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292 milhões de bois, vacas e bezerros são mortos para consumo por ano

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Total de animais mortos ao longo de um ano demanda uma área equivalente a países inteiros no processo de criação | Pixabay

De acordo com informações da organização Animal Ethics e do Save Movement, cerca de 292 milhões de bois, vacas e bezerros são mortos no mundo todo para consumo por ano. Somente no Brasil, mais de 30 milhões são mortos anualmente, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e esse total de animais mortos ao longo de um ano demanda uma área equivalente a países inteiros no processo de criação.

E o gado ainda é considerado o maior emissor de gases do efeito estufa, e a pecuária apontada como responsável por um dos impactos ambientais mais nocivos ao planeta. E para piorar, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) projeta que se não mudarmos nossos hábitos haverá aumento de até 76% no consumo global de carne até 2050. Não haverá área suficiente para criar tantos bovinos sem promover mais degradação ambiental e impor mais privação e sofrimento aos animais.

A demanda comercial pelo consumo de carne tem outras consequências, segundo a FAO. A agropecuária usa mais água fresca do que qualquer outra atividade humana. Enquanto a criação de animais ocupa o equivalente a 80% das terras agrícolas, o gado contribui com 18% do consumo de calorias no mundo. Desproporcional, não?

Considere também a contribuição da grande produção de soja destinada à nutrição animal, que tem favorecido tanto o desmatamento que ameaça à fauna e flora como também promove deslocamento de pequenos agricultores e povos indígenas.

A BBC também denunciou recentemente em seu documentário “Carne: Uma Ameaça ao Nosso planeta?”, que 20% da floresta amazônica foi destruída e que a pecuária é a principal causa desse desmatamento. “Agora estamos perdendo dois campos de futebol por minuto e devastando a vida selvagem da região”, informa.

Em relação à surpreendente e cruel matança de animais para consumo, o que pensar sobre o fato de que o Brasil pode ter até 50% de matadouros clandestinos ou irregulares? Conforme já apontado pelo economista, pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Felippe Cury Marinho Mathias. Realidade esta que indica que não existe consumo seguro de carne ou que a produção de carne no Brasil é resultado de práticas que se enquadram no suposto “abate humanitário”.

Este ano só o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) do Ceará denunciou que o estado já somava 96 matadouros fechados – e como consequência de práticas como abate de animais sem pistola pneumática (a marretadas), curral sem pavimentação, ausência de médico veterinário e contato da carne com o chão, além de ausência de local adequado para escoamento de resíduos.

Como o estado soma 184 municípios, isso significa que a quantidade de matadouros interditados e desativados equivale a mais do que a metade do total de cidades do Ceará. Quem não se recorda também das denúncias da ONG Repórter Brasil destacando que os animais são maltratados na grande indústria da carne com chutes, socos e pauladas?

E estamos falando de propriedades fornecedoras da JBS, que se define como a maior indústria de proteína do mundo. Mas se essa é a realidade que envolve os grandes produtores de carne, que operam de forma regularizada, o que acontece em matadouros clandestinos, conhecidos por métodos mais violentos de abate?

A existência de muitos matadouros clandestinos também continua sendo um grande facilitador de proliferação de doenças e abusos ainda mais terríveis contra os animais. Prova disso é que todos os meses matadouros ilegais, e alguns até mesmo legais, onde animais são abatidos a pauladas ou marretadas, são identificados no país.

Não podemos ignorar também que a FAO continua frisando que cerca de 70% das novas doenças que infectam seres humanos estão associadas à cadeia agropecuária, seja por meio do sistema de produção ou consumo, o que tem favorecido a redistribuição de patógenos, vetores e hospedeiros.

Isso ainda sem falar especificamente da Resistência Antimicrobiana (AMR), que é um dos maiores desafios da atualidade, que diz respeito às bactérias resistentes aos antibióticos que se desenvolvem em tempo recorde e podem antecipar um futuro em que muitos medicamentos já não terão efeitos na resolução de doenças que afligem animais e seres humanos – o que pode ser catastrófico nas próximas décadas.


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