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Queimada traz “morte por milhares de agulhadas” para as onças do Pantanal

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Fornando Tortato normalmente gasta o seu tempo olhando as imagens das câmeras escondidas que monitoram as onças no Pantanal, a maior área tropical inundada do mundo, uma região que se espalha pelo Brasil, Bolívia e Paraguai. Mas nos últimos 45 dias, ele tem trabalhado em um novo papel como bombeiro, as vezes trabalhando extenuantes turnos de 24h para ajudar a extinguir as chamas que veêm devastando o Pantanal desde o fim de 2016, situação essa que só piorou em Junho e Julho. Tortato descreve que os incêndios têm sido como “uma onda que vai queimando tudo em seu caminho”.

“No Pantanal, que é uma área inundada, nós normalmente temos rios, hidrovias, lagoas, pântanos, que são barreiras naturais para o fogo”, disse Tortato ao Mongabay, que é um dos cientistas do programa de conservação da Panthera, uma organização internacional para a conservação dos felinos selvagens. “Mas esse ano, com estas condições – totalmente seco – essas barreiras não funcionam… e com isso é criado fogo em uma escala que nunca vimos antes.”

Apenas neste ano, é estimado que incêndios tenham queimado aproximadamente 3.3 milhões de hectares do Pantanal, de acordo com dados compilados pelo Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio Janeiro (LASA). Isso é cerca de 22% de toda a região, o que equivale aproximadamente ao tamanho de seis Grand Canyon National Park e meio. Acredita-se que muitos incêndios foram deliberados com o propósito de limpar o terreno para fins de agricultura, mas a disseminação da praga da seca fez o Pantanal arder em chamas.

Muitas espécies tem sido afetadas pelo fogo, particularmente pequenos vertebrados como répteis e anfíbios, os quais não conseguem fugir facilmente dos chamas. Conservacionistas também estão preocupados com a onça-pintada (panthera onca), uma espécie que atrai todos os anos muitos turistas para região. Por ser uma espécie quase ameaçada de extinção, o número de onças já tem uma tendência a diminuir devido a perda de habitat e a fragmentação, assim também como conflitos entre os humanos e os animais selvagens, e o fogo coloca ainda mais pressão nesta espécie que luta para sobreviver.

Enquanto a população total de onças nas Américas do Sul e Central é estimada entre 65.000 e 170.000, o corredor das onças do Pantanal abriga uma população pequena e vital de 2.000 animais, de acordo com Howard Quigley, cientista conservacionista e diretor executivo do Panthera, além de ser mebro da Grupo de Especilistas em Felinos da IUCN.

Baseado na quantidade de terra que já queimou no Pantanal, acredita-se que aproximadamente 600 onças tiveram o seu habitat impactado pelo fogo, o que pode levar a problemas de segurança alimentar para a espécie, disse Quigley ao Mongabay por email. É muito provavel também que muitas onças tenham sido machucadas ou mortas pelo fogo. Até agora, o time da Panthera e seus parceiros encontraram uma onça morta e quatro individuos com queimaduras.

“No quadro geral da ampla gama de viabilidade das onças, isso porde ser visto apenas como outro ‘bip’ no radar de sobrevivência delas, causando muito pouco dano no final das contas”, disse Quigley. “Por outro lado, as onças estão vivendo a metáfora da morte por milhares de agulhadas, e são muitas.”

“A sobrevivência desses felinos está fortemente atrelada a duas coisas: a segurança das populações centrais… e o movimento das onças pelas terras que formam os centros, ou corredores, tudo que faz parte do que é o Corredor das Onças-Pintadas”, adicionou Quigley. “Olhando apenas para o Pantanal, essas queimadas certamente não causam perigo a segurança populacional das onças no Pantanal.”

As maiores populações de onças no Pantanal estão perto de Gran Chaco, Paraguai, e no Parque Nacional Noel Kempff Mercado na Bolívia, de acordo com Quigley. Se o fogo impactar severamente estas populações a espécie pode experimentar instabilidade genética no futuro, ele diz.

“Com os incêndios na Bolívia ano passado, isso pode ser como um segundo golpe que a população de onças da região têm que enfrentar, mas ainda não é um golpe de knockout pelo que podemos ver”, disse Quigley.

Para as onças-pintadas, escapar das chamas não é um processo fácil. Muitos incêndios ocorrem de baixo da terra e são visualmente indetectiveis, tornando dificil a detecção disso por parte do animal”, disse Tortato.

“Eles podem queimar as patas porque eles não conseguem ver o fogo”, ele disse. “É dificil para os animais, e é dificil pra gente, identificar esses lugares [onde o fogo esta queimando].”

A equipe Panthera tem trabalhado com o governo, comunidades locais e outras organizações para tentar salvar o máximo de animais selvagens que for possível. Até o momento, eles ajudaram uma tartaruga, duas anacondas, várias iguanas e duas onças-pintadas, incluindo uma fêmea de 4 anos, chamada Gloria, que foi resgatada por membros da comunidade após ter as suas patas severamente queimadas.

“Quando as pessoas perceberam que ela estava procurando abrigo ao redor da comunidade, imediatamente eles agiram para salvá-la, disse Rafael Hoogesteijn, diretor do programa de conflitos do Panthera, em uma postagem no blog. “Em outras partes da América Latina, ela poderia ter sido imediatamente morta. Mas nesta região do Pantanal, a relação entre as pessoas e a vida selvagem é tão profunda que a comunidade fez tudo o que pode para salvá-la. Eles mantiveram essa felina de 4 anos de idade viva até que ela pudesse ser encaminha para um centro de resgate para receber tratamento médico. Gloria tem se recuperado bem e os veterinários continuam a monitorá-la com esperança de futuramente soltá-la”.

A equipe também trabalha para ajudar as pessoas que moram na região, dos quais muitos deles têm sofrido devido a pandemia da Covid-19, que acabou com o faturamento do período de turismo desse ano.

Essa semana, começou a chover no Pantanal. Enquanto na região sul tem acontecido um dilúvio, a região norte tem apenas recebido uma chuva fina até agora. “[Isso não é] suficiente para apagar as chamas”, disse Tortato. Ainda assim ele diz que ele e seus colegas estão esperançosos que a região vai se recuperar ecologicamente, pelo menos até um certo ponto, assim que a chuva finalmente chegar.”

“Talvez o Pantanal não seja mais o mesmo….mas ele [deve] criar uma nova composição de vida selvagem”, diz Tortato. “Nós não sabemos. Normalmente, os pesquisadores têm mais questões a responder. Esse é o problema”.

Enquanto permanece incerto como as queimadas irão influenciar a população das onças-pintadas no futuro, há uma luz no fim do túnel para as espécies. No Pantanal, as onças são predadores de capivaras e jacarés, e nessa época do ano eles tendem a viver nas águas, o que provavelmente ajudou a sobrevivência deles. A abundância desses animais pode criar uma fonte fácil de comida para qualquer onça sobrevivente.

“As onças teriam muito alimento disponível nos próximos meses se elas assumirem ou mantiverem territórios que ultrapassem áreas inundadas”, disse Quigley. “A questão da sobrevivência se torna como as onças vão superar a estação de enchentes quando a sua principal presa está dispersa no grande volume de água que é o Pantanal de janeiro a maio.”


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De olho no planeta, Notícias

O aquecimento oceânico pode influenciar as mudanças climáticas

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O aquecimento oceânico causado pelo homem refletirá diretamente na mudança climática. Você já deve ter ouvido a frase “o ar quente tende a subir”. Essa expressão, na verdade, é verdadeira: quando o ar é aquecido, ele tende a subir, como um balão de ar quente. O movimento ascendente é causado pela alteração da densidade do ar, um processo que os cientistas chamam de flutuabilidade.

A mesma coisa acontece nos oceanos. A água quente é menos densa do que a água fria. Neles, a água tende a estratificar, com a água quente (menos densa) sobre a água fria (mais densa). Essa disposição de águas é o que se chama configuração “estável”.

Às vezes, as águas não são estáveis. Por exemplo, as águas superiores do oceano podem ficar repentinamente mais pesadas. Isso faz com que a água caia da superfície em direção ao fundo do mar. As águas próximas ao fundo do oceano são, então, trazidas à superfície, onde ocorre uma mistura.

