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Mais um filhote de baleia jubarte é encontrado encalhado em Alagoas

Filhote de jubarte encalhado em Barra de São Miguel  (Foto: Divulgação/Secretaria de Maio Ambiente da Barra de São Miguel)

Subiu para sete o número de filhotes de baleias jubarte encontrados encalhados nas praias de Alagoas. O último caso aconteceu nessa segunda-feira (4), na foz do Rio Niquim, em Barra de São Miguel, Litoral Sul do estado. Infelizmente o animal não sobreviveu.

As causas de encalhe e morte ainda não foram identificadas. Equipes do Instituto Biota estão no local.

Aparentemente há um padrão se repetindo nas praias do Estado. No último dia 25, um filhote foi achado sem vida em São Miguel dos Milagres, no Litoral Norte. No dia anterior, outro filhote já havia morrido na Praia de Japaratinga, local onde no início de agosto desse ano outro filhote também encalhou e não resistiu.

Os outros dois casos de morte foram em Maragogi e em Porto de Pedras. Somente em julho, um filhote que tinha encalhado em Jequiá da Praia conseguiu voltar para o mar.

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Caso Maracanã: mais de 30 gatos são resgatados com vida dos escombros

Bombeiros resgatando os animais dos escombros (Foto: Ana Branco / Agência O Globo)

Uma casa abandonada foi demolida com vários gatos dentro na Rua São Francisco Xavier, região do Maracanã, na manhã de sábado (2) no Rio de Janeiro (RJ). Até agora, 35 gatos foram resgatados com ferimentos leves e encaminhados para ONGs de adoção. Infelizmente um gato foi encontrado morto.

Suzane Rizzo, subsecretaria de Bem Estar Animal (Subem) disse que está providenciando a documentação que irá permitir a entrada de protetores de animais no terreno. Suzane, que é médica veterinária, também relatou que uma equipe de veterinários esteve no local para ajudar no resgate junto com os bombeiros e a Guarda Municipal na tarde de sábado.

Também no sábado, policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) foram ao local em conjunto com policiais do comando da Polícia Ambiental, sendo coordenados pelo delegado Roberto Gomes Nunes. O técnico de segurança da empresa de demolição foi encaminhado à delegacia e liberado após prestar depoimento.

Esse caso de demolição gerou revolta entre os moradores, que já haviam se manifestado na sexta-feira contra essa ação de demolição com os mais de 30 gatos dentro. A polícia havia sido chamada, mas acabou não resultando em nada.

Randel Silva, da ONG Pata Amiga resgatou dois gatos (Foto: Ana Branco / Agência O Globo)

Na mesma semana e dessa vez dentro do estádio do Maracanã, mais casos de maus-tratos e crueldade contra gatos foram denunciados. Desde sexta-feira, pelo menos três gatos foram encontrados mortos dentro do complexo esportivo. Em um desses casos, uma fêmea, que estava grávida, foi encontrada sem olhos, língua, diafragma e órgãos. De acordo com o laudo de necropsia feita no Instituto de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, em São Cristóvão, não existe a possibilidade disso ter sido feito por outro animal.

Por causa de notícias como essas, uma campanha nas redes sociais foi criada por voluntários de ONGs defensoras dos direitos animais e por artistas que se sensibilizam com a causa. A hashtag #sosgatosmaracana foi iniciada pela atriz Betty Gofman, e teve adesão de outros atores como Evandro Mesquita, Paula Burlamaqui, Heloísa Périssé, Maria Clara Gueiros, Malu Mader, Fabiana Karla e Patricya Travassos.

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Experimente creme funcional com biomassa de banana verde

Foto: Arquivo Pessoal.
Foto: Arquivo Pessoal.

A nossa seção culinária vegetariana de hoje é com a nutricionista Kelly Cristina Comelli, que nos conta como foi seu processo de adoção da dieta vegetariana e do modo de vida vegano, e sua dica de receita será um Creme Funcional de Tâmaras com Cacau, versátil e fácil de fazer, que pode ser usado como cobertura para pães e recheio para bolos, ou simplesmente apreciado puro.

Ao lembrar do processo de mudança de hábito e de costumes, Comelli volta aos tempos da faculdade:
“Lembro-me da minha agora comadre Arícia, e na época colega de faculdade, me falando uma vez, que tinha parado de comer carne, e de eu lhe aconselhando, dizendo que ela estava maluca, e que carne era necessário para a nossa sobrevivência. Apesar de ter visitado frigoríficos, como parte das visitas de campo, e não ter conseguido acompanhar a parte do abate, incrivelmente ainda não havia conseguido entender a desconexão que havia entre minha razão e meu coração.”

Há quinze anos Comelli conheceu seu esposo, que na época era protovegetariano já fazia cinco anos. Esse contato lhe abriu os olhos, ampliando sua consciência e compreensão da relação dos humanos com os animais não humanos e com o meio ambiente.

“Cheguei em casa, pesquisei sobre vegetarianismo na internet e pronto, de um dia para o outro parei de consumir carne. Assim foi até há uns 6 anos, quando meu esposo decidiu voltar a comer carne e segui seus passos. Enrolava para comer um pedacinho de carne, porque era quase impossível deglutir tudo aquilo que vem acompanhado com ela, até ver uma cena de meu esposo roendo um enorme osso de gado, em um típico almoço de domingo, e sua família feliz com sua atitude. Como sou Espírita, era como seu eu estivesse vendo uma cena do umbral, e pensei: ‘o homem evoluiu milênios, para continuar igual à um troglodita? Acho que não.’ Parei de comer carne novamente e felizmente meu esposo me acompanhou desta vez.”, relata a nutricionista.

Hoje o casal é adepto do modo de vida vegano, contribuem com organizações que cuidam de humanos e dos animais não humanos. Comelli diz que também dá palestras em Centros Espíritas sobre a visão espiritual em relação ao abate e o sofrimento imposto aos animais, ministra aulas de culinária sem ingredientes de origem animal para a comunidade adventista da cidade onde mora.

E destaca que, “recentemente comecei a administrar uma página no Facebook chamada Vivendo Vegan em Rio do Sul, possibilitando o compartilhamento das vivências veganas em nossa cidade e, juntamente com o educador físico Reinaldo Constantino, também vegano, estamos organizando encontros veganos, o qual chamamos de “Os comedores de alface”, com o intuito de nos reunir, se divertir e trocarmos receitas vegetarianas.”

Creme funcional de tâmaras com cacau

Foto: Arquivo Pessoal.
Foto: Arquivo Pessoal.

Ingredientes:

– 70 g de biomassa de banana verde (equivalente à 3 unidades de bananas verdes)
– 105 g de tâmaras (15 unidades)
– 4 g de cacau (1 colher de chá de cacau)
– 150ml de água quente (3/4 xícara de chá)
– 85 g de nozes picadas (3/4 xícara de chá)

Modo de preparo:

Coloque a água quente, a biomassa, as tâmaras, e o cacau no liquidificador e bata até ficar um creme homogêneo. Retire, adicione as nozes e mexa novamente para incorporar as nozes ao creme. Espere esfriar e estará pronta para servir.

Dica: se as tâmaras forem compradas desidratadas, deve-se deixa-las de molho em água por 4 horas, descartar a água e então utilizá-las na receita.

– Armazenada em geladeira, pode ser consumida em 7 dias.

