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Vídeo de 25 minutos expõe crueldade contra animais em matadouro na Austrália

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Enquanto o governo australiano endurece legislação contra defensores dos direitos animais, ativistas têm encontrado outros meios de revelar o que acontece nos bastidores da produção de carne


Por David Arioch


As imagens também revelam porcos sendo baleado até oito vezes e bovinos tendo seus rabos torcidos (Imagens: Aussie Farms)

Enquanto o governo australiano endurece a legislação contra defensores dos direitos animais que invadem propriedades privadas na tentativa de denunciar as condições em que vivem os animais criados para consumo, ativistas têm encontrado outros meios de revelar o que acontece nos bastidores da produção de carne.

Prova disso é um vídeo divulgado no último dia 29 pela organização Aussie Farms, que tem duração total de 25 minutos e mostra porcos e cabras sendo empurrados para a morte em câmaras de gás de dióxido de carbono. Bezerros sendo agredidos e abatidos.

As imagens também revelam porcos sendo baleado até oito vezes e bovinos tendo seus rabos torcidos – como forma de forçarem os animais a entrarem nas caixas de abate.

Sobre o vídeo, nem o governo australiano nem o matadouro onde as imagens foram registradas podem fazer nada contra os denunciantes, já que tudo foi filmado por um estudante universitário autorizado a circular pelo local.

“Esta é uma das filmagens australianas mais condenatórias que eu já vi, e é completamente legal ”, disse o diretor executivo da Aussie Farms e diretor do controverso documentário pró-vegano “Dominion”, Chris Delforce, em entrevista ao jornal britânico Daily Mail.

“Existem leis mínimas para proteção dos animais em instalações como essas, que é o completo oposto do que muitos consumidores são levados a acreditar”, criticou Delforce, lembrando que a Austrália possui a Lei de Prevenção à Crueldade Contra Animais, que não ampara animais em fazendas e matadouros.

Além disso, enquanto o governo australiano da Nova Gales do Sul estabelece uma pena máxima de 27 mil dólares para casos em que entende ou reconhece que há crueldade contra animais, por outro lado, introduz multas de até 220 mil dólares para ativistas dos direitos animais que invadirem fazendas para expor crueldade contra animais – além de pena de até três anos de prisão.

“É quase incompreensível que o ato de pular uma cerca para filmar o abuso de animais seja considerado pior do que cometê-lo. No entanto, essas novas imagens não foram obtidas por invasão de propriedade e não violaram nenhum protocolo de biossegurança – portanto, não seriam cobertas por essas novas leis”, observou Chris Delforce.

Ele disse ainda que os ativistas australianos vão continuar fazendo o seu trabalho enquanto a indústria, com apoio político, continuar se escondendo atrás de cortinas de fumaça. “Os ativistas continuarão a encontrar maneiras de mostrar ao público a realidade do que eles dizem que é ‘humano’ ou ‘ético’.”

Ativistas veganos podem ser presos por divulgarem informações sobre fazendas

Em maio, o procurador-geral da Austrália, Christian Porter, anunciou que ativistas dos direitos animais que divulgarem dados de fazendas podem ser condenados a um ano de prisão, sob a alegação de que as informações podem ser utilizadas para promover perseguições e ameaças contra agropecuaristas e seus familiares.

A medida já havia sido considerada pelo primeiro-ministro durante os protestos realizados na Austrália em abril, quando Scott Morrison declarou que a Aussie Farms disponibilizou em seu site um banco de dados com mais de 14 mil fotos, vídeos e documentos de investigações realizadas na Austrália, além de um mapa interativo que mostra a localização de mais de cinco mil fazendas industriais e matadouros em todo o país.

O objetivo, segundo a Aussie Farms, é mostrar que o sofrimento dos animais criados nesse sistema não se resume a exceções, fatos pontuais. A iniciativa é resultado de um trabalho de oito anos do cineasta e ativista Chris Delforce.

Divulgação de informações é defendida como ação de transparência

Ao disponibilizar os arquivos envolvendo as fazendas industriais e os matadouros, a organização argumenta que a intenção é forçar quem é do ramo a atuar com transparência, já que a realidade da cadeia de produção de alimentos de origem animal normalmente está distante dos consumidores.

“Acreditamos na liberdade de informação como uma ferramenta poderosa na luta contra o abuso e a exploração de animais. Defendemos que os consumidores têm o direito de saber da existência, localização e operações desses negócios”, justificou Delforce.

No entanto, a leitura feita pelo governo australiano foi outra, e classificou a divulgação de dados de fazendas como uma ameaça à integridade e ao sustento de agropecuaristas e de muitos trabalhadores.

Morrison afirmou em abril, segundo o 9News, que os fazendeiros “estão sendo alvejados da forma mais mercenária por uma organização que só pensa em si mesma e não nos danos reais causados à subsistência de australianos trabalhadores”.

O vídeo foi divulgado parcialmente pelo Daily Mail:


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