Mas, como a água do oceano perto da superfície se tornaria, de repente, mais pesada? Essa questão está diretamente relacionada ao sal da água. Quanto mais salgada for, mais densa ela será. Quando a água quente forma o nível superior do oceano, a evaporação da água líquida no ar remove as moléculas de água e aumenta sua salinidade, o que faz com que a água caia e ocorra a mistura. Portanto, a mistura é afetada tanto pela temperatura quanto pela salinidade.

Um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change, do qual fui um dos autores, usou novas técnicas para analisar as águas do oceano, usando uma grande coleção de dados de todo o mundo.

O artigo mostra que a estratificação dos oceanos – águas menos densas sobre águas mais densas – está aumentando. Em outras palavras, os oceanos se tornaram mais estáveis, com menos movimento “para cima e para baixo”.

A equipe mostrou que a estabilidade do oceano aumentou 5,36% nos 6.310 metros superiores (20.700 pés) dos oceanos nos últimos 50 a 60 anos. Nosso artigo mostra que parte do aumento da estabilidade dos oceanos se deve ao aquecimento da superfície do oceano por causa dos gases de efeito estufa e do aquecimento global causado pelo homem.

Mas por que devemos nos importar? Esta é a grande questão. Um oceano mais estável é importante para os humanos?

Sim, e sentiremos os efeitos. Primeiro, quando as águas quentes ficam na superfície do oceano, elas afetam o clima, especialmente tufões e furacões. Na verdade, a água quente da superfície do oceano fornece o combustível para essas grandes tempestades.
Um oceano mais quente, portanto, é menos capaz de absorver dióxido de carbono da atmosfera. Consequentemente, mais dióxido de carbono que emitimos permanecerá na atmosfera, o que levará a mais aquecimento.

Além disso, um oceano mais estável é menos eficiente em mover nutrientes através de suas águas. Isso significa que os animais que requerem o fluxo de águas ricas em nutrientes podem estar em risco.

Existe um risco final – relacionado a implicações mais graves no futuro. Os oceanos mais estáveis significam que esperamos que a Terra aqueça mais rápido, devido ao enfraquecimento da mistura que penetra nas profundezas dos oceanos e à menor capacidade do oceano de absorver dióxido de carbono.

Em uma terrível reviravolta do destino, o aquecimento que causamos no passado resultou em um oceano mais estável, e isso aumentará o aquecimento futuro – um ciclo de feedback que fica cada vez mais forte.

Nem tudo é desgraça e tristeza. A boa notícia é que sabemos por que o clima está mudando e como os oceanos estão respondendo. Podemos fazer algo sobre este problema – temos a capacidade de desacelerar as mudanças climáticas. Só nos falta vontade e liderança.

Mas se 2020 nos mostrou algo, foi que os humanos podem mudar e se adaptar rapidamente às situações. Há esperança de que possamos navegar os desafios resultantes de um oceano mais estável – mas devemos começar imediatamente.


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Criação de “rede de proteção” planetária pode impedir a perda de vida selvagem

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Líderes mundiais estão se preparando para participar de uma cúpula importante sobre biodiversidade organizada em Nova York no meio de evidências crescentes de que os governos estão falhando em impedir a perda de espécies sem precedentes no mundo.

No início de setembro, um relatório das Nações Unidas revelou que a comunidade internacional falhou em alcançar totalmente qualquer um dos 20 objetivos de biodiversidade acordados em 2010.

Porém, os cientistas da organização de pesquisa ambiental Resolve desenharam uma planta de áreas protegidas para uma “rede de proteção” planetária que eles dizem poder ajudar a impedir a perda catastrófica de biodiversidade.

Os cientistas começaram por mapear as áreas protegidas existentes. Essas compõem cerca de 15% da massa territorial do planeta.

Depois, eles identificaram as áreas desprotegidas atuais que são lar de espécies raras específicas. Preservar o habitat dessas espécies iria demandar proteger outros 2,3% da massa territorial do planeta.

No próximo passo, eles identificaram outros 6% de terra que são lar do maior número de agrupamentos distintos de espécies.

Os cientistas também mapearam as áreas que abrigam os maiores mamíferos do planeta, muitos dos quais embarcam em migrações de longa distância. Conservar o habitat deles demanda proteger adicionais 6,3% de massa territorial.

Os pesquisadores também propuseram proteger outros 16% de terra compostos pelos ecossistemas mais intactos – aqueles que experimentaram pouco ou nenhum contato humano.

Finalmente, os cientistas adicionaram as áreas que eles dizem que deveriam ser protegidas para prevenir mais colapso climático – se essas áreas já não tivessem sido incluídas em outras categorias.

No geral, a proposta da “rede de proteção” se sobrepõe significativamente com os maiores estoques naturais de carbono do mundo.

“As estratégias globais para impedir a crise dupla de perda da biodiversidade e de mudança climática são frequentemente formuladas separadamente, mesmo que elas sejam interdependentes”, escreveram os autores do estudo.

Se implementada, a “rede de proteção global” abarcaria 50,4% da massa de terra do planeta.

O autor principal Eric Dinerstein disse ao The Guardian que a análise, publicada na revista Science Advances, reuniu os conjuntos de dados globais mais utilizados sobre os recursos de biodiversidade para identificar as áreas que demandam atenção adicional de conservação.

“Nós queríamos cobrir tudo, das espécies com o menor alcance – como a perdiz de Udzungwa, encontrada somente em uma faixa específica de montanha na Tanzânia – a fenômenos como a migração de caribus na tundra canadense, que ocorre sobre vastas áreas. Porque tudo isso é biodiversidade”.

No início deste ano, as Nações Unidas apresentaram o rascunho de um plano para proteger 30% das terras e oceanos até 2030, o que irá fornecer a espinha dorsal para um acordo sobre a natureza a ser finalizado em Kunming, na China, em 2021.

O movimento foi bem-recebido pelos ativistas ambientais e especialistas em vida selvagem, embora alguns tenham dito que o número 30% refletiu o que era politicamente praticável ao invés do que era cientificamente recomendado.

“É um chão, não um teto”, disse Brian O’Donnell, diretor da Campanha pela Natureza (Campaign for Nature em inglês). “Esta é uma meta provisória, e nós apoiamos fortemente a ciência apresentada pelos autores da Rede de Proteção Global e outros cientistas que estão mostrando que, em última análise, precisamos de metas ainda mais ambiciosas.”

“Toda a ciência até hoje mostra que nós precisamos muito mais terra e mar sob conservação do que 30%”, disse Dr. James Watson, diretor de ciência de conservação na Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (Wildlife Conservation Society em inglês) e professor na Universidade de Queensland. “Portanto, eu penso que [a meta de 30%] deve ser vista como o mínimo e não pode ser justificada como baseada em evidências.”

Watson disse que a proposta para uma rede de proteção abarcando 50% de todas as terras era mais ambiciosa, mas acrescentou: “Deve haver um foco mais completo na retenção dos últimos ecossistemas intactos do planeta para que este plano tenha sucesso.”

As questões de conservação global assumiram uma urgência renovada desde o surto de Covid-19, com um número de relatos sugerindo que o aumento do contato humano com a vida selvagem está ligado a um risco aumentado do “transbordamento” de doenças.

Os autores do artigo sobre a rede de proteção global acreditam que proteger os ecossistemas com mais biodiversidade poderia diminuir o risco de vírus mortais passarem da vida selvagem para os humanos.

“Nós sabemos que quando os humanos têm maior contato com o interior das florestas tropicais, por exemplo, nós aumentamos muito o risco de transmissão de doenças de animais para humanos”, disse Dinerstein.

Perguntado se ele pensava que a comunidade internacional adotaria metas de biodiversidade mais ambiciosas em um futuro próximo, Dinerstein foi cautelosamente otimista.

“Provavelmente não serão as Nações Unidas que irão fazer isso, porque eles não se movem rapidamente”, disse. “Eu suspeito de que será uma combinação de cientistas do clima e da biodiversidade, líderes indígenas e as Gretas Thunberg do mundo que reúnem a sociedade civil. Serão os jovens que enfrentarão essas ameaças existenciais à civilização que seus mais velhos simplesmente não conseguiram entender. Mas eu penso que o resto da sociedade civil virá e nós chegaremos lá.”