Biomassa de banana verde

Ingrediente:

– Bananas verdes

Modo de preparo:

Retire as bananas do cacho, mantendo seus cabinhos. Em uma panela de pressão, coloque água o suficiente para tampar as bananas, dependendo do volume de sua panela, e deixe ferver. Adicione as bananas e tampe. Quando pegar pressão, deixe por 15 minutos e desligue o fogo. Deixe o vapor sair naturalmente. Para trabalhar com essas bananas agora cozidas, deve-se sempre deixa-las quentes, então, vá retirando da panela 3-4 unidades por vez e vá repetindo o seguinte processo: pique as bananas com ou sem a casca, e coloque no liquidificador e bata até homogeneizar. Retire do liquidificador, com cuidado para não se queimar. Nesse momento, você já pode usar essa biomassa em receitas, ou então, fazer bolinhas no tamanho desejado, dispor em uma forma e congelar. Após, retire da forma as bolinhas congeladas e armazene em um recipiente adequado no congelador. Para utilizá-las após terem sido congeladas, é só aquecê-las em banho-maria ou então deixa-las descongelando em temperatura ambiente.

Propriedades nutricionais: Esta receita, por conter amido resistente, auxilia na função intestinal e no controle do açúcar e da gordura sanguínea, e ainda apresenta substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias, ajudando o corpo na desintoxicação e prevenindo contra diversas doenças.

Você também pode participar

A ANDA começa uma fase com novas seções em seu portal. Uma delas é essa aqui, com receitas vegetarianas envidas por convidados que estão de alguma forma engajados na causa animal ou são simpatizantes. Essas pessoas estarão também contando por que optaram pelo veganismo e como se sentem hoje com uma alimentação sem sofrimento animal. E os leitores da ANDA também poderão participar enviando suas receitas vegetarianas com boas fotos, nome completo, cidade, profissão e contando como foi a trajetória para o vegetarianismo ou veganismo por meio do faleconosco@anda.jor.br

Nota da Redação: Como a seção é sobre culinária e a dieta da pessoa vegana é o vegetarianismo, se utilizará sempre os termos: “culinária vegetariana”, “dieta vegetariana” e “receitas vegetarianas”, no sentido de não conter nada de origem animal (ovos, mel, leites e derivados, todos os tipos de carnes, cochonilha, gelatina, etc.).

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Aprenda um saboroso suflê de batata com brócolis

A nossa seção culinária vegetariana de hoje é com a gestora e administradora do AtmaVeg, e ativista pelos direitos animais Mickële Peçanha, que nos conta como foi seu processo de adoção da dieta vegetariana e do modo de vida vegano, além de agraciar os leitores e leitoras com uma receita bem bacana de Suflê de batatas com brócolis, e uma indicação em vídeo de outra receita, de Canelone de jaca.

Foto: Arquivo Pessoal.
Foto: Arquivo Pessoal.

Segundo Mickële há doze anos ela começou a se sentir incomodada com o consumo de carnes, porém lhe faltava embasamento teórico para romper com esse hábito.

“Venho de uma família de açougueiros com boxes de suínos no Mercado Municipal de São Paulo e apenas aos 20 anos decidi deixar de comer animais e passei a buscar entender do que se tratava o vegetarianismo. Na época nos poucos sites disponíveis sobre o assunto, obtive informações acerca do ‘vegetarianismo’ e sobre bastidores da indústria. Assisti Terráqueos e, claro, fiquei inconformada com o processo de transformar animais em produtos e o quanto tempo vivi sem saber sobre a realidade injusta dos animais e a escravidão a qual os submetemos para obter ‘alimentos’ desnecessários”, relata a administradora.

Como uma relutante, que dá um passo de cada vez, Mickële retira carnes, ovos e leites do prato, mas ainda permanece com os derivados, isso permanecerá por longos oito anos. Até que no réveillon de 2012 a decisão de adotar o modo de vida vegano aparece. E a sustentação dessa nova decisão acontecerá somente quando ela se depara “com a comunicação e abordagem abolicionista pró-veganismo, num evento da ONG CAMALEÃO que participei, foi quando encontrei respostas e a motivação incontestável para manter-me vegana. Só quando passei a compreender os conceitos de Direitos Animais, especismo, senciência, ética animal, bem como a problemática e ineficácia do bem-estarismo, flexitarianismo; então passei a integrar-me com dedicação e comprometimento ao movimento animalista.”

De maneira categórica a administradora e ativista diz que hoje em dia: “propagar o veganismo abolicionista faz parte do meu dia-a-dia e dos valores do AtmaVeg, para contribuir com uma reeducação alimentar oferecendo alimentação 100% vegetariana e contribuir com a percepção dos impactos de nossas escolhas na sociedade. Divulgar o veganismo é nosso pilar e se faz necessário para construirmos essa consciência ética em nossa sociedade. Exemplificar as práticas a partir das nossas mudanças individuais é a responsabilidade social de todos para que a abolição animal se torne cada vez mais coletiva, eficaz e real.”

Foto: Arquivo Pessoal.
Foto: Arquivo Pessoal.

Suflê de Batata com Brócolis

Ingredientes
– 500g de Batata cozida
– 2 xíc. chá de Brócolis cozido
– 1 colh. sopa de Linhaça dourada triturada
– 1 colh. café de Açafrão
– 1 colh. café de Cardamomo
– 1 colh. chá de Ervas finas
– 1 xíc. chá de Aquafaba (água do cozimento do Grão de Bico)
– 1 colh. café de Cremor Tártaro
– Páprica Doce e Cebolinha picada para decorar

Modo de Preparo:
Cozinhe as batatas, escorra a água e reserve-a. Ainda quente, esprema e adicione aos poucos a própria água do cozimento até obter um purê cremoso.
Adicione o azeite, açafrão, linhaça, cardamomo, ervas e misture bem. Reserve.
Na batedeira leve a aquafaba com o cremor tártaro e bata até obter ponto de neve. (Aprox. 10 min.)
Depois, no purê temperado adicione a aquafaba em neve e misture delicadamente, acrescentando o brócolis cozido em pequenos buquês.

Unte com pouco óleo e farinha de rosca pequenas tigelas de porcelana (ou canecas),distribua o suflê e salpique levemente com Páprica.
Em forno pré-aquecido, leve para assar por aproximadamente 10 minutos em 180°C.
Retire do forno, decore com Cebolinha em tiras fininhas e sirva.

Foto: Arquivo Pessoal.
Foto: Arquivo Pessoal.

Rendimento:
– Aproximadamente 6 porções médias ou 12 pequenas.

Durabilidade:
– Conservar em geladeira em recipiente fechado por até 24 horas.

Dica:
– Antes de levar ao forno, você pode cobrir o suflê com queijo vegano para gratinar.

Segunda receita:
A dica de receita de Canelone de Jaca oferecida pela Mickële está disponível em vídeo aqui.

Você também pode participar
A ANDA começa uma fase com novas seções em seu portal. Uma delas é essa aqui, com receitas vegetarianas enviadas por convidados que estão de alguma forma engajados na causa animal ou são simpatizantes. Essas pessoas estarão também contando por que optaram pelo veganismo e como se sentem hoje com uma alimentação sem sofrimento animal. E os leitores da ANDA também poderão participar enviando suas receitas vegetarianas com boas fotos, nome completo, cidade, profissão e contando como foi a trajetória para o vegetarianismo ou veganismo por meio do faleconosco@anda.jor.br

Nota da Redação: Como a seção é sobre culinária e a dieta da pessoa vegana é o vegetarianismo, se utilizará sempre os termos: “culinária vegetariana”, “dieta vegetariana” e “receitas vegetarianas”, no sentido de não conter nada de origem animal (ovos, mel, leites e derivados, todos os tipos de carnes, cochonilha, gelatina, etc.).

