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Paga ou morre? O que está por trás dos altos custos dos serviços veterinários

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Fernanda* tem fobia de veterinários. A culpa não é exatamente desses profissionais, mas do quanto a tutora de Bob Esponja já gastou com seu shitzu no médico. Em junho de 2019, quando precisou tratar uma erliquiose (doença do carrapato) que quase levou embora o cachorro, gastou mais de R$ 10 mil em uma semana, entre consultas, exames, transfusões, internamentos e medicamentos. “Tive que vender o carro financiado e pedir ajuda a amigos e parentes. Até hoje ainda pago”.

Entre um problema e outro que aparece agora, Bob, de 6 anos, volta e meia retorna ao médico. Cada vez que isso acontece bate o desespero em Fernanda. “Olha, morro de medo que ele fique doente. É uma quantidade absurda de exames que os veterinários pedem. Toda vez não é menos de R$ 2 mil. Eu pago, né? Tem outra opção? Você deixaria o seu filho morrer?”, pergunta a advogada recém-formada.

De fato, quando se trata de veterinário, pagar caro – na maioria das vezes – é a única opção. São muitas as histórias de quem teve que desembolsar bastante dinheiro com tratamentos, caso contrário iria perder o animal. Sem um hospital público para os animais e com os preços praticados pelas clínicas, muitos terminam como o jornalista Rafael Rodrigues, hoje com 33 anos.

Rafael teve que abrir mão dos estudos fora de Salvador para salvar a vida da poodle Funi, em 2006. Estava de malas prontas para fazer o curso de Direito na Universidade Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus, quando a cachorrinha foi atropelada e teve várias fraturas. Gasto total em números atualizados: mais de R$ 8 mil. O dinheiro, guardado pela mãe, seria usado para lhe sustentar no início dos estudos, mas foi todo em cirurgias.

Funi viveu e mudou o futuro de Rafael, que acabou estudando Jornalismo em Salvador. “Quando você vê sua cachorra chorando de dor, toda quebrada na sua frente, você não pondera nada, não calcula nada para salvar ela. Vai fazer o que for possível e depois vê como resolve”, conta Rafael, que não tem como saber se foi lesado ou não pela clínica. “Na emergência ninguém faz pesquisa de preço, ninguém faz cotação para saber qual o melhor serviço e onde é mais barato. É desesperador! E, com certeza, muito veterinário se aproveita disso”, acredita.

Será? O que está por trás de valores tão altos para a realidade da maioria absoluta das pessoas que tem em casa um animal como membro da família? Há situações abusivas? Qual o limite entre o interesse comercial e o cuidado com o paciente a todo custo? A questão é complexa e envolve uma série de nuances. Enquanto o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) afirma que esses custos são reflexo principalmente da carga tributária que impede a redução desse tipo de serviço, os relatos dos tutores vão contra clínicas e médicos.

Eles apontam para a ganância dos veterinários, o excesso de pedidos de exames, os internamentos desnecessários e a insistência no uso de medicações mais caras. Mas todas essas acusações contrastam com a abnegação de muitos profissionais da área e as cotas sociais praticadas por uma parte das clínicas, por exemplo. Muitas fazem atendimentos com descontos e até gratuitos em casos específicos.

Sem falar nas justificativas técnicas. Os médicos afirmam que seguem protocolos quando solicitam exames, internações e procedimentos. E também acusam os clientes de muitas vezes serem negligentes e não seguirem tratamentos. O que não se pode negar é que os tutores vivem com medo de levar seus animais ao médico. E isso fica claro em uma pesquisa que faz parte da dissertação de mestrado recém-concluída na Unifacs pelo administrador de empresas Alan Sena, 40 anos.

Em seu trabalho, Alan mostra em um ranking o que os tutores de Salvador mais procuram nas clínicas veterinárias e pet shops. Diferente do que se pode imaginar, em vez de qualidade ou atendimento, antes de tudo eles buscam preço. Alan, que é dono de uma clínica e pet shop, diz que não pode apresentar os números da pesquisa porque sua dissertação ainda não foi publicada. “Mas eu tomei um susto quando vi que as pessoas buscam mais os melhores preços do que a qualidade”.

A maioria dos relatos de tutores é com nomes fictícios porque os tutores dos animais têm receio de algum tipo de retaliação por parte dos profissionais caso precisem deles. Ou simplesmente não querem que o marido descubra que se gastou tanto com o animal, caso de uma das fontes ouvidas. “A verdade é que estamos nas mãos deles (veterinários). Ou você paga caro ou o seu animal morre”, diz Clara*, tutora do gato Luck, que gastou R$ 5 mil da última vez que ele teve problemas renais. “Não coloque meu nome porque meu marido nem pode saber disso”.

Ainda que sejam o lado passional e que não tenham conhecimento veterinário, alguns tutores trazem situações que chegam a ser esdrúxulas. “Meu cachorro apresentou vômito e diarreia. Fiquei assustada e levei no veterinário. Depois de alguns exames, queriam internar para fazer mais exames. Logo de cara eu pagaria R$ 1,4 mil. Liguei para outro vet e ele mandou levar o cachorro pra casa, dar água de coco e observar. Fiz isso e deu certo. Ele deve ter comido alguma besteira na rua”, acredita Sara*, tutora de Nina.

Exames

O excesso de exames requisitados em consultas talvez seja a principal reclamação de tutores como algo praticado em muitas clínicas. Depois de um passeio, a cadela de João Pedro* apareceu mancando da pata esquerda. Ao chegar no veterinário, além da consulta, ele pagaria por um raio-x. Na hora de desembolsar, a clínica cobrou por quatro chapas de raio-x.