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Projeto conservacionista traz esperança para os guepardos da África do Sul

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Os guepardos desapareceram de 90% de sua distribuição histórica na África.
Um projeto de metapopulação na África do Sul quase dobrou a população de guepardos neste projeto em menos de nove anos.

A África do Sul é agora o único país do mundo com uma população significativamente crescente de guepardos selvagens e começou a translocar os gatos para além de suas fronteiras.

A África do Sul abriga cerca de 1.300 dos cerca de 7.100 guepardos restantes do mundo. É também o único país do mundo com crescimento populacional de guepardos significativo, em grande parte graças a um projeto de conservação não governamental que depende do manejo humano cuidadoso e intensivo de pequenas populações de guepardos cercadas.

Como a maioria das reservas é financiada de forma privada e devidamente cercada, os animais se beneficiam de níveis mais altos de segurança do que nas reservas estaduais cada vez mais escassas.

Iniciado pelo Endangered Wildlife Trust quase uma década atrás, o Cheetah Metapopulation Project reconhece que pequenas populações de guepardos podem estar fisicamente seguras em várias pequenas reservas, mas a probabilidade de endogamia permanece alta se forem mantidas separadas por cercas. Ao trocar animais entre as reservas participantes, o fundo ajuda os custódios privados e estaduais da vida selvagem a administrar a superpopulação e a subpopulação em suas terras e também a identificar novas áreas de habitat adequado para os guepardos. Mais importante, a troca de animais reduz o risco de endogamia entre animais intimamente relacionados.

Vincent van der Merwe, coordenador da iniciativa de metapopulação do trust, diz que quando o projeto começou em 2011, havia 217 guepardos espalhados entre 41 reservas. Agora, existem 419 espalhados por 60 reservas – mais de um terço da população total de guepardos da África do Sul.

Sob pressão

As populações de guepardos em outras partes da África Austral não prosperaram nos últimos 50 anos. No Zimbábue, o número de guepardos caiu de 1.500 em 1975 para apenas 170 hoje. A população de guepardos de Botswana manteve-se estável em cerca de 1.500 no mesmo período, mas a captura ilegal para reprodução em cativeiro e os conflitos com fazendeiros e a crescente população humana estão aumentando. Na Namíbia, havia uma estimativa de 3.000 guepardos em 1975; cerca de 1.400 permanecem até hoje.

Em contraste, o número de guepardos na África do Sul cresceu de cerca de 500 em 1975 para quase 1.300 hoje. Van der Merwe, que também é Ph.D. estudante do Instituto de Comunidades e Vida Selvagem da Universidade da Cidade do Cabo (iCWild), diz estar confiante de que a África do Sul logo ultrapassará a Namíbia e o Botswana, principalmente porque a maioria dos guepardos sul-africanos são protegidos e geridos por trás de cercas, enquanto a maioria dos os animais nos países vizinhos permanecem mais vulneráveis principalmente em terras sem cercas.

Os pesquisadores da vida selvagem Florian Weise e colegas relataram que os proprietários privados de ações na Namíbia ainda capturam guepardos principalmente para translocação, mas há poucas reservas públicas ou privadas grandes o suficiente para contê-los.

Van der Merwe diz que as cercas podem ser uma bênção e uma maldição. Embora essas barreiras evitem que os guepardos e outros animais selvagens migrem naturalmente para se reproduzir e se alimentar, elas também protegem os guepardos da maré crescente de ameaças da humanidade e da agricultura.

Para simular os padrões de dispersão natural que protegem contra a consanguinidade, o trust ajuda os proprietários de terras a trocar seus animais por outras reservas de guepardos em outras partes do país. O projeto de metapopulação sul-africano tem sido tão bem sucedido em aumentar os números que a confiança está tendo que olhar além das fronteiras nacionais para garantir novas áreas de translocação no Malawi, Zâmbia e Moçambique.

As translocações de guepardos acontecem na África do Sul desde meados da década de 1960, quando as primeiras tentativas malsucedidas foram feitas para retirar dezenas desses animais da Namíbia. Essas realocações foram, em sua maioria, malsucedidas.

“A maioria das primeiras tentativas foi um fracasso, porque os guepardos não foram mantidos em cativeiro antes da soltura e algumas das reservas também estavam mal vedadas – então os animais dispararam quase assim que foram soltos”, disse van der Merwe.

Os guepardos translocadas agora estão geralmente confinadas em bomas, pequenos recintos cercados, por quatro a seis semanas para permitir que se aclimatem ao seu novo ambiente doméstico antes de serem libertados.

“Descobrimos que quatro semanas normalmente é tempo suficiente para quebrar o instinto de volta ao lar e, se você os mantiver em uma boma por mais tempo, eles tendem a perder a forma e a condição física”, disse van der Merwe.

A reserva de caça privada Phinda em Zululand, uma das várias reservas de caça privadas que começaram a reintroduzir guepardos no início da década de 1990, trocou recentemente alguns de seus animais com a reserva de caça privada Manyoni nas proximidades.

“Descobrimos que quando capturamos e translocamos guepardos para outras reservas, os gatos Phinda se dão muito bem em outros lugares porque cresceram em um ambiente desafiador”, disse van der Merwe. “Como precisam dividir o espaço com o leão, a hiena e o leopardo, eles aprenderam a cuidar de si mesmos – portanto, são animais muito resistentes.”

Charli de Vos, um monitor de vida selvagem em Phinda, diz que quando novas guepardos são soltos na reserva em pequenas unidades, pelo menos um animal recebe uma coleira de rastreamento VHF.

Durante as primeiras semanas, diz ela, os movimentos dos animais são monitorados diariamente para garantir que eles não estejam apresentando tendências de “retorno” e que também estejam se acostumando com a presença de veículos de turistas e funcionários.

“Isso se aplicará até que os animais tenham relaxado em seu novo ambiente. Uma vez que os animais tenham estabelecido uma área de vida dentro da reserva (aproximadamente três meses após a soltura), a coleira VHF será removida. Posteriormente, a equipe de pesquisa e monitoramento tentará obter uma visão de cada guepardo individual pelo menos uma vez a cada duas semanas ”, disse de Vos.

A reserva também possui um banco de dados online para registro de avistamentos dos animais, com guias turísticos, pesquisadores, administradores e proprietários de terras capazes de adicionar avistamentos.

Apesar de uma taxa de mortalidade de filhotes entre 50% e 80% em algumas reservas, van der Merwe diz que existem agora cerca de 90 guepardos na área de Zululand. Ele diz que as taxas de mortalidade de filhotes variam de acordo com o número de predadores maiores, como leões e hienas.

Balançando para as cercas

Mas outros líderes de conservação da vida selvagem têm uma perspectiva diferente sobre a estratégia de conservação dos guepardos .

Gus Mills, um pesquisador sênior de carnívoros aposentou-se em 2006 da SANParks, a agência que gerencia os parques nacionais da África do Sul. depois de uma carreira de mais de 30 anos nos parques nacionais Kalahari e Kruger. Ele diz que o foco deve ser na qualidade dos espaços de vida, e não na quantidade de guepardos.

Mills, que foi o fundador do Grupo de Conservação Carnivore do Endangered Wildlife Trust em 1995, e que também passou seis anos após se aposentar estudando guepardos no Kalahari, diz que é mais importante proteger adequadamente e, quando possível, expandir o tamanho das áreas protegidas existentes .

Ele também defende uma abordagem de triagem para a conservação dos guepardos, na qual os escassos fundos e recursos são focados na proteção das guepardos em áreas formalmente protegidas, ao invés de diluir os recursos escassos na tentativa de tentar salvar cada população de guepardos remanescente.

“As pessoas têm obsessão por números. Mas acredito que é mais importante proteger grandes paisagens e habitats adequadamente ”, disse Mills.

Ele sugere que os guepardos fechadas em pequenas reservas vivem em condições artificiais: “É quase como uma agricultura glorificada.”

“No longo prazo, temos que nos concentrar na consolidação de áreas formalmente protegidas”, acrescentou. “A população humana da África dobrará até 2050, então as populações de guepardos em áreas sem cercas se tornarão insustentáveis se comerem o gado das pessoas.”

