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Roupas em gatos geram estresse e podem causar acidentes fatais, diz veterinária

Pixabay/Katzenfee50

O uso de roupas em cachorros, por estética ou para aquecê-los em dias frios, é uma prática comum, realizada há bastante tempo pelos tutores. Replicá-la em gatos, porém, pode ser perigoso.

A médica veterinária Carynn Dantas, do Crystal Pet & Spa, explicou ao Canal do Pet que as roupinhas estressam os gatos – podendo causar, inclusive, vômito por conta do desequilíbrio emocional – e também podem levar a acidentes fatais.

“Como os gatos têm hábitos de pular, podem se enroscar em algum lugar, ficando enforcados, ou por causa do estresse de estarem presos, até o tutor perceber, pode acontecer alguma fatalidade”, explicou.

Além dos acidentes que podem levar o gato à morte, a veterinária explicou também que “algum fio de linha solto da roupa pode ser ingerido pelo animal e causar problemas gastrointestinais”.

Carynn orienta os tutores a optarem por maneiras seguras de aquecer os gatos, oferecendo cobertas para o animal; construindo uma toca com cobertores e tecidos grossos que não soltem fios; ou forrando uma caixa de papelão com almofadas e cobertores sem fiapos.

A roupa, segundo a especialista, só deve ser usada na presença do tutor. “Mesmo assim, o tutor deve ficar sempre de olho para não ocorrer acidentes”, completou.

É preciso observar, porém, se o animal não ficará estressado. “Isso acontece por falta de costume. Gatos são muito sensíveis e sentem algo estranho no corpo quando os vestimos”, concluiu a veterinária.


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Cachorro perdido volta para casa após ser atropelado e cair em canal em SP

Foto: Reprodução/G1

Alemão sobreviveu a situações perigosas e voltou para sua família após fugir de casa na Praia Grande, no litoral do estado de São Paulo. O cachorro foi resgatado após ser atropelado e cair dentro de um canal na Avenida do Trabalhador, no bairro Tude Bastos.

A vida do animal foi salva graças ao garçom Danilo Rodrigues, de 33 anos, e da Guarda Civil Municipal (GCM). A sequência de acidentes envolvendo o cachorro ocorreram na madrugada do último domingo (17).

Danilo relatou ao G1 que estava na varanda de seu apartamento quando viu o cachorro caminhar dentro do canal, sem conseguir sair do local.

“Não podia deixar quieto. Assim que vi que ele estava preso, desci até o canal e fui cercando ele. Percebi que ele era cego e surdo, até que ele ficou acuado em um canto, com medo. Tentei passar uma corda, mas não consegui. Nessa hora, passou uma guarnição da GCM, que me ajudou a laçar o cachorrinho e tirar ele de lá”, contou.

Após ser retirado do canal, o cachorro foi entregue ao garçom, que o levou para casa, deu banho nele e percebeu que ele tinha alguns ferimentos no corpo, causados pela queda. Danilo soube ainda, através de testemunhas, que o cão foi atropelado por dois veículos.

Foto: Arquivo Pessoal

“Ele deve ter caído no canal depois que foi atropelado. Ele deu uma animada quando trouxe ele para casa, brincou um pouco, mas ainda estava muito assustado depois do que aconteceu”, disse.

Através das redes sociais, Danilo e sua esposa divulgaram o caso e conseguiram encontrar a tutora de Alemão, que estava preocupada, a sua procura. A professora Dinahelza Guedes de Paulo, de 55 anos, relatou ao G1 que o animal tinha fugido horas antes, durante a noite de sábado (16).

“Por volta de umas 19h, abri o portão de casa para o meu filho e o Alemão saiu sem ninguém ver. Fui perceber que ele não estava em casa às 22h, já estava muito nervosa. Fizemos cartazes e espalhamos pelo bairro, procuramos por toda parte, mas não encontramos ele. Já era 3h quando me ligaram, falando que ele tinha sido encontrado”, afirmou.

Após receber o telefonema, a professora foi até a casa de Danilo e reencontrou seu companheiro de quatro patas. “Fiquei com medo de que não fosse ele, mas era o Alemão. Achei que ele fosse fazer festa quando me visse, mas estava muito assustado. Já o trouxe de volta para casa e aparentemente está bem. Vou levar ele para o veterinário o quanto antes”, disse.

Foto: Arquivo Pessoal

Danilo foi parabenizado pela professora, já que foi seu ato altruísta que garantiu a sobrevivência do animal. “Fiz questão de voltar na casa dele depois e agradecer de novo, é uma pessoa muito boa”, reforçou Dinahelza.

O garçom, no entanto, disse que não seria capaz de agir de outra maneira, dando uma verdadeira lição de compaixão e ética à sociedade. “Já resgatei outros cachorros antes, tenho uma que foi resgatada. Para mim, é uma situação normal, não deixaria de ajudar de jeito nenhum”, concluiu.


