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Ativistas protestam contra condição degradante da exportação de animais

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Dezenas de pessoas protestaram na última quinta-feira (14) em Lisboa, Portugal, contra a exportação de animais vivos através de transporte marítimo em condições degradantes. Uma iniciativa a que se juntaram os partidos políticos PAN e Bloco de Esquerda.

O protesto, que começou no Cais do Sodré e terminou na Praça do Comércio, junto do Ministério da Agricultura, foi organizado pela Plataforma Anti-Transporte de Animais Vivos (PATAV) e aconteceu em simultâneo com iniciativas idênticas em outros países, para assinalar o Dia Internacional Contra o Transporte de Animais Vivos.

(Foto: Antônio Cotrim / Lusa)

Isabel Carmo, da PATAV, disse à Lusa que o negócio da exportação de animais vivos começou em Portugal em 2015 e que teve desde então um “crescimento exponencial”, passando de 9.000 animais para 103.000 no ano passado.

Segundo a responsável, são animais (bois e ovelhas especialmente) que viajam em condições degradantes, que são sujeitos a maus-tratos logo no momento do embarque, algo que, segundo Carmo, a PATAV tem testemunhado no porto de Setúbal.

Isabel Carmo fala de “descargas eléctricas consecutivas” e de queda de animais em rampas, diz que os animais que morrem no caminho são jogados ao mar, e conta que ultimamente o encaminhamento para os navios é tapado com lonas, o que vai contra a lei.

“Não conseguimos compreender no meio disto tudo qual é o papel da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV)”, disse a ativista à Lusa.

A PATAV já teve reuniões com todos os grupos parlamentares e entregou na Assembleia da República uma petição para abolir o transporte de animais vivos para países fora da União Europeia.

Em Dezembro de 2017, o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) já tinha apresentado um projeto de resolução para restringir o transporte de animais, mas não foi aprovado.

André Silva, deputado do PAN e presente na marcha, explicou à Lusa que quando a petição for discutida, “em setembro ou outubro”, o PAN apresentará também iniciativas legislativas, como a obrigatoriedade de um veterinário a bordo, a restrição de viagens superiores a oito horas, a existência de uma parte do navio para enfermaria e a interdição de exportação para países onde a forma como os animais são mortos não seja semelhante a de Portugal.

O PAN, explicou também, quer que a DGAV seja reformulada, porque apenas “no papel” tem a tutela do bem-estar animal. A DGAV, segundo o partido, é uma “entidade da administração que é absoluta e totalmente conivente com os produtores” e “não faz aquilo que lhe compete que é assegurar as normas de proteção e bem-estar animal”.

“Precisamos claramente, porque não temos em Portugal, de uma autoridade nacional para a proteção e bem-estar dos animais”, disse.

Maria Manuel Rola, do Bloco de Esquerda, disse à Lusa que o partido tem igualmente uma iniciativa, que apresentará quando da apreciação da moção da PATAV, e considerou que tem havido uma mobilização crescente de pessoas contra o transporte degradante de animais vivos.

“Parece essencial que se garanta o mínimo dos mínimos do bem-estar animal a bordo. A nossa proposta vai no sentido de alterar a legislação que existe relativamente ao transporte de animais para que os animais que são transportados de barco para países fora da União Europeia tenham outras condições, de saneamento, ventilação do ar, e que exista uma pessoa que consiga prover o bem-estar animal durante toda a viagem, garantindo que existe um médico veterinário”, disse à Lusa.

Exibindo fotos de vacas e ao som de música e palavras de ordem como “animais no mar poluição a dobrar”, os manifestantes transportaram também faixas com frases como “os animais não são mercadoria” ou “pela diversidade e bem-estar animal”.

Nota da Redação: a ANDA se posiciona totalmente contrária à exportação de animais vivos e entende que medidas que garantam o mínimo de bem-estar aos animais não são suficientes, já que independentemente dessas práticas, os animais continuarão sendo submetidos a sofrimento inimaginável durante as viagens, que são longas e exaustivas.

Fonte: Público

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