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Pesquisadores retomam buscas por baleia que encalhou em São Joaquim (BA)

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Uma equipe do Instituto Baleia Jubarte procura, na Baía de Todos os Santos, pela baleia jubarte que encalhou nessa sexta-feira (22) no terminal de São Joaquim, em Salvador. Ela conseguiu se soltar do píer por conta própria minutos antes da chegada dos pesquisadores. Depois disso, desapareceu. As buscas, que foram encerradas por volta das 18h dessa sexta, continuam.

Baleia era pré-adolescente e estava ferida (Foto: Washington Silva DCS/PM)

“A baleia ficou embaixo dos píeres por algum tempo, estava bastante debilitada aparentemente e saiu por conta própria”, explica o diretor de comunicação do Instituto Baleia Jubarte, Enrico Marcovaldi.

Integrante da equipe de buscas, ele afirma que é raro encontrar uma jubarte na Baía de Todos os Santos. “As baleias encalham porque estão debilitadas, na sua grande maioria por causas naturais. Se ela encalhou ali, estava com algum problema”, acrescenta.

A bióloga marinha Luciana Leite afirma que a ingestão de plástico pode causar a morte desses animais e que as pessoas têm dificuldade de conectar esses eventos com o lixo que é jogado na praia ou no mar.

“As pessoas tendem a se sensibilizar quando veem um mamífero marinho encalhado ou morrendo na praia. Mas é fundamental que a empatia por estes animais seja transferida para as pequenas ações no nosso dia-a-dia. Um encalhe é sempre uma tragédia, mas é também uma oportunidade para repensarmos nosso papel na conservação dos oceanos”.

A expectativa em relação à vida da pré-adolescente que encalhou no ferry de São Joaquim, com comprimento de 6 a 7 metros, não é otimista. A possibilidade de sobrevivência das baleias após encalhe é baixa.

“Elas dificilmente sobrevivem. O resgate é muito difícil porque são toneladas que precisam ser deslocadas e não temos material necessário para auxiliar. Muitas vezes dependemos de barcos de pescadores que voluntariamente ajudam no resgate, rebocando o animal. Mesmo nos casos em que o resgate é impossível, há uma preocupação em manter o bem-estar animal e diminuir o nível de estresse até que ele venha a óbito naturalmente”, explica Luciana Leite.

As jubartes permanecem nas águas do hemisfério sul de junho/julho até novembro/dezembro, quando retornam para o hemisfério norte. Em 2018, oito encalhes já foram registrados no Brasil, segundo o Instituto Baleia Jubarte – em 2017 foram registrados 128.

“São muitas as variáveis envolvidas no encalhe de mamíferos marinhos. A espécie, o local e o tipo de encalhe determinam quais medidas podem ser tomadas. Alguns protocolos são necessários para garantir o bem-estar animal e a segurança da população, que tende a se aglomerar curiosa, ao redor dos animais”, afirma Luciana Leite.

De acordo com a pesquisadora, pequenos cetáceos, como golfinhos e baleias dentadas, são mais facilmente resgatados e podem ser retornados ao mar com o auxílio de flutuadores. Para o resgate de grandes cetáceos, como as baleias jubarte, as opções são limitadas.

“A taxa de sucesso no resgate de grandes cetáceos é pequena, mas em alguns casos as jubartes podem ser rebocadas e retornadas ao mar com auxílios de embarcações. O ideal seria o treinamento de voluntários que pudessem responder a encalhes em diferentes pontos da costa, como é feito nos Estados Unidos, na Irlanda, e em outros países ao redor do mundo”.

Migração
A temporada de migração das jubartes ao litoral brasileiro começou. Elas viajam até 8.000 quilômetros para o hemisfério sul a fim de se reproduzir. O período gestacional é de 11 a 12 meses. Os animais retornam após este período para ter os filhotes e amamentar.

“A princípio as baleias não se alimentam na área de reprodução, que é a nossa região. Elas se alimentam na Antártica (pólo sul), que é a área de alimentação delas, e quando vêm passam de 4 a 6 meses sem se alimentar”, explica Enrico Marcovaldi, do Instituto Jubarte.

Fêmeas com filhotes são os últimos a migrar para áreas de alimentação, porque os filhotes precisam aumentar sua camada de gordura, alimentando-se do leite que contém cerca de 40% de gordura, e desenvolver sua musculatura para a extensa migração. Mais de 14 mil baleias jubarte são esperadas no litoral brasileiro.

Meio ambiente
De acordo com Faith Wilson, pesquisadora do Irish Whale and Dolphin Group (Grupo irlandês de Baleias e Golfinhos), tão importante quanto o socorro aos animais que estão exauridos na praia, é a investigação das potenciais causas destes encalhes.

“Encalhes oferecem uma oportunidade de explorarmos questões mais profundas sobre a situação da saúde dos nossos oceanos. A coleta de pele e gordura para quantificação de metais pesados e contaminantes orgânicos persistentes (como PCB), análise de conteúdo estomacal para verificar ingestão de plástico, e a avaliação de ossatura para descobrir eventuais traumas por colisão com embarcações, podem oferecer diretrizes claras para preservação da espécie e para que possamos evitar futuros incidentes”.

Também nessa sexta-feira (22), um tubarão-martelo foi morto na praia de Armação. Pescadores se assustaram.

Veja o que fazer se encontrar uma baleia encalhada:

Isole a área e entre em contato com o Programa de Resgate do Projeto Baleia Jubarte – outras espécies de baleias, lobos marinhos botos e golfinhos também são atendidos.
Sede da Praia do Forte: (71) 3676-1463 ou 8154-2131
Sede de Caravelas (sul do estado): (73) 3297-1340 ou 98802-1874
(ligações a cobrar são aceitas);

Não toque e nem se aproxime, além do tamanho e do peso que podem oferecer riscos, animais encalhados, vivos ou mortos, também podem transmitir doenças aos seres humanos;

Animais domésticos, como cães e gatos, também precisam ficar longe do local, pelos mesmos motivos;

Não se aproxime da cauda – são animais grandes em situação de debilidade física, que podem se tornar ariscos com a aproximação de outros indivíduos e causar ferimentos;

Não tente salvar o animal ou devolvê-lo ao mar se ele estiver com vida – o trabalho deve ser feito por especialistas;

Evite respirar o ar expirado pelos animais;

Tire fotografias do animal, para possibilitar a identificação da espécie e documentação do caso

Telefones úteis:

Programa de Resgate do Projeto Baleia Jubarte:

Sede da Praia do Forte: (71) 3676-1463 ou 8154-2131
Sede de Caravelas (sul do estado): (73) 3297-1340 ou 98802-1874

Polícia de Proteção Ambiental
(71) 3116-9151 / 3116-9150

Fonte: Correio 24 horas

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