“Ainda por cima eles não me informaram, não perguntaram se eu poderia pagar pelos quatro raio-x. Eu fui questionar: ‘quatro raio-x para uma pata?’ Olha, eu quero o melhor para a minha cachorra, mas sei que quatro raio-x para uma pata mancando é demais. Então eu disse que não pagaria porque não fui consultado”.

Esses excessos ficam ainda mais evidentes quando o tutor é médico de humanos e tem conhecimento sobre exames e procedimentos. Desde que a cadela Bela apresentou cegueira, o médico clínico André* já gastou em torno de R$ 7 mil, entre exames, consultas com oftalmologista, hematologista, clínico e transfusão de sangue. Mas ele precisou intervir em muitos momentos para não pagar ainda mais.

Isso porque, após exames de sangue, Bela foi diagnosticada com doença do carrapato e, mesmo assim, os veterinários insistiam em pedir exames de leishmaniose, que custava em torno de R$ 350. “Acontece que ela já ia fazer também um mielograma, exame da medula no qual é possível ver na lâmina se existe infecção por leishmania”, explica André. O exame foi então suspenso. “Isso porque eu sou médico. Se fosse um leigo pagaria mais R$ 350”.

André também questiona a cobrança de internamentos para o caso de transfusões de sangue, prática de muitas clínicas. Ele pagou R$ 650 por uma bolsa de sangue e ainda teve que desembolsar uma taxa como se o animal ficasse internado na clínica – o procedimento levou 6 horas. Total: R$ 1,3 mil. “Sem falar que esse sangue é fruto de doação. Eles argumentam que fazem muitos exames no cachorro doador, mas acho abusivo”.

Protocolo à risca

Muitos veterinários, obviamente, não concordam com algumas práticas de colegas e clínicas. Um deles, bastante experiente, aceitou falar sem ter o nome divulgado. Ele diz que os protocolos técnicos, claro, devem ser o grande farol dos médicos. Mas não podem e nem devem ser o único. No afã de seguir à risca o que está escrito nos livros, explica, alguns profissionais não ponderam aspectos importantes e optam por internar ou propor exames e procedimentos de forma apressada.

“É complicado comentar em cima de casos que não conheço, mas claro que é preciso ponderar tudo em um atendimento, inclusive a capacidade que o tutor tem de pagar pelo serviço. Sempre procuro trabalhar dentro do protocolo, mas não vou internar um animal só porque está no livro. Como ele está clinicamente? Ele pode ser observado pelo tutor em casa? Podemos tentar com medicação antes de fazer um procedimento invasivo? Por isso a experiência e a honestidade contam tanto na veterinária”.

Uma outra veterinária, porém, tem uma visão diferente e diz não se furtar em pedir exames complementares, por exemplo. “Às vezes, é pecando pelo excesso que se descobre algo maior. Já desaconselhei uma tartarectomia (retirada de tártaro) porque o exame cardíaco indicou uma doença no coração. É um procedimento simples que pode causar grande estrago se você não fizer um exame complementar. O veterinário precisa se proteger porque ele pode ser acusado de negligência”, pondera.

CRMV

O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-BA) afirma que, dentro do próprio protocolo e do Código de Ética do Médico Veterinário, há formas diferentes de se fazer um atendimento. “Isso vai depender da forma de trabalho do profissional. Você tem aquele que investe mais em um exame físico e clínico mais apurado para tentar minimizar o número de exames solicitados. Mas tem aquele profissional que trabalha dentro do padrão: ‘vamos fazer tudo o que for preciso’. Então é muito difícil você separar isso”, afirma o presidente da Comissão de Saúde Pública do CRMV-BA, José Eduardo Ungar.

“Em uma clínica grande, com muitos atendimentos, é difícil o profissional saber avaliar quem pode pagar e quem não pode pagar pelos serviços. A coisa fica pouco personalizada”, observa. Sobre os custos, José Eduardo destaca a influência direta da carga de impostos nos serviços, que seria o principal aspecto no tripé que determina a formação de preços. Além dos impostos, ele diz que a qualificação da equipe que trabalha na clínica e a estrutura física da unidade são a base dos custos.

“Olha, essa parte de custos é um desafio. Você tem unidades com vários profissionais com especializações. O custo das consultas, dos procedimentos e dos exames tende a elevar. Tem a ver também com a estrutura física. Vamos dizer que você tem um Hospital Aliança e um hospital da periferia. Ambos podem atender bem, dentro da técnica profissional, mas com estruturas bem diferentes em termos de recursos e conforto, além de outros itens”, explica.

Impostos

Mas a questão política, tributária e financeira sobre os produtos destinados ao uso veterinário pesam ainda mais, diz o representante do CRMV. “É uma taxação gigantesca de impostos nesses produtos e nos materiais usados para diagnósticos, como equipamentos para exames. O que uma clínica paga à prefeitura, ao estado, ao CRMV, além do que paga de impostos sobre os empregados, torna os custos muito altos. Se isso tivesse um alívio com certeza ia refletir em uma queda de preços”, acredita.

“É por isso, por exemplo, que um antibiótico para uso animal tem um valor muito superior a um antibiótico humano. É uma taxação absurda de impostos. Às vezes vira piada: se você for comprar um shampoo especial para um cachorro pode pagar R$100. Uma pessoa vai na farmácia e compra um shampoo por R$ 20. Se você for na Argentina ou no Chile essa diferença é muito menor porque a taxação é diferente. Aqui é taxado como produto luxo. Parece que o animal não é da família”.