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Lei que proíbe carruagens com cavalos em Montreal entra em vigor

Cavalos canadenses | Foto: B. Simpson/Government of P.E.I.
Cavalos canadenses | Foto: B. Simpson/Government of P.E.I.

É o fim da exploração para King e Maximus, Marilyn e Maya, e o restante dos cavalos gentis que vivem em um antigo estábulo no bairro de Griffintown, em Montreal, no Canadá.

Em 31 de dezembro, eles ficaram presos a carruagens pela última vez, onde passaram suas vidas puxando os veículos pelas ruas de paralelepípedos da cidade.

Desde 1º de janeiro, a cidade proibiu visitas guiadas a cavalo, citando uma preocupação crescente com o bem-estar dos animais e uma série de incidentes graves envolvendo os cavalos que geraram uma onda de indignação, revolta e preocupação nos cidadãos.

Ativistas consideram uma vitória pelos direitos animais a libertação dos cavalos sofredores. Já para os carroceiros e motoristas de carruagens turísticas, acostumados a explorar, os animais a notícia não foi bem recebida.

Eles negam veementemente que os animais sejam maltratados, porém apenas o fato de viver escravizado, sendo explorado entre arreios, chicotes, cordas já é uma forma de maus-tratos intrínseca a atividade.

Mas para os defensores dos direitos animais, incluindo a atual administração municipal, felizmente as carruagens, conhecidas como caleches, pertencem definitivamente ao passado da cidade.

“Com as ondas de calor no verão, as mudanças climáticas, o frio extremo no inverno, a construção e o número de veículos na estrada, temos uma séria questão sobre a segurança dos animais”, o representante do conselho da cidade, Sterling Downey, disse.
Ele apontou para uma série de incidentes nos últimos anos, incluindo uma colisão entre um cavalo e um carro e um cavalo que foi ao chão depois de escorregar em uma grade de metal. Em 2018, um cavalo caiu e morreu no meio de uma visita guiada.

Downey insistiu que o governo fez todo o possível para facilitar a transição, inclusive com um aviso prévio de um ano inteiro. Eles trabalharam com o departamento de trabalho da província para ajudar os motoristas de caleche a encontrar outra ocupação e se ofereceram para pagar aos proprietários de carroças mil dólares por cavalo para aposentar os animais.

Explorados e vistos como inferiores por sua sociedade especista (doutrina que coloca o homem como superior a todas as demais espécies do planeta e por isso livre para dispor delas como bem entender), os animais padecem vítimas do egoísmo e ambição humana, privados de sua liberdade e até de seu direito à vida.

Cada pequena vitória é um tijolo na construção de um caminho rumo a uma sociedade mais justa, compassiva e ética. Para todas as formas de vida.

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Autoridades são pressionadas a acabar com as carruagens de turistas após cavalo cair na rua

Carruagens puxadas a cavalo de Roma, conhecidas como botticelle, continua como sempre, apesar das promessas dos políticos de uma proibição | Foto: Diliana Nikolova/Alamy
Carruagens puxadas a cavalo de Roma, conhecidas como botticelle, continuam como sempre, apesar das promessas dos políticos de uma proibição | Foto: Diliana Nikolova/Alamy

Os líderes italianos estão sendo pressionados pela população a parar com a exploração de animais em carroças após um cavalo ter desmaiado enquanto puxava turistas pelas ruas estreitas de Roma.

O cavalo caiu na Via dei Condotti, uma movimentada rua comercial no centro da cidade, em 17 de outubro, depois de escorregar em uma tampa de bueiro. O motorista da carruagem ignorou os pedidos dos observadores de que o cavalo fosse examinado por um veterinário, preferindo continuar o passeio em direção à Escadaria Espanhola nas proximidades, quando o animal estivesse de pé novamente.

“Submeter animais a trabalho desumano em nome de uma tradição anacrônica é abuso de animais”, disse Rinaldo Sidoli, porta-voz do grupo de animais e ativistas ambientais Alleanza Popolare Ecologista. “Os cavalos de Roma são forçados, contra a vontade deles, a rebocar cargas extremamente pesadas (só a carruagem pesa 800 kg) em calçadas escorregadias e em meio a tráfego barulhento. Pedimos à prefeita Virginia Raggi que pare com essa exploração injustificada de animais”.

A ENPA – Agência Nacional de Proteção Animal disse que outros cavalos caíram no mesmo bueiro. “O que torna essa história ainda mais perturbadora é o comportamento daqueles que dirigem a carruagem”, acrescentou a agência. “Era como se nada tivesse acontecido e, portanto, o real estado de saúde do cavalo permanece um mistério”.

