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Empregada doméstica de 8 anos teve sua vida ceifada por libertar papagaios

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alvaroas8a0/pixabay/imagem ilustrativa

Dois papagaios conquistaram a liberdade graças ao coração nobre de uma garota. Com apenas 8 anos, ela demonstrou ter muito o que a ensinar aos adultos, não só aos que consideram correto aprisionar aves em gaiolas, mas principalmente aos que não só mantiveram papagaios engaiolados, como tiraram a vida da menina para puni-la, de maneira extremamente cruel, por ter praticado um gesto altruísta e digno de aplausos: soltar as duas aves na natureza.

A paquistanesa Zohra Shah teve sua vida tirada de maneira brutal. Foi espancada e viveu extremo sofrimento por ter olhado para os papagaios com a compaixão que havia sido negada, até então, às aves. A Revista Pazes, munidas de informações retiradas dos sites GreenMe, Nacional e Justgiving, publicou um artigo em homenagem à garota.

A história, que ensina sobre a importância de respeitar toda forma de vida, humana e não humana, mantém vivo o exemplo de Zohra e mostra à sociedade que o lugar de animal silvestre é na natureza, livre, desfrutando de seu habitat. A ANDA, como defensora dos direitos animais, registra aqui seu agradecimento à pequena Zohra e o desejo de que ela descanse em paz.

Confira o artigo da Revista Pazes abaixo:

A história de Zohra Shah viralizou na rede e tem causado comoção e severas reflexões sobre o mundo que estamos a construir no presente.

A menina tinha somente 8 anos de idade, mas sequer a sua inocência foi suficiente para salvá-la da morte. Zohra Shah foi morta no Paquistão por ter cometido o crime de amar, neste mundo de desamor e maldades: ela libertou dois papagaios da gaiola.

Os crimes contra Zohra não se iniciam no momento do homicídio. Ela fora mandada para a casa de uma família abastada para trabalhar: lembrando que ela tinha apenas 8 anos.

Essa entrega da filha advém da pobreza generalizada existente no Paquistão. Em razão dessa miserabilidade reinante, não raro as famílias entregam seus filhos para outras famílias para servirem de ajudantes domésticos, não obstante a sua pouca idade.

Esse também foi o destino de Zohra, que trabalhava como empregada doméstica em um rico distrito de Rawalpindi, a quarta maior cidade do Paquistão.

A história de Zohra, contudo, demonstra uma crueldade inédita. Ela encontrou não só a exploração do seu trabalho, mas também a morte, e por um motivo justo, honroso e elevado: ela queria ver os pássaros livres a voar pelos ares. Talvez tenha se angustiado ao vê-los aprisionados em uma gaiola.

Quatro meses antes do crime, Zohra começou a trabalhar para a família de Hasan Siddiqui e sua esposa Umm Kulsoom. Mas, no início de junho, o homem confessou à polícia que sua esposa havia espancado Zohra porque a menina havia libertado seus papagaios.

A garota veio de Muzaffargarh, um distrito no sul de Punjab, localizado a cerca de 580 quilômetros da capital Islamabad. A família a enviou para viver e trabalhar para o casal e “receber uma boa educação”, mas, infelizmente, ela encontrou a morte.

O casal foi preso e confessou o crime.

“Siddiqui chutou a garota, havia hematomas por todo o corpo e ela estava sangrando”, disse o policial Mukhtar Ahmed, que está investigando o caso.

Depois de cometer a violência, os dois levaram a menina ao Hospital Memorial Begum Akhtar Rukhsana, onde a equipe confirmou sinais de violência, mas a menina não resistiu e faleceu em virtude dos graves ferimentos.

O assassinato brutal provocou indignação geral no Twitter. Todo mundo está pedindo justiça para a pobre Zohra. O ministro paquistanês de direitos humanos, Shireen Mazari, escreveu no Twitter que seu ministério estava em contato com a polícia, ele estava acompanhando o caso e propondo reformas internas nas leis trabalhistas.

A Organização Internacional do Trabalho estima que existam pelo menos 8,5 milhões de trabalhadores domésticos no Paquistão, muitos dos quais são mulheres ou crianças. A situação de dezenas de milhares de crianças que trabalham no país é alarmante. Eles são contratados pelos pais anualmente ou mensalmente e a violência contra eles é comum. Em janeiro do ano passado, Uzma, 16, foi assassinado na cidade oriental de Lahore por empregadores por comerem seus alimentos.

No ano passado, a Assembléia do Punjab aprovou a Lei dos Trabalhadores Domésticos do Punjab para regular o trabalho doméstico e registrar os funcionários, mas infelizmente isso não é suficiente para evitar assassinatos brutais como o de Zohra.

“Ainda um grande número de funcionários em Punjab não está registrado, faz trabalho não remunerado e crianças são torturadas até a morte”, disse Arooma Shahzad, secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos.

Que a terra seja leve para você.


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