Categoria

Uma médica veterinária que não quis se identificar saiu em defesa da categoria. Ela diz que a realidade é bem diferente do que parece. Criticando os tutores e a política tributária sobre o mercado pet, a veterinária afirma que o tempo e investimento, inclusive financeiro, que o profissional dedica à sua formação é enorme. “A pressão que deveria existir em cima do governo recai sobre o veterinário. É o veterinário que tem que atender por amor. É o veterinário que tem que cobrar mais barato”.

Ela enumera uma série de gastos que os veterinários costumam ter com formações e equipamentos. “São seis anos que você não faz mais nada da vida a não ser estudar e gastar. Um livro de veterinária é cerca de R$ 800. As nossas especializações são caríssimas. Os bons congressos são quase R$ 1 mil. Só em um estetoscópio para auscultar o animal paga-se R$ 800 na hora que você entra na faculdade”.

Além da formação, diz a veterinária, os gastos das clínicas com equipamentos seriam altíssimo. “Se eu quiser um aparelho de raio-x na minha clínica eu pago R$ 160 mil. Se eu quiser um aparelho de ultrassom eu tenho que gastar R$ 40 mil. Pagamos muito imposto e o governo não oferece nada. Os medicamentos têm 60% de impostos”.

A veterinária também critica a postura de alguns tutores. “O que a gente vê no dia a dia são animais que, na maioria dos casos, são negligenciados e maltratados pelos seus tutores e que chegam pra gente quando já estão em uma situação muito delicada. A maioria das doenças que a gente atende se previne com vacina ou um antiparasitário”.

Muitos tutores, acredita, reclamam mesmo tendo dinheiro para pagar. “Na maioria das vezes são tutores que postam foto no exterior, que chegam com seus carros nas clínicas e não querem pagar R$ 80 em uma consulta. Aí você tá com um paciente que não sabe falar, não sabe onde dói e não tem a expressão de dor. O que você vai fazer? Proceder com exames. É um desafio muito grande. Na medicina humana ninguém questiona. Porque você tem o plano de saúde e o SUS para arcar”.

Fiscalização

Segundo o CRMV, existem hoje em Salvador 356 consultórios, 109 clínicas, 12 hospitais e 270 pet shops. O conselho não teria jurisprudência de fiscalizar taxas de exames ou abusos de cobranças. A não ser que chegue ao conselho alguma denúncia. O órgão age sob o código de ética da profissão, que proíbe, por exemplo, o anúncio de pacotes promocionais. Mas atendimentos gratuitos por simples caridade são permitidos.

O código de ética proíbe também a exploração financeira dos clientes. Da mesma forma, não se pode compensar em outro cliente o que descontou de um anterior. “Você pode fazer caridade, atender alguém que chegue em sua porta, mas não pode compensar em outros cobrando de forma abusiva”, explica José Eduardo Ungar.

O CRMV afirma que, segundo manda o código, em caso de risco de morte para o animal, o profissional é obrigado a atender. “Se for uma situação de emergência crítica que envolva risco de morte para o animal, o código de ética obriga você a dar o primeiro atendimento. Se você não fizer isso no limite, se você não estabilizar o animal, pode ser denunciado ao conselho. Isso é lei e obrigação do profissional”.

O representante do conselho afirma que chegam poucos casos de denúncias de abusos de preços ou tutores que se sentiram enganados. “Tem chegado mais casos de profissionais sem qualificação que estão fazendo procedimentos mais baratos. Isso é infração e vai responder”. José Eduardo defende que os gastos com os animais possam ser descontados no Imposto de Renda. Não em relação a serviços de pet shop, mas de saúde.

Para isso, ele recorre ao conceito da chamada saúde única, que trata a saúde humana e animal como uma coisa só, já que os animais podem transmitir zoonoses. O próprio coronavírus é um exemplo. “A saúde do animal reflete diretamente na saúde do ser humano. Fala-se tanto de saúde única, de zoonoses, e cadê a política social voltada para os animais? A única coisa que o governo dá hoje é vacina antirrábica”.

Cotas gratuitas

Há muitos casos de clínicas e veterinários que mantém cotas gratuitas de atendimento. Caso da Pet Central, do administrador Alan Sena. Desde 2015, o programa Adote Seu Amigo é voltado para quem adota animais em situação de rua ou de ONGs. Esses clientes têm 20% de desconto em serviços clínicos, compra de medicamentos, banho e tosa. Os descontos representam 10% do faturamento da clínica.

“Além disso, se a gente entender que o cliente realmente não tem como pagar, tentamos facilitar da melhor forma. Dinheiro é importante, mas é preciso ser ético. Se eu depender de explorar o tutor para ficar rico, prefiro ficar com o mesmo patamar de vida”, diz Alan. Algumas clínicas funcionam como a Pet Central. Mas, há relatos também sobre veterinários que reclamam das cotas sociais.

O dono de uma clínica ouvido pelo CORREIO disse que já discutiu algumas vezes com veterinários que não querem aceitar atender dessa maneira. “Eles acham que o trabalho deles acaba sendo desvalorizado. Eu explico que se trata de um trabalho social que faço questão de fazer, mas muitos não entendem. Sinto que estou fazendo a minha parte, mas isso também é um bom marketing social. A gente ajuda e se ajuda”, afirma.

