• Home
  • Psicóloga revela detalhes da personalidade de um torturador de animais

Psicóloga revela detalhes da personalidade de um torturador de animais

0 comments

Fernanda Fonseca é psicóloga com mais de 10 anos de experiência | Foto: Divulgação

Na última terça-feira (13), a ANDA estreou uma série de reportagens que busca desvendar a mente de assassinos em série de animais tomando como ponto de partida o recente caso de mortes em massa de cães e gatos no bairro Grajaú, na Zona Sul de São Paulo. A primeira matéria contou com uma entrevista exclusiva do psiquiatra forense Guido Palomba, que fez uma análise relevante sobre as origens, comportamentos e motivações de atitudes psicopáticas.

Dando sequência à série, nesta terça (20) contaremos com a colaboração da psicóloga e psicoterapeuta Fernanda Fonseca. Especializada em Psicomotricidade Relacional, a profissional possui uma experiência de mais de 10 anos na área, além de ser vegana e ativista em defesa dos direitos animais. Abaixo, ela revela alguns detalhes que diferenciam indivíduos com transtornos mentais, psicopatas e pessoas cruéis.

Segundo Fernanda, o caso do Grajaú (relembre aqui) tem algumas características marcantes que não podem ser ignoradas. “Crueldade animal também pode estar relacionada ao transtorno de personalidade antissocial ou à psicopatia. E o fato de isso acontecer em semanas alternadas, e de serem vítimas de tortura, pode também indicar algo ritualístico. É necessária uma maior investigação”, afirma.

Ela explica que é importante se atentar ao fato de que a psicopatia não é necessariamente intrínseca à crimes contra animais. “Psicopatas sabem distinguir o certo do errado, porém, buscam prazer e poder de forma insaciável, são irresponsáveis, ainda que isso possa trazer danos psicológicos, emocionais e físicos para eles mesmos e para as outras pessoas. São egocêntricos, frios, mentem sem estresse, manipulam, são incapazes de sentirem culpa e se arrependerem, de sentirem empatia, têm muita dificuldade de compreender o outro, de se colocar no lugar do outro, tratam as pessoas como objetos. Mas, é importante ressaltar que, diferente do estereótipo, muitos psicopatas não chegam a cometer crimes”, informa.

A psicóloga diz ainda que apesar de não ser regra, existem exemplos que demonstram uma relação entre psicopatas assassinos e crueldade contra animais. “Muitos psicopatas seriais killers, começaram a treinar suas maldades com animais, pelo fato de eles serem mais vulneráveis e a violência contra animais ser ainda mais banalizada e recorrente”, afirma.

Ela afirma ainda que o limiar entre a psicopatia e crueldade fica ainda mais tênue em culturas especistas. “A nossa sociedade ainda é uma sociedade que maltrata os animais, que não estabelece o devido rigor penal, ou então as leis não são devidamente cumpridas, porque ainda existe uma desconsideração da sociedade pelo animal, já que muitas pessoas ainda não têm plena consciência de que eles também são seres sencientes, e que por isso, merecem e querem atenção e cuidado. Então não somente pessoas psicopatas, mas pessoas comuns também podem ser fortemente induzidas a agirem friamente com os animais”, pondera.

Fernanda acredita que psicopatas podem agir sozinhos ou através de um forte poder de persuasão convencer outras pessoas a agir em favor deles e que seus objetivos ao atacar um animal podem ser variados. “Depende do grau de psicopatia, depende de cada caso. Mas pode ser um prazer de sentir poder sobre a fraqueza do outro. Pode ser também que não tenham coragem de fazer algo com as pessoas, e assim fica mais fácil de realizar com os animais. Mas também pode ser uma dificuldade em conter seus impulsos psicopáticos, dentre outros possíveis motivos”, disse.

Para a especialista existem diferenças fundamentais entre uma pessoa considerada cruel e um psicopata. “Todos nós podemos agir com crueldade. Mas a diferença é que quando uma pessoa cruel toma consciência, ela se arrepende, enquanto o psicopata não se arrepende e não consegue mudar esta sua dinâmica de funcionamento, porque é incapaz de refletir sobre seus comportamentos cruéis. Para compreender melhor isso, sugiro consultar a escala que estabelece 22 níveis de maldade (foto abaixo)”, esclarece.

Ela sinaliza ainda que outra possibilidade a ser explorada em casos de crimes contra animais é a existência de doenças mentais. “Se uma pessoa psicótica estiver em crise, ela pode por exemplo, ter delírios e alucinações que lhe dão comandos para agir de maneira violenta. Porém, quando ela recupera a consciência, ela não compreende, ou se compreende, sente muita culpa, arrependimento e desespero. Alguns chegam ao ponto de se matarem logo em seguida, de tão insuportável que é constatarem o que fizeram. Mas é raro pessoas psicóticas serem agressivas a esse ponto. Psicopatas é que são mais perigosos e têm maior probabilidade de torturarem animais e pessoas”, explica.

Segundo a psicóloga, a psicopatia pode estar relacionada à fatores biológicos, sociais e ambientais. “A maioria dos serial killers possuem histórico de grandes traumas na infância, sofreram bullying e testemunharam ou foram vítimas de outras formas de abusos, rejeição e negligência por parte de seus responsáveis, ou da sociedade como um todo, principalmente durante seu desenvolvimento moral. Além das influências da sociedade, que propaga tanta violência, que chega ao ponto de normatizar algo assim. Então, sim, pode ser de causa multifatorial. Porém, devemos ter uma compreensão maior, mas sem jamais justificarmos isso”, assevera.

A psicoterapeuta afirma ainda que casos como o da Zona Sul de São Paulo precisam ser investigados não apenas do ponto vista criminal, mas também clínico. “Um psicopata pode passar desapercebido, já que eles têm o hábito de fingir sentimento de culpa e outros. A maioria deles são muito meticulosos e detalhistas. Há muitos assassinos em série que jamais foram descobertos. O ideal é um profissional especialista da área avaliar estas questões, porque para a maioria das pessoas, muitos detalhes podem passar desapercebidos, além do julgamento de que algo pode ser um detalhe, quando na verdade não é. Então, é necessário o olhar de um profissional”, conclui.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

About the Author

Follow me


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}
>