• Home
  • População de pinguins-de-adélia pode aumentar com derretimento do gelo

População de pinguins-de-adélia pode aumentar com derretimento do gelo

Imagem de um pinguim em meio ao gelo

0 comments

Imagem de um pinguim em meio ao gelo
Pixabay

A população de pinguins-de-adélia pode crescer nos próximos anos, de acordo com a pesquisa revelando que essas aves podem procurar alimentos mais facilmente quando o gelo estiver derretendo em volta da Antártica continental.

Apesar de a extensão do mar de gelo ter aumentado na Antártica há algumas décadas, nos últimos anos, caiu drasticamente _uma questão que tem gerado preocupações na comunidade científica.

Contudo, pinguins-de-adélia – aves que possuem travessuras sexuais que, a princípio, chocaram os exploradores – têm mais sucesso reprodutivo quando os níveis de gelo derretido são baixos.

Agora os cientistas dizem ter descoberto o motivo: os pinguins podem procurar comida de uma forma mais eficiente. O resultado é uma maior taxa de crescimento para os seus filhotes e mais filhotes por ninhada.

Yuuki Watanabe, autor principal dos estudos do Instituto Nacional de Pesquisa Polar em Tóquio, disse que o estudo mostrou que nem todos os animais sofrem com a crise climática que, nos modelos, pode reduzir o mar de gelo da Antártica.

“Nosso estudo mostra que também podem acontecer completamente o oposto nos resultados e isso ressalta a complexidade dos efeitos da mudança climática no reino animal”, diz.

O estudo publicado no jornal de “Science Advances”(Avanços da Ciência) revela como Watanabe e seus parceiros marcaram eletronicamente 175 pinguins-de-adélia em Lützow-Holm Bay, baía no leste da Antártica Continental, e seguiram os pinguins por quatro gerações de reprodução, desde 2010.

Enquanto três gerações marcaram presença no mar de gelo na busca por comida, entre Dezembro de 2016 e próximo a Fevereiro de 2017, uma grande parte de gelo se partiu, deixando uma parte rachada com água por baixo.

Usando GPS e dados de um acelerômetro em um bando de pinguins, a equipe descobriu que, quando a área foi coberta com o gelo, os pinguins cruzaram a extensão congelada, procurando por um vão para encontrar comida – enfrentando competição com outros animais.

Quando a área está livre de gelo, contudo, os pinguins entram na água pela porta de seus ninhos. Com as aves se movendo quatro vezes mais rápido quando nadam do que quando caminham, o resultado foi “uma viagem de forrageamento” que levou de 3.2 a 7.9 horas a menos do que a média, mas cobriu a distância de até 4,8km. Eles usaram menos energia e, provavelmente, a competição foi menor, enquanto os mergulhos foram mais curtos.

“Em temporadas em que não há gelo, os pinguins viajam rápido nadando e mergulham onde querem. Eles voltam para o ninho rapidamente, isso significa que os filhotes que estavam esperando por comida eram alimentados mais vezes”, diz Watanabe, observando a melhoria de forragem e das condições de sucesso na reprodução.

Além disso, as condições quando não há gelo levou ao florescimento de fitoplâncton, aumentando a densidade de pequenos crustáceos onde os pinguins presam.

O total de números de ninhos e filhotes fica menor durante a temporada que não há gelo, demonstrando que o inverno também importa, visto que não são todos os pinguins de Adélia que se beneficiam com a perda de mar gelado. Os pinguins-de-adélia vivem na península Antártica e nas ilhas da Antártica, onde o gelo já está escasso, e são conhecidos por se saírem piores nessas condições, algo que Watanabe diz ser por conta de de fatores que incluem a perda de “locais de descanso” e menos proteção contra predadores.

Watanabe alerta que o estudo não significa que o impacto da crise climática na Antártica seja uma preocupação a menos.

“As respostas ao alerta sobre o clima vão variar dependendo da espécie e região”, ele diz que, por exemplo, aves marinhas predadoras, chamadas de “skua”, acharam difícil encontrar filhotes de pinguim grandes e saudáveis.

Tom Hart, especialista em pinguins da Universidade de Oxford, diz que a escala de marcações foi impressionante, mas enfatiza que o estudo focou somente em um local onde o mar de gelo não possui escassez frequente.

Ele disse que a pesquisa ajudou a explicar a razão pela qual os pinguins de Adélia pareciam estar aumentando a sua população nas áreas com mais mar de gelo, enquanto desapareciam de onde o gelo já estava baixo.

“Isso encaixa a ideia de que a área intermediária do mar de gelo é o ponto certo para esses pinguins, onde há muita comida e fácil acesso.”


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

About the Author

Follow me


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}
>