Mills, que estava intimamente envolvido em um projeto de metapopulação semelhante para cães selvagens, disse que tentou encorajar os proprietários de terras a derrubar as cercas de fronteira, para criar áreas maiores de habitat.

“Mas há muitos proprietários de terras que não querem fazer isso. Eles querem suas próprias áreas e seus próprios programas de gestão. Mas minha filosofia é: cuidar do ecossistema para que os animais possam cuidar de si mesmos, para que a natureza siga seu curso ”, disse Mills.

“Infelizmente, restam tão poucas áreas onde a natureza pode dar uma palavra nos dias de hoje.”

Van der Merwe diz que os custos financeiros da gestão da metapopulação são inevitáveis e justificados, observando que as reservas privadas arcam com a maior parte dos custos de translocação e monitoramento.

“Estamos em 2020. O financiamento estatal para a conservação entrou em colapso na maior parte da África e os dias de reserva de novos espaços abertos selvagens já se foram”, disse ele. “Devemos comemorar o fato de que muito mais reservas privadas de ecoturismo foram estabelecidas em antigas fazendas de gado na África do Sul, superando a agricultura como uso da terra e criando um novo habitat para os guepardos. O melhor que podemos fazer é tentar consolidar pequenas reservas privadas e comunitárias com parques nacionais maiores. ”

Sarah M. Durant, da Zoological Society of London e da Wildlife Conservation Society, de Nova York, diz que os guepardos continuam suscetíveis ao rápido declínio e que, em última análise, a conservação das populações remanescentes em Botswana e Namíbia exigirá “uma mudança de paradigma na conservação em direção a uma abordagem holística que incentiva a proteção e promove a coexistência humana-vida selvagem sustentável em grandes paisagens de uso múltiplo.”


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De olho no planeta, Notícias

Nova superenzima consome garrafas de plástico seis vezes mais rápido

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Uma superenzima que degrada garrafas de plástico seis vezes mais rápido foi criada por cientistas e pode ser usada para reciclagem completa em até um ou dois anos.

Derivada de bactérias que desenvolveram naturalmente a capacidade de comer o plástico, a enzima permite a reciclagem total das garrafas. Os cientistas acreditam que combiná-lo com enzimas que degradam o algodão também pode permitir a reciclagem de roupas de tecidos mistos. Hoje, milhões de toneladas dessas roupas são depositadas em aterros ou incineradas.

A poluição do plástico contaminou todo o planeta, desde o Ártico até os oceanos mais profundos. Inclusive, as pessoas agora consomem e respiram partículas microplásticas. Atualmente é muito difícil decompor as garrafas de plástico em seus constituintes químicos para fazer novas a partir das velhas, o que significa que mais plástico novo está sendo criado a partir do petróleo a cada ano.

A superenzima foi projetada ligando duas enzimas distintas, ambas encontradas no inseto comedor de plástico descoberto em um depósito de lixo japonês em 2016. Os pesquisadores revelaram uma versão projetada da primeira enzima em 2018, que começou a acabar com o plástico em alguns dias. Mas a superenzima trabalha seis vezes mais rápido.

“Quando ligamos as enzimas, de forma bastante inesperada, obtivemos um aumento drástico na atividade”, disse o professor John McGeehan, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. “Essa é uma perspectiva para tentar fazer enzimas mais rápidas e mais relevantes industrialmente. Também é uma daquelas histórias sobre aprender com a natureza e depois levá-la para o laboratório”.

A empresa francesa Carbios revelou uma enzima diferente em abril, descoberta originalmente em uma pilha de folhas compostas, que degrada 90% das garrafas plásticas em 10 horas, mas requer aquecimento acima de 70°C.

A nova superenzima funciona em temperatura ambiente e McGeehan disse que combinar diferentes abordagens pode acelerar o progresso em direção ao uso comercial: “Se pudermos fazer enzimas melhores e mais rápidas, ligando-as e fornecendo-as a empresas como a Carbios, nós poderíamos colocar isso em prática dentro de um ou dois anos”.

O trabalho de 2018 determinou que a estrutura de uma enzima, chamada PETase, pode atacar a superfície dura e cristalina de garrafas de plástico. Eles descobriram, por acidente, que uma versão mutante funcionava 20% mais rápido. O novo estudo analisou uma segunda enzima também encontrada nas bactérias japonesas que dobra a velocidade de decomposição dos grupos químicos liberados pela primeira enzima.

As bactérias que decompõem polímeros naturais como a celulose desenvolveram essa abordagem dupla ao longo de milhões de anos. Os cientistas pensaram que, ao conectar as duas enzimas, isso poderia aumentar a velocidade de degradação e permitir que trabalhassem mais intimamente.

A superenzima ligada seria impossível para uma bactéria criar naturalmente, pois a molécula seria muito grande. Então, os cientistas conectaram as duas enzimas no laboratório e viram uma nova triplicação da velocidade. A nova pesquisa de cientistas da Universidade de Portsmouth e de quatro instituições americanas foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A equipe agora está examinando como as enzimas podem ser ajustadas para que funcionem ainda mais rápido. “Há um potencial enorme”, disse McGeehan. “Temos várias centenas no laboratório que estamos trabalhando juntos”. Um centro de testes de £1 milhão está sendo construído em Portsmouth e a Carbios está construindo uma fábrica em Lyon.

Combinar as enzimas que comem plástico com as existentes que quebram as fibras naturais pode permitir que os materiais mistos sejam totalmente reciclados, disse McGeehan. “Tecidos mistos [de poliéster e algodão] são realmente difíceis de reciclar. Temos falado com algumas das grandes empresas da moda que produzem esses têxteis, porque elas estão realmente lutando no momento”.

Os ativistas dizem que reduzir o uso de plástico é fundamental. Aqueles que trabalham com reciclagem dizem que materiais fortes e leves como o plástico são muito úteis e que a verdadeira reciclagem é parte da solução para o problema da poluição.

Os pesquisadores também tiveram sucesso em encontrar insetos que comem outros plásticos, como o poliuretano, que é amplamente usado, mas raramente reciclado. Quando o poliuretano se decompõe, ele pode liberar produtos químicos tóxicos que matariam a maioria das bactérias, mas o inseto identificado na verdade usa o material como alimento para alimentar o processo.


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Destaques

Macacos têm crânios abertos e hastes inseridas em seus cérebros em experimento cruel

Ativistas em defesa dos direitos animais denunciam Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica, por realizar experimentos cerebrais em macacos. Imagens mostram animais com crânios abertos com hastes espetadas e fixadas com cimento em seus cérebros. Pelo menos 12 macacos da espécie rhesus foram submetidos aos testes e maioria deles não sobreviveu.

A universidade argumentou que o experimentos com animais são necessários nos estudos de doenças como o Alzheimer, mas publicações cientificas apontam que os experimentos são desnecessários, cruéis, inúteis e servem apenas para satisfazer a curiosidade de pesquisadores. Uma ativista em defesa dos direitos animais afirma que “os experimentos cerebrais em macacos não são um mal necessário, mas um mal puro”.

Outro apontamento feito é o desequilíbrio entre os resultados das pesquisas e o dinheiro público investido. Uma apuração de dados constata que a pesquisa não é economicamente sustentável. Além dos 12 macacos com os cérebros expostos, há também muitos outros animais trancados e explorados em outros experimentos pouco transparentes.

A Katholieke Universiteit Leuven afirmou que é adepta de métodos substitutivos aprovados, mas que ainda não pode abolir completamente o uso de animais em experimentos.


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Rede de lojas Nordstrom proíbe oficialmente vendas de pele animal

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A grande varejista torna-se a primeira nos Estados Unidos a proibir as vendas de materiais obtidos de animais cruelmente concebidos de todas as suas propriedades, incluindo Nordstrom Rack, lojas Last Chance e plataformas de comércio eletrônico.

Esta semana, a varejista de moda Nordstrom anunciou que irá abolir as vendas de peles de animais exóticos até o fim de 2021. A decisão foi tomada em parceria com A Sociedade Humanitária dos Estados Unidos (The Humane Society of the United States / HSUS), proibindo a vendas destes materiais de origem animal em todas as propriedades Nordstrom, incluindo Nordstrom Rack, lojas Last Chance, assim como os sites de comércio eletrônico da franquia.

