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Porquinho é mantido dentro de um aquário para não crescer

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Os compradores do porquinho seguiram as instruções e o mantiveram faminto e aprisionado | Foto: Anna Hoffman
Os compradores do porquinho seguiram as instruções e o mantiveram faminto e aprisionado | Foto: Anna Hoffman

Criadores de animais para venda nada mais são do que gigolôs que se apropriam de vidas que não lhes pertencem e tratam os animais como matéria prima e produto comercializável, precificando-os e abusando deles com reproduções forçadas.

Beacon é um exemplo de como essa indústria cruel pode ser desumana e doente. E até onde ela pode chegar.

O porquinho nasceu em uma fazenda onde se criavam porcos para venda e foi comprado por uma família sob o rótulo de “mini porco”. O criador disse à família que, para manter Beacon sempre pequeno, eles deveriam apenas alimentá-lo com pouquíssima quantidade de comida, e precisavam mantê-lo em um espaço pequeno, a fim de impedir seu crescimento. Em um consentimento alienado, a família aceitou esse terrível conselho – e manteve o porquinho em um aquário.

Depois de algum tempo, apesar do porquinho estar em reclusão total e numa situação extremamente insalubre, a família de Beacon chegou à conclusão que ele dava muito trabalho e decidiu se livrar dele. Um anúncio foi colocado no Craigslist (mural virtual de classificados) onde o porquinho era oferecido a quem se interessasse. Alguém encontrou o anúncio e o postou em um grupo sobre porcos no Facebook, e foi dessa forma que a nova família de Beacon descobriu sobre sua existência e ficou determinada a ajudá-lo.

Assim que Anna Hoffman viu o anúncio e as fotos da situação em que se encontrava o pobre animal, ela soube que tinha que fazer alguma coisa. Anna já tinha um porco vivendo em sua casa e não estava planejando ter outro, mas Beacon estava em uma situação tão terrível que era impossível ignorá-lo. Ela sabia que não seria possível parar de pensar nele até que ele estivesse seguro. No dia seguinte, ela e o marido foram resgatar Beacon.

Magro, fragilizado e extremamente assustado, Beacon mal conseguia se sustentar em pé | Foto: Anna Hoffman
Magro, fragilizado e extremamente assustado, Beacon mal conseguia se sustentar em pé | Foto: Anna Hoffman

“Quando peguei ele nos braços, fiquei completamente chocada”, disse Hoffman. “As fotos que eu vi eram horríveis, mas pessoalmente era ainda pior. Seus cascos tinham cerca de 3 centímetros de comprimento e ele nem conseguia andar direito. Beacon estava tão magro que tudo o que se conseguia ver eram os ossos. O pobrezinho estava aterrorizado, com medo de tudo. Eu tentei oferecer-lhe um pedacinho de biscoito para ver se ele se aproximava de mim, mas ele não veio”.

Beacon tinha sido tão maltratado e abusado que ficou traumatizado, com medo de tudo e todos, foi uma luta para Hoffman e seu marido conseguirem colocá-lo dentro da caixa de transporte para que pudessem levá-lo para casa com eles. Eles finalmente conseguiram, e partiram com o porquinho para sua nova casa. No dia seguinte Anna imediatamente correu com Beacon até o veterinário para iniciar sua jornada de recuperação.

Ao chegar ao consultório veterinário junto com sua nova mãe, Beacon causou espanto nos presentes ao notarem quão pequeno e frágil o porquinho estava. O veterinário realizou raios-X, exames de sangue e um exame de corpo inteiro minucioso, ficando aliviado ao descobrir que, além de estar gravemente abaixo do peso, Beacon não parecia ter problemas de saúde originados da intensa negligência a que foi submetido. Mas ele pesava apenas 11 quilos, e como havia sido privado de comida por muito tempo, Hoffman teve que introduzir a quantidade correta de alimentação e água de forma lenta e metódica, para não chocar seu organismo e deixá-lo ainda mais doente.