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Série de TV ensina crianças a cuidar de filhotes

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

O canal Discovery Kids estreou na última semana a série “Muito Fofos”. A atração, apresentada por Jean Paulo Campos, ator mirim que interpretou o personagem Cirilo na novela “Carrossel” do SBT e Isabela Pacini, tem como objetivo ensinar crianças a cuidar de filhotes de animais domésticos.

Com dois episódios diários de cinco minutos de duração cada – às 7h30 e às 16h50 – a dupla convida os telespectadores mirins a refletir: como será que um bom líder se comporta? Qual a importância do exemplo dado pelos pais quando os filhotes buscam por referências? Qual o melhor jeito de ensinar um cãozinho quando ele faz algo errado?

O conteúdo pedagógico é abordado com o auxílio de vídeos que mostram filhotes em seus primeiros meses de vida enquanto descobrem o mundo. Nessa fase, os animais aprendem a imitar os comportamentos ensinados, além de desenvolver instintos e sentidos.

O programa também contará com a presença de Tango, um border collie, que “contracena” com os apresentadores e serve como “modelo” do que as crianças devem ou não fazer com seus animais em casa.

Ainda como parte da apresentação, em um dos primeiros episódios, Isa usa um tablet multicolorido para mostrar cinematograficamente o exemplo de uma cadela pointer alemão recém-nascida. As imagens captam os primeiros dias de vida da cadela, a convivência com outros animais, como Kiki, o gato da casa e com seus tutores humanos.

Fonte: Gazeta do Povo

Nota da Redação: Apesar da boa intenção do programa, que é informar e educar as crianças sobre como lidar com os animais que com eles convivem em família; o uso de animais no próprio programa em si é totalmente desnecessário. Hoje com toda a tecnologia a nosso favor (como o tablet usado pela apresentadora mirim), para substituir a presença física dos animais, não precisamos mais submeter os animais a esse tipo de serviço travestido de entretenimento.

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Você conhece Inhamelete?

Foto: Arquivo Pessoal.
Foto: Arquivo Pessoal.

A nossa seção culinária vegetariana de hoje é com a advogada e ativistas pelos direitos animais Natasha Mauerberg, que nos conta como foi seu processo de adoção da dieta vegetariana e do modo de vida vegano, além de nos agraciar com duas receitas bem legais, uma de Inhamelete (acompanhado de suas propriedades nutricionais) e a outra de Trufa de Tâmaras com Cacau.

“Quando parei de comer carnes, foi exclusivamente pensando no sofrimento dos animais. Não como ovos in natura há uns 15 anos e não bebo leite roubado das vacas há uns 10 anos. Mas, de qualquer modo, acabava consumindo queijos e ovos (quando estavam escondidos em receitas). No ano de 2012 fui viajar com uma turma e me perguntaram se eu era vegetariana; eu falei que era ovolactovegetariana. Todos afirmaram que eu já fazia demais, porque, afinal de contas, nem as vacas e nem as galinhas sofriam na produção de leite e ovos. Tive uma epifania. Algo na minha consciência despertou e me fez pensar: será que não há exploração e nem sofrimento?”, relata a advogada.

Não satisfeita com sua prática, Natasha começa a pesquisar sobre o assunto e tem contato com a obra “Galactolatria – mau deleite”, da filósofa Sônia Felipe. Uma leitura transformadora.

“Senti-me vivendo uma das maiores incoerências da minha vida. A cada página que eu lia, ocorria simultaneamente uma desconstrução do que eu havia engessado como certo. Sonhava com bezerros sendo afastados de suas mães, com pintinhos sendo esmagados vivos, com vacas sendo estupradas e forçadas a produzir leite. Meu mundo estava desmoronando, mas, ao mesmo tempo, um novo mundo estava sendo construído.”

O ano de 2012 estava para terminar e a decisão estava tomada – e a meta para o ano seguinte era viver plenamente o ideal ético –, tornar-se vegana.

Segundo a advogada a virada se deu a partir da seguinte experiência: “o fim do ano passou e no dia 5 de Janeiro de 2013 saí para comer pizza com amigos. Naquela noite eu passei muito, mas muito mal e com dores de cabeça muito fortes. No outro dia eu acordei e pensei que poderia ter sido uma alergia alimentar, mas também pensei que o que estava doendo, na verdade, não era minha cabeça, mas sim a minha consciência. Eu não poderia mais me enganar. A Verdade sempre está na nossa consciência e cabe a nós fazer o que é certo. Naquele 6 de Janeiro eu decidi me tornar vegana para nunca mais voltar atrás.”

Inhamelete

inhamelete
Foto: Arquivo Pessoal.

Ingredientes:

– 2 Inhames médios – serve muito bem 2 pessoas
-1 cebola pequena
– Sal
– Cúrcuma
– Cheiro verde
– 1 colher de chá de Óleo de Coco

Modo de preparo: Descasque o inhame, pique em pedaços pequenos e leve ao fogo numa panela com água e pouco sal até amolecer. Pique o cheiro verde e a cebola em pedaços pequenos. Quando o inhame estiver bem molinho, retire-o da água e amasse-o com um garfo até ficar uma massinha (tipo purê). Adicione a cúrcuma e vá mexendo para misturar bem.
Numa frigideira ANTIADERENTE adicione o óleo de coco e a cebola e deixe dourar. Em seguida adicione a massa do inhame e o cheiro verde na frigideira e vá misturando até a massa ficar homogênea. Com uma colher de madeira eu divido a massa em quatro partes para ficar mais fácil de manejar. Vá modelando cada parte até ficar redondo. Deixo dourar um lado e viro cada parte para que doure do outro lado. Fica crocante por fora e cremoso por dentro.

* Pode ser servido diariamente nas refeições, pode ser um pré treino, pode ser servido de modo mais sofisticado (dependendo dos acompanhamentos).
Eu servi na foto com legumes brevemente salteados, arroz integral com amêndoas e brócolis.

* O inhame é um ótimo alimento para a saúde e para os esportistas. Como eu não sou muito fã de batata doce e pratico atividades físicas, resolvi adicionar esse magnífico alimento na minha dieta. Segundo Woolfe (1992) o inhame possui menos carboidrato, mais proteína, menos lipídio, mais cálcio, mais fósforo (que por sinal, quantidades bem significativas), mais ferro e mais fibras que a batata doce.

Trufa de Tâmaras com Cacau

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Ingredientes:

-1 xícara de tâmaras sem caroço, picadas
-1/2 xícara de castanhas de caju
-2 colheres de sopa de cacau
-1 colher de sopa de melado ou óleo de coco

Modo de preparo:
Em um processador, bater as tâmaras e castanhas por 1 minuto, até ficarem bem incorporadas. Adicionar o cacau, o melado/óleo de coco e bater até obter uma massa boa para moldar bolinhas. Moldar em formato de bolinhas e, se quiser, passar no cacau, ou no coco ralado ou em castanhas trituradas e guardar na geladeira.

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Nota da Redação: Como a seção é sobre culinária e a dieta da pessoa vegana é o vegetarianismo, se utilizará sempre os termos: “culinária vegetariana”, “dieta vegetariana” e “receitas vegetarianas”, no sentido de não conter nada de origem animal (ovos, mel, leites e derivados, todos os tipos de carnes, cochonilha, gelatina, etc.).

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Cães e gatos precisam de muita água e sombra no verão

Foto: Bigstock.
Foto: Bigstock.

