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Golfinhos e baleias são inteligentes demais para servir de diversão

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Golfinhos tem inteligência comprovada pela ciência e sofrem intensamente confinados em cativeiros | Foto: Divulgação
Golfinhos tem inteligência comprovada pela ciência e sofrem intensamente confinados em cativeiros | Foto: Divulgação

Golfinhos possuem inteligência comparável à humana, isso é um fato científico. A conclusão lógica é que eles mereçam ter seus direitos respeitados à altura de sua complexidade cognitiva.

Evidências científicas exigem que o ser humano reveja seriamente como lida com a inteligência animal. A história geralmente não olha com bons olhos aos que rejeitam ou negligenciam a inteligência de um grupo.

Os golfinhos, assim como baleias e botos, pertencem ao grupo de animais conhecidos como cetáceos. Os cetáceos são característicos por sua inteligência, mas a natureza precisa e singular dessa mesma inteligência é uma questão mais difícil de ser mensurada.

Por exemplo: os cetáceos podem ser inteligentes, mas não necessariamente da mesma maneira que os humanos, ou de forma equivalente, os humanos podem não ser inteligentes da mesma maneira que os cetáceos.

Vários estudos mostraram que os cetáceos são capazes de uma série de comportamentos complexos, frequentemente associados à inteligência. Eles são autoconscientes, socialmente conscientes e podem até mesmo reconhecer e sinalizar sua própria incerteza.

Essa inteligência causou impacto nos círculos científicos e na cultura pop do mundo todo, mas a lei ainda não os trata de acordo com sua senciência. Eles ainda são, por exemplo, mantidos em cativeiro. Isto é claro, contra a sua vontade, pois a ciência moderna ainda não pode perguntar a um golfinho: “Ei, você gostaria de viver em um tanque?”.

Talvez as implicações desconfortáveis de garantir aos cetáceos a qualificação de indivíduos estejam segurando a política. Medir a inteligência animal não é tão simples quanto criar pontuações de QI.

Os animais tendem a ter forças e fraquezas cognitivas inesperadas. Espécies diferentes são inteligentes de maneiras diferentes. Os pombos podem superar os macacos em algumas tarefas. Conferir aos cetáceos alguma forma de personalidade legal nos levaria a um debate filosófico mundial.

Se os golfinhos são dignos de direitos, por que não os elefantes, macacos ou porcos? Estender os direitos apenas aos cetáceos parece, na melhor das hipóteses, não científico ou justo.

Para pessoas que ainda se alimentam de animais, esse pode ser um debate desagradável. Normalmente, a retórica tradicional dos direitos animais não incomoda as pessoas desde que não as atinja. Elas se acostumaram a alimentar-se de animais apoiadas também por fortes e contínuas campanhas midiáticas de indústrias beneficiárias desse comércio, como a leiteira, a têxtil, a indústria de carne, etc. Foram dessensibilizadas nesse objetivo, de ver para vidas como produtos.

Mas esse cenário de ceticismo e esse desconforto quanto a reconhecer animais como indivíduos, não deve nos impedir de agir para garantir os direitos das espécies que possuem essa inteligência claramente excepcional.

Todos os animais certamente merecem direitos básicos, mas o nosso tratamento para alguns deles, em específico os cetáceos, é claramente abominável, considerando sua notória e comprovada capacidade de pensar, sentir e perceber.

Acabar com as exibições de golfinhos e baleias e considerá-los como indivíduos não-humanos parece radical, mas isso forçará também a reconsideração por parte dos seres humanos em relação a atitude com que são tratados os direitos animais em geral. É uma necessidade moral, independentemente de qualquer outra coisa.

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