“Muitos veterinários estão viciados em tirar dinheiro dos clientes sem se questionar se eles podem pagar por aquilo. Lá na minha clínica a ordem é passar o essencial para o tutor. Porque ele paga menos, sai satisfeito e volta. Isso funciona muito comigo. O serviço veterinário já é tão caro e o veterinário ainda vai receitar o que não é essencial?”, indaga. O mesmo empresário também aponta para um excesso de cirurgias realizadas. E não só isso. Ele denuncia ter sido vítima de veterinários cirurgiões que marcaram cirurgias fora de sua clínica para faturar mais.

“Tive médicos que fizeram isso e eu só descobri porque o tutor ia lá na clínica procurá-lo por algum motivo. Minha clínica era a porta de entrada, mas eles pegavam clientes nossos e faziam acertos pessoais. Esse meio cirúrgico é muito complicado. É uma guerra por cirurgia”. O dono da clínica também chama a atenção para o que ele qualifica como “fábrica de castração”. “Muitos veterinários, se pudessem, já castravam o animal na barriga da mãe”.

Medicamentos e diagnósticos

Os tutores reclamam também da insistência de alguns veterinários em receitar medicamentos mais caros, mesmo havendo a opção de um mais barato. Algumas marcas acabam sendo privilegiadas pelos médicos. Isso quando as alternativas não estão em medicamentos humanos. Acontece muito de o médico receitar um remédio veterinário quando há um humano muito mais barato.

A Yorkshire Felícia, de 8 anos, tem problemas de estômago e só toma o omeprazol humano. “Mas os médicos só passam o veterinário, que é muito mais caro. É o mesmo princípio ativo. A mesma coisa o antibiótico cefalexina. Eu compro o humano, mas eles só passam o veterinário”, afirma o tutor André*, que é médico.

Especialistas ouvidos pela reportagem, contudo, ressaltaram a importância de se respeitar o tratamento e usar, na maior parte dos casos, a versão veterinária e não humana. Os animais respondem de forma diferente em relação ao humano.

O uso de medicações humanas, que não foram prescritas e avaliadas diretamente por um médico veterinário, pode trazer resultados inesperados e ruins para os animais, diz a professora de Farmacologia e Terapêutica da Universidade Salvador (Unifacs), Ticianna Conceição de Vasconcelos.

Segundo a veterinária, é importante entender que as medicações aprovadas para uso humano foram produzidas e testadas para esta espécie e levam em consideração fatores como: metabolismo, fisiologia e anatomia.

“Além disso, processos como a farmacodinâmica (ação da droga no corpo) e farmacocinética (ação do corpo na droga) são muito diferentes no organismo animal. Um mesmo princípio ativo (fármaco) pode atuar de forma diferente entre humanos e animais e entre as espécies animais também. Ou seja, mesmo sendo um fármaco veterinário ele pode atuar diferente em cães e gatos, imagine se for um fármaco humano”, explica Ticianna. “Uma pergunta básica deve ser feita ao se prescrever uma medicação humana para um animal: Um paciente humano se sentiria seguro em utilizar uma medicação veterinária?”.

Mas são muitos os relatos de diagnósticos questionáveis e completamente diferentes de um veterinário para outro. Um exame de sangue mostrou que a splitz alemão de Francisco* estava apresentando o número de plaquetas muito baixo. O diagnóstico era de doença do carrapato. Foram receitados medicamentos para o tratamento. No dia seguinte, a cadela amanheceu vomitando e defecando sangue. “Eu dava os remédios. Quanto mais eu dava, mais ela vomitava. Liguei para a médica e ela disse para eu levar porque ia ter que internar. Não fui. Levei em outro médico”.

Na outra veterinária, ela olhou a cor da gengiva e a língua. “Fez o exame só por desencargo e disse: ‘suspenda os remédios por minha conta’”. A cachorra vomitava porque, além de os remédios serem desnecessários, a dose receitada era muito além da indicada para o peso do animal. “A minha conclusão era de que eles estavam adoecendo minha cachorra para internar. Tudo deles é doença do carrapato. É impressionante”.

Ainda há os casos em que os animais voltam das clínicas ou de um simples banho com sérios problemas. Após um banho e tosa, a cadela de Thaís* saiu do pet shop tremendo. “Achei que estava com medo ou algo assim”. Ao chegar em casa, ela não andava mais. “Voltei lá imediatamente e eles negaram de que havia acontecido algo. Me trataram como um cachorro, que deve ser bem tratado. Eu só fazia chorar de desespero”.

Sensibilizada com a situação, a atendente da clínica enviou uma mensagem para o cliente. “Ela escreveu dizendo que tinham derrubado minha cachorra do balcão e que tinha achado injusto negarem isso. Depois de ameaças de processo, a cachorrinha de Robson, hoje com 10 anos, foi tratada na clínica e ficou curada”.

Planos de saúde pet: vale a pena?

Os planos de saúde para animais são vistos por muitos tutores como uma boa alternativa para evitar os gastos excessivos com a saúde dos animais. Cada plano dispõe de variadas faixas de benefícios que podem incluir diferentes quantidades de consultas, exames, procedimentos e cirurgias por ano, além de vacinas.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-BA) alerta que é preciso avaliar com calma cada custo benefício. “É preciso analisar com frieza, ter cuidado para ver exatamente o que cada plano cobre”, afirma o presidente da Comissão de Saúde Pública do CRMV-BA, José Eduardo Ungar. Abaixo estão os contatos de três planos de saúde pet que atuam em Salvador:

Vital Pet – 0800.591.0395 / 71 3671-1567
Plamev – 71 4007-2560 / 71-993516640
Pitty e Bella – 71 3241-4527 / 71 98778-7018


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Calor intenso mata mais de 1 milhão de galinhas em granjas de SP

Reprodução/Globo

O calor intenso registrado no início de outubro matou mais de um milhão de galinhas exploradas para a produção de ovos em Bastos, cidade do interior de São Paulo.

