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Queimadas podem deixar animais terrestres e aquáticos sem alimento no Pantanal

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Foto: Gustavo Figueiroa

Os efeitos das queimadas sobre os animais do Pantanal vão além dos ferimentos e das mortes. Isso porque a devastação ambiental causada pelo fogo pode deixar as espécies terrestres e aquáticas sem alimento.

Essas graves consequências são avaliadas por pesquisadores que estão percorrendo áreas devastadas em um local conhecido popularmente como Baía Mal-Assombrada, às margens da rodovia BR-070, próximo a Cáceres, em Mato Grosso.

Os profissionais atuam através do Centro de Pesquisa em Limnologia, Biodiversidade e Etnobiologia do Pantanal (Celbe/Unemat), que pertence à Universidade do Estado de Mato Grosso.

Os animais terrestres são os primeiros a sofrer com o fogo. Diretamente afetados pelas chamas, eles fogem, se ferem e morrem. Com as mortes, o ciclo de dispersão de sementes, executado por esses animais, é comprometido, o que interfere na recomposição florestal, tão necessária em um bioma degradado.

Os peixes sentem depois as consequências das queimadas, mas de maneira igualmente grave. Conforme explicou ao G1 o cientista Claumir César Muniz, os animais aquáticos sofrem com a perda de alimentos e com a redução da qualidade da água, que fica contaminada pelas cinzas, provocando um fenômeno denominado “decoada”. Com o aumento da matéria orgânica na água, há um consumo de oxigênio para quebrar essa matéria, o que gera uma diminuição drástica de oxigênio no local.

Esse fenômeno, segundo o cientista, ocorre naturalmente no Pantanal, mas se acentua com as queimadas. “Para a ictiofauna, as consequências negativas não são sentidas imediatamente, mas sim, com o início da cheia no Pantanal. O que está queimado próximo às baías e aos rios, quando for carreado pelas primeiras chuvas para dentro dos corpos d’água, vai provocar uma diminuição abrupta de oxigênio, otimizando esse processo de decoada e comprometendo a ictiofauna”, explicou.

Assim como espécies de animais terrestres, os aquáticos também contribuem com a manutenção da floresta, papel que é prejudicado por conta das queimadas.

“Há uma relação interessante entre peixe e planta. Os peixes engolem os frutos e levam as sementes rio acima ou lateralmente. Eles promovem a recuperação florestal, favorecendo a formação de ilhas de espécies frutíferas que, futuramente, vão oferecer alimentos para os próprios peixes. A gente observa aqui uma enormidade de espécies que estão completamente destruídas pelo fogo. Com isso, esse ciclo é perdido”, explicou Claumir.


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