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Irã vai importar bois vivos do Brasil, diz Ministério da Agricultura

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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou na última segunda-feira (22) que o Irã vai passar a importar bois vivos do Brasil. A Organização Veterinária do Irã comunicou ao Departamento de Saúde Animal (DSA) do ministério que foi aprovado o Certificado Zoossanitário Internacional (CZI), que permite o embarque dos animais.

Bois afundados nos próprios excrementos no navio NADA (Foto: Magda Regina)

A estimativa é de que o país do Oriente Médio importe 100 mil bois vivos do Brasil anualmente. Desde 2014, o DSA faz negociações com os iranianos no que se refere às importações.

De acordo com o Departamento de Saúde Animal, os próximos países que poderão importar bois vivos do Brasil são a Tailândia e a Indonésia.

Crueldade animal

O aumento das exportações de animais vivos no Brasil, com a abertura do Irã, colabora para que mais bois sofram as terríveis consequências de um transporte insalubre e indigno.

Bois mantidos em condição insalubre no navio NADA (Foto: Magda Regina)

Desde quando saem das fazendas, a bordo de caminhões que trafegam por horas até a chegada aos portos, os animais são submetidos a sofrimento. Colocados em um local pequeno, os bois ficam amontoados, sem condições de livre locomoção e sem espaço para deitar e descansar. Assim, viajam por horas, privados de água e alimentação e suportando as condições climáticas. Ao chegar no porto, a situação se agrava. Picanas elétricas são usadas para dar choque nos animais, forçando-os a percorrer o caminho que os leva ao navio, onde permanecerão por semanas, em meio a grande quantidade de fezes e urina, novamente em um ambiente superlotado.

Imagens feitas por ativistas e pela médica veterinária Magda Regina comprovam os extremos maus-tratos aos quais os animais são submetidos. As fotos feitas pela veterinária constam em laudo técnico emitido por ela após inspeção no navio NADA, que em fevereiro deste ano esteve atracado no porto de Santos, no litoral de São Paulo, com mais de 27 mil bois nas dependências. De acordo com Magda, “a prática de transporte marítimo de animais por longas distancias está intrínseca e inerentemente relacionada à causação de crueldade, sofrimento, dor, indignidade e corrupção do bem-estar animal sob diversas formas”.

Boi com corpo coberto por fezes e urina dentro do navio NADA (Foto: Magda Regina)

A exportação de animais é caracterizada por uma viagem longa e exaustiva, na qual os bois são confinados em ambiente extremamente insalubre, onde são forçados a permanecer por semanas, sem espaço para que descansem, até a chegada ao país de destino. Durante o percurso, muitos animais se ferem. Isso porque ao tentarem, exaustos, deitar no chão ou se locomover em um espaço restrito, pulando outros animais, pisoteamentos acontecem, levando causando ferimentos. Outros tantos, que não suportam as condições terríveis da viagem, morrem. Os que sobrevivem são destinados à morte na chegada ao país de destino – quando são levados para países muçulmanos, como é o caso do Irã, esses animais são mortos ainda conscientes, de forma cruel, seguindo preceitos religiosos.

Graxaria do navio NADA (Foto: Magda Regina)

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