Os animais sofrem com as altas temperaturas da mesma forma que os humanos, por isso é importante ficar atento aos sinais dados por cães e gatos, especialmente os filhotes, de que estão incomodados com o calor.

O principal deles é ficar ofegante, pois é assim que ocorrem as trocas de calor com o ambiente. Mas nada de se preocupar com a linguinha de fora, pois é normal eles ficarem com ela de fora por mais tempo. “Nesse caso, o ideal é deixar o pote de água sempre perto e fazer a troca pelo menos pela manhã e à noite, além de lavar bem”, explica Rodrigo Augusto de Araújo, médico veterinário.

Eles também ficam inquietos, procurando um lugar mais fresco da casa, como azulejo da cozinha ou a sombra da varanda. O mesmo acontece com os gatos, que dificilmente ficam ofegantes e também bebem mais água. Apesar do calor, não é necessário aumentar a frequência de banho. Uma vez por semana é o ideal.

Alimentação

A ingestão de ração também diminui, mas nada que os tutores precisem se preocupar. “O cão vai comer menos porque no verão não tem tanta necessidade calórica quanto no inverno”, pontua Rodrigo. A oferta de comida pode acontecer em horários mais frescos do dia. Outra sugestão é oferecer frutas frescas, caso seu animalzinho aceite bem. Já com relação a hidratação, fique sempre bem atento. Espalhe vários potes de água pela casa e jardim e troque durante o dia. Se estiver muito calor, coloque pedras de gelo em alguns recipientes. Na praia ofereça água de coco fresca.

Fonte: Gazeta do Povo

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Bicho-preguiça é encontrado agarrado em barra de proteção no Equador

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

Na última sexta-feira (22), os policiais rodoviários do distrito de Los Ríos, no Equador, se depararam com um animal diferente que tentava atravessar a rodovia. Era um bicho-preguiça que, assustado, tinha se agarrado a uma barra de contenção do acostamento.

A equipe de mídias sociais da Comissão de Trânsito do Equador divulgou a imagem do bicho-preguiça no Facebook, e as fotos do resgate viralizaram, gerando preocupação entre os moradores e mesmo entre quem nem mora no país. Para alívio, a equipe informou que o animal havia sido levado a um veterinário, que permitiu que o bicho-preguiça voltasse ao habitat.

“Agradecemos a todas as pessoas que se interessaram pela saúde do animalzinho. Seguiremos apoiando este tipo de causas com a colaboração dos cidadãos”, disse a Comissão através de um comunicado nas redes sociais.

Fonte: Gazeta do Povo

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Prefeitura, MP e Ibama fazem acordo para reabrir zoo antes do carnaval

Após reunião nesta segunda-feira (25) com o Ibama e o Ministério Público, a Secretaria de Meio Ambiente do Rio se comprometeu a realizar as reformas emergenciais até 6 de fevereiro, o que permitiria que o zoológico reabrisse antes no carnaval.

A informação foi divulgada pelo Ibama no mesmo dia em que a polícia achou irregularidades no local durante operação. O presidente da Fundação RioZoo foi levado para prestar esclarecimentos.

Leão marinho em tanque sem água no Zoológico do Rio (Foto: MPF/RJ)
Leão marinho em tanque sem água no Zoológico do Rio (Foto: MPF/RJ)

Entre as obras que deverão estar prontas até esta data estão a recuperação de diversas instalações do local, como a reparação do “núcleo de reprodução” e do “corredor da fauna”; os consertos dos recintos do leão-marinho e das araras, e também deverá ser cumprida a exigência de pelo menos 50% das obras do “viveirão das aves”, e a recuperação de 19 dos 38 recintos do “extra dos mamíferos”, entre outras.

A Secretaria do Meio Ambiente informou que manterá uma força-tarefa com 100 homens da prefeitura trabalhando no local. O Ibama informou ainda que, antes de autorizar a reabertura da visitação, realizará uma vistoria no local, provavelmente no próximo dia 4.

Também nesta segunda, durante uma operação policial, foram achados 160 kgs de carne vencidos que seriam utilizados para consumo dos animais, além de medicamentos que também estavam vencidos e de quatro espingardas de diversos calibres, ilegais, em um armário dentro do hospital veterinário, junto com outros rifles de ar comprimido. Sérgio Luiz Felipe, presidente da fundação, foi conduzido para prestar depoimento.

(foto das armas)

Foto: Daniela Silveira/G1
Foto: Daniela Silveira/G1

Fonte: G1

Nota da Redação: Zoológicos e outros locais que aprisionam animais devem ser completamente extintos. Casos como o do zoológico do Rio servem para alertar a população mundial sobre a injustiça e crueldade escondida atrás de zoológicos e outros locais que mantém animais em cativeiro apenas para divertimento humano. É preciso clarear a consciência para entender e respeitar os direitos animais. Eles não são objetos para serem expostos e servirem ao prazer de seres humanos. As pessoas podem obter alguns minutos de entretenimento, mas para eles é uma vida inteira de exploração e abusos condenados pelo egoísmo humano.

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Abolicionismo e direitos animais, um tributo a Tom Regan

Na luta ou embate pelos “direitos animais”, termo usado pela primeira vez na filosofia por Tom Regan, já em seus primeiros livros, publicados a partir do início dos anos 80, quando a maior parte de nós ainda mal engatinhava ou sequer tinha se levantado da moral antropocêntrica, especista e machista que nos formatou a todos, um dos conceitos mais importantes, porque ele marca uma distinção política na tarefa de desconstrução da moral tradicional, é o de “abolicionismo”.

O termo “abolição” não foi criado por Tom Regan, obviamente, mas foi usado por ele por primeiro e o fez por mais de vinte anos até aparecerem outros que o seguissem, incluindo a mim. Ele o tomou do movimento antiescravista, justamente por considerar que a escravização de humanos e a escravização dos animais têm o mesmo padrão de dominação, sem qualquer outra distinção a não ser quanto à natureza dos sujeitos vilipendiados: negros e animais não humanos. Aliás, muito bem expressa essa analogia, em texto e imagens, no livro de Marjorie Spiegel, com prefácio de Alice Walker: The Dreaded Comparison: human and animal slavery, publicado em 1996.

Também é importante lembrar o que por quase trinta anos já venho escrevendo e descrevendo, que a argumentação construída em defesa dos “direitos animais” e da “abolição” na história da ética filosófica não pode abafar nem omitir a importância de outros conceitos, tais quais os de “especismo”, “senciência” e o da “igual consideração de interesses semelhantes”.

O filósofo que os usou e sistematizou pela primeira vez, também já na década de 70, na Inglaterra, quando mal engatinhávamos na filosofia, foi Peter Singer. Introduzi no debate filosófico brasileiro todos esses termos, incluindo os dois centrais de Regan: “valor inerente” e “sujeitos de uma vida” e meus textos estão aí publicados em dezenas de veículos físicos e virtuais, desde os anos 90. Todos aqueles termos, além destes, “direitos animais” e “abolicionismo”, foram introduzidos por mim no linguajar acadêmico da filosofia no Brasil, sempre com a devida referência aos autores que por primeiro os empregaram: Tom Regan, Peter Singer, Richard D. Ryder, Humphry Primatt e assim sucessivamente.

Entretanto, assim como Regan não é o progenitor do termo “abolicionismo”, porque ele pertence à história e tem o mesmo significado, só variando agora o sujeito foco da abolição, mas devemos a ele a coragem de ter usado o termo há quase 40 anos, quando isso era a maior ousadia moral, comparar humanos escravizados com animais escravizados, também Singer não é o progenitor do termo “especismo”, criado por Richard D. Ryder em 1970, autor que também criou os termos “dorência” e “sofrência”, que também introduzi no Brasil com os devidos créditos, para marcar sua história.