Houve outros casos de cavalos caindo, desmaiando ou morrendo nas ruas de Roma. Um deles, chamado Legoli, morreu em junho de 2008 após ser atropelado por um carro enquanto puxava uma carruagem ao longo de uma estrada junto ao rio Tibre. Alguns meses depois, um cavalo de 18 anos, chamado Birillo, morreu enquanto trabalhava perto do Coliseu. Birillo caiu depois de se assustar com o barulho de um caminhão que passava. Outro desmaio ocorreu próximo a Escadaria Espanhola no verão de 2012, onde o motorista foi flagrado tentando bater no animal para colocá-lo de volta ao trabalho, antes de ser parado pela polícia. Mais tarde, foi aprovada uma lei proibindo as carruagens puxadas a cavalo de circularem se a temperatura estiver acima de 40°C.

Atualmente trinta e duas pessoas têm licença para dirigir as carruagens puxadas por cavalos, mas de acordo com os planos da atual prefeita da cidade, Virginia Raggi, nenhuma nova licença seria emitida. Aos antigos condutores de carruagem que quiserem migrar, foi oferecida a opção de solicitar licenças de táxi. Os condutores muitas vezes brigavam abertamente com ativistas dos direitos animais por causa de uma prática há muito criticada por sua crueldade. Cerca de 80 cavalos ainda estão trabalhando.

“A visão de um cavalo caindo no chão deixou muitos turistas horrorizados”, acrescentou Sidoli. “O espetáculo vergonhoso foi mais um golpe na imagem da Itália. Chegou a hora do parlamento ouvir a crescente sensibilidade dos italianos em relação aos direitos animais”.

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Campinas (SP) registra 109 acidentes com animais em rodovias

A região de Campinas, no interior de São Paulo, registrou 109 acidentes com animais em rodovias no período de janeiro a agosto deste ano. São 29 a menos do que foi registrado em 2018.

O levantamento foi feito pelo G1 com as concessionárias das principais rodovias da região.

Foto: Reprodução/EPTV

Cachorros e gatos são as maiores vítimas. Para o diretor geral da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), Giovanni Pengue Filho, para que os atropelamentos sejam reduzidos ainda mais é preciso que tutores de animais sejam conscientizados.

“Em áreas urbanas, é comum o atropelamento principalmente de cães soltos nas vias. Quando você sai das áreas urbanas e vai para as rurais, a maior incidência é entre cavalos e bois. Os silvestres aparecem em regiões de mata”, explicou ao G1 o diretor.

De acordo com dados da Artesp, aproximadamente 64% dos acidentes registrados em âmbito estadual dentro das concessões envolvem animais domésticos.

A conscientização, segundo Giovanni, tem que atingir não só os tutores, mas também os motoristas.

“O motorista deve reduzir a velocidade e evitar chamar atenção, buzinar, dar farol, porque isso pode assustar e fazer o animal se perder na via. Ele pode até correr para outra pista, ou andar de uma faixa para outra”, disse.

No caso de animais grandes, como cavalos, o ideal é fechar os vidros e ultrapassar o animal por trás dele, segundo Giovanni. Agir de maneira contrária a essa pode fazer o animal correr na direção do veículo para se proteger.

“Depois de passar, a pessoa deve comunicar a concessionaria ou Polícia Rodoviária para fazer manejo do animal”, pontuou.

De acordo com o diretor, as concessionárias são orientadas sobre como agir em cada ambiente. “Existem hoje 54 passagens de fauna na região de Campinas, entre dispositivos exclusivos e os já adaptados”, explicou. Quando as rodovias cortam regiões de mata, a orientação é colocar tela para proteger os animais. Nas áreas rurais, proprietários de terras recebem auxílio e instrução para telar os espaços.

“Estamos melhorando a preservação da fauna e meio ambiente. Em contratos mais recentes [de concessionárias], existe a obrigação de cadastramento de animais identificados, assim a gente pode registrar como funciona a migração destes animais”, concluiu.


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Atropelamentos de animais silvestres podem antecipar a extinção de espécies

Um levantamento concluiu que 1 milhão de espécies da fauna e da flora estão ameaçadas de extinção e muitas devem sumir por completo nas próximas décadas


Rodovias como a BR-262, que liga Vitória (ES) a Corumbá (MS), são o cenário onde diversos atropelamentos de animais silvestres, parte deles ameaçada de extinção, acontece. A situação é alarmante e pode antecipar o desaparecimento completo dessas espécies.

No caso da BR-262, o Pantanal, um dos biomas mais importantes do Brasil, é cortado pela rodovia, o que a torna ainda mais ameaçadora para os animais. Mas não só ela. Outras estradas, como a BR-163, a BR-267 e a MS-040, também registram atropelamentos frequentes, a maioria à noite, devido aos hábitos noturnos de algumas espécies e à falta de visibilidade dos motoristas.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

A gravidade da situação fica nítida no relatório publicado pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, da ONU. Divulgado em maio de 2019, o documento estima que 1 milhão de espécies da fauna e da flora estão ameaçadas de extinção e muitas devem sumir por completo nas próximas décadas.