“Como uma das principais varejistas de moda, nos comprometemos a trazer os melhores serviços e mercadorias possíveis aos nossos clientes. Fazer jus a este comprometimento significa estar sempre ouvindo suas opiniões e evoluindo a forma de como oferecemos nossos serviços para garantir o atendimento de suas necessidades”, diz Teri Bariquit, Diretor de Merchandising da Nordstrom. “Como parte de nossa contínua evolução de produtos, estivemos trabalhando com a HSUS e recentemente decidimos parar de oferecer produtos feitos a partir de pele genuína ou pele de animais exóticos em todas as nossas lojas, físicas ou online. Nossas marcas de marca própria não fazem uso destes materiais há anos, portanto elevar esta diretriz a todas as nossas marcas é o próximo passo natural para os nossos negócios.”

A presidente executiva da HSUS, Kitty Block, elogiou a varejista pela decisão solidária de remover as peles de animais concebidos em condições de crueldade de seus catálogos. “Aplaudimos a Nordstrom por dar fim às vendas de peles e tornar-se a primeira varejista sediada nos Estados Unidos a opor-se às peles de animais exóticos”, disse Block. “Este é um passo crucial para um modelo de negócios mais humanitário e um mundo mais seguro para animais, enviando claramente a mensagem de que animais não devem sofrer nas mãos da indústria da moda. A decisão da Nordstrom certamente terá um efeito cascata em relação a outras líderes influenciais da indústria.”

O grupo de direitos animais Pessoas à Favor do Tratamento Ético de Animais (People for the Ethical Treatment of Animals / PETA) esteve exigindo que a Nordstrom descontinuasse a venda de peles desde 1999 e iniciou uma investigação focada na Nordstrom em 2019 para expor a crueldade do comércio russo de peles — de onde a Nordstrom anteriormente obtinha parte de suas peles. A PETA agora requisita outras varejistas (particularmente a Urban Outfitters e suas subsidiárias como Anthropologie and Free People) a seguir o exemplo da Nordstrom no banimento de peles exóticas, além de aprofundar a iniciativa com a proibição de outros materiais de origem animal como lã, seda, e couro.

“As marcas Urban Outfitters querem chamar a atenção de jovens liberais e progressivos, mas pecam neste objetivo ao vender lã obtida de animais que são agredidos, feridos, e mortos no processo”, diz a Vice Presidente Executiva da Peta, Tracy Reiman. “A PETA trabalhou por mais de duas décadas na persuasão da Nordstrom em abandonar as peles, e trabalharemos com o mesmo vigor para convencer a Urban Outfitters a vender apenas os estilosos e sustentáveis materiais veganos que já possui em estoque.”


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Venezuelanos desafiam pandemia para salvar animais silvestres

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Carmen Borges transformou há cerca de três semanas seu pequeno apartamento, onde vive junto com seu esposo e duas de suas três filhas, em um refúgio para um filhote de esquilo que uma vizinha trouxe, logo depois que resgatou os animaizinhos na rua em meio desse longo confinamento do coronavírus.

O confinamento de milhões de pessoas em suas casas há mais de seis meses permitiu que alguns animais silvestres recuperassem parte dos espaços que haviam sido invadidos pelos humanos, mas também os deixaram mais vulneráveis a se chocar com postes elétricos, se enroscar em cabos de alta tensão ou se perder em áreas urbanas, afirmam ambientalistas e socorristas a The Associated Press.

Isso está impulsionando muitos venezuelanos a desafiarem a pandemia para resgatar animais selvagens feridos como corujas, falcões, tamanduaís e esquilos. Dando a eles abrigo em casa ou transportando-os a lugares onde a ajuda e fornecida, apesar das profundas limitações econômicas do país.

Venezuela goza do privilégio de ser um dos países com a maior diversidade biológica do planeta graças a distintos ecossistemas que permite ter uma grande variedade de plantas e animais, alguns como o peixe-boi, o pintassilgo-da-Venezuela, o tamanduá, a rosela-multicolorida e o urso-de-óculos, entre outros, ameaçados pela caça indiscriminada e o tráfico ilegal que não parou apesar da quarentena, denunciaram ambientalistas.

Alguns dos animais que sofreram acidentes em Caracas nas zonas circunvizinhas em meio à pandemia conseguiram se salvar, graças à ajuda de pedestres e motoristas que os ajudaram e os levaram às instalações do programa estadual de cuidados com animais Misión Nevado ou a fundação privada Plumas y Colas en Libertad, que é o único na capital dedicado ao resgate de fauna silvestres.

A veterinária e ambientalista Grecia Marquís, quem dirige a fundação, afirmou que o resgate dos animais silvestres na capital “tem sido impressionante” esse ano.

Atualmente se recuperam na sua fundação um gavião-andorinha que se feriu depois de se enredar em cabos de alta tensão, uma coruja listrada que foi operada na asa esquerda após sofrer um acidente em uma estrada e um filhote de coruja de óculos.

Marquís relatou que ante a grande quantidade de chamadas de pessoas para reportar casos de animais feridos, decidiu reabrir em maio o centro, que opera que funciona no leste de Caracas, após fechá-lo entre março e abril devido à quarentena.

Desde junho até hoje, cerca de 20 animais chegaram ao centro de resgate, entre eles três preguiças, seis corujas, três araras, dois gaviões e um tamanduá, superando os registros dos outros anos, explicou a veterinária. Na Venezuela não há registros oficiais de resgate de animais.

Para cuidar dos animais feridos, os ativistas devem lutar em meio à pior crise econômica do país para obter medicamentos e alimentos caros e escassos. No entanto, pessoas como Borges, como o terapeuta de reiki de 50 anos, que recorre à renda limitada do seu trabalho e à sua engenhosidade para ajudá-los.

Borges instalou em uma pequena sacada, rodeada de plantas, uma toca improvisada com o auxílio de um travesseiro branco, que se transformou em um aconchegante cilindro para o roedor, de cor marrom e com cerca de oito centímetros de comprimento, que nas primeiras semanas se alimentou de leite materno que era fornecida por uma das filhas que estava no período de amamentação.

Enquanto o filhote de esquilo corre entre os móveis na sala de estar e o chão da sala de jantar, a terapeuta alegou que vai esperar o roedor crescer e aprender a se alimentar para envia-lo de volta ao seu habitat nas árvores, assim como ela fez há alguns meses com uma pequena coruja que resgatou uma vizinha e que ela cuidou em seu apartamento por algumas semanas até que a ave se recuperou.

Durante a quarentena Borges não só usa parte de seu tempo para cuidar do esquilo, mas também para a alimentar todas as manhãs uns vinte de pássaros que chegam ao telhado de seu prédio de 12 andares, incluindo araras com plumagem azul e amarela, um velho abutre, conhecido na Venezuela como zamuro , e um caricare de savana que não tem a perna esquerda.

Entre a barulhenta conversa de cerca de dez araras, que a observavam atentamente de uma parede do telhado esperando para receber sementes de girassol e bananas, Borges alegou entre sorrisos que, embora para muitos a pandemia tenha representado um pesadelo por medo de se espalhar, para ela tem sido uma “grande felicidade”.

“Agora é melhor porque eu tenho mais tempo para estar em casa… e com eles ao redor (os animais), melhor ainda”, acrescentou.

O paramédico Angel Padilla, 37, conta que a pandemia também não o impediu em sua paixão por ajudar os animais, atividade que costuma compartilhar diariamente em seu trabalho como socorrista de motoristas e motociclistas nas rodovias da capital.

Entre as dezenas de animais resgatados por Padilla este ano está um falcão de andorinha que foi seriamente ferido por se enroscar em cabos de alta tensão e cair em uma estrada no oeste da capital.

Graças ao chamado de alguns vizinhos, o paramédico – com o rosto coberto por uma máscara preta e um capacete marrom nas mãos – chegou ao local onde o falcão havia caído e depois de lhe dar os primeiros socorros para reanimá-lo, levou-o ao centro de resgate Plumas y Colas en Libertad, onde agora está se recuperando.

“Com quarentena ou sem quarentena, estou sempre pendente dos meus animais e estou disposto a protegê-los e resgatá-los de qualquer maneira”, disse Padilla.


