dele na minha barriga para que ele possa sentir a Ana Laura se mexer. O mais engraçado é que, quando ela escuta o latido dele, ela chuta”, disse.

A jornalista acredita que, mesmo com essas atitudes, o cão ficará enciumado com a chegada de Ana Laura. “Ele adora ficar no meu colo e agora não vai poder ficar mais sempre que quiser. Já falei para meu marido não deixar de dar atenção para ele, pois é só isso que o Toquinho quer.”

Tutores também correm o risco de falhar

De acordo com adestradora Hetyene Borges, o trabalho de educação do cão não termina com a chegada do bebê. “É importante que os tutores façam várias associações positivas entre a criança e o cachorro. Por exemplo, quando a mãe estiver com o filho no colo, outra pessoa deve dar um petisco e carinho para o animal. Outra dica que funciona é colocar uma fralda com o cheiro da criança nos locais onde o cachorro costuma dormir e debaixo do seu comedouro. Desta forma, o cheiro do bebê estará associado a duas coisas que os animais adoram fazer, comer e dormir”, afirmou.

Hetyene Borges afirma que, se os responsáveis seguirem todos esses passos, será difícil que o cão estranhe o bebê. Mas, se mesmo assim isso acontecer, ainda é possível contornar a situação e evitar que o cão seja doado. “Todo animal está preparado para mudanças, mas estas devem respeitar o nível de entendimento do animal. Caso o processo de adaptação seja demorado ou não ocorra, um especialista em comportamento canino (não um adestrador), depois de verificar em quais pontos os responsáveis falharam, pode conseguir bons resultados”, disse a adestradora.

O que deve ser feito para que o cachorro não estranhe o bebê

Realizar mudanças gradativas na vida do animal.

O casal deve diminuir a atenção dada ao cão e ignorá-lo em alguns momentos nas semanas antes da chegada do bebê.

É muito importante que o cachorro associe a criança a coisas positivas, como petisco e carinho.

Colocar uma fralda com o cheiro do bebê nos locais em que o animal dorme e come também ajudam a reforçar a associação positiva do cão com a chegada da criança.

Fonte: Correio de Uberlândia


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