“Com certeza podemos dizer que o atropelamento de animais silvestres é a principal causa de perda crônica de fauna no Brasil, junto com a caça e o tráfico de animais”, disse a bióloga Fernanda Abra, em entrevista a National Geographic Brasil. A profissional ganhou o prêmio Future for Nature Awards 2019, considerado um dos mais importantes do mundo para ações voltadas à preservação de animais silvestres. As informações são da National Geographic Brasil.

A morte em grande quantidade de animais devido ao atropelamento prejudica ainda mais espécies ameaçadas de extinção, também aquelas que possuem reprodução lenta e não aguentam fortes pressões do meio externo, além das que são consideradas topo de cadeia, das quais outras são dependentes no quesito sobrevivência.

Em 1998, ecologista norte-americano Richard T. T. Forman cunhou o termo “ecologia de estradas/rodovias”. Anos antes, em 1970, os biólogos tinham começado a se preocupar com o impacto da malha viária sobre os animais silvestres.

No Brasil, um levantamento publicado em janeiro deste ano na revista científica Ecology concluiu que 21.512 animais foram atropelados nas rodovias. Os dados devem ser usados para construir políticas de proteção à vida selvagem. No entanto, a pesquisadora da Universidade de Lisboa e colaboradora da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Clara Grilo, que é uma das líderes do levantamento, lembra que não é possível estabelecer uma relação direta entre o número de atropelamentos e o volume de tráfego dos veículos por falta de dados sobre toda a malha viária do país.

“A nível internacional, ainda não está clara a relação exata entre tráfego rodoviário e o número de atropelamentos de uma forma geral. Pensa-se que, à medida que o tráfego aumenta, o risco de mortalidade aumenta, mas até um certo nível. Há situações em que o tráfego é tão elevado que os indivíduos nem tentam atravessar e as taxas de mortalidade começam a decrescer”, explicou Grilo. De acordo com a pesquisadora, o comportamento diante do tráfego é particular de cada espécie.  “Cada uma responde de forma diferente ao perigo: umas ignoram o tráfego e morrem mais à medida que este aumenta, outras evitam infraestruturas humanas, portanto, têm baixas taxas de mortalidade”, completou.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

Outro estudo, feito pelo pesquisador Alex Bager, do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, da UFLA, documentou atropelamentos em estradas, rodovias e ferrovias em 20 estados do Brasil. Para isso, o pesquisador percorreu quase 30 mil km e passou por 93 parques nacionais e outras unidades de conservação. A pesquisa, feita entre agosto de 2018 e junho de 2019, encontrou 529 animais atropelados de médio e grande porte. O cachorro-do-mato foi o animal mais atropelado, seguido do tamanduá-mirim, o tatu, o tamanduá-bandeira e as capivaras. O pesquisador registrou ainda anta, lobo-guará e cachorro-vinagre como vítimas.

Segundo Bager, há muitos atropelamentos fora das unidades de conservação, em alguns casos em maior número. “Monitorei a região [Estação Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul] por dois anos e encontrei dois exemplares de Leopardus geoffroy [nome científico do gato-do-mato-grande] atropelados dentro da área da unidade”, disse Bager. “E 19 nos 100 km no entorno. A conclusão é que os animais iam se alimentar da palha do arroz plantado nas proximidades, onde tinha muito rato. E, ao cruzar a rodovia, eram mortos”, completou.

Mamíferos ameaçados

Em um período de dois anos e meio, foram registrados 8.894 atropelamentos de animais silvestres em um trecho de 1.337 km de estradas no Mato Grosso do Sul. O resultado foi exposto por um levantamento feito por Arnaud Desbiez, coordenador do projeto Bandeiras e Rodovias e estudioso dos atropelamentos de mamíferos de médio e grande porte, especialmente tamanduás, em rodovias do estado.

Desbiez também monitorou mais de 40 tamanduás-bandeira, o que permitiu descobrir a extensão do habitat e das relações com as paisagens que circundam as rodovias, levando a estimativas de taxas de mortes, análises dos padrões temporais e espaciais do acidentes, além de ajudar no cálculo do risco de atropelamento para várias espécies e os prováveis impactos em populações. De acordo com o estudo, entre os animais mais atingidos estão o tatu-peba, o cachorro-do-mato, o tatu-galinha e o próprio tamanduá-bandeira.

Segundo o pesquisador, as rodovias cortam pela metade a taxa de crescimento dos tamanduás-bandeira. “Isso significa que eles têm mais dificuldade de se recuperar de outras ameaças, como perda de habitat, conflito com cachorros, fogo, entre outras”, explicou.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

Desbiez lembrou ainda que “a MS-040 é a estrada em que temos a maior taxa de mortalidade de antas, o maior mamífero brasileiro terrestre. Isso é terrível porque o acidente com um carro pequeno e uma anta leva à morte dos passageiros. É muito perigoso”.

De acordo com a lei, o administrador rodoviário é o responsável por acidentes com animais. Entre 2003 e 2013, 28.724 casos foram registrados pela Polícia Militar Rodoviária do Estado de São Paulo – o que representa 3,3% do total das colisões.

