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Cai em mais de 70% a caça de pássaros canoros no Chipre

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Redes usadas para capturar pássaros migratórios em rota da Africa para Europa que passam pela região de Cape Pyla | Foto: RSPB/PA
Redes usadas para capturar pássaros migratórios em rota da Africa para Europa que passam pela região de Cape Pyla | Foto: RSPB/PA

Quando o ministro das forças armadas da Grã-Bretanha, Mark Lancaster, assumiu o cargo, ficou surpreso com a quantidade de cartas direcionadas a ele sobre uma questão que os militares normalmente não abordariam. A maioria delas falava do assassinato de aves migratórias no Chipre. Centenas de milhares de piscos-de-peito-ruivo, toutinegras, tordos e outras espécies queridas dos britânicos estavam sendo abatidas por caçadores nas terras do Ministério da Defesa.

Lancaster, que serviu no Chipre durante uma comissão do exército em 1987, resolveu corrigir o erro. Ele cumpriu a promessa no último final de semana.

Sob um sol escaldante, no extremo leste da área da base britânica de Dhekelia, Lancaster testemunhou armas sendo usadas na batalha para conter uma prática culpada pela morte de mais de 800.000 aves na instalação militar em 2016.

“Hoje estamos aqui para marcar uma história de sucesso”, disse ele ao jornal The Guardian. “Eu estava recebendo um grande número de cartas expressando preocupação e é muito bom poder informar que houve uma redução tão grande”.

Houve uma queda de 72% na matança ilegal de aves na área durante o ano passado, que Lancaster – que continua servindo nas reservas do exército como coronel – disse que “demonstra a utilidade mais ampla da defesa acima e além da ação militar”.

A caça na região se expandiu para o crime organizado em escala industrial, e o mercado negro da indústria culinária paga atualmente milhões de libras. As aves canoras são mortas para serem utilizadas na confecção de um prato regional de mau gosto chamado ambelopoulia. Esses pássaros são submetidos a mortes agonizantes em bastões revestidos de cola ou em redes de neblina fina que os caçadores implantam.

Ambelopoulia, prato de mau gosto é o responsável pela indústria criminosa de caça aos pássaros | Foto: BirdLife Europe
Ambelopoulia, prato de mau gosto é o responsável pela indústria criminosa de caça aos pássaros | Foto: BirdLife Europe

“Tive a informação de que 12 aves são vendidas por 60 euros (cerca de 267 reais)”, disse Lancaster, de pé sob uma tenda armada em matagal na linha de fogo em Cape Pyla, onde a parafernália confiscada dos caçadores foi apreendida por ele. “É muito encorajador que tenhamos tido sucesso, mas não vamos ser complacentes. Nós continuaremos.”

Nenhum outro lugar em Chipre é tão procurado pelos caçadores como a área de base britânica. A histórica falta de desenvolvimento não só transformou o território numa área de grande beleza natural, mas também de conservação especial, lar de habitats e espécies únicas.

Um homem tenta libertar um pássaro preso por cola a um galho | Foto: Petros Karadjias/AP
Um homem tenta libertar um pássaro preso por cola a um galho | Foto: Petros Karadjias/AP

Aves migratórias em rota da África para a Europa dirigem-se instintivamente para o Cape Pyla enquanto voam se guiando pelas luzes brilhantes de Larnaka e do resort de Ayia Napa.

De agosto a outubro, as autoridades da base têm seu trabalho voltado para elas. E essa guerra envolve cada vez mais a tecnologia. No ano passado, drones de imagens térmicas, óculos de visão noturna e câmeras escondidas foram implantados pela polícia na base, que também é equipada com armas de choque.

Em seus capacetes e coletes à prova de balas, os oficiais que trabalham com o pessoal das forças armadas realizam a “Operação Liberdade” com a precisão de uma campanha militar.

O equivalente a 45 campos de futebol de acácias de crescimento rápido plantadas de propósito pelos caçadores, que são usadas para esconder redes e capturar pássaros, foram destruídas. Pouco menos de 70 km de tubulações ilegais de água, usadas para irrigar as árvores não nativas, foram removidas no ano passado.

As multas também foram aumentadas, e a legislação que reforça o processo será aprovada em agosto, quando a próxima temporada migratória começar. Mas, enquanto muitos equipamentos usados por caçadores também foram apreendidos, incluindo dispositivos de chamada eletrônica usados para atrair as aves, eles continuam determinados.

“Essas pessoas não têm medo de usar armas de fogo. Nossos oficiais de campo enfrentam um risco enorme” disse o chefe de polícia da base militar, Chris Eyre.

As emboscadas são comuns, com oficiais relatando confrontos que ficam ainda piores, quando encontram caçadores. Vários foram feridos.

“Nós levamos tiros de espingarda em nossos pés, soltam rottwailers em cima de nós, veículos tentam nos atropelar, tudo porque adotamos uma abordagem mais robusta”, disse o sargento Andy Adamou, que foi homenageado durante a visita de Lancaster pela coragem que ele demonstrou durante um confronto especialmente tenso. “Eles nos veem como uma ameaça à sua subsistência.

Em teoria, o governo do Chipre proíbe o comércio das aves. Mas as aves consideradas uma “iguaria” culinária são encontradas prontamente, mesmo que por trás do balcão e geralmente camufladas por folhas de alface, nas aldeias da ilha.

“Ultrapassar a meta que já alcançamos será difícil”, disse Michalis Zacharia, o policial encarregado da equipe de combate ao crime contra os pássaros. “Nós vamos ter que ficar cara a cara com elementos criminosos e você nunca sabe como eles vão reagir. Nossa única forma de proteção são as armas de choque, mas estamos determinados e vamos vencê-los”.

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