Ao estudar a ética de Peter Singer e aprender com ele o significado dos termos “senciência”, “especismo”, “igual consideração de interesses semelhantes”, não parei nos seus textos. Sou filósofa. Fui buscar os textos nos quais esses conceitos se sustentavam. E encontrei, graças à leitura do livro de Henry Salt, Animal Rights, escrito em 1892, a referência ao texto precioso de Humphry Primatt, A Dissertation on the Duty of Mercy and the Sin of Cruelty Against Brute Animals (1776), dissertando sobre o erro em basearmos a ética em distinções ou características da aparência daquele que sofre nossas decisões morais. Também introduzi no Brasil a teoria de Primatt, num artigo publicado na Revista Brasileira de Direito Animal, volume 1. Está ali o conceito de “especismo”, embora a palavra mesma só tenha sido criada por Richard D. Ryder, 200 anos depois do conceito estar absolutamente elaborado no texto de Primatt.

Singer jamais omitiu que usa o termo “especismo”, agraciado por Richard D. Ryder. Também jamais omitiu que usa o princípio da “igual consideração de interesses”, fundamentado no utilitarismo de Jeremy Bentham, de Henry Sidgwick e de Richard Hare (que opera com a “regra de ouro” em sua argumentação).

Então fui lendo todos esses autores. E foi com a ajuda deles que construí minha compreensão da argumentação ética animalista durante os anos 90, pois eles eram os autores mais relevantes para a questão, quando meus estudantes começaram a escrever suas conclusões de curso em filosofia sobre todos esses conceitos, já de posse da literatura original devidamente trabalhada. Lá se foram quase trinta anos. Eles já estão passando dos 40 a essas alturas.

Já na década de 70, Tom Regan entrou na batalha pelos “direitos animais” e pela “abolição” do sistema moral que sustenta o sistema econômico de criação, escravização e abate de animais para propósitos humanos. Sua obra é vastíssima, assim como o é a de Peter Singer. No Brasil é costume pensar que o autor escreveu apenas um livro ou dois, quando isso é o que se tem dele traduzido. Uma pena.

Com mais de dez livros publicados, como Peter Singer , Tom Regan é o grande pilar sobre o qual se construiu a defesa ética e filosófica abolicionista dos direitos animais. Se alguém omitir tal fato vai colocar um véu sobre a parte fundamental da história da filosofia da abolição animalista. Eu não tenho direito a tal inocência. Sou filósofa. E sou reverente a quem o merece. A quem faz um trabalho grandioso como Regan o fez, sem jamais se autointitular o senhor e dono da questão, como o fazem certas ativistas ou certos ativistas dos direitos animais que querem inclusive proibir-me de falar em direitos animais na perspectiva abolicionista, porque não sigo a não ser o meu próprio conhecimento e este, garanto, não veio do céu não, não caiu de graça na minha mente, é fruto de quase trinta anos de trabalho duro, quando nem internet havia para poder espalhar o conhecimento. Meus alunos da UFSC por mais de duas décadas são testemunhas do meu trabalho. Meus colegas do Brasil todo, idem. Alguns do exterior também me conhecem bem. Leitura dos textos originais, sempre. Citações e referências, milhares delas. Era o que eles tinham que fazer para escrever seus trabalhos. O mesmo que eu tivera que fazer para conhecer Singer, Ryder, Primatt, Regan, Wise e dezenas de outros autores citados em meus livros, que estudamos em nossos projetos, todos com textos publicados em volumes temáticos da Ethic@ e tantos outros espalhados pelo mundo.

Portanto, escalando o monumento singeriano e reganiano, e tendo o privilégio de aprender com Regan – mesmo discordando dele algumas vezes, o que já deixei registrado em Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003, esgotado) – a enxergar os limites da argumentação utilitarista na defesa dos animais, posso dizer que estou sentada sobre o ombro de um gigante, e não sou a única não. Reconhecer tal coisa não me ofende nem diminui. Tive o trabalho de ler centenas de livros. Essa é a parte que me engrandece.

E é desta perspectiva que a filosofia sempre nos ensina a humildade, o ato de compreender que por mais que trabalhemos e nos cansemos para propagar uma ideia, a ideia não nos pertence, nosso é apenas o modo de vesti-la, o modo de extrair dela os devidos conceitos. Há centenas ou milhares de anos outros já usaram sua energia para propagá-la. Nós usufruímos de seu trabalho. Não para nos locupletar. Mas para fazer as correções de percurso que aquela ideia precisa, para acertar melhor aquele conceito do que os que nos antecederam. E esse é o legado que temos o dever intelectual de deixar para os que chegam agora ao movimento.

Assim trabalham alguns defensores dos direitos animais, para levar adiante o legado de Tom Regan, não cometendo os erros que ele possa ter cometido, nem os erros que ele apontou na teoria de outros antes dele, pois dois erros não fazem um acerto. Nada mais do que obrigação, se herdamos tal monumento. Assim trabalho. E sei que não terei concluído nada até o dia da minha morte, porque a “abolição” e os “direitos dos animais” são lutas que levarão séculos até serem finalizadas. Não faz mal. É a dedicação a essa tarefa que me torna virtuosa, me poupa de dedicar minha vida a uma filosofia antropocêntrica, especista e defensora da dominação humana sobre o restante dos seres animados.

Se o fazemos de modo melhor, operar algum conceito, tipo o de “direitos animais”, o de “especismo”, o de “senciência”, o de “abolicionismo”, isso não é mérito algum. É nosso dever, pois ganhamos um trabalho já em andamento, e do alto do legado de um gigante que nos concede assento sobre seu ombro temos o dever de ver com mais clareza os erros de quem nos antecedeu na luta e de corrigir nossos próprios erros conceituais e morais.

Ter um monumento de textos já escritos que possamos escalar para chegar ao topo onde chegamos é um privilégio que jamais deveríamos esquecer de agradecer. Tudo o que aprendi em ética animal dentro da argumentação utilitarista, eu o aprendi lendo Singer, Ryder, Sidgwick, Primatt, Bentham. Tudo o que aprendi em ética dos direitos animais abolicionista, eu o fiz lendo e elaborando as teses e conceitos de Tom Regan (obra completa, não apenas um ou dois textos dele) até o final dos anos 90, quando então aparece o primeiro livro de Gary Francione, que sequer trata do termo “abolicionismo”, o Animals, Property and the Law, escrito em 1995, no qual intitula sua posição de “rights position”, também introduzido por mim no Brasil, assim com o fiz com seu livro seguinte Rain Without Thunder. Ninguém aqui o conhecia. Nem na Filosofia nem no Direito.

Não há discurso que use o termo especismo, senciência, dor e sofrimento animal, escravização de animais, direitos animais e abolicionismo animalista, sujeito de uma vida e valor inerente que não deva reverência ao gigante trabalho de Tom Regan, agora já bem mais idoso do que nós e com alguma dificuldade de saúde, o que não lhe tira o mérito por ter escrito tudo o que tive o privilégio de estudar desde o início dos anos 90, mais precisamente a partir de 1994, quando o introduzi em minha agenda filosófica, por conta de seu trabalho dos anos 80 em parceria com o Peter Singer e com Andrew Linzey, de onde conheci seus argumentos pela primeira vez.