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Robôs e sabonetes magnéticos: cientistas repensam a limpeza de derramamento de óleo

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Esponjas especiais, sabonetes magnéticos e robôs autônomos estão entre a última onda de invenções destinadas a resolver o problema de derramamento de óleo.

Incidentes como o encalhe de um tanque em Maurício, em agosto, pode devastar o meio ambiente e ameaçar comunidades que dependem do mar ou do turismo para suas vidas. Frequentemente, é levado meses ou anos para finalizar a limpeza.

Prof Vinayak Dravid e Vikas Nandwana, um estudante de PhD, acreditam que uma simples esponja poderia ser a chave para lutar contra derramamento de óleo nos oceanos.

“Enquanto combustíveis fósseis ainda estiverem sendo utilizados, sempre haverá derramamento”, disse Dravid. “Nós queremos criar uma tecnologia que torne a limpeza do óleo mais fácil e, mais importante, mais limpa e segura para o meio ambiente”.

Dravid e Nandwana, ambos da Northwestern University, Illinois, têm desenvolvido uma esponja capaz de seletivamente absorver o óleo encontrado nas águas oceânicas.

A esponja tem uma cobertura de nano estruturas magnéticas e uma superfície à base de carbono que atrai o óleo e repele a água. Ela prende as moléculas de óleo, capturando-o e armazenando-o até espremer, e pode absorver até 30 vezes o seu peso de óleo.

Para imitar ondas naturais, o time colocou a esponja em um agitador submerso em água. Até mesmo depois de vigorosas agitações, a esponja lançou de volta à água menos de 1% do óleo que havia absorvido.

“Nós estamos confiantes que essa esponja pode ajudar a fauna e a flora na costa de Maurício”, diz Dravid. “Sua grande vantagem é como a esponja pode ser transformada em bolas e ser deixada na areia coberta pelo óleo ou em pontos no solo. O óleo será absorvido em dias, e a esponja pode ser reutilizada”.

No último mês, três marinheiros morreram e um ficou desaparecido após seus rebocadores capotarem enquanto limpavam o derramamento de óleo em Maurício.

Em junho, Russia declarou um estado de emergência depois que 20.000 toneladas de óleo diesel vazaram de uma usina elétrica no Norilsk ao Rio Ambarnaya, um conector importante ao Oceano Ártico.

Uma década depois do catastrófico derramamento da Deepwater Horizon, nos Estados Unidos, a produção de óleo ultrapassou os níveis anteriores ao acidente, levantando preocupações sobre a administração de Trump.

Nandwana relacionou a esponja a um canivete suíço do futuro. “Essa é uma solução sem precedentes para um problema gigante,” ele disse. “O óleo recuperado por nossas esponjas pode ser devolvido a quem é o responsável pelo vazamento. Nós esperamos que depois da recuperação do óleo, a esponja pode ser reciclada e queimada em fuligem para ser utilizada como elétrodo em baterias íon-lítio”,

Sabonete magnético é uma outra opção incomum para limpeza de vazamento de óleo. Cientistas da Bristol University criaram um sabonete composto de ferro dissolúvel em ricos sais, que corresponde a campos magnéticos quando colocados em soluções. É esperado que o sabonete possa, um dia, revolucionar as operações de limpeza e os processos para limpar o meio ambiente.

Professor Julian Eastoe, parte do time que desenvolveu o sabonete magnético, espera que um dia a invenção possa ser utilizada para uso comercial. “As potenciais aplicações de surfactantes magnéticos são enormes,” ele diz. “Sua resposta a estímulos externos permitem uma variedade de propriedades, como condutividade elétrica, ponto de fusão, forma e tamanho, e quão rapidamente ela se dissolve na água, que podem ser alteradas por uma simples troca magnética”.

Robôs de navegação auto condutores podem ser uma outra solução. Carlo Ratti, o diretor do MIT Senseable City Lab, desenvolveu o robô Sea Swarm em resposta ao derramamento de óleo de Deepwater Horizon.

“Essa tecnologia foi concebida para ser implantada em qualquer lugar que fosse necessária – em oceano, rios ou mares. É mais utilizável em costas ziguezagueantes, onde muitas de outras tecnologias falham”, disse Ratti. “Nós todos precisamos ser responsáveis pelo meio ambiente. Alguns acidentes ainda podem acontecer, então precisamos desenvolver estratégias de limpeza”.

O robô pode segurar até 20 vezes seu tamanho de peso em óleo. Ele funciona como uma frota de veículos comunicando sua localização por GPS. Cada robô consiste em uma cabeça coberta por uma camada de células fotovoltaicas e por um cinto transportador coberto por pequenos fios. As células geram eletricidade suficiente para o veículo por muitas semanas de uma vez.

“Como a cabeça se move pela água, o cinto transportador constantemente suga a poluição”, disse Ratti. “O cinto coberto por nano fios é, então, compensado para remover o óleo. Como a parte limpa do cinto sai da cabeça, ele imediatamente começa a absorver óleo, fazendo o processo de recolhimento parecido”.

“Depois de cada uso, o tecido pode ser aquecido para remover o óleo. Uma vez que o óleo foi removido, a malha de nano fios pode ser reciclada de novo e de novo. Como eles são rastreáveis, então podem ser coletados e descartados ao fim de suas vidas.”


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Nova ferramenta alerta navios quando baleias estão por perto

Em 2018 e 2019, houve registro de 27 colisões registradas entre baleias e navios na costa da Califórnia, apesar de que o número atual é, provavelmente, muito mais alto.

Para reduzir o número de colisões fatais, a Iniciativa Benioff Ocean lançou o Whale Safe no dia 17 de setembro.

A nova ferramenta de mapeamento e análise alerta marinheiros no momento em que baleias estão provavelmente presentes no canal congestionado de Santa Bárbara, perto de Los Angeles, se baseando em dados de uma boia acústica de monitoramento, de relatórios de avistamento aquáticos, e de modelagem de computador.

Ao saber que baleias estão provavelmente presentes em uma área próxima, os desenvolvedores esperam que as grandes embarcações diminuam suas velocidades para uma que seja menos prejudicial às baleias em uma colisão. Essa decisão de fazê-lo permanece voluntária.

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Em agosto, observadores de baleia testemunharam algo memorável fora da Costa da Califórnia: 30 baleias azuis, o maior animal que já viveu e uma espécie tipicamente solitária, se alimentando na mesma pequena área. Contudo, para cientistas de baleias, a notícia era tão assustadora quanto era incrível. As baleias estavam comendo dentro e ao redor do canal de Santa Bárbara, no qual rotas de transporte levam aos maiores portos de Los Angeles e de Long Beach recolhendo bocados de krills enquanto navios de contêineres, com três vezes o comprimento de um campo de futebol e 15 andares de altura, passavam.

Nos dois anos anteriores, a U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) documentou um registro de 27 colisões entre baleias e navios na Califórnia. Estimativas sugerem que essas baleias representam apenas uma fração do verdadeiro número de ataques ou mortes por navios. Muitos ataques de baleia acontecem despercebidos e muitas baleias que morrem afundam antes que humanos consigam ver o corpo. E com o tráfego marítimo previsto para aumentar em 240% a 1.209% em todo o mundo até 2050, mais desses animais correm o risco de ter o mesmo destino.

Não tão longe de onde as baleias azuis se reuniram, o novo sistema de monitoramento está tentando dar a esses gigantes oceânicos uma chance. Lançado no dia 17 de setembro, o sistema Whale Safe alerta operadores de barcos sobre a presença de baleias, com o objetivo de encorajar navios a diminuir em velocidade quando elas estão por perto.

“O pessoal nessas embarcações não quer se chocar com baleias — mas muito frequentemente os marinheiros nem mesmo sabem que atingiram uma até que chegam a um porto, porque esses navios são tão imensos”, Morgan Visalli, cientista de projeto da Iniciativa Benioff Ocean, disse ao Mongabay numa entrevista. “Existe uma demanda por mais tecnologia e mais dados em tempo real que esperamos obter”.

