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Especialistas e voluntários se unem para salvar a vida selvagem das Ilhas Mauricio após derramamento de óleo

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Pixabay

Especialistas internacionais e milhares de voluntários locais estão realizando um esforço incrível para proteger as praias intocadas das Ilhas Maurício e a sua rica vida marítima selvagem após centenas de toneladas de óleo serem derramadas no oceano por um navio japonês, no que os especialistas do país consideram como o pior desastre ambiental da história.

O MV Wakashio, que encalhou a quase 3 semanas atrás, partiu-se ao meio na tarde de sábado e as autoridades locais alegam que a má condição do oceano tornou arriscada a remoção do óleo remanescente no navio.

A embarcação do Panamá viajava vazia da China para o Brasil, mas com mais de 4.000 toneladas de petróleo, lubrificantes e diesel. Estima-se que entre 800 e 1.200 toneladas tenham vazado ao mar, com o restante sendo bombeado por especialistas em salvamento.

Cientistas dizem que o impacto total do vazamento ainda é incerto, mas o óleo já chegou a áreas essenciais a vida marítima, incluindo a reserva natural de Ile Aux Aigrettes e o Parque Marinho Blue Bay, uma área de alagamento única na costa, reconhecida pela diversidade de seus corais e espécies de peixes, que é também o lar da ameaçada tartaruga verde.

Imagens via satélite também mostram a contaminação se espalhando ao longo da costa em direção ao norte.

“O derramamento deste óleo aconteceu em uma das áreas mais sensíveis de Maurício, se não a principal”, disse Vassen Kauppaymuthoo da Ilha à Reuters, um oceanografista e engenheiro ambiental que está lá pesquisando o desastre. “Nós estamos falando de décadas para recuperar este dano, e que pode nunca se recuperar.”

A vida marinha em risco inclui algas em bancos de areais em águas rasas, peixes palhaços que brincam envolta dos corais, árvores de mangue que cobrem a costa com seus sistemas de raízes emaranhadas e o pombo rosa, uma espécie altamente ameaçada de extinção que é endêmica na ilha.

Tartarugas gigantes vivem em uma reserva natural nas Ille Aux Aigrettes, onde também há uma estação de pesquisa científica, diz Adam Moolna, um cientista ambiental de Mauricio que dá aula na Universidade de Keele na Inglaterra. “Esse óleo irá causar efeitos em cascata entre as redes da vida”.

Milhares de voluntários, muitos deles cobertos de lama negra dos pés à cabeça, ignoram as instruções oficiais para se manterem afastados e constroem juntos quilômetros de barreiras improvisadas, feitas de canudos, que flutuam em uma tentativa desesperada de conter o óleo.

Nós temos que equipar completamente as pessoas da nossa linha de frente…muitas pessoas tem se jogado em águas onde o óleo se espalhou apenas de sunga e bermuda e isso é extremamente perigoso. Poucas horas de exposição a esse odor pode causar dor de cabeça, queimação no nariz e nos olhos e até vertigem”, disse Jean Hugues Gardenne, um dos fundadores da ong Fundação da Vida Selvagem de Mauricio (MWF).

Barragens feitas com folhas de cana-de-açúcar, garrafas plásticas e cabelo, que as pessoas tem cortado e doado voluntariamente, estão flutuando pelo oceano para prevenir a dissipação do derramamento de óleo, segundo a moradora da Ilha Romina Tello.

“Cabelo absorve óleo e não absorve a água”, disse Tello, que fundou a agência de ecoturismo Mauritius Conscious.

O turismo gerou cerca de 63 bilhões de rupees para a economia de Mauricio no ano passado. Essa indústria já tinha havia sido atingida pela pandemia da COVID-19.

Mauricio fechou suas fronteiras no dia 19 de março e mantêm apenas 344 casos de COVID-19, dos quais 332 já se recuperaram e 10 foram a óbito. O país continua fechado a viagens aéreas internacionais. Em maio, o Banco Central avisou que só nos últimos dois meses, a nação havia perdido 12 bilhões de rupees em taxas de câmbio devido à queda do turismo.

O desastre vem após anos de trabalho para restaurar a vida selvagem e plantas do seu litoral. “O trabalho de conservação levou cerca de 40 anos para chegar a esse ponto na Ile Aux Aigrettes, disse Gardenne.

“O impacto desse derramamento irá, definitivamente, ser sentido por ainda muito mais tempo. As comunidades locais dependem da pesca para viver e foram muito afetadas…Mangues, corais e ecossistemas marinhos foram afetados, fora o impacto no turismo, que é o pilar da nossa economia, que será enorme”.

A demora de uma resposta do governo causou raiva. Dias após o acidente, ativistas encontraram mortas várias enguias, estrelas-do-mar e aves marinhas e caranguejos cobertos de óleo, mas o Primeiro Ministro, Pravind Jugnauth, apenas declarou estado de emergência na sexta-feira.

Membros da tripulação reportaram a polícia que o capitão do navio, de 58 anos, estava celebrando uma festa de aniversário a bordo e não estava a postos no momento da colisão. A guarda costeira tentou entrar em contato inúmeras vezes com o navio antes dele encalhar no dia 25 de julho.

Conservacionistas também se preocupam com a invasão do óleo nos manguezais, onde as raízes servem como berçários para os peixes. O óleo também pode afundar como sedimento pelo manguezal, onde pode acabar sufocando moluscos, caranguejos e também as ovas dos peixes. Pássaros que fazem ninhos nos mangues ou que imigram por suas lamas também estão vulneráveis. A ingestão de óleo pode fazer com que os pássaros tenham dificuldade de combater doenças e até mesmo de voar. Corais são passíveis de dano devido as pesadas partículas de óleo que se assentam neles.

Os donos do navio disseram que estão “profundamente conscientes da [sua] responsabilidade como parte diretamente envolvida no caso”.

“Sobre compensação, nós planejamos atuar com essa questão simplesmente da forma que mandam as leis aplicáveis”, disse Kiyoaki Nagashiki, presidente da Nagashaki Shipping, líder da companhia localizada em Okayama, em um pronunciamento feito na quinta-feira.

O cargueiro estava indo ser enchido com minério de ferro no porto brasileiro de Tubarão, então não estava carregando nenhum tipo de material comercial, apenas combustível para manter os motores. Especialistas dizem que isso reforça o potencial dano que um navio similar pode causar em caso de acidente pois pode carregar até 230 mil toneladas de óleo.


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