O município é conhecido por ter a maior produção de ovos do país. Para isso, milhões de aves são condenadas a uma vida de aprisionamento e sofrimento.

Com as altas temperaturas, a situação das galinhas se tornou ainda pior. Em uma única granja, onde 800 mil aves são exploradas, 60 mil delas morreram em decorrência do calor.

Nos galpões onde as galinhas vivem amontoadas dentro de pequenas gaiolas, ventiladores são usados para amenizar as temperaturas. Os equipamentos, no entanto, não foram suficientes para proteger as aves durante as fortes ondas de calor.

Dentro das granjas, as galinhas necessitam de temperaturas que variem de 20ºC a 25ºC. Acima disso, as aves entram em sofrimento e não conseguem fazer o equilíbrio térmico do próprio corpo.

Em Bastos, os termômetros chegaram a marcar 41,4ºC – temperatura extrema para as aves, que passam a beber mais água e comer menos por conta do calor. Aos poucos, esses animais começam a agonizar e morrem.


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Cão enterrado vivo é resgatado após fugir da cova por conta própria

Reprodução

Um cachorro escapou de uma cova na qual foi enterrado vivo na Rússia e teve sua vida salva por uma motorista que o viu vagar por uma rodovia exausto, molhado e sujo de lama.

Kiryusha, como é chamado o pastor alemão, caminhava em meio a um temporal após fugir da cova. Resgatado por Olga Lystseva, 39 anos, ele foi alimentado e adormeceu ao ser colocado no banco de trás do carro.

Levado a uma ONG de proteção animal, o cachorro recebeu os cuidados necessários. No local, descobriu-se quem eram seus tutores e também a crueldade que eles haviam cometido: Kiryusha estava doente e, por isso, foi enterrado vivo.

Os tutores informaram que aplicaram uma injeção letal para matar o cachorro e em seguida o enterraram. O pastor alemão, no entanto, não morreu após a aplicação.

Debilitado, ele usou as forças que lhe restavam para cavar a terra ao seu redor e escapar da cova onde havia sido colocado. De acordo com a entidade que ficou responsável por Kiryusha, seus antigos tutores “se desculparam por enterrar o cachorro ainda vivo”.


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Cão chora de dor após ser arremessado contra homem durante discussão

Reprodução/Twitter

Uma mulher arremessou um filhote de cachorro contra um homem durante um ataque racista e revoltou internautas após imagens dos crimes de maus-tratos e racismo serem divulgadas nas redes sociais.

Vídeos feitos pelo homem registram a cena. Num primeiro momento, a mulher aparece do lado de fora do carro do rapaz e o agride segurando o cachorro nos braços. Em outro vídeo, os dois aparecem na rua e a mulher o ofende com palavras racistas.

Ao final das imagens, é possível ver o cachorro sendo arremessado contra o homem. Ele cai no chão e chora desesperadamente. Em seguida, busca abrigo em meio às pernas do homem, que o acolhe.

“Não sei o que está acontecendo, mas agora eu tenho um novo cachorro”, escreveu o rapaz nas redes sociais, indicando uma possível adoção.

Durante a discussão, a mulher parece usar o filhote como se ele fosse uma espécie de arma para atingir o homem. O vídeo que registra a agressão viralizou nas redes sociais e ultrapassou 23 milhões de visualizações. As imagens geraram revolta nos internautas, que agora tentam identificar a mulher para que ela seja punida pelos crimes que cometeu.

“Estou feliz por você ter tirado o cachorro dela, Deus sabe o que ela teria feito com ele”, escreveu uma internauta. “O fato do cachorro ter corrido até você depois de jogá-lo significa que você foi enviado para proteger aquele pobre cachorro”, disse outra.

Confira os vídeos da discussão:


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Agropecuária causa 90% do desmate de 87,2 milhões de hectares nas florestas brasileiras

Foto: Gabinete Gilberto Natalini/Divulgação

As florestas brasileiras perderam 87,2 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2019 – o que corresponde a 10,25% do território nacional. Os dados, do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), mostram ainda que 90% do desmate foi causado pela agropecuária, que converte a vegetação em pasto para criar bois explorados para consumo e em plantações de grãos que alimentam esses animais.

O estudo revela que todos os biomas brasileiros sofreram com o desmatamento. Na Amazônia, a perda de vegetação nativa foi de 44 milhões de hectares. A situação se torna ainda mais alarmante quando os resultados da pesquisa são observados em conjunto com dados atuais que revelam recordes de queimada e desmatamento no Brasil durante o governo Bolsonaro. No Pantanal, mais de três milhões de hectares já foram destruídos.

“O levantamento do MapBiomas mostra que pelo menos 9,3% de toda a vegetação natural do Brasil é secundária, ou seja são áreas que já foram desmatadas e convertidas para uso antrópico pelo menos uma vez”, explicou ao Globo Rural Tasso Azevedo, coordenador-geral da iniciativa.

Além da Amazônia, que foi o bioma mais afetado, houve registro de desmate também no Cerrado, com perda de 28,5 milhões de hectares. No Pampa, 20% da vegetação remanescente foi suprimida e a área de florestas plantadas aumentou 4,9 vezes.

