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Maior incidência de queimadas faz crescer número de animais resgatados

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Foto: Corpo de Bombeiros

O número de animais silvestres resgatados nas cidades aumentou por conta do crescimento das queimadas, que têm o tempo seco como facilitador.

De janeiro a julho de 2019, o Corpo de Bombeiros de Varginha, em Minas Gerais, registrou 610 ocorrências de incêndios florestais. Em 2020, no mesmo período, foram 672 casos.

A comparação entre os dois períodos revela também um aumento no número de animais silvestres resgatados. Foram 279 este ano, ante 256 em 2019.

Um dos resgates, realizado na semana passada, envolveu uma fêmea de tamanduá-bandeira. Ameaçado de extinção, o animal foi examinado por um especialista e, depois, retornou ao habitat.

“Nós tivemos um aumento muito grande tanto de queimadas quanto de ocorrências que envolvem animais silvestres. Por exemplo, tivemos aproximadamente três resgates de cobras. Também tivemos resgate de um cervo, que é um animal que não vem para cidade. As queimadas [têm] aumentado muito mesmo na área urbana. Têm alguns bairros [em loteamentos e áreas com mato] em Varginha que têm mais probabilidade de pegar fogo”, disse ao G1 o subtenente do Corpo de Bombeiros, Paulo Estevam Cata Preta.

As queimadas, no entanto, não são as únicas responsáveis por forçar a migração de animais silvestres para áreas urbanizadas, conforme explicou a bióloga Jaara Tavares.

“A gente percebe que ocorre um aumento na aparição de animais silvestres em áreas urbanas. Isso ocorre devido a vários fatores. O primeiro dele sé a própria expansão da cidade, o que diminui cada vez mais o habitat natural dessas espécies. Outro fator muito comum são as queimadas e também a gente está percebendo, nesta época de pandemia, que com a diminuição do ruído nas cidades, os animais estão ficando mais curiosos e chegando mais perto da área urbana”, afirmou.

A especialista recomenda que os moradores das cidades não tentem resgatar animais silvestres por conta própria.

“O correto é a pessoa não se aproximar desse animal, muitas vezes a pessoa quer tirar uma foto e mostrar essa curiosidade. Mas não se aproximar e manter certa distância desse animal para que ele não fique estressado, para que ele possa até mesmo sair daquele local e voltar para a área dele. E, em um segundo momento, se a pessoa perceber que o animal não vai embora, que ele pode estar machucado e com alguma dificuldade para sair dali, o correto é chamar o Corpo de Bombeiros para fazer o resgate e, se possível, a soltura dele na natureza”, salientou.

Um minucioso trabalho de reabilitação é feito nos animais que, por alguma razão, não podem ser devolvidos à natureza imediatamente após o resgate.

“Muitas vezes esses animais passam muito tempo no cativeiro e mesmo que a gente consiga que eles estejam saudável para irem à natureza, muitas vezes o comportamento desses animais já foi alterado. Então, muitas vezes a soltura é uma coisa bem delicada. A gente tem que trabalhar muito bem antes de ter certeza que aquele animal vai se adaptar e que aquela área está preparada para receber aquele animal. Quando a gente fala dessa época do ano, das queimadas e da chegada desses animais no ambulatório, o que a gente tem que trabalhar é a prevenção, para que haja cada vez mais conscientização da população para que não faça essas queimadas”, explicou ao G1 a médica veterinária, Samanta Favoretto, do ambulatório de animais selvagens da Universidade Federal de Lavras (Ufla).

A veterinária informou que o ambulatório da Ufla não cobra para atender animais feridos por atropelamentos ou outras causas. Após serem atendidos pelos profissionais do local, eles são levados ao Instituto Estadual de Floresta, órgão que os encaminha para a soltura na natureza ou decide o destino daqueles que não têm condições de retornar ao habitat.


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