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Bolsonaro ironiza a defesa do meio ambiente e o veganismo

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Foto: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse neste sábado (27) que a preocupação com o impacto ambiental gerado pela transformação da Estação Ecológica de Tamoios, na baía de Angra dos Reis, em “Cancún Brasileira”, é um incômodo apenas para “veganos que comem só vegetais”. O local é um refúgio para inúmeras espécies e é considerado um importante laboratório natural que já foi utilizado para mais de 130 pesquisas.

A declaração infeliz foi feita durante um evento do exército na zona Oeste do Rio de Janeiro. Quando questionado se a preservação do local estava sendo considerada, Bolsonaro afirmou que a questão ambiental interessa “só aos veganos que comem só vegetais. Se quiséssemos fazer uma maldade, cometer um crime, nós iríamos à noite ou em um fim de semana qualquer na baía de Angra e cometeríamos um crime ambiental, que não tem como fiscalizar”, afirmou.

Em 2012, Bolsonaro foi multado em R$10 mil pelo Ibama após ter sido flagrado pescando na Estação Ecológica de Tamoios. Além de ironizar os veganos e a todos que lutam pela defesa do meio ambiente, o presidente apelou ainda para o desrespeito às comunidades indígenas que vivem no local. “O índio é um ser humano igual a nós, não é para ficar isolado em uma reserva como se fosse um zoológico”, disse ainda.

Bolsonaro não escondeu que está disposto a entregar a baía de Angra a interesses estrangeiros em troca de dinheiro. “O que fatura a baía de Angra? Fatura com dinheiro que vem de cuscuz, cocoroca e água de coco. E o estado do Rio com dificuldades. Vamos fazer da baía de Angra um Cancún. Tem gente de fora do Brasil que a custo zero transforma a baía de Angra talvez na primeira maravilha do Brasil”, concluiu.

Ataque ao INPE

Recentemente, ao abordar os recentes dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento no Brasil, Bolsonaro afirmou que tem “a convicção que os dados são mentirosos”. A declaração do presidente configura mais um dos desmontes ambientais promovidos pelo governo. Ao negar estatísticas levantadas por um instituto conceituado e respeitado, Bolsonaro reforça em parte da população a ideia de que não há desmatamento e, com isso, abre espaço para que áreas continuem sendo desmatadas sem qualquer ação de combate.

Em junho, segundo dados do Inpe, o desmatamento na Amazônia Legal brasileira chegou a 920,4 km² – o que representa 57% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. O presidente disse ainda, em entrevista à imprensa estrangeira na última sexta-feira (19), que parece que quem está à frente do Inpe “está a serviço de alguma ONG”, mais uma vez tentando deslegitimar uma questão que atinge seu governo usando a desculpa infundada da ideologia, sem qualquer prova que a fundamente.

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Magnus Osório Galvão, rebateu as declarações de Bolsonaro. Segundo ele, as críticas feitas são inaceitáveis e parecem mais “conversa de botequim”. Para Galvão, a atitude do presidente foi “pusilânime e covarde”.

Nota da Redação: é inaceitável que a principal figura de autoridade do país demonstre publicamente tamanha ignorância, preconceito e desrespeito à cultura e estilo de vida da população. O veganismo é uma filosofia de vida que preza acima de tudo pela respeito à vida e abole toda e qualquer prática ou atividade que provoque sofrimento ou mal a outro ser vivo. Ao contrário do que disse o presidente, a defesa do meio ambiente é um dever de toda a população e seu debate ocupa lugar destaque no que tange a sobrevivência de milhares de espécies de animais e plantas, a manutenção dos ecossistemas e o equilíbrio frágil entre a natureza e os seres humanos.

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