Desde agosto de 2018, uma regra da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) determinou que corpos de animais devem ser retirados das estradas a cada 24 horas para serem incinerados, enterrados nas proximidades do acidente ou encaminhados a centros de pesquisa, obedecendo uma série de normas ambientais.

“É um avanço, já que se perdia muito material genético”, afirmou a bióloga Fernanda Abra.

Os animais que sobrevivem são levados para institutos de reabilitação. A Cetesb exige ainda que seja feito um registro de mortes por espécie para produção de políticas de conservação – o que fica difícil diante da necessidade de conhecimentos específicos para tal atividade e do estado de decomposição de muitos animais, o que dificulta a identificação.

O órgão exige também a construção de passagens de fauna associadas a cercas direcionadoras, adequação de pontes, túneis e galerias de drenagens para travessia, placas sinalizadoras e instalação de redutores e radares de velocidade – medidas que, na maior parte das vezes, não são aplicadas em sua totalidade.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

Os resultados do primeiro semestre de análise dos atropelamentos estão nas mãos de profissionais como Renata Ramos Mendonça, assessora da Diretoria de Avaliação de Impacto Ambiental da Cetesb. “A gente ainda está no meio da análise, mas já começamos a perceber onde ocorre mais acidente. E aí vamos conseguir saber, por exemplo, se tem mais atropelamentos em época de colheita de cana ou em época de seca com fogo. A gente vai conseguir ter essa gestão, além de saber a ocorrência de animais, onde se achava que não tinha.”

“Os resultados ainda são muito preliminares, mas, por exemplo, a gente viu que atropelamento de onça-parda não se restringe as unidades de conservação (UC). A gente já pensa ‘tem essa UC aqui, tem que proteger’. Mas [o ponto com mais atropelamentos] está na área de cana”, disse o gerente da diretoria, Camilo Fragoso Giorgi.

Para Giovanni Pengue Filho, diretor geral da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a preocupação com a biodiversidade e a segurança nas rodovias está crescendo. “A gente percebe que nos novos contratos há um aparelhamento melhor com relação ao manejo de fauna. Nos contratos mais antigos, as condições e a legislação eram completamente diferentes”, explicou.

Isso também aconteceu em estradas federais, segundo o diretor de Planejamento e Pesquisa do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Guilherme Rodrigues de Mello. Houve, ainda de acordo com o diretor, um investimento de R$ 60 milhões desde 2007 em ações de monitoramento e mitigação de atropelamento de animais silvestres, sendo R$ 55 milhões de 2014 em diante.

Proteção à biodiversidade

Fernanda Abra, pesquisadora reconhecida pelo Future for Nature Awards, trabalha com a redução do impacto das estradas na biodiversidade, coordenando mais de 30 projetos de ecologia de estrada. Ao ser reconhecida pelos jurados, ela recebeu 50 mil euros como premiação e promete usar o dinheiro para testar um sistema que detecta a entrada do animal na rodovia e avisa os motoristas.

“O que reduz atropelamento de fauna é cerca. É a cerca que barra a entrada do animal na rodovia”, afirmou Abra. Combinar cercas com passagens de fauna diminui, segundo Abra, em até 86% o número de atropelamentos.

É preciso, segundo ela, proteger os animais em todos os pontos das rodovias, e não só nos trechos conhecidos por terem mais acidentes. “O deslocamento da fauna acompanha a dinâmica da paisagem. Assim, uma passagem feita entre dois fragmentos de mata, que após algum tempo se transformam em um condomínio ou uma fazenda, não servirá mais como alternativa”, disse Abra. “A fauna migrará em busca de novos locais e novos ‘hot spots’ surgirão”, completou.

Além disso, há passagens específicas para cada espécie. “Temos a mania de acreditar que uma passagem pode ser boa para todas as espécies e isso está longe de ser verdade. Normalmente, um determinado ponto, um ‘hotspot’, abrange uma, no máximo duas espécies. Então, colocar uma medida de mitigação em um ponto pode proteger algumas espécies e deixar outras importantes, de fora”, explicou Bager.

O atropelamento, porém, não é o único problema. Isso porque o isolamento causado pelas rodovias – o chamado “efeito barreira” – também é preocupante. Macacos, por exemplo, não costumam arriscar a travessia e, com isso, não se conectam com outras populações, prejudicando a manutenção da biodiversidade.

Porém, representantes do Dnit e da Artesp afirmam que cercar totalmente as estradas é inviável, inclusive no aspecto financeiro. “Falar em colocar direcionamento em toda rodovia eu acho complexo, porque existem outros aspectos: segurança, travessia de pedestre, passarelas”, disse Filho, o diretor da Artesp. O coordenador de meio ambiente do Dnit, João Felipe Cunha, afirmou também “o orçamento público é comprimido e, às vezes, a gente se vê entre fazer a roçada na lateral pra dar segurança numa curva ou colocar a cerca”.

