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Pesquisa diz que alimentar mães golfinhos pode prejudicar os filhotes

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Os golfinhos em Bunbury, na Austrália, estão ameaçados pelo tráfego intenso de barcos e a expansão do porto da região. Estima-se que a população, que hoje conta com 200 indivíduos da espécie, diminuirá em 50% nos próximos 20 anos. Uma pesquisa recente feita por Valeria Senigaglia, aluna de doutorado na Universidade Murdoch, afirma que a alimentação dos golfinhos fornecida pelos turistas também está colocando a espécie em risco.

Um casal alimentando um golfinho na praia
Foto: Alan Chandler/Alamy Stock Photo

“Entre todas as muitas variáveis que podem afetar a sobrevivência de um filhote, ter a mãe alimentada na praia para o turismo é o mais prejudicial”, declarou Valeria, em entrevista a Hakai Magazine.

Alimentar mamíferos marinhos é ilegal na Austrália, mas o governo abre uma exceção para quatro lugares de ecoturismo – incluindo Bunbury.

Com base em dados coletados entre 2007 e 2016, Valeria analisou as taxas de sobrevivência dos filhotes nascidos de 63 fêmeas diferentes – oito delas alimentadas por turistas em Bunbury.

A pesquisa descobriu que apenas um terço dos filhotes cujas mães foram alimentadas pelos turistas sobreviveram até a idade de desmame – por volta dos três anos -, enquanto os filhotes cujas mães não foram alimentadas tiveram uma taxa de sobrevivência de 75%.

Valeria suspeita que o motivo disso é que as mães passam tempo se alimentando nas praias enquanto os filhotes perdem o tempo que seria dedicado ao seu treinamento e proteção. Os golfinhos costumam aprender com suas mães a sobreviver e brincam com outros da espécie, formando laços afetivos que serão necessários para sua vida no futuro. Sem esses relacionamentos, os filhotes se tornam mais vulneráveis.

Alimentar os golfinhos pode ter um impacto ainda maior: a dependência. “Eu vi golfinhos passarem literalmente o dia todo indo de um barco até o outro. É um problema”, afirmou Valeria. Essa mudança e diminuição nos hábitos de caça dos golfinhos afetam grande parte da vida marinha.

Randall Wells, biólogo de conservação da Sociedade Zoológica de Chicago, acredita que a nova pesquisa é um indicativo de que as autoridades precisam agir. Infelizmente o biólogo reconhece que o interesse econômico – levando em consideração que Bunbury recebe 60 mil turistas por ano, entusiasmados com os golfinhos – complicará a decisão de proibir a alimentação aos animais marinhos.

Interferir na vida selvagem pode afetar não só um animal, mas também aqueles que o rodeiam. Ao mudar os hábitos naturais de uma espécie, uma pessoa é capaz de afetar uma larga cadeia alimentar – impactando diretamente a natureza.


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