Em Lisboa, em julho de 2002, com toda amorosidade e candura, Tom Regan me convidou para escrever algo sobre sua biografia. Assoberbada com o final do meu pós-doutoramento que foi justamente para revisar toda sua obra e comparar sua proposta com a do Singer, mesmo me sentindo muito honrada com o convite, eu o declinei, mas nunca me esqueci do quanto ele foi honroso para mim.

Quem sabe é tempo de eu escrever o segundo volume da trilogia em ética animal. O primeiro dediquei ao Singer, por sua importância histórica, por ter desencadeado o debate filosófico sobre o dever de respeito igual a interesses semelhantes, incluindo os animais sencientes no âmbito da comunidade moral e o projeto de sua libertação. Por uma questão de princípios pedia um irmão, Por uma questão de direitos. E outro, Por uma questão de coerência. Esse era o projeto inicial. Mas quando Daniel Braga Lourenço lançou seu livro Direitos Animais, dei por muito bem realizada a tarefa de tratar a questão dos direitos animais no Brasil, pois ele fez a devida revisão da literatura disponível à época. Mas sei que estou em dívida é com Tom Regan. Ele foi introduzido por mim no livro sobre a ética animal de Singer, justamente para mostrar os limites da argumentação de Singer em defesa do dever de respeito e consideração pelos animais.

Enfim, ninguém é dono de conceito algum na filosofia. Cada um reveste uma ideia a seu modo, isso é certo. Estudar todos os autores e saber de onde seus conceitos vêm é dever de ofício. Meus textos acadêmicos são cobertos por notas e referências, meu tributo ao legado do gigante que me concede assento sobre seus ombros. Na filosofia, quem achar que inventou a roda e exigir registro de patente dá mostras apenas de sua pequenez. Animastê!

**Sônia T. Felipe é filósofa vegana abolicionista e membro fundadora da Sociedade Vegana no Brasil.

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Aprenda a fazer deliciosos bolinhos caseiros

A nossa seção culinária vegetariana de hoje é com a socióloga e ativistas pelos direitos animais Tânia Regina Visachri, que nos conta como foi seu processo de adoção da dieta vegetariana e do modo de vida vegano, além de nos agraciar com duas receitas super simples de bolinhos caipira e de lentilhas.

Arquivo pessoal.
Arquivo pessoal.

Tânia relata que a descoberta da dieta vegetariana se deu em 2001. “Eu tinha uma melhor amiga que virou vegetariana. Na época, nunca havia ouvido falar sobre o assunto. Quando ouvi a primeira vez contei para os meus pais, como se fosse algo muito diferente “como alguém pode deixar de comer salsichas?”. Eu que já havia visto com minha avó no quintal degolando galinhas, ela achava que como mulher precisaria aprender aquilo e não me lembro de ter tido nenhuma recusa na época. Quis entender melhor a escolha de minha amiga, daí perguntei o porquê e, ouvindo-a decidi que era o melhor a se fazer.”

Adotando uma dieta protovegetariana, os passos seguintes foi parar com as outras carnes, menos o peixe. “Conforme olhava para o meu aquário, pensei o quão incoerente estava sendo. Comecei a olhar os rótulos dos produtos para ver se ia gelatina ou gordura animal. Conversando com minha amiga, nos perguntávamos “o que é pior: o animal morrer ou viver sofrendo enquanto for produtivo?”. Decidimos que o mais coerente era sermos veganas, visto que os animais continuavam a sofrer do mesmo modo se não fôssemos”, relata a socióloga.

Ainda morando com os pais, Tânia foi fazendo experimentos, como sugerir a mãe que ia fazer um creme de milho que o mesmo fosse feito com leite soja.

“Assim fizemos, não ficou bom porque o leite de soja era adoçado sabor baunilha, mas decidi que era comível. Antes comer aquilo e ficar com a consciência tranquila. Comecei a substituir tudo. Esse processo demorou u ano e meio, em média, e em 2003 me tornei vegana. Durante a faculdade, conheci o GEDA – Grupo de Estudos de Direitos Animais – e comecei a ler a teoria dos direitos animais, o que me apaixonou a ponto de me inspirar a fazer um mestrado na área.”

Para Tânia um dos benefícios da dieta vegetariana que adotou sendo vegana foi “a cura de sinusite e enxaqueca crônicas, tinha as duas juntas e precisava correr para o hospital nas crises. A opção por ser vegana veio por outras razões, mas cortar o leite fez com que eu nunca mais tivesse dor de cabeça. Além do que, abriu meu paladar e me levou a gostar de alimentos que, com meu paladar viciado de antigamente, jamais imaginava que seriam bons.”

Bolinho Caipira

Arquivo Pessoal.
Arquivo Pessoal.

Ingredientes:
– Duas xícaras de arroz cozido (preferencialmente o que sobrou de ontem)
– De meia a 3/4 da lata de milho
– 1/2 xícara de aveia
– 1 colher de sopa rasa de margarina
– 2 colheres de azeite
– Azeitona, curry, orégano e cebola a gosto
– 2 a 3 colheres de maisena
– Um pouco de farinha de milho e água até dar o ponto.

Para saber o ponto tem que ir amassando com a mão para o arroz se dissolver e virar uma massa que de para fazer bolinhas.
Coloquei numa forma sem untar e coberta com papel alumínio.

Bolinho (ou hambúrguer) de ervilhas

Arquivo Pessoal.
Arquivo Pessoal.

Ingrediente:

-1 lata de ervilhas cozidas
-1/2 xícara de castanha do pará (ou amendoim)
-1 fatia de pão de forma integral
-Páprica a gosto
-Um pouco de azeite

Modo de preparo:

Amassar a lata de ervilhas cozidas, misturar com meia xícara de castanha do para moída (ou amendoim), esfarelar a fatia de pão de forma integral, páprica a gosto e um pouco de azeite.

Misturar com a mão. Fazer o formato que desejar e colocar para assar na mesma forma que o bolinho anterior. O ponto foi o mesmo.

Você também pode participar

A ANDA começa uma fase com novas seções em seu portal. Uma delas é essa aqui, com receitas vegetarianas envidas por convidados que estão de alguma forma engajados na causa animal ou são simpatizantes. Essas pessoas estarão também contando por que optaram pelo veganismo e como se sentem hoje com uma alimentação sem sofrimento animal. E os leitores da ANDA também poderão participar enviando suas receitas vegetarianas com boas fotos, nome completo, cidade, profissão e contando como foi a trajetória para o vegetarianismo ou veganismo por meio do faleconosco@anda.jor.br

 

Nota da Redação: Como a seção é sobre culinária e a dieta da pessoa vegana é o vegetarianismo, se utilizará sempre os termos: “culinária vegetariana”, “dieta vegetariana” e “receitas vegetarianas”, no sentido de não conter nada de origem animal (ovos, mel, leites e derivados, todos os tipos de carnes, cochonilha, gelatina, etc.).

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O que todos os veganos devem saber sobre a B12

Uma ingestão muito baixa de vitamina B12 pode provocar anemia e danos no sistema nervoso.

As únicas fontes veganas fidedignas de vitamina B12 são os alimentos enriquecidos (incluindo alguns leites vegetais, alguns produtos de soja e alguns cereais de pequeno-almoço) e os suplementos de B12. A vitamina B12 (incluindo a B12 em alimentos enriquecidos, em suplementos e em alimentos de origem animal) tem origem em microorganismos.

A maioria dos veganos ingere uma quantidade de vitamina B12 suficiente para evitar anemia e danos no sistema nervoso, mas muitos não ingerem a quantidade suficiente para minimizar potenciais riscos de doenças cardiovasculares ou complicações durante a gravidez.