Benioff, uma organização de pesquisa aplicada dentro da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, liderou o desenvolvimento do Whale Safe. Uma matriz de parceiros contribuíram: a Instituição Oceanográfica Woods Hole, a Instituição de Oceanografia Scripps, a Universidade Texas A&M de Galveston, a UC Santa Cruz, a Universidade de Washington, e o NOAA Southwest Fisheries Science Center.

Whale Safe é, em seu núcleo, um programa de computador que grava as detecções de baleias e prevê os seus movimentos. Para fazê-lo, o programa reúne dados de três fontes diferentes. Uma delas é uma boia acústica de monitoramento no Canal de Santa Bárbara  que automaticamente detecta sons próximos do animal, desde os gemidos profundos e tristes das baleias azuis às melodias gregárias das jubartes (Megaptera novaeangliae) e os gorjeios baixos das baleias-fin (Balaenoptera physalus).

Os líderes do projeto recrutaram observadores em barcos de observadores de baleias, que podem identificar seguramente espécies locais, para registrar as baleias à medida que surgem. Qualquer pessoa com um dispositivo móvel pode contribuir da mesma maneira, usando um aplicativo de outro sistema de monitoramento chamado Whale Alert.

Por fim, o programa de computador alimenta dados oceanográficos coletados por boias no dia anterior, como temperatura da superfície do mar e salinidade, em um modelo matemático que cria uma simulação tridimensional das condições atuais do oceano. Esse programa faz referência cruzada da simulação com um modelo de migração das baleias azuis ao longo da costa, o qual os cientistas desenvolveram ao rastrear por satélite mais de 100 baleias azuis.

“Acontece que o próprio oceano pode nos falar muito sobre quando e onde baleias vão estar presentes”, disse Briana Abrahms, uma bióloga na Universidade de Washington que liderou um esforço de monitoração de baleias azuis, num briefing de imprensa no dia 17 de setembro.

O modelo Whale Safe combina esses três streams de dados para para emitir uma “classificação de presença de baleia”. Essa classificação trabalha como a classificação de ameaças de incêndio que você pode ver próximo ao “Smokey the Bear” na entrada do parque nacional. No site do Whale Safe, regiões em que baleias estão provavelmente presentes aparecem em vermelho. Aquelas onde elas estão menos prováveis aparecem em amarelo ou verde.

Embarcações e companhias de navios inscritas recebem alertas de email automáticos quando as classificações se alteram. Qualquer um pode navegar pelo mais mais detalhado do website, que mostra detecções recentes e tráfego atual de barcos.

Esse sistema de três pontas diferencia Whale Safe de outros sistemas, como o Whale Alert, que começou no Stellwagen Bank National Marine Sanctuary perto de Boston, Massachusetts, e agora opera em ambas as costas dos EUA. Diferentemente do Whale Safe, Whale Alert identifica baleias através de uma matriz de diversas boias acústicas e não traça modelamento preditivo de computador sobre onde baleias podem estar presentes.

“É útil para pessoas por todo o mundo tomar suas próprias ações em relação a colisões navais, porque é assim que nós criaremos as melhores soluções”, Visalli disse.

Os desenvolvedores do Whale Safe falaram que esperam um dia expandir o sistema para incluir múltiplas boias e para implantá-las em áreas costeiras ao redor do país. Por agora, o canal congestionado de Santa Bárbara oferece um local de teste apto. Colisões de embarcações com grandes baleias têm sido um problema nesta região por mais de uma década. De acordo com Abrahms, o canal vê uma confluência de habitat excepcional de forrageamento de baleias ao longo das Ilhas do Canal com os dois portos mais ocupados da Costa Oeste dos EUA.

“É uma tempestade perfeita, com grandes quantidades de navios chegando através de um dos pontos favoritos das baleias para parar e comer e devorar comida à medida que migram costa acima”, ela disse ao Mongabay numa entrevista.

Apesar de que diversas espécies se beneficiam desses campos de alimentação, os criadores do Whale Safe escolhem focam seu modelo em baleias azuis. Estes animais são ameaçados e são as espécies mais vulneráveis a atritos com navios na região. Isso pode ser em parte porque elas não parecem reagir tão fortemente quando outras espécies para evitar embarcações que se aproximam, e porque elas tendem a se alimentar em habitats que se sobrepõem a rotas de envio.

O site do Whale Safe também caracteriza um “card de registro” que classifica a adesão de companhias de navegação em medidas de proteção a baleias. Esse programa rastreia grandes navios usando seu sistema automático de identificação (AIS), uma sistema de tráfego baseado em rádio que registra a posição de um navio e sua velocidade. Os cards avaliam se os navios estão diminuindo a velocidade para um limite de velocidade de 10 nós voluntários (18,5 km/h) que o NOAA promulgou em certas áreas. Pesquisa mostra que quando embarcações viajam a 10 nós ou menos, uma colisão é muito menos provável de matar a baleia.

Desde 2014, um sistema de incentivo encorajou navios ao longo da Costa Oeste a bombear os freios proverbiais. Mas, de acordo com Visalli, os dados mostraram que em 2019, menos da metade dos navios dessa rota optaram a obedecer.

“Esperamos apenas trazer um pouco mais de transparência ao que está acontecendo com o transporte dentro e fora desses portos”, disse Visalli.

Cientistas de fora do Whale Safe estão otimistas sobre o programa, mas cautelosamente.

Cotton Rockwood, um ecologista marinho sênior com a ONG sem fins lucrativo Point Blue Conservation Science, com base na Califórnia, trabalha com criadores de políticas, cientistas e a indústria de navegação para pesquisar e implantar soluções para colisões de navios. Ele disse ao Mongabay que Point Blue ouviu reclamações de que desde que marinheiros não necessariamente vêem baleias em suas rotas, pedidos para desacelerar podem parecer arbitrários e sem sentido. Ele reportou que navegadores se sentem especialmente frustrados quando zonas de desaceleramento mudam de ano em ano, como têm mudado no passado.

“Essa forma de fontes e linhas de evidência múltiplas que Whale Safe tem pode ser importante ao reforçar aquela conscientização de que baleias estão lá fora”, Rockwood disse.

John Calambokidis, um ecologista pesquisador sênior e co-fundador da ONG Cascadia Research Collective no estado de Washington, que tem trabalhado extensivamente em colisões de navios, escreveu em um emails que ele apoia o programa pela conscientização que ele provê. Entretanto, o biologista diz que está preocupado que a combinação de detecção acústica e desaceleração voluntária tem valor limitado.

Calambokidis disse que seu trabalho descobriu que uma detecção acústica não necessariamente transmite a quantidade de baleias na água. Isso é particularmente verdade para baleias azuis, cujos chamados mudam, dependendo do seu sexo, idade, comportamento e a estação.

“Isso significa que pode haver muitas baleias presentes e poucas chamadas sendo produzidas, ou, inversamente, apenas um baleia produzindo muitas chamadas”, ele escreveu. Ele também adicionou que o detector acústico apenas dirá às naves que há uma baleia na área do canal, mas não se ela está, na verdade, dentro ou próxima da via de navegação.

Finalmente, ele notou que as solicitações para navios desacelerarem voluntariamente não têm sido muito efetivas.

“Eu acho que tem havido um forte desejo de se encontrar uma solução tecnológica e ignorar que nós já temos algumas ferramentas disponíveis que não implementamos completamente”, Calambokidis escreveu. Essas incluem fazer o desaceleramento mandatório e mudar as vias de navegação para fora das Ilhas do Canal. Regulações similares ajudaram a reduzir, mas não a eliminar, pancadas de navios em baleias francas do Atlântico Norte (Eubalaena glacialis) criticamente ameaçadas na Costa Leste dos EUA.

A Guarda Costeira dos EUA examinou realocar a via de navegação para fora das Ilhas do Canal em 2011. O Centro de Guerra Aérea Naval dos EUA se opôs ao movimento porque isso levaria a via para perto da maior área de teste de mísseis da Marinha. Por fim, a Guarda Costeira fez uma mudança mais conservadora.

Para que o Whale Safe funcione, é preciso de adesão das companhias de navegação. Isso inclui a disposição para sacrificar um pouco de seus resultados financeiros para desacelerar para baleias.

Visalli enfatizou que Whale Safe está trabalhando diretamente com a indústria de navegação para ter certeza de que o programa é “útil, e ter certeza de que é utilizado”. Ela disse que espera que isso inicie um diálogo importante sobre um problema que, para muitos marinheiros, permanece invisível até que uma baleia morta acabe presa ao longo da proa do navio.