“No Pantanal, a perda de vegetação nativa foi de 12%, com aumento de 4,7 vezes da área total de pastagens plantadas. Na Caatinga, a queda na área de vegetação remanescente foi de 11%, com expansão de 26% para a agropecuária”, aponta o relatório do estudo.

Além da perda da vegetação, a área de degradação da floresta também preocupa o doutor em ciência ambiental e vice-presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade, João Paulo Capobianco.

“Temos regiões que não foram desmatadas a corte raso, mas foram muito degradadas pela exploração predatória, e essa perda não é mostrada nos números”, explicou Capobianco.

Com o desmatamento e as queimadas, os animais são prejudicados, especialmente aqueles que estão ameaçados de extinção. Segundo Neiva Guedes, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e presidente do Instituto Arara Azul, as espécies que correm risco de desaparecer definitivamente vivem uma situação delicada dentro do ecossistema, que pode levar anos para se recuperar.

“Após esses episódios, você entra na floresta e ela está silenciosa, não há vida, é o desequilíbrio de todo uma cadeia. São insetos que foram queimados, que alimentariam pássaros, e assim por diante. O ambiente está aparentemente normal, mas há um vazio de indivíduos”, lamentou Guedes.

“Da área que nunca foi desmatada, há uma fração que já foi degradada por fogo ou exploração madeireira predatória. Quantificar esse processo de degradação das florestas é um dos próximos desafios que vamos enfrentar”, explicou Tasso Azevedo.

Uma pesquisa realizada por especialistas da Universidade de Brasília, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e da Universidade de Michigan constatou que a degradação da Amazônia foi maior do que o desmatamento entre 1992 e 2014 – foram 33,7 milhões de hectares degradados e 30,8 milhões de hectares desmatados.

“Medimos e mapeamos toda a gama de atividades que degradam as florestas e avaliamos a relação com o desmatamento. A degradação florestal é uma forma separada e crescente de perturbação florestal, e a área afetada agora é maior devido ao desmatamento”, aponta o estudo.

A destruição ambiental preocupa ainda mais quando é analisado o efeito que a devastação tem um bioma tem sobre outro. “A umidade da Amazônia faz com que ocorram as chuvas no Pantanal, então é tudo inter-relacionado”.

De acordo com Barroso, a pastagem degradada é um dos problemas do Cerrado. Com base no Atla digital das pastagens brasileiras, elaborado em 2018 pela Universidade Federal de Goiás, o especialista calcula que 24% das pastagens do Brasil estão com grau severo de degradação.

“São pastagens muito degradadas, que não irão retornar ao que eram. Quer dizer, a gente perdeu esse valor e mesmo esse pasto para os bois não tem o máximo potencial, não compensa economicamente”, disse.


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Cão expulso de hospital por segurança com cassetete é acolhido em lar temporário

Reprodução/G1

Bob, assim passou a ser chamado o cachorro enxotado do estacionamento do Hospital Dom Orione, em Araguaína, no Tocantins. Acolhido em um lar temporário, o cão apresentou um comportamento bastante dócil, brincalhão e amoroso.

Recentemente, o filhote foi alvo de um ato de violência no hospital. Imagens feitas por testemunhas mostram o momento em que um segurança usa um cassetete para expulsar o cão. O animal chora desesperadamente.

“Ele não avançou em ninguém. Onde ele está tem criança. Ele só brinca, é muito filhote. É tão filhote que os dentes ele ainda são bem fininhos”, disse ao G1 a vendedora Anna Paula Sousa Silva, que resgatou Bob.

“Quando cheguei , fui pegar ele e perguntei para o segurança porque ele estava batendo nele. Aí ele falou que estava espantando porque as pessoas queriam pegar as motos. Quando comecei a brigar com ele, perguntou se eu era a tutora. Eu falei que não, mas aquilo que ele estava fazendo não era certo. Ele viu que o pessoal estava gravando e foi saindo”, acrescentou.

Segundo ela, o cachorro não se feriu, mas estava bastante assustado com a violência do segurança, que o abalou psicologicamente. “Ele não ficou machucado. No dia ele estava dolorido, mas eu dei uma dipirona. Ele estava muito assustado, mas machucado não ficou”, contou.

Em lar temporário na casa de um amigo de Anna Paula, Bob será disponibilizado para adoção em breve.

O caso revoltou a Associação Protetora dos Animais de Araguaína (APAA), que se comprometeu a registrar um boletim de ocorrência para que investigações sejam iniciadas.

Em nota, o Hospital Dom Orione afirmou que o cachorro não foi agredido e que ele era um animal raivoso. Disse ainda que está investigando o caso. O comunicado da unidade de saúde foi alvo de repúdio da associação, que reforçou que o cão permitiu que Anna Paula o pegasse no colo, o que demonstrou que ele não era bravo – argumento confirmado pelo comportamento dócil do filhote no lar temporário.


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Polícia visita zoológico do RJ para investigar denúncias de maus-tratos a animais

Reprodução/G1

Uma visita de uma equipe da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) foi realizada na última quarta-feira (14) no Zoológico do Rio de Janeiro. O objetivo é apurar denúncias de maus-tratos aos animais. Um dia antes, membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores do município também estiveram no local pelo mesmo motivo.

As obras realizadas no zoo estão atrasadas, o que tem forçado os animais silvestres a viver em meio a tapumes, serras elétricas e máquinas. Irregularidades, como o desaparecimento e a morte de animais, além do estresse ao qual as espécies são submetidas durante as obras, estão sendo investigadas pela CPI.

