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Encantadores de cobras usam técnicas violentas para não serem picados

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A Índia tem um relacionamento complicado com cobras. Milhares de pessoas morrem de picadas de cobra todos os anos e, como resultado, esses animais são temidos e até mesmo desprezados em alguns locais. Paradoxalmente, também são reverenciados e celebrados em toda a cultura e religião da região no país.

Uma visão muito diferente prevalece em relação às cobras no Ocidente, é claro. E para muitos ocidentais, sua primeira introdução à Índia foi uma caricatura ou imagem de filme de um encantador de serpentes com uma flauta, uma cesta e uma cobra oscilante.

Manter, manipular e torturar cobras dessa maneira é ilegal na Índia desde 1972. Mesmo assim essa prática continua a ocorrer. Foto: Wildlife SOS

Com o tempo, as pessoas foram descobrindo que as cobras são, em um sentido prático, surdas. Dessa forma, elas não respondem a nenhuma música, mas sim aos movimentos do encantador, que elas vêem como uma ameaça em potencial.

O que grande parte do público ainda não sabe, são os maus-tratos envolvidos na adaptação de um animal selvagem para o “entretenimento”.

As cobras vivem suas vidas prematuramente curtas em cestas minúsculas e escuras, e em todos os casos morrem de forma lenta e dolorosa.

Não há absolutamente nada de “encantador” nessa prática.

O processo começa por roubar os animais da natureza. E embora os encantadores sempre tenham várias cobras, geralmente espécies diferentes, as najas são as favoritas por causa de seus pescoços espetaculares e ameaçadores, bem como a ameaça potencial de morte por causa de sua picada venenosa.

No entanto, não há ameaça alguma. Para fazer parte da apresentação, as cobras são torturadas e mutiladas, de forma que não podem nem ao menos se defender, quanto mais representar uma ameaça.

As presas da cobra são arrancadas ou esmagadas, e suas glândulas de veneno são arrancadas ou estouradas.

Esses métodos não desabilitam apenas os únicos meios de defesa da cobra, mas também eliminam sua capacidade de alimentarem-se ou digerir, essencialmente condenando o animal a uma morte prolongada e excruciante.

Após impressionarem multidões por algumas moedas, esses animais são deixados para morrer, enquanto o encantador passa para sua próxima vítima.

Cobras não-venenosas também não são poupadas. Suas bocas muitas vezes são costuradas, tornando inevitável a lenta debilitação.

As cobras têm suas presas retiradas e suas glândulas de veneno estouradas, levando-os a perder sua defesa e tornarem-se incapazes de se alimentar
Foto: Wildlife SOS

Manter, manipular e torturar animais dessa maneira não é apenas desumano, também é ilegal na Índia. O Ato de Proteção à Vida Selvagem do país, de 1972, busca cobras, da mesma forma que tigres, elefantes e ursos. No papel, o assassinato de uma naja é uma ofensa indiscutível.

Porém a realidade é que as cobras encontradas em áreas urbanas são quase sempre mortas, e as acusações raramente são registradas.

Uma das soluções para essa situação, é o resgate de répteis 24 horas para grandes cidades como Delhi e Agra. Qualquer pessoa que encontre cobra indesejada em sua casa, local de trabalho, ou motocicleta pode entrar em contato com a Wildlife SOS para remover o animal gratuitamente.

Embora este serviço seja projetado para manter as cobras e as pessoas seguras a curto prazo, ele também ajuda a manter as populações selvagens saudáveis. Se os veterinários da ONG considerarem uma cobra suficientemente saudável, elas são liberadas de volta ao deserto, longe da poluição e do perigo das grandes cidades.

Além disso, a iniciativa é boa para a população humana. Nos últimos seis anos, cerca de um terço das 2.000 cobras que a Wildlife SOS resgatou em Delhi eram venenosas. A grande maioria dessas espécies era de najas, uma porcentagem menor era de bungarus e uma porcentagem ainda menor era de víboras.

Remover ou resgatar cobras potencialmente mortais não é uma tarefa fácil, e é igualmente difícil encontrar pessoas com o conhecimento e experiência para fazê-lo.

A organização responsável pelo resgate tem contratado manipuladores de serpentes de uma variedade de origens: ambientes universitários, programas de treinamento e até os próprios encantadores de serpentes.

Por mais repreensível que seja seu comércio, muitos deles buscam a redenção se tiverem outra maneira obter dinheiro. As pessoas que recorrem a esse tipo de subsistência tendem a vir de comunidades que sofrem com altos índices de analfabetismo e pobreza.

Empregar esses comerciantes como resgatadores de cobras, significa menos encantadores abusando de animais inocentes nas ruas.

Mais iniciativas como a da Wildlife SOS devem ser tomadas com o objetivo de acabar com essa prática que apenas explora e mata seres tão complexos e majestosos como as cobras.

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