De olho no planeta

Cadastro aponta 328 áreas contaminadas no RJ

Segundo o Cadastro de Áreas Contaminadas do Rio de Janeiro, elaborado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o estado fluminense tem 328 áreas contaminadas e reabilitadas.

Na primeira edição do cadastro, feito em 2013, o órgão ligado a Secretaria Estadual do Ambiente (SEA) revelou a existência de 160 áreas contaminadas e reabilitadas, ou seja, áreas contaminadas que depois de determinado processo de recuperação têm restabelecido o nível de risco aceitável à saúde humana e o meio ambiente.

Em 2014 esse número quase dobrou, aumentando de 160 para 270 áreas contaminadas. No ano seguinte, em 2015, último ano da atualização do cadastro, se atingiu a marca de 328 áreas contaminadas ou reabilitadas no estado.

Entretanto, o Movimento Baía Viva alerta que o número de áreas contaminadas no estado do Rio de Janeiro pode chegar a mais de 600 locais, representando grande risco ambiental e à saúde pública, incluindo o abastecimento de água e a contaminação das águas subterrâneas.

De acordo com o ecologista Sérgio Ricardo, um dos fundadores do Movimento Baía Viva e ex-membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema-RJ), estima-se que mais da metade das barragens usadas por mineradoras para depositar rejeitos de mineração podem ter conexão com mananciais do estado do Rio de Janeiro, um cenário similar ao acidente de 2015, causado pela Samarco em Mariana (MG). “É uma situação que representa um grande risco”, afirma.

Desastre de Mariana prejudicou de forma irreparável a fauna e flora local. Foto: Reprodução

No dia 3 de julho, o Movimento Baía Viva entrou com uma representação no Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público Estadual, solicitando a imediata interdição da montanha de resíduos produzidos pela CSN, em Volta Redonda, em função do risco de contaminação do rio Paraíba do Sul, o mais importante do estado do Rio de Janeiro.

A mineração realizada pela Companhia Siderúrgica Nacional pode afetar negativamente a natureza local. Foto: Reprodução

O documento também propõe a criação de uma força-tarefa, sob a coordenação da Procuradoria Geral da República (PGR) e do Gaema, com o apoio técnico de instituições científicas e universidades públicas, para revisar todas as licenças ambientais que beneficiaram empreendimentos industriais e imobiliários nos últimos anos. O movimento suspeita da atuação conivente e omissa de parlamentares e autoridades que exerceram cargos de comando na Secretaria de Estado do Ambiente (SEA).

“Nossa representação traz os elementos técnicos e legais. Depois que a tragédia acontecer, não adianta chorar sobre o leite derramado, como foi em Mariana”, enfatiza o ambientalista Sérgio Ricardo.

Fonte: Rede Brasil Atual

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Estudo revela que iluminação artificial ameaça anfíbios de extinção

A iluminação de carros, prédios e postes de luz está impedindo o crescimento e a postura de ovos por sapos, de acordo com um novo estudo.

As populações de anfíbios já estão em declínio severo graças ao uso indiscriminado de produtos químicos tóxicos, doenças e destruição de habitats. Dessa forma, as consequências causadas pela poluição luminosa poderão contribuir para levar grande parte dessa classe à extinção.

A iluminação de carros, prédios e postes de luz está impedindo o crescimento e a postura de ovos por sapos, de acordo com um novo estudo.
Anfíbios estão criticamente ameaçados de extinção. Foto: Reprodução

As luzes artificiais alteraram o ambiente noturno em um quinto da superfície terrestre, e espera-se que essa parcela aumente rapidamente nos próximos anos.

Apesar das recentes descobertas, ainda sabe-se pouco sobre como os animais cujos habitats foram profundamente alterados pela iluminação artificial estão sendo afetados.

O estudo é resultado de uma observação de Kacey Dananay, aluna de pós-graduação do Case Western Reserve University College, na cidade de Cleaveland, nos Estados Unidos. Dananay começou a considerar o impacto de luzes artificiais enquanto investigava o efeito de substâncias químicas do sal das estradas em anfíbios locais.

Ela começou a trabalhar em um projeto com seu supervisor, o ecologista Dr. Michael Benard, no qual eles construíram tanques para observar os efeitos da luz constante nos sapos.

Conforme os sapos cresciam, presença ininterrupta de luz fez com que eles se comportassem de maneira estranha.

“Se continuássemos a expô-los à luz artificial, eles mudavam de comportamento para que ficassem mais ativos à noite. Eles também tinham um crescimento mais lento, cerca de 15% menor no final do experimento”, disse Benard ao The Independent.

A diminuição nas taxas de crescimento provavelmente foi resultado da ausência de descansos. “Graças à luz, eles ficaram sempre em movimento, então isso pode significar que eles queimaram mais energia e cresceram menos”, comentou o ecologista.

Também foi observado que os sapos preferiram depositar seus ovos em regiões mais escuras do tanque, sugerindo que os anfíbios estão tendo suas áreas de reprodução diminuídas em áreas sujeitas a iluminação constante.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Proceedings of the Royal Society B.

Com a iluminação constante em quase todo o planeta, os pesquisadores agora estão preocupados em estudar a combinação entre outros fatores que comprovadamente estão levando tantos anfíbios à extinção.

“As populações de anfíbios estão sofrendo uma queda tão acentuada nos últimos 20 anos pois fatores estressantes estão interagindo entre si. Então contaminantes químicos podem tornar um animal mais suscetível a doenças, por exemplo”, explicou Benard. “Eu suspeito que a luz artificial também esteja fazendo isso.”

Muitas formas de iluminação artificial são essenciais, porém o Dr. Benard disse que há uma necessidade de reconsiderar as iluminações para fins estéticos, usada em edifícios e anúncios, a fim de minimizar os danos aos ecossistemas locais.

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