Até o momento, apenas 30% da reforma, iniciada em dezembro de 2018, foi realizada. Com término inicial previsto para junho deste ano, as obras foram adiadas e devem terminar no primeiro semestre de 2021, quando o zoo deve ser aberto ao público, o que novamente condenará os animais à exploração para entretenimento humano.

O Grupo Cataratas, que tem a concessão do zoológico, disse que as obras atrasaram por conta da pandemia de coronavírus, negou que os animais estejam sendo prejudicados pelo barulho e pela poeira e afirmou que eles estão sendo acompanhados.

Para o biólogo e especialista em bioética Frank Alarcón, a obra é prejudicial para os animais mantidos pelo zoo. “Um canteiro de obras significa que existe um tráfego muito grandes de equipamentos, que vai fazer terraplanagem, pessoas que estão cortando metais, que estão martelando estacas no chão, causando, evidentemente, vibrações. O fluxo intenso de pessoas entrando e saindo dos recintos próximos aos animais provocam alterações na sensibilidade olfativa e auditiva desses animais, que são, por definição, muito mais sensíveis do que nós, seres humanos, para essas variações do meio ambiente”, explicou ao G1.


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Justiça mantém preso homem que matou cão ao arrastá-lo no asfalto

Pixabay

Manoel Batista dos Santos Junior, de 32 anos, teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça após amarrar um cachorro em um carro e arrastá-lo até a morte na cidade de Jaguaré, no Espírito Santo.

A decisão foi tomada durante audiência de custódia na quarta-feira (14) pelo juiz Leandro Cunha Bernardes da Silveira sob a justificativa de garantia da “ordem pública” e da “regular instrução processual”. Segundo o prazo prescricional, o mandado de prisão preventiva vale até 12 de outubro de 2032.

” […] tenho que a soltura do custodiado poderá colocar em risco a segurança social, haja vista a real possibilidade de reiteração delitiva, além do que está presente a periculosidade concreta de sua conduta […]”, diz trecho da decisão. De acordo com o documento, o agressor do cão é réu primário.

Câmeras de segurança flagraram o momento em que o homem agrediu o animal. Em depoimento à polícia, ele afirmou que matou o cão porque ele estava doente.

A presidente da ONG de Proteção a Cães de Jaguaré, Suely Izabel Dalvi, repudiou o ato de violência praticado por Manoel Batista. “Não sei como um ser humano tem a capacidade de fazer isso com um animal inocente. Ficamos todos revoltados e só esperamos que ele pague pelo crime que ele cometeu”, disse ao G1.

De acordo com o delegado Leonardo Malacarne, titular da delegacia de São Mateus, para onde o agressor foi levado, a versão de Manoel não é convincente e, mesmo se fosse verdadeira, não justificaria o crime.

“Ele mora em São Mateus. Contou que estava em Jaguaré desde sábado na casa de amigos. Ontem, por volta das 20h, ele saiu de casa, viu o cachorro na frente do carro dele, e, segundo ele, o cachorro estava aparentemente doente, com fome, agonizando. Diante dessa situação, ele achou que seria interessante sacrificá-lo. Ele pegou uma corda, um varal que tinha no carro, pegou o cachorro, amarrou no para-choque e o arrastou”, explicou o delegado.


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Área queimada no Pampa em 2020 é a maior da história

Paulo Campos/Folhapress

As queimadas que atingem o Pampa, no Rio Grande do Sul, causaram nos primeiros nove meses deste ano a maior destruição causada pelo fogo no bioma desde 2002, quando medições começaram a ser feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em setembro, o território queimado foi cinco vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2019. No total, 6.044 km² foram destruídos pelo fogo este ano, o equivalente a doze vezes o tamanho da cidade de Porto Alegre (RS).

De janeiro a outubro de 2020, 1.562 focos de incêndio foram registrados no Pampa – o número é o terceiro maior desde 1998. Em 2019, o bioma já havia registrado aumento de cerca de 110% em relação aos pontos de incêndio. Em nove meses, 2020 já superou os focos registrados em todo o ano anterior.

O Pampa abriga três mil espécies de plantas e quase 100 espécies de mamíferos, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. O bioma é ameaçado pela agropecuária.

Queimadas no Pantanal e na Amazônia

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a Amazônia sofreu mais de 32 mil focos de incêndio em setembro – um aumento de 60% comparado ao mesmo período de 2019.

O segundo pior mês de setembro para a floresta, desde quando iniciou seu monitoramento, tem como consequência as mesmas ações humanas que destroem Pantanal sul-mato-grossense: o agronegócio. Fazendeiros utilizam o fogo para “limpar” vegetações que são usadas para pastagem de animais.

As queimadas também bateram recorde no Pantanal. O ano de 2020 é o pior da história do bioma em número de incêndios. Os dados são do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).


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Polícia de MT procura homem acusado de atirar oito vezes em cachorro

Foto: Pixabay

A Polícia Militar de Mato Grosso está à procura de um homem acusado de atirar oito vezes em um cachorro na cidade de Poconé. O crime aconteceu na última segunda-feira (12).

A denúncia foi feita pela tutora do animal, que é funcionária de uma fazenda no município. Segundo a PM, a mulher relatou que seu filho assistia televisão quando o homem mexeu na antena e uma discussão se iniciou.

Durante o desentendimento, o homem caminhou até o quintal e disparou contra os cães da família. Um dos cachorros foi atingido e ficou ferido.

Após a violência cometida contra os animais, o homem entrou em uma caminhonete e fugiu. A polícia foi acionada e esteve na casa do acusado, onde minuções e armas foram encontradas.

