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Setembro Amarelo: morte de gatinho acende discussão sobre o suicídio animal

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Setembro amarelo: morte de gatinho acende discussão sobre o suicídio animal
Foto: Arquivo Pessoal/ Priscila Nogueira

Em 1845, uma história curiosa apareceu nas páginas do Illustrated London News, um jornal da capital britânica. Um cachorro preto, descrito como “fino, bonito e valioso” teria “se jogado na água” em uma provável tentativa de suicídio. Suas pernas e patas estavam “perfeitamente imóveis” – algo incomum para um cão em um rio.

Mais estranho ainda: após ser retirado da água, o cachorro “rapidamente correu para a água e tentou afundar mais uma vez”. O cachorro acabou morrendo, segundo noticiado no jornal britânico da época.

Mas quem pensa que esse caso da capital inglesa é incomum se engana. Para a consultora empresarial Priscila Nogueira, 58 anos, essa triste realidade foi presenciada em 2013. Na época, a ela cuidava de 11 gatos na sua residência no Rio de janeiro e após pedidos de protetores que relataram que não podiam ficar com o animal, ela decidiu adotar o pequeno gato Samir.

No começo, o pequeno gatinho não tinha muito interação com os outros gatos, ficando em um quarto separado por ser filhote. Mas, segundo relatos da tutora, foi a partir do momento que Samir começou a conviver com os outros gatos que começaram os problemas.

Setembro amarelo: morte de gatinho acende discussão sobre o suicídio animal
Foto: Arquivo Pessoal/ Priscila Nogueira

“Quando ele passou a ter mais interação com os outros gatos, ele começou a apanhar muito. Na época eu cuidava de mais de 11 gatos e três deles eram muito territorialistas e não gostavam dele de jeito nenhum”, relembrou a consultora empresarial em entrevista à ANDA.

“Ele era um gato que não saia do meu colo, porque ele tinha medo dos outros gatos. E para a minha infelicidade teve um dia que eu já estava no meu apartamento em São Paulo, trabalhando no meu escritório quando eu vi o Samir correndo para a janela e uma gata preta correndo atrás dele”, disse.

“Dali a pouco, uns cinco minutos depois toca meu interfone, o porteiro do meu condomínio perguntando se eu tinha um gato preto e branco, eu disse que sim. Ele infelizmente me disse que tinha caído um gato das janelas dos apartamentos e tinha vindo à óbito. Mas até o momento não acreditava que seria o Samir, fiquei desconfiada e decidi ir no quarto e olhar a janela, e para minha triste surpresa, quando olhei a janela, ela estava toda cortada, o Samir roeu a tela e pulou”, declarou Priscila.

Para a consultora empresarial esse momento foi um dos episódios mais difíceis da sua vida. “Para mim foi chocante, foi uma situação que nunca tinha presenciado na minha vida e olha que tenho gatos desde meus nove anos de idade”, relatou.

Priscila ainda conta que após o acontecido começou a prestar mais atenção na rotina e no convívio entre os seus gatos. “Meus gatos sempre foram muito tranquilos e sociáveis. Mas pela primeira vez eu pensei no que o veterinário falava, que eu tinha gatos demais e que os gatos são animais territorialistas”, salientou a cuidadora.

Atualmente, a consultora tutela sete gatos, os mesmos gatos que tinha na época do acidente. “Não adotei nenhum gato depois do acidente do Samir, respeitei o fato de que poderia causar muito estresse aos gatos da minha casa”, concluiu Priscila.

Gatos podem se suicidar?

Para a bióloga, mestre e doutora em psicobiologia Juliana Damasceno, 32 anos, especialista em comportamento e bem-estar dos gatos, é improvável que um gato possa se suicidar.

“Os gatos, como qualquer animal, são extremamente ligados à sua ancestralidade e ao seu comportamento selvagem. Eles têm um instinto de sobrevivência acima de tudo. Então nesse caso, do gato (Samir), ele roeu a tela na tentativa de fugir daquele ambiente hostil, onde ele estava sendo expulso”, declarou a especialista.

“Jamais um gato vai se jogar de um ambiente, o estresse desse gatinho foi tão alto que ele roeu a tela para escapar daquele espaço no qual estavam os agentes estressores prejudiciais a sua saúde física e psicológica”, afirmou a bióloga.

Para a bióloga, as pessoas têm que ficar atentas ao comportamento e ao manejo dos gatos quando existem mais de um felino em casa, prática conhecida como “multicat”.

“Quando a gente força os gatos a saírem das suas colônias e coloca esses animais para conviver em sociedade isso pode provocar conflitos, pois, eles vêm de origens diferentes, então é essencial um manejo adequado em casas que existem mais de um gato”, ressaltou Juliana.

Foto: Arquivo Pessoal/ Priscila Nogueira

Segundo a pesquisadora, existe outro problema muito comum em um relacionamento entre humanos e os gatos, que é a transferência de características humanas para os animais, conhecido como “humanização”.

“As pessoas têm que procurar profissionais capacitados para auxiliar a identificar as questões que acontecem com os gatos, em níveis comportamentais e fisiológicos, para que consigamos ter um manejo adequado desses animais e não transferir emoções e sentimentos humanos para os animais”, concluiu a especialista.


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