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Alerta: pesca pode acabar com peixes que mantém vivo o Pantanal

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Se as florestas da América do Sul são os pulmões do mundo, os rios e áreas úmidas presentes nelas são, sem dúvida alguma, suas veias e artérias.

E grande parte da razão da existência de toda a diversidade de espécies de plantas e animais se deve, única e exclusivamente, pela ação dos peixes que vivem nesses rios. Eles comem as frutas que caem na água e liberam as sementes em seus dejetos, que a correnteza ajuda a espalhar pelo ambiente.

Reprodução | National Geographic

Um estudo recente realizado pela Dra. Sandra Bibiana Correa, pesquisadora do Departamento de Vida Selvagem, Pesca e Aquicultura da Universidade Estadual do Mississippi, mostra que cerca de 600 espécies de plantas neotropicais são ingeridas e difundidas pelos peixes. Aproximadamente 95% da vegetação das florestas tropicais se espalham dessa maneira.

Infelizmente, a pesca visa exatamente as espécies que mais beneficiam o ecossistema: os peixes de grande porte. Quanto maior for o animal, maior é o seu estômago e também a probabilidade de que as sementes sairão inteiras; são os peixes pequenos tem o costume de mastigá-las para facilitar a ingestão.

63% das sementes observadas no estômago de sardinhas, por exemplo, foram deterioradas por conta da mastigação. Mas isso nem sempre acontece. “Imagine que você está comendo um tomate,” a professora explica em entrevista à NatGeo.

“É pouco provável que você mastigue as sementes. O tamanho das sementes determina se elas serão quebradas. Peixes grande tem a capacidade de engolir sementes inteiras, mas mesmo os peixes pequenos podem devorar sementes intactas”, finaliza.

Reprodução | IASB

Um trabalho anterior de Correa no Pantanal e na Amazônia já havia estabelecido que a pesca excessiva – de até 90% para algumas espécies de peixes frugívoros – tem sido um grande impasse para o crescimento e a regeneração das plantas da região.

Fenômeno global

Uma pesquisa complementar realizada pelo biólogo Raul Costa Pereira, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), observa que esse não é um fenômeno apenas das Américas, mas que ainda é pouco estudado e compreendido.

“O consumo de frutas pelos peixes tem sido documentado por todo o mundo”, ele adiciona. Na América do Sul, que tem 15% das terras em áreas úmidas, essa forma de manutenção da biodiversidade foi relatado pela primeira vez no fim da década de 1970.

Uma das espécies mais importantes para esse processo no Pantanal é o Pacu, um peixe de nadadeiras que pode viver até 60 anos e pesar quase 20 kg. Por ter uma boca larga, ele é responsável, sozinho, por dispersar cerca de 27% de tipos de plantas a mais do que peixes menores.

Reprodução | Fazenda Pacu

Perigo iminente

Historicamente, os peixes são responsáveis por dispersar até 90% do Pantanal. Essa co-dependência preocupa a pesquisadora Sandra Correa. É que, além da pesca, com as represas, as fazendas de gado e o próprio desenvolvimento, “eles agora apenas dispersam de 30 a 40% dela”.

Correa e seus colegas pressionam por regulamentações para a pesca de espécies pequenas e grandes. E para isso eles precisam estabelecer um conjunto de evidências que mostrem que essa interação existe, é real.

Ela acredita que peixes menores podem viajar para áreas rasas e colonizar novos territórios. Mas 99% do Pantanal é propriedade privada de fazendas, e nela o gado livre engole toda a grama natural, “nós realmente não sabemos o tamanho da população e a estrutura do peixe pequeno”.

Reprodução | InfoEscola

Leis são difíceis de serem aplicadas na Amazônia e no Pantanal, e ambos os lugares tem sentido os efeitos da pesca. Quando o peixe não cresce mais, a floresta também não cresce. E quando os fazendeiros expandem suas áreas e as barragens acabam com enchentes cíclicas, os peixes são excluídos e as árvores começam a morrer sem nenhum meio natural de se regenerar.

“Precisamos de legislação para proteger um tamanho muito grande de terra. Não será fácil”, diz Correa.

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