Répteis e anfíbios são maiores vítimas

Do total de animais atropelados, cerca de 90% são répteis e anfíbios. Além de difíceis de serem visualizados devido ao pequeno tamanho que possuem, a morte deles também não é contabilizada da maneira correta. Isso porque é difícil contabilizá-los, já que seus corpos são retirados do local, em média, em até 11 horas por animais carniceiros, chuva ou pelo fluxo de veículos.

Os anfíbios não percebem que estão em perigo diante dos veículos e precisam migrar, atravessando rodovias, para reproduzir ou interagir com outros animais, conforme explica a bióloga Júlia Beduschi, do Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os répteis, por sua vez, são atraídos pelo calor das estradas para autorregular sua temperatura interna, como acontece com as tartarugas, que buscam locais quentes para desovar.

FOTO DE LEONARDO MERÇON

“Muitas das tartarugas atropeladas que encontramos estavam cheias de ovos. É muito triste”, contou Beduschi.“Há muitos problemas em reduzir populações de anfíbios e répteis. Você pode, por exemplo, aumentar a quantidade de insetos que transmitem doenças ao homem por falta de predadores”, completou.

Ações que visam proteger esses animais estão sendo testadas. Dentre elas, pequenos túneis climatizados seguindo os padrões de cada espécie, cercas inteiriças e passagens aéreas ligando copas de árvores para os arborícolas.

Normas não são aplicadas

As normas que regem o licenciamento de novas obras rodoviárias, no que se refere à proteção da fauna, têm aplicação insatisfatória, segundo pesquisadores. Nos mais de 60 mil quilômetros geridos pelo Dnit no Brasil, há apenas cerca de 500 passagens de fauna. Nas rodovias de responsabilidade da Artesp, são 327 passagens feitas desde 1998.

A única passagem do tipo viaduto criada para proteger os animais está no quilômetro 25,8 da Tamoios (SP-99), na cidade de Paraibuna (SP). No Rio de Janeiro, está sendo construído um viaduto vegetado em cima da BR-101, para proteger o mico-leão-dourado.

O cenário de horror das estradas brasileiras não impediu, porém, a tramitação no Congresso de dois projetos de lei – o PL 984/2019, de autoria do deputado federal Vermelho (PSD) e o PL 61/2013, do senador Álvaro Dias (Podemos) – que pretendem abrir a Estrada do Colono, no Paraná. Fechada em 2001, a estrada corta o Parque Nacional do Iguaçu e já sumiu completamente, tendo sido ocupada pela mata, que cresceu e ocupou o local. Reabri-la significa desmatar 20 hectares em uma unidade de proteção integral e, conforme alertam pesquisadores, colocar os animais que ali vivem em constante perigo, inclusive as onças-pintadas, que estão criticamente ameaçadas de extinção.

A reabertura da estrada seria um retrocesso diante dos esforços de conservação da onça-pintada, que tem dado frutos. Entre 2009 e 2016, o número de animais da espécie que vivem no parque quase dobrou, de acordo com o Projeto Onças do Iguaçu.

Com informações da National Geographic Brasil


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Número de animais mortos em rodovias aumenta durante queimadas

O número de animais encontrados mortos em rodovias do Tocantins aumenta neste período do ano graças às queimadas e ao tempo seco. A fumaça obriga os animais a fugir para buscar abrigo, levando-os para as estradas, onde muitos são atropelados e morrem.

Mais de 360 animais silvestres foram resgatados este ano no Tocantins. Muitos não sobrevivem após ao resgate e outros já são encontrados mortos no acostamento das rodovias.

Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Na segunda-feira (22), uma família de quatis foi vítima de atropelamento e perdeu a vida enquanto passava pela BR-153. Também no final de semana, uma onça-pintada foi atropelada e morreu na TO-296 e uma onça-parda foi encontrada morta na rodovia que liga Palmas a Porto Nacional, provavelmente vítima de atropelamento.

“Essa época coincide com as queimadas e é uma época de muita seca, então os animais tendem a se movimentar mais, seja fugindo do fogo, ou da fumaça e até mesmo na busca de alimentos. Eles se movimentam mais e estão mais suscetíveis aos atropelamentos”, explica ao G1 o biólogo do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) Tiago Scapini.

Para evitar atropelamentos, o motorista deve prestar atenção na rodovia, respeitar o limite de velocidade e não buzinar ao ver um animal, já que o barulho pode assustá-lo e fazê-lo correr sem rumo, piorando a situação. Os cuidados devem ser redobrados principalmente nas estradas rurais.

