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Animais silvestres continuam sendo consumidos na Indonésia

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Ilustração | Pixabay

A pandemia de coronavírus cresce sem cessar em muitos país e mesmo com o alerta de diversos líderes mundiais e cientistas sobre os riscos do comércio de animais silvestres, China, Vietnã e Indonésia continuam a matar, vender e consumir animais silvestres, especialmente morcegos.

Em Wuhan, cidade chinesa considerada o ponto zero do coronavírus, os mercados úmidos voltaram a funcionar logo após o afrouxamento da quarentena. Diversas imagens denunciam que na Indonésia também há intensa comercialização de morcegos, ratos e outros animais em grandes feiras.

Um comerciante indonésio afirma que no país a pandemia de Covid-19 não afetou a venda de animais silvestres e que sempre há turistas interessados em experimentar carnes e comidas exóticas. No local também é possível encontrar cães e gatos à venda para consumo.

Segundo informações do Clarín, o comerciante disse ainda que cada morcego custa em torno de US$ 4 (cerca de R$22) e em dias comuns, ele vende até 60 animais, mas em temporadas de férias, esse número pode chegar a 600. Não há informação sobre a origem destes animais.

Especialistas acreditam que o novo coronavírus se originou em Wuhan, na China, e sugerem que o surgimento do vírus tem ligação estreita com o consumo de morcegos, que são tradicionalmente comidos em sopas em diversos restaurantes da cidade e do país.

Após serem comprados, os morcegos já mortos têm suas glândulas removidas e são grelhados os queimados para a remoção dos pelos. Depois desse processo, são fatiados e misturados a um caldo com legumes e ervas para serem consumidos. O prato é oferecido a turistas como uma iguaria.

Veja as imagens AQUI.

Pandemia

O cientista e pesquisador do Conservation International, Lee Hannah, defende que há quatro maneiras de sobreviver à pandemia atual: uso de máscaras e respiradores, aprimoramento da infraestrutura de testes, fim do mercado de animais silvestres, principalmente os destinados ao consumo humano, como o de Wuhan, na China, e o quarto e mais importante, cuidar da natureza.

Um artigo publicado pela revista Time no último dia 08 reforça que a destruição de ecossistemas é a responsável pela transmissão da Covid-19 de animais silvestres para seres humanos. Segundo Hannah a população mundial precisa ser reeducada. “Precisamos dizer às pessoas agora que há uma série de coisas que precisamos fazer quando sairmos dessa bagunça para garantir que isso nunca aconteça novamente”, aponta.

O papel da preservação da biodiversidade na prevenção de doenças vem ganhando atenção. Em 2015, a Organização das Nações Unidas alertou que é necessário uma abordagem mais ecológico no estudo de doenças, em vez de uma abordagem simplista que isola apenas o micro-organismo. Isso possibilita que uma compreensão mais rica do desenvolvimento e origem das doenças.

A publicação afirma que é “um jogo de números”, pois nem todas as espécies de uma comunidade são suscetíveis a uma determinada doença, assim como bem todos são transmissores eficientes. Em ecossistemas bem separados das habitações humanas, os vírus fluem sem causar danos, mas a medida que há um impacto humano nesses locais e com os deslocamento de pessoas pelo mundo, esse equilíbrio acaba.

O risco de disseminação de vírus da vida selvagem para os seres humanos está intrinsecamente ligado ao aumento de contato entre as pessoas. A afirmação é o resultado de uma pesquisa realidade pela Dra. Christine Kreuder Johnson, pesquisadora e professora da UC Davis. Segundo o estudo, quase metade das novas doenças que saltaram de animais para humanos após 1940 pode ser atribuída a mudanças no uso da terra, agricultura ou caça à vida selvagem.

Entre os exemplos citados estão SARS, Ebola, Nilo Ocidental, Lyme e MERS. A pesquisidora acredita que há mais de 10 mil vírus transmitidos de animais para seres humanos. A única maneira de de impedir que novas pandemias explodam é estabelecer relações mais gentis e amigáveis com o meio ambiente e com nossos companheiros de existência: os animais.


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