Não há informações sobre o estado de saúde do cão, que foi socorrido por voluntários de um grupo de proteção animal da cidade.


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Secretarias de Meio Ambiente de MT e MS refutam falácia do ‘boi bombeiro’

Foto: Araquém Alcântara/Divulgação

As secretarias de Meio Ambiente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul refutaram a falácia do “boi bombeiro” defendida por integrantes do governo Bolsonaro, como os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura).

O questionável argumento dos ministros é de que os bois ajudam a prevenir as queimadas no Pantanal. No entanto, segundo as secretarias, a criação desses animais no bioma não só não impede a expansão do fogo, como também está associada à ocorrência das queimadas.

Para Jaime Verruck, secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Produção e Agricultura Familiar (Semagro), de Mato Grosso do Sul, os bois não colaboram com o controle das queimadas.

“A ideia do boi bombeiro, de que diminuíram os bois, comeu menos, então pegou mais fogo, eu acho que é muito simplista”, disse Verruck ao jornal Folha de S. Paulo.

Dados de 2018 do IBGE, os mais recentes sobre o tema, mostram que municípios pantaneiros onde há maior criação de boi também registram números mais altos de incêndios. Isso porque as áreas onde esses animais são criados precisam ser incendiadas e desmatadas para a transformação da vegetação em pasto. O mesmo ocorre no resto do Brasil, inclusive na Amazônia, onde 81% das áreas desmatadas em 2018 foram ocupadas por pasto, segundo dados da organização internacional Trase.

A Polícia Federal reuniu provas suficientes para indiciar pelo menos quatro fazendeiros pelo início das queimadas na região da Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Cabe ao Ministério Público Federal decidir se irá denunciar os investigados à Justiça Federal.

As provas foram obtidas através de imagens de satélite da Nasa e do Inpe que indicam que as queimadas foram provocadas pela ação humana em propriedades rurais. A PF também colheu depoimentos de trabalhadores de fazendas e moradores da região que se somaram às provas contra os fazendeiros.

A PF e o MPF acreditam que é possível que os pecuaristas combinem entre si a prática das queimadas. Isso porque peritos concluíram que os incêndios na região tiveram início no dia 30 de junho, quase no mesmo horário, em quatro fazendas.


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Obras atrasadas no zoo do RJ forçam animais a conviver com barulho e poeira

Reprodução/G1

O atraso nas obras realizadas no Zoológico do Rio de Janeiro estão forçando os animais silvestres a viver em meio a tapumes, serras elétricas e máquinas. Irregularidades nas obras, como o desaparecimento e a morte de animais, além do estresse ao qual as espécies são submetidas, estão sendo investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara de Vereadores.

Até o momento, apenas 30% da reforma, iniciada em dezembro de 2018, foi realizada. Com término inicial previsto para junho deste ano, as obras foram adiadas e devem terminar no primeiro semestre de 2021, quando o zoo deve ser aberto ao público, o que novamente condenará os animais à exploração para entretenimento humano.

O Grupo Cataratas, que tem a concessão do zoológico, disse que as obras atrasaram por conta da pandemia de coronavírus, negou que os animais estejam sendo prejudicados pelo barulho e pela poeira e afirmou que eles estão sendo acompanhados.

Para o biólogo e especialista em bioética Frank Alarcón, a obra é prejudicial para os animais mantidos pelo zoo. “Um canteiro de obras significa que existe um tráfego muito grandes de equipamentos, que vai fazer terraplanagem, pessoas que estão cortando metais, que estão martelando estacas no chão, causando, evidentemente, vibrações. O fluxo intenso de pessoas entrando e saindo dos recintos próximos aos animais provocam alterações na sensibilidade olfativa e auditiva desses animais, que são, por definição, muito mais sensíveis do que nós, seres humanos, para essas variações do meio ambiente”, explicou ao G1.

Além do estresse ao qual os animais são submetidos, denúncias indicam a morte, o sumiço e a transferência de animais durante as obras. Em 2018, 1.341 animais viviam no local. Até a última terça-feira (13), apenas 820 moravam no zoo. Dentre os casos registrados, está o sequestro de uma arara-azul, confirmado pela RioZoo. Segundo o Grupo Cataratas, a segurança foi reforçada após o animal ser levada do local em 7 de junho de 2019.

Segundo o diretor de Operações no Grupo Cataratas, Manoel Browne de Paula, “há uma taxa natural de mortalidade, uma taxa natural de óbitos, e essa taxa, aqui no bioparque, está em torno de 7,5%. Como nós não temos muitas reposições, não estamos trazendo novos animais, hoje o número é de 820”.

Em 2017, o RJ2 mostrou que, conforme alegação do Grupo Cataratas, alguns animais foram levados para o Rancho Cerro Azul, em Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Um documento do mesmo ano, assinado pela RioZoo, mostra que duas cabras foram entregues a terceiros e que outros animais, como avestruzes e lhamas, morreram. O zoo alega não haver laudos de necrópsia.

Dentre as situações investigadas pela CPI da Câmara, está a morte da elefante Carla. Uma das informações apuradas pela comissão é de que o animal morreu em decorrência de uma tuberculose. O Grupo Cataratas, no entanto, diz que o laudo da morte ainda não é definitivo.

“Não tem ainda a causa morte dela, está em análise. Nós estamos fazendo laudos laboratoriais e esses laudos demoram de 20 a 30 dias a diante para confirmação”, disse o diretor de Operações do Grupo Cataratas.


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