Como é natural para quem sofreu muito, Beacon tinha problemas de confiança e uma ansiedade descontrolada. Ele se sentia em perigo o tempo todo. Quando chegou em sua nova casa ele estava com tanto medo de sua família que tremia involuntariamente. Sua mãe levou bastante tempo para provar a ele que aquele era um lugar seguro e que todos ali só queriam amá-lo.

“Quando eu o vi pela primeira vez ele estava absurdamente apavorado com tudo e todos”, contou Anna. “Eu passei horas e mais horas sentada perto de sua casinha, falando com ele e tentando fazer carinho nele. Eu coloquei sua casinha perto de mim e deixei a porta aberta assim ele poderia sair conforme a sua vontade”.

Traumatizado e fragilizado o porquinho não saia da gaiola que o trouxe nem coma porta aberta | Foto : Anna Hoffman
Traumatizado e fragilizado o porquinho não saia da gaiola que o trouxe nem coma porta aberta | Foto : Anna Hoffman

Anna conta que levou muito tempo e dedicação, mas eventualmente, Beacon começou a sair de sua concha e aprender a confiar novamente, e hoje em dia, ele é um porco completamente diferente.

Agora, e sob efeito do amor, Beacon não se parece em nada com aquele porco magro e assustado que ele era quando foi resgatado pela primeira vez, sua personalidade é completamente diferente também. Ele ainda é um pouco agitado às vezes e nem sempre aceita ser acariciado, mas ele ama todos em sua nova família e passa seus dias correndo do lado de fora, rolando na grama e brincando com sua melhor amiga, sua irmã porquinha Charlotte.

Hoje em dia mais gordinho e muito feliz Beacon desfruta de liberdade total ao lado de sua família | Foto: Anna Hoffman
Hoje em dia mais gordinho e muito feliz Beacon desfruta de liberdade total ao lado de sua família | Foto: Anna Hoffman

“Ele adora comer grama”, diz Hoffman. “Provavelmente mais que tudo! Eu acho que é porque é pura novidade para ele. Eu não acredito que ele tenha visto grama nos primeiros dois anos de sua vida. Quando me sento do lado de fora com eles dois, ele finalmente vem e se deita em meus pés. Eu noto que sua cauda está constantemente balançando para frente e para trás, em sinal de alegria e isso aquece meu coração”, conta aliviada a tutora.

Banhos de piscina e passeios ao ar livre com a tutora e a irmã Charlotte são os favoritos de Beacon | Foto: Anna Hoffman
Banhos de piscina e passeios ao ar livre com a tutora e a irmã Charlotte são os favoritos de Beacon | Foto: Anna Hoffman

Beacon ganhou muito peso desde que chegou em sua nova casa e está finalmente saudável e feliz. Sua família não mediu esforços para garantir que ele tenha a melhor vida possível, incluindo alertar as pessoas sobre “mini porcos” e como eles não existem.

“Nossa missão é alertar as pessoas e despertar a consciência geral de que NÃO existem “mini-porcos”, diz Hoffman. “Isso é apenas uma mentira que os criadores inventaram para poder vender mais animais. Eu costumo dizer às pessoas que, em termos de crescimento, os porcos são como os humanos. Nós não sabemos até que tamanho e forma vamos crescer e os porcos são a mesma coisa”.

Essa história teve um final feliz para Beacon, mas muitos porcos não tem o mesmo destino. Segundo o documentário Glass Walls, produzido pela PETA e narrado por Paul McCartney, os porcos são mais inteligentes do que cachorros, e chegam a se sair melhor que os macacos em alguns desafios, como nos jogos de videogames interativos por exemplo. Segundo os especialistas no documentário as habilidades cognitivas dos porcos são superiores às de uma criança de três anos.

Nas engrenagens ocultas na indústria de carne, esses animais são aprisionados em celas minúsculas, superlotadas e imundas, muitas vezes convivendo com as próprias fezes e urina. “Muitos deles enlouquecem com o estresse, abusos e completa falta de estímulos mentais. Porcas reprodutoras são tratadas como máquinas, forçadas a gerar filhos atrás de filhos. Dão à luz em celas áridas, sem espaço para que cuidem dos filhotes. Leitões doentes ou muito pequenos são rotineiramente mortos”, narra McCartney no documentário.

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