Recomendações

Para tirar o máximo proveito de uma dieta vegana, os veganos deverão seguir uma das seguintes recomendações:

ingerir alimentos enriquecidos 2 ou 3 vezes por dia para obter pelo menos 3 µg de B12 por dia, ou
tomar um suplemento de B12 diariamente que forneça pelo menos 10 µg de B12, ou
tomar um suplemento semanal de B12 que forneça pelo menos 2000 µg.

Se depender de alimentos enriquecidos, verifique cuidadosamente as etiquetas para se certificar de que obtém suficiente B12. Por exemplo, se uma dose de leite vegetal enriquecido com vitamina B12 contiver 1 µg de B12, consumir 3 doses por dia fornece a B12 suficiente. Algumas pessoas poderão considerar a utilização de suplementos de B12 mais conveniente e económica.

Quanto menor for a frequência com que se ingere B12 tanto maior deverá ser a quantidade ingerida, pois a B12 é melhor absorvida em pequenas quantidades. As recomendações acima têm esse facto em consideração. Não há nenhum problema em exceder as quantidades recomendadas nem em combinar mais do que uma opção para ingestão de B12.

Informação adequada promove a saúde vegana, passe a palavra. Se não ler mais nada sobre a vitamina B12, já leu tudo aquilo que precisa de saber. Se pretender saber mais, continue a ler.

Este documento informativo foi preparado por Stephen Walsh, membro da UK Vegan Society, e outros membros do grupo científico da União Vegetariana Internacional (IVU-SCI), em Outubro de 2001. Esta informação pode ser livremente reproduzida, mas apenas na sua totalidade (a lista de subscritores pode ser omitida).

[Lista de subscritores omitida.]

Lições da História

A vitamina B12 é uma vitamina extraordinária. Ela é necessária em doses mais pequenas do que qualquer outra vitamina conhecida. Dez microgramas de B12 distribuídos ao longo de um dia parecem fornecer tanta B12 quanta o organismo consegue utilizar. Na ausência de ingestão aparente de B12, os sintomas de carência levam normalmente cinco anos ou mais para se manifestarem em adultos, embora algumas pessoas tenham problemas ao fim de um ano. Um número muito reduzido de pessoas sem nenhuma fonte fidedigna óbvia de B12 parece evitar sintomas de deficiência clínica durante 20 anos ou mais. A B12 é a única vitamina que não é reconhecida como podendo ser obtida de forma fidedigna através de uma dieta vegetal variada com alimentos integrais e bastante fruta e legumes, conjugada com a exposição ao sol. Muitos mamíferos herbívoros, incluindo vacas e ovelhas, absorvem B12 produzida por bactérias no seu próprio sistema digestivo. A vitamina B12 encontra-se, em alguns casos, no solo e nas plantas. Estas observações levaram alguns veganos a sugerir que a questão da vitamina B12 não necessitava de particular atenção, ou até que se tratava de um embuste. Outros propuseram alimentos específicos (incluindo algas spirulina e nori, tempeh e cevada fresca) como fontes de origem não-animal adequadas de B12. Estas alegações, contudo, não resistiram ao teste do tempo.

Em mais de 60 anos de experimentação vegana, apenas os alimentos enriquecidos com B12 e os suplementos de B12 provaram ser fontes fidedignas de vitamina B12, capazes de suportar uma saúde óptima. É muito importante que todos os veganos se assegurem de que ingerem uma quantidade adequada de B12 a partir de alimentos enriquecidos ou suplementos. Isto beneficiará a nossa saúde e ajudará a atrair outros para o veganismo através do nosso exemplo.

Obter Uma Quantidade Adequada de B12

As recomendações para a ingestão de B12 variam de forma significativa de país para país. A dose diária recomendada nos EUA é de 2,4 µg por dia para adultos subindo para 2,8 µg por dia para mulheres em aleitamento. A recomendação alemã é de 3 µg por dia. A doses recomendadas são geralmente baseadas numa absorção de 50%, uma vez que isso é o típico para pequenas quantidades de B12. Para satisfazer as recomendações alemã e norte-americana é necessário obter B12 suficiente para absorver 1,5 µg por dia, em média. Esta quantidade deve ser suficiente para evitar até os sinais iniciais de ingestão inadequada de B12, tais como níveis ligeiramente elevados de homocisteína e ácido metilmalónico (MMA), na maioria das pessoas. Uma elevação, ainda que pequena, nos níveis de homocisteína está associada a um risco acrescido de muitos problemas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares em adultos, pré-eclâmpsia durante a gravidez e defeitos do tubo neural em bebés.

É fácil conseguir uma ingestão adequada de B12 e existem vários métodos ajustáveis às preferências de cada um. A absorção de B12 varia entre cerca de 50% (quando é ingerida uma quantidade de 1 µg ou menos) e cerca de 0,5% (quando são ingeridas quantidades de 1000 µg ou mais). Portanto, quanto menor for a frequência com que se consome B12, maior será a quantidade total necessária para obter a quantidade absorvida pretendida.

A ingestão frequente de alimentos enriquecidos com B12, de modo a consumir 1 µg de B12 por 3 vezes ao longo do dia e com algumas horas de intervalo, fornece uma quantidade adequada de B12. A disponibilidade de alimentos enriquecidos varia de país para país e as quantidades de B12 variam de marca para marca, pelo que assegurar uma ingestão adequada de B12 requer a leitura cuidada das etiquetas e alguma ponderação para elaborar um padrão que esteja de acordo com os gostos pessoais e os produtos disponíveis.

Tomar diariamente um suplemento que contenha 10 µg ou mais de B12 fornece uma quantidade idêntica de B12 à de 1 µg consumido 3 vezes ao dia. Este pode ser o método mais económico, pois uma tablete pode ser consumida pedaço a pedaço. 2000 µg de B12 consumidos uma vez por semana também fornecem uma quantidade adequada de B12. Qualquer suplemento de B12 deve ser mastigado ou deixado a dissolver na boca para melhorar a absorção. As tabletes devem ser mantidas num recipiente opaco. Como com qualquer outro suplemento, é prudente não tomar mais do que o necessário para obter o máximo benefício. Como tal, ingestões superiores a 5000 µg por semana devem ser evitadas, apesar de não existir qualquer prova de que doses superiores apresentem toxidade.

Qualquer uma das três opções acima referidas deve satisfazer as necessidades da vasta maioria de pessoas com um metabolismo normal no que respeita à vitamina B12. Indivíduos com absorção deficiente de B12 poderão verificar que o terceiro método, 2000 µg de B12 uma vez por semana, funciona melhor, uma vez que não depende intrinsecamente da absorção no intestino. Existem outros, muito raros, defeitos metabólicos que exigem uma abordagem completamente diferente para atingir a quantidade necessária de B12. Se tiver alguma razão para suspeitar de um problema sério de saúde, procure aconselhamento médico de imediato.

Sintomas de Deficiência de B12

A deficiência clínica de B12 pode provocar anemia ou danos no sistema nervoso. A maioria dos veganos consome B12 suficiente para evitar deficiência clínica. Dois subgrupos de veganos encontram-se em particular risco de deficiência: veganos de longa data que evitam alimentos enriquecidos (tais como crudívoros ou veganos macrobióticos) e bebés em fase de amamentação de mães veganas cuja ingestão de B12 seja reduzida.