A Polícia Militar Ambiental lembra ainda que nunca se deve tentar resgatar um animal silvestre por conta própria. “Jamais recomendamos que qualquer cidadão, mesmo que o animal esteja machucado, que ele vai lá e tente capturar esse animal. O recomendado é que sempre procurem entrar em contato com o batalhão ambiental para que estejamos encaminhando equipe com profissionais qualificados, com materiais e equipamentos apropriados para fazer essa captura e dar destinação correta a esse animal”, explicou o capitão da PM Ambiental Messias Albernaz.


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Passagens de fauna tornam estradas mais seguras para animais

A construção de túneis subterrâneos em estradas brasileiras tem ajudado a salvar a vida de animais selvagens e colaborado com a redução de acidentes. Pesquisadores estão filmando e acompanhando o deslocamento desses animais.

A onça parda caminha desconfiada. O motivo da preocupação vem logo atrás: quatro pequenos filhotes seguem a mãe. A família busca uma área de mata para se proteger.

Foto: Reprodução / Jornal Nacional

Muitas vezes, a floresta fica ao lado da rodovia e a travessia é um perigo. Não é raro o atropelamento de animais silvestres. Muitos ficam mutilados ou morrem quando tentam atravessar as rodovias.

O Brasil tem mais de 90 mil quilômetros de rodovias federais. Nos últimos quatro anos, em mais de cinco mil quilômetros, 500 passagens de fauna estão sendo instaladas. O número ainda é pequeno, representa apenas 6% da malha rodoviária do país.

“Onde nós temos maior parte de vegetação preservada, há uma tendência de existência mais massiva de fauna silvestre. Ali seria um ponto onde a gente deveria ter mais dispositivo desses para que a fauna possa atravessar, não por cima da rodovia, mas por baixo”, afirmou João Felipe Lemos Cunha, coordenador-geral de Meio Ambiente do Dnit.

Trinta passagens de fauna são monitoradas por câmeras 24 horas por dia. Num período de pouco mais de um ano, as câmeras fizeram o registro de mais de seis mil animais silvestres.

O monitoramento revelou a riqueza de vida selvagem: uma anta, maior mamífero terrestre brasileiro; o veado catingueiro foi visto durante o dia, assim como a raposinha do campo, animal ameaçado de extinção.

As onças pardas também foram flagradas. Mãe e filhote têm usado a passagem com frequência.

O investimento deu resultado, a concessionária que administra a rodovia registrou em um ano e meio a redução de 86% no número de acidentes com animais silvestres.

“Você imagina um usuário que está trafegando na rodovia a cem, 110 quilômetros por hora e colide com uma anta. A partir do momento em que esse animal tem uma opção segura por debaixo da rodovia, além de todo o ganho ambiental, o usuário trafega com mais segurança, com menor probabilidade de acabar se envolvendo em um acidente”, afirmou Osnir Giacon, gerente de Meio Ambiente da concessionária.

Em algumas rodovias, principalmente as que cortam parques ecológicos, foram construídas passagens aéreas para os animais. Macacos, esquilos e outros animais não precisam nem descer das árvores para passar do outro lado da floresta.

“Cada vídeo que a gente vê dos animais utilizando as passagens de fauna deve ser comemorado porque todo mundo ganha: o animal que passou em segurança e o usuário que trafegou em segurança”, contou a bióloga Fernanda Abra.

Fonte: Jornal Nacional


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Notícias

Cerca de 500 animais são atropelados por ano no Parque Nacional da Argentina

Cerca de 500 animais são atropelados a cada ano em uma rodovia que corta o Parque Nacional Iguazú, na Argentina. A estatística alarmante foi divulgada durante a jornada de Segurança Viária e Meio Ambiente, realizada na última semana no parque.

(Foto: La Voz de Cataratas)

Foram atropelados, desde 2001, 7.074 animais silvestres apenas na área de Puerto Península. Uma reunião, realizada devido à jornada, discutiu medidas para reduzir a matança causada pelos atropelamentos. Conscientização e educação viária estão entre as soluções apresentadas. As informações são do portal La Voz de Cataratas.

Colocar radares nos 22 quilômetros de Puerto Península também foi considerado durante a reunião. “Não temos muitas alternativas. Há um radar que já está em condições de ser instalada, na entrada de Península, e outro radar que ainda estamos reivindicando”, disse Jorge Anfuso, proprietário do parque GuiráOga – área protegida perto do Parque Nacional Iguazú, que atua na recuperação de animais.

Segundo Anfuso, os radares poderiam reduzir consideravelmente o número de animais atropelados.


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Jornalismo cultural, Notícias

Matadouros lideram ranking de acidentes de trabalho

São pelo menos 54 ocorrências por dia, e apenas em 2017 foram contabilizados 20.595 acidentes em matadouro (Foto: Getty)

A agropecuária lidera o ranking de acidentes de trabalho no Brasil. Só no Mato Grosso, de um total de 18 mil acidentes envolvendo alguma atividade agropecuária entre 2012 e 2017, 10 mil foram no setor de abate de animais, ou seja, em matadouros.

