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Lhamas são exploradas em estudos sobre tratamento para Covid-19

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Pixabay/Greg70/Imagem Ilustrativa

Lhamas estão sendo exploradas em um estudos que buscam um tratamento para o coronavírus. Pesquisadores da Bélgica, dos Estados Unidos e da Alemanha imunizaram uma lhama com uma mistura de proteína spike do coronavírus (a ponta da coroa que permite que o vírus entre na célula do hospedeiro) para que o animal produzisse nanocorpos, que foram extraídos e testados contra o coronavírus em laboratório, tendo neutralizado o vírus.

A ideia de explorar as lhamas se deu porque, ao contrário dos humanos, esses animais desenvolvem o nanocorpo, que é um anticorpo menor, do tamanho de um nanômetro. Por ser pequeno, ele pode ser mais facilmente manipulado, purificado e reproduzido em laboratório para formular medicamentos.

O estudo, que vergonhosamente repete o cruel padrão da ciência de reduzir animais a objetos de laboratório, será reproduzido no Brasil. O projeto será executado por cientistas da Unesp de Botucatu para desenvolver os anticorpos e produzi-los caso eles realmente sejam capazes de combater a Covid-19.

O projeto brasileiro tem parceria com o Instituto Vital Brazil e a Fundação Ezequiel Dias, além do Instituto Biológico de São Paulo e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

O método usado é semelhante ao da vacina, que faz o corpo humano produzir anticorpos quando aplicada. No caso das lhamas, elas são submetidas a uma espécie de “vacina” para que produzam os nanocorpos.

No Brasil, duas ou três lhamas devem ser exploradas pela ciência. Uma parte de vírus isolados de pacientes brasileiros será usada, como foi feito na Bélgica. Dois meses depois, aproximadamente, os nanocorpos serão colhidos e purificados. Uma parte deles é extraída para ser submetida a uma síntese orgânica.

Conforme explicado em reportagem publicada no portal Terra, a lhama irá produzir vários anticorpos que serão testados para que seja identificado qual deles neutralizam mais o vírus. Quando essa seleção for finalizada, o anticorpo escolhido será clonado.

Para que os pesquisadores brasileiros iniciem o projeto falta a liberação de recursos por parte do Ministério da Saúde e do Ministério da Ciência e Tecnologia. A expectativa, no entanto, é de que eles comecem a fazer o experimento em 15 de junho.

Pesquisadores envolvidos no projeto admitem que, embora a pesquisa feita na Bélgica tenha mostrado que o anticorpo produzido pelas lhamas tenha sido eficaz na neutralização da doença nos testes in vitro, pode não haver uma porcentagem grande de neutralização quando colocado no corpo de ser humano infectado pelo coronavírus.

A dúvida acerca da eficácia expõe ainda mais a exploração animal, já que a ciência insiste em submeter animais a experimentos que, além de serem cruéis por tratarem os animais como objetos a serviço dos humanos, podem ser completamente ineficazes, o que indicaria que os animais estariam sendo expostos a essa situação desnecessariamente.

Pesquisa com animais é uma falácia

O médico norte-americano Ray Greek milita contra a pesquisa científica envolvendo animais. E a bandeira dele não é a defesa dos animais, mas sim a ciência. Segundo o especialista, “a pesquisa científica com animais é uma falácia”.

“A falácia nesse caso é de que devemos testar essas drogas primeiro em animais antes de testá-las em humanos. Testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos. Assim, você pode testar uma droga em um macaco, por exemplo, e talvez ele não sofra nenhum efeito colateral. Depois disso, o remédio é dado a seres humanos que podem morrer por causa dessa droga. Em alguns casos, macacos tomam um remédio que resultam em efeitos colaterais horríveis, mas são inofensivos em seres humanos. O meu argumento é que não interessa o que determinado remédio faz em camundongos, cães ou macacos, ele pode causar reações completamente diferentes em humanos. Então, os teste em animais não possuem valor preditivo. E se eles não têm valor preditivo, cientificamente falando, não faz sentido realizá-los”, explicou, em entrevista à Veja.

A argumentação do médico acerca da diferença do organismo de humanos e animais vale para a situação da lhama. E é justamente por valer que os próprios pesquisadores admitem que a eficácia in vitro pode não ser a mesma no organismo as pessoas. Remédios, cosméticos, tratamentos, qualquer que seja a finalidade, experimentos feitos em animais não são ideais para medir a resposta que o corpo humano dará.

Exploração animal

Animais existem por propósitos próprios, não para atender aos anseios humanos. Experimentos científicos muitas vezes causam incômodo, dor física e sofrimento psicológico aos animais, que não raramente acabam mortos.

E mesmo no caso de um experimento que não os mate ou submeta a maus-tratos, é antiético usá-los como se fossem coisas.

Animais não têm condições de consentir e, por isso, forçá-los a qualquer situação antinatural significa submetê-los a abuso. Nenhum ser vivo deve ser envolvido em qualquer atividade sem que ele mesmo decida fazê-la.


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