Em adultos, os sintomas típicos de deficiência incluem falta de energia, uma sensação de formigueiro, dormência, sensibilidade reduzida à dor ou pressão, visão nublada, maneira de andar anormal, língua irritada, fraca memória, confusão, alucinações e mudanças de personalidade. Muitas vezes, estes sintomas desenvolvem-se gradualmente num espaço de vários meses a um ano antes de serem reconhecidos como tratando-se de sintomas de deficiência de B12, sendo normalmente reversíveis com a administração de B12. Contudo, não existe nenhum conjunto de sintomas inteiramente consistente e fiável e existem casos de danos permanentes em adultos, resultantes de deficiência de B12. Se suspeitar de algum problema, procure um diagnóstico recorrendo a um médico, pois qualquer um destes sintomas pode dever-se a outras causas que não deficiência de B12.

Tipicamente, as crianças mostram sintomas de deficiência de B12 mais rapidamente do que os adultos. A deficiência de B12 pode conduzir à falta de energia e apetite, e impedir o desenvolvimento da criança. Se não for corrigida rapidamente, esta deficiência pode levar ao coma e à morte. Mais uma vez, não existe um padrão de sintomas inteiramente consistente. As crianças estão mais sujeitas a danos permanentes do que os adultos. Algumas recuperam por completo, mas outras demonstram um desenvolvimento retardado.

O risco para este grupos é, por si só, razão suficiente para apelar a todos os veganos para que transmitam uma mensagem consistente quanto à importância da vitamina B12 e para darem um exemplo positivo. Cada caso de deficiência de B12 numa criança vegana ou num adulto mal informado é uma tragédia que leva o veganismo ao descrédito.

A Ligação à Homocisteína

Contudo, este não é o fim da história. A maioria dos veganos apresentam níveis de B12 suficientes que tornam improvável uma deficiência clínica, mas demonstram uma actividade restrita de enzimas relacionadas com a B12, levando a elevados níveis de homocisteína. Foram reunidas fortes provas durante a última década de que níveis elevados de homocisteína, ainda que apenas ligeiramente, aumentam o risco de doenças cardiovasculares, AVC e complicações durante a gravidez. Os níveis de homocisteína também são afectados por outros nutrientes, sobretudo pelos folatos. As recomendações genéricas para uma maior ingestão de folatos têm como objectivo reduzir os níveis de homocisteína e evitar estes riscos. A ingestão de folatos por partes dos veganos é normalmente boa, particularmente se forem consumidos bastantes legumes de cor verde. Porém, repetidas observações de elevados níveis de homocisteína em veganos, e em menor grau noutros vegetarianos, mostra de modo conclusivo que a ingestão de vitamina B12 precisa também de ser adequada para evitar riscos desnecessários.

Testar os Níveis de B12

Um teste ao nível de B12 no sangue é muito pouco fiável para os veganos, particularmente para os veganos que consumam alguma forma de algas. As algas e outras plantas contêm análogos da vitamina B12 (falsa B12) que podem imitar a verdadeira B12 nos testes ao sangue, mas que na verdade interferem no metabolismo da vitamina B12. Contagens sanguíneas também não são fiáveis, pois a ingestão de elevadas quantidades de folatos suprime os sintomas de anemia provocada por uma deficiência de B12 que podem ser detectados por uma contagem sanguínea. O teste à homocisteína do sangue é mais fiável, sendo desejáveis níveis inferiores a 10 mmol/litro. O teste mais específico para avaliar os níveis de B12 é o teste ao ácido metilmalónico (MMA). Se este ácido estiver no seu nível normal no sangue (< 370 nmol/l) ou na urina (< 4 mg/mg creatinina), tal significa que o organismo tem B12 suficiente. Muitos médicos ainda confiam nos testes aos níveis de B12 no sangue e contagens sanguíneas, mas estes métodos não são adequados, sobretudo em veganos.

Existe Alguma Alternativa Vegana aos Alimentos Enriquecidos e Suplementos?

Se, por alguma razão, optar por não ingerir alimentos enriquecidos com B12 ou suplementos de B12, deverá reconhecer que está a levar a cabo uma experiência perigosa — uma experiência que muitos tentaram antes com muito baixa taxa de êxito. Se for um adulto e não for uma mãe a amamentar um filho, nem uma mulher grávida ou a procurar engravidar, e pretender testar por sua conta e risco uma potencial fonte de B12 que ainda não se tenha provado ser inadequada, tal poderá ser razoável desde que sejam tomadas as devidas precauções. Para sua própria segurança, deverá testar anualmente os níveis de B12. Se a homocisteína ou o ácido metilmalónico (MMA) estiverem elevados, ainda que apenas ligeiramente, estará a colocar em perigo a sua saúde se continuar a experiência.

Se for uma mulher a amamentar uma criança, uma mulher grávida ou a procurar engravidar ou um adulto que pretende levar a cabo tal experiência numa criança, não corra esse risco. Não há justificação para tal atitude.

Alegadas fontes de B12 que foi demonstrado através de estudos directos em veganos serem inadequadas incluem: bactérias do intestino humano, spirulina, nori desidratada, cevada fresca e a maioria das restantes algas. Vários estudos com veganos crudívoros mostraram que os alimentos crus não oferecem nenhuma protecção especial.

Relatos de que a B12 foi medida num determinado alimento não são suficientes para qualificar esse alimento como uma fonte fidedigna de B12. É difícil distinguir a verdadeira B12 de análogos que podem impedir o funcionamento do metabolismo da vitamina B12. Ainda que verdadeira B12 esteja presente num alimento, ela pode ser ineficaz se esse alimento também contiver análogos de B12 em doses comparáveis às da verdadeira B12. Existe apenas um teste fiável para uma fonte de B12 — consegue essa fonte impedir e corrigir de modo consistente a deficiência de B12? Alguém que proponha determinado alimento como uma fonte de B12 deve ser desafiado a apresentar tal prova.

Uma Dieta Natural, Saudável e Compassiva

Para ser verdadeiramente saudável, uma dieta tem de ser adequada não apenas para os indivíduos isolados, mas tem também de permitir que todos os 6 mil milhões de pessoas tenham boa saúde e uma coexistência sustentável com as muitas outras espécies que formam esta “terra viva”. Deste ponto de vista, a adaptação natural para a maioria dos humanos (possivelmente todos) no mundo moderno é uma dieta vegana. Não existe nada de natural na abominável criação intensiva de animais dos dias de hoje nem na sua tentativa de reduzir seres vivos e sencientes a simples máquinas. Ao escolher usar alimentos enriquecidos ou suplementos de B12, os veganos estão a obter vitamina B12 da mesma fonte que todos os outros animais no planeta — microorganismos — sem causar sofrimento a nenhum ser senciente nem causar danos ambientais.

Os veganos que consumam quantidades adequadas de alimentos enriquecidos ou suplementos de B12 são muito menos propensos a sofrer de deficiência de B12 do que um omnívoro típico. O Instituto de Medicina dos EUA deixa isso bem claro ao estabelecer as doses recomendadas de B12. “Dado que 10 a 30% das pessoas mais idosas poderão ser incapazes de absorver B12 de fontes naturais, é aconselhável que as pessoas com idade superior a 50 anos preencham a dose diária recomendada de B12 principalmente através da ingestão de alimentos enriquecidos com B12 ou suplementos de B12.” Os veganos devem seguir este conselho cerca de 50 anos antes, para seu próprio benefício e para benefício dos animais. A vitamina B12 não precisa jamais de ser um problema para veganos bem informados.

Informação adequada promove a saúde vegana, passe a palavra.

Este artigo é uma carta aberta compilada por Stephen Walsh e subscrita por diversos profissionais de saúde e organizações veganas. Tradução: Muda o Mundo.

Fonte: Muda o Mundo

 

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