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Óleo atinge 14 unidades de conservação marinhas

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A chegada do óleo as reservas aumenta o impacto negativo deste crime ambiental


O óleo que tem sido registrado no Nordeste desde setembro já atingiu 14 unidades de conservação marinhas entre o Maranhão e o Sergipe, segundo levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente.

Marcos Rodrigues/Agência Sergipe Notícias

A chegada do óleo as reservas aumenta o impacto negativo deste crime ambiental. Animais estão sendo resgatados cobertos de óleo e pelo menos 20 deles já morreram. Os dados, no entanto, não subestimados, já que os peixes e outros animais que morrem em alto mar não são contabilizados.

As manchas de óleo já atingiram a Praia do Forte, na Bahia, colocando em risco a principal área de desova de tartarugas do país, e estão se aproximando de Abrolhos, arquipélago que detém o banco de corais de maior diversidade do Atlântico Sul.

“O impacto é presente em todos os ecossistemas. Desde o ambiente de superfície, onde está a mancha, mas aos poucos o óleo vai se depositando e chega aos bancos de gramas marinhos, que é alimento para o peixe-boi, por exemplo. Cobre corais. Nas marés altas, entra nos manguezais. É uma região toda conectada”, explica ao Estadão o biólogo especializado em oceanografia Clemente Coelho Jr, da Universidade de Pernambuco.

“Visualmente, vemos mais o impacto nas tartarugas, que sobem para respirar e acabam ficando oleadas. O problema é o que não estamos vendo”, complementa o pesquisador. “Uma vez incrustado em corais, bancos areníticos e rochosos, é praticamente impossível limpar”, afirma Coelho Jr.

Na Reserva Extrativista de Cururupu, no Maranhão, manchas de óleo já foram registradas. O óleo tem manguezais protegidos que formam um corredor ecológico de relevância mundial.

“Se o óleo chegar aos manguezais ficará praticamente inviável a retirada do produto, uma vez que o acesso é complexo”, explica Leonardo Soares, especialista em gerenciamento costeiro da Universidade Federal do Maranhão.

A reserva abriga tartarugas, golfinhos, peixes, ostras, crustáceos e peixes-boi – que são, inclusive, protegidos por um programa local e estão ameaçados de extinção.

A demora para conter a expansão do óleo foi questionada por Coelho Jr., da Universidade de Pernambuco (UPE).

“Existe o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas que não foi posto em prática. Ele prevê a criação de um gabinete de crise, o monitoramento, a identificação do óleo, a elaboração de modelos computacionais, com dados de circulação oceânica, das correntes, de informações meteorológicas, que mostram para onde vai a mancha. Era possível criar uma previsibilidade, mas nada disso foi feito”, diz.

Confira abaixo a lista de unidades de conservação afetadas pelo óleo:

Área de Proteção Ambiental (APA) Delta do Parnaíba (PI)

Reserva Extrativista (Resex) Delta do Parnaíba (PI)

Resex Cururupu (MA)

Parque Nacional (Parna) Lençóis Maranhenses (MA)

Resex Prainha do Canto Verde (CE)

Área de Proteção Ambiental (APA) Barra do Rio Mamanguape (PB)

Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) Manguezais da Foz do Rio Mamanguape (PB)

APA Costa dos Corais (PE)

Parna Jericoacoara (CE)

Resex Acaú-goiana (PB)

Resex Batoque (CE)

Resex Marinha Lagoa do Jequiá (AL)

APA Piaçabuçu (AL) – São Francisco

Reserva Biológica (Rebio) Santa Isabel (SE)


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