Segundo dados disponibilizados no site do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, criado pelo Tribunal Regional do Trabalho, os tipos de acidentes mais comuns são fraturas, cortes, lacerações, contusões, esmagamentos e amputações.

Mas não é apenas o Mato Grosso que contabiliza acidentes de trabalho em matadouros. Segundo a Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, a indústria frigorífica é líder em acidentes de trabalho em todo o Brasil.

São pelo menos 54 ocorrências por dia, e apenas em 2017 foram contabilizados 20.595 acidentes em matadouros, o que representa crescimento de 7,90% em comparação com 2016, que somou 19.087 acidentes.

Vale lembrar também que este ano duas pessoas morreram em decorrência de choque elétrico em um matadouro em Caracol (PI). Em síntese, o local onde vidas não humanas são reduzidas a alimentos também é aquele onde os funcionários têm a maior probabilidade de sofrer algum grave acidente.

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Notícias

Acidentes com animais em rodovias no Piauí diminuem em 2018

O número de acidentes envolvendo animais em rodovias do estado do Piauí diminuiu em 2018, em comparação ano ano anterior, em torno de 25%. Em contrapartida, o resgate de animais teve um crescimento de 187%, sendo esse um resultado do aumento das operações policiais. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal do Piauí (PRF).

(Foto: Reprodução/ Fernando Tatagiba)

Períodos em que o brasileiro viaja mais tornam as estradas mais perigosas. Isso porque o maior fluxo de veículos nas pistas aumenta o risco de acidentes entre veículos, inclusive envolvendo animais. Por essa razão, a PRF já se prepara para realização de operações sistemáticas devido à aproximação da Semana Santa.

O objetivo das operações da Polícia Rodoviária Federal é diminuir a quantidade de acidentes com animais nas rodovias. Os trabalhos dos agentes são realizados de norte a sul do estado do Piauí e compreendem as rodovias federais, estaduais e municipais. As informações é do portal ViAgora.

De acordo com a PRF, todos os animais resgatados são encaminhados a currais nos municípios conveniados. O tutor que deseja ter o animal de volta precisa arcar com as despesas da estadia e do transporte dele, além de pagar uma multa.

Para evitar acidentes, a orientação é dirigir com cautela, especialmente em trechos de rodovias localizados nas proximidades de rios e matas, nos quais a presença de animais é constante.

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Notícias

Cresce número de acidentes com animais em rodovias no interior de SP

Dados da concessionária CCR SPVias recentemente divulgados indicam que houve aumento, em 2018, no número de acidentes envolvendo animais em rodovias na região de Itapetininga, no interior de São Paulo. De janeiro a agosto foram registrados 116 acidentes. No mesmo período do ano passado, foram 92.

(Foto: Reprodução/TV Globo)

O caminhoneiro Anderson Dutra Apolinario, que trabalha no ramo há mais de 10 anos, já atropelou acidentalmente um animal. “Foi um susto grande, porque eu me perdi e fui parar do outro lado da pista. Eu estava acompanhado da minha mulher neste dia. Foi bem sinistro”, conta. “A primeira atitude é tentar segurar o veículo para que não haja colisão. Você faz o possível, mas nem sempre é possível”, completa. As informações são do portal G1.

De acordo com o supervisor do Centro de Controle Operacional da concessionária, Rogério Lucena, as rodovias do interior do estado de São Paulo contam com cercado para delimitar as áreas próximas à pista. Porém, é necessário, segundo Lucena, que o dono de cada propriedade construa mais uma cerca.

“Muitas vezes o tutor desses animais usa a cerca da concessionária para a contenção dos animais, e ela não é para isso. Ela é uma cerca demarcatória para definir o que é faixa de domínio”, explica. “O tutor deve sempre construir uma cerca paralela para contenção dos animais que ele tenha no local”, acrescenta.

Segundo um produtor de uma área rural, que prefere não ser identificado, há problemas, também, de vandalismo. Isso porque, às vezes, as cercas são destruídas por vândalos. “Se a cerca estiver danificada há probabilidade dos animais escaparem”, diz.

(Foto: Rodrigo Santos/TV TEM)

Abandono

O problema vai além dos animais que vivem nas fazendas e escapam das propriedades. Isso porque o abandono de animais em rodovias é também uma prática recorrente – e bastante cruel, já que ameaça gravemente a vida desses animais – e que tem registrado aumento na região de Itapetininga.

Diante da situação, as concessionárias decidiram fazer uma campanha, que tem duração até o dia 14 de setembro, denominada ‘não abandone animais na pista’. Panfletos informativos estão sendo distribuídos nas praças de pedágio. Neles, consta a informação de que abandonar e maltratar animais são crimes previstos em leis federais.

Ao encontrar animais em rodovias, a orientação é reduzir a velocidade, não buzinar nem piscar várias vezes os faróis para não assustá-los, tentar desviar pelo lado direito para evitar colisão frontal com outro veículo, avisar outros motoristas e também as concessionárias e a Polícia Rodoviária.

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