“Estamos esperando que isso possa ser uma conversa, e que possamos escutar da mesma maneira”, Visalli disse.


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Novo estudo mostra onde devemos cultivar mais florestas para combater as mudanças climáticas

Em um novo estudo publicado esta semana na Nature, os pesquisadores descobriram que, globalmente, as taxas de sequestro potencial de carbono florestal presumido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foram subestimadas em 32%. Quando consideradas apenas as regiões tropicais, esse número subiu para 53%.

Por outro lado, o estudo descobriu que o potencial máximo de mitigação do clima do reflorestamento – 2,43 bilhões de toneladas métricas – é 11% menor do que o relatado anteriormente. Isso ocorre porque o estudo analisou com mais nuances as áreas de reflorestamento em potencial, enquanto o IPCC aplicou estimativas de maneira mais uniforme em todo o planeta.

O estudo revela que China, Brasil e Indonésia têm o maior potencial para sequestro de carbono acima do solo em áreas de restauração em potencial, com a Rússia, os EUA, a Índia e a República Democrática do Congo logo atrás.

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O reflorestamento é uma ferramenta importante no arsenal contra o aquecimento global, mas o quanto ele pode ajudar ainda é um mistério. Mas um novo estudo publicado esta semana na Nature lança mais luz sobre quanto carbono as florestas regeneradas podem absorver e onde os esforços devem ser direcionados para serem mais eficazes, e descobre que o reflorestamento tem a capacidade de absorver mais carbono do que o estimado anteriormente – mas que em geral ele absorve menos.

O estudo foi conduzido por cientistas que representam mais de uma dúzia de organizações, incluindo The Nature Conservancy e World Resources Institute, dos EUA, que combinaram dados de mais de 250 estudos anteriores para mapear o acúmulo de carbono acima do solo em florestas ao redor do mundo – basicamente quanto e a rapidez com que as árvores cresceram. Eles então examinaram os diferentes fatores ambientais que podem ter desempenhado um papel neste crescimento, como o clima da região, composição do solo e declividade, para avaliar o crescimento da floresta / potencial de sequestro de carbono de áreas degradadas que poderiam ser reflorestadas.

“Já conhecemos os muitos benefícios de restaurar a cobertura florestal global – desde a captura de carbono e limpeza do ar e da água, até o fornecimento de habitats para a vida selvagem e oportunidades de desenvolvimento sustentável para as comunidades locais”, disse a autora principal Susan Cook-Patton da The Nature Conservancy. “O que está faltando até o momento são dados robustos e acionáveis que ajudem os tomadores de decisões ambientais a entender onde a regeneração natural faz mais sentido como uma ferramenta para combater as mudanças climáticas. Nosso estudo ajudará a mudar isso.”
No geral, seus resultados mostram que, globalmente, as taxas de sequestro de carbono florestal presumido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foram subestimadas em 32%. Quando consideradas apenas as regiões tropicais, esse número subiu para 53%. Isso significa que o reflorestamento pode ser um meio mais poderoso de combater as mudanças climáticas do que se supunha anteriormente.

No entanto, o zoom revela uma situação mais complicada. As taxas de inadimplência do IPPC são menos diferenciadas, levando menos fatores em consideração; quando o novo estudo examinou mais de perto as condições locais em mais lugares, descobriu que as taxas de IPPC na verdade superestimam o potencial de acumulação de carbono para algumas áreas. Somando tudo isso, o estudo conclui que o potencial máximo de mitigação do clima do reflorestamento – 2,43 bilhões de toneladas métricas de carbono absorvido – é 11% menor do que o relatado anteriormente. E os autores do estudo admitem que atingir esse número exigirá grandes mudanças, como mudanças na dieta global da carne, que eles dizem que permitiria que terras anteriormente usadas para pastagem e crescimento de ração para gado sejam restauradas de volta à floresta.

Ainda assim, Cook-Patton e seus colegas escrevem que esses desafios não devem dissuadir do potencial da regeneração florestal como uma forma de baixo custo e alto impacto para enfrentar as mudanças climáticas, e dizem que suas descobertas fornecem um caminho para os esforços de reflorestamento em conjunto com outras estratégias.

“Com base no conjunto de dados mais robusto de seu tipo, montado até o momento, nosso mapa destaca locais em todo o mundo onde a regeneração de floresta natural tem potencial para ser uma solução climática natural eficiente e econômica”, disse o co-autor Bronson Griscom da Conservation International. “Ao fazer isso, nossa pesquisa também fornece um lembrete oportuno do poderoso potencial de regeneração de floresta natural como parte de um portfólio mais amplo de soluções climáticas naturais, que engloba proteção, restauração e gestão aprimorada de florestas, pântanos, pastagens e terras agrícolas.”

Os resultados do estudo são visualizados no Natural Climate Solutions World Atlas. Mostra que, em nível nacional, China, Brasil e Indonésia têm o maior potencial para sequestro de carbono acima do solo em áreas de restauração em potencial. Rússia, EUA, Índia e República Democrática do Congo estão logo atrás.

“Sabemos que não existe uma solução única e única para lidar com as mudanças climáticas. Nosso objetivo com este estudo foi mostrar onde as florestas podem capturar carbono mais rapidamente por conta própria, uma estratégia de mitigação que complementa a manutenção das florestas em pé”, disse a coautora Nancy Harris do World Resources Institute.

“Se permitirmos, as florestas podem fazer parte do nosso trabalho de mitigação do clima por nós.”


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Exausto, cão é arrastado por treinador e forçado a fazer acrobacias em circo

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Imagens perturbadores registradas em um circo na China mostram um homem, identificado com treinador do local, arrastando um cachorrinho da raça poodle exausto e o obrigando a pular obstáculos para uma performance. O cãozinho é puxado pela coleira repetidas vezes e mal consegue ficar em pé. Em um dado momento, o cachorro desmaia de exaustão.

O circo não se mostrou surpreso com as denúncias e disse que esse foi só um dia normal de treinamento e que o poodle já está acostumado com a rotina intensa de treinos. Imagens foram divulgadas por um visitante, que questiona a performance. “Eu gostaria de saber qual é o significado educacional em fazer os cães pularem obstáculos? Como os pais podem explicar isso aos filhos?”, disse.

O vídeo viralizou rapidamente em diversas redes sociais chinesas. O circo se manifestou novamente e informou que após uma cuidadosa investigação não identificou maus-tratos ou abuso contra animais. O local disse ainda que convidou advogados e especialistas em comportamento animal para analisar as imagens, mas o veredito é que não houve crueldade ou treinamento impróprio.

O circo delineou ainda que pretende processor o autor das imagens por difamação. Nirali Shah, porta-voz da PETA, fez uma análise individual e afirma que “está claro que este cão desistiu completamente da vida” depois de assistir ao vídeo. “Isso é o que acontece quando os treinadores repetidamente batem nos animais para forçá-los a realizar truques estúpidos para uma risada barata, mesmo quando eles não conseguem se levantar de exaustão”, apontou a ativista.

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A Humane Society International (HSI), outra organização dedicada à proteção animal, explicou que os cães geralmente exibem uma linguagem corporal particular, como lamber os lábios ou segurar o rabo firmemente entre as pernas, quando estão estressados ou desconfortáveis. “Em situações em que um cão espera evitar punição ou dano, ele pode frequentemente exibir um comportamento submisso, como pendurar a cabeça, ficar quieto ou exibir a barriga”, disse um porta-voz do HSI.

A filmagem mostra o poodle expondo sua barriga enquanto está deitado no chão. “A barriga de um cachorro é seu ponto mais vulnerável, então, quando está ansioso, é a maneira do cachorro mostrar deferência. Cães estressados também podem tentar recusar ou evitar o que está sendo pedido a eles, ou simplesmente não ser capazes de seguir as instruções devido aos seus níveis de estresse, enquanto ao mesmo tempo exibem essas posturas de desprezo e estressadas”, acrescentou o porta-voz.

“Em linguagem canina, isso significa ‘por favor, não fique com raiva, mas eu realmente não me sinto confortável agora’”.


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