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Estudo revela que esquilos “escutam” a comunicação de pássaros para se proteger

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Pesquisas mostram que a técnica de prestar atenção às informações trocadas entre outras espécies é mais difundida e ampla do que se pensava entre os animais


Por Nicola Davis*

Pesquisas mostram que a técnica de prestar atenção às informações trocadas entre outras espécies é mais difundida e ampla do que se pensava entre os animais

Uma recente pesquisa descobriu que os esquilos escutam as conversas dos pássaros canoros para descobrir se a aparência de um predador é motivo de alarme.

O estudo aponta que animais, incluindo esquilos, sintonizam “gritos” de alarme de outras criaturas, enquanto alguns observam sinais específicos de outra espécie com a qual eles coexistem para avaliar o perigo.

Mas os pesquisadores sugerem também prestar atenção na conversa cotidiana entre outras espécies, como uma maneira de avaliar se há problemas em andamento.

“Este estudo sugere que a ‘espionagem’ de informações públicas sobre segurança entre as espécies é mais difundida e mais ampla do que se pensava originalmente”, disse o professor Keith Tarvin, co-autor do estudo do Oberlin College, Ohio.

Escrevendo na revista Plos One, Tarvin e os colegas relataram como fizeram sua descoberta observando 67 esquilos cinzentos enquanto pesquisavam áreas diferentes nos parques e regiões residenciais de Oberlin.

Após 30 segundos de observação de um esquilo, os pesquisadores reproduziram uma gravação da vocalização de um falcão de cauda vermelha, que durou alguns segundos – e seu comportamento nos próximos 30 segundos foi monitorado.

Os resultados revelaram que, nos 30 segundos após ouvir o barulho do falcão, os esquilos aumentaram a porcentagem de seu tempo “vigilante” – mostrando comportamentos como congelamento, fuga ou em pé – em comparação com antes da vocalização, enquanto também procuravam com mais frequência vigiar o ambiente, segundo o The Gaurdian.

Os pesquisadores reproduziram então uma gravação de três minutos de várias espécies diferentes de pássaros cantando e tagarelando para os esquilos ouvirem.

A equipe observou que esses pássaros canoros costumavam desconfiar de falcões de cauda vermelha e eram conhecidos por enviar alarmes uns aos outros em resposta a esses falcões, bem como a predadores que os atacavam, além de esquilos. No entanto, eles conversam quando havia pouco sinal de ameaça.

Foram analisados os resultados de 28 esquilos que ouviram a tagarelice dos pássaros e 26 esquilos que ouviram barulho ambiente – os primeiros tinham escapado antes que os dados pudessem ser coletados.

Levando em conta as respostas dos animais ao barulho do falcão e se eles estavam em uma árvore ou no chão, a equipe descobriu que os esquilos que foram ouviram os pássaros “conversando” erguiam a cabeça com menos frequência durante a gravação do que aqueles que ouviam o ruído ambiente e o número dessas “olhadas pra cima” diminuíram mais rapidamente ao longo do tempo.

Os esquilos mostraram níveis semelhantes de comportamento vigilante durante os dois tipos de gravação, mas aqueles expostos à conversa de pássaros pareciam reduzir esse comportamento mais rapidamente do que aqueles expostos ao ruído ambiente.

“O reconhecimento da ‘conversa dos pássaros’ como um sinal de segurança provavelmente é adaptável, pois os esquilos que podem reduzir com segurança seu nível de vigilância na presença da ‘conversa de pássaros’ também podem, presumivelmente, aumentar o sucesso da busca por alimentação”, escreveram os autores.

Dr. Jakob Bro-Jorgensen, ecologista da Universidade de Liverpool que não participou do estudo, disse que a pesquisa mostra que os animais podem avaliar o risco de predação não apenas de ‘chamadas de alarme’, mas também de sinais sem alarme, mesmo de espécies que eles não costumo sair com.

“O estudo chama atenção para a forma como os animais podem coletar informações de seu ambiente, usando pistas que, à primeira vista, podem parecer irrelevantes”, disse ele. “E isso faz você se perguntar como o impacto cada vez mais difundido das atividades humanas nas paisagens sonoras naturais pode comprometer a sobrevivência da vida selvagem de maneiras que sequer imaginamos”.

*Traduzido por Eliane Arakaki

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