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Gatos de Jaú (SP) sofrem um silencioso massacre

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Essa triste história, de um silencioso massacre (que ainda pode estar em curso), começa assim: “Era uma vez… 55 gatinhos que viviam ao longo de muitos e muitos anos no Caiçara Clube Jaú (Interior de SP)”. Tinha o Vovozinho, a Vaquinha, o Narizinho, a Pipoquinha, a Pirulita, o Rabicozinho, dentre outros, incluindo uma gata grávida e alguns bebês. Eram gatos pacatos, castrados, vacinados e saudáveis.

“Mas um dia tudo mudou…”. A diretoria do clube proibiu as pessoas de alimentar os gatos (a ponto de, segundo relatos, mandar os guardas perseguirem os sócios de forma constrangedora) e instalou uma placa alegando os felinos serem portadores de inúmeras doenças e parasitas cujo principal contágio, na verdade, é pelo consumo de carne mal passada ou crua, verdura mal lavada e água contaminada.

Alguns dias depois os gatos começaram a desaparecer e, no dia 19 de março, cerca de oito deles foram achados mortos. Suspeita-se que esteja havendo envenenamento. Uma placa incitando preconceito e ódio pode levar a reações como a de envenenamento colocando pessoas e animais em risco. Além dos gatos, circulam pelo clube pássaros, gambás e outros bichos. As crianças também podem, acidentalmente, ter contato com as iscas de veneno mortal. Mas a placa, apesar de seu teor destrutivo, continua lá.

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Resultado: dos 55 felinos apenas 8 foram vistos recentemente pelos protetores. Diante dessa situação, o vereador Guto Machado e a Apaja – Associação de Proteção dos Animais de Jaú se uniram para descobrir o paradeiro dos gatos e os responsáveis pelo sumiço e morte deles. A representação criminal ingressou perante a polícia civil e espera-se uma investigação do caso que comoveu amantes de animais de todo o Brasil pelas redes sociais.

Expor animal à fome é crime de maus-tratos

Vale ressaltar que o caso envolve animais que já viviam no local há muito tempo e dependiam de humanos para se alimentar. Portanto, ao proibir que os gatos fossem alimentados, a direção do clube está expondo os animais à fome. Não estamos falando de gatos selvagens acostumados a caçar. E vale lembrar que onde tem gato não tem ratos porque esses sentem de longe o cheiro de gatos e abandonam o local.
Aliás, foi assim que se acabou com a peste bubônica na Europa em 1351: a soltura dos gatos pelas ruas fez os ratos correrem para longe e essa foi a única maneira de acabar com a doença que matou 25 milhões de pessoas. Os gatos conseguiram conter uma epidemia que poderia ter acabado com a população de todo um continente.

O que dizem as leis

Além da lei federal 9.605 que caracteriza maus-tratos a animais como crime, tem ainda a questão do animal comunitário que é protegido pela Lei 12.916, conhecida como Lei Feliciano (do deputado estadual Feliciano Filho) em vigor em todo o Estado desde 2008, ou seja, há dez anos. Essa lei, além de acabar com as antigas “carrocinhas” que capturavam os animais para levá-los a mortes terríveis, instituiu também a figura do animal comunitário conforme trecho abaixo:

Artigo 4º – § 1º – O animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal.

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§ 2º – Para efeitos desta lei considera-se “cão comunitário” aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido.

Embora a lei use o termo “cão comunitário”, fala também em “animal comunitário” no qual os gatos de parques, praças e clubes podem se encaixar se tiverem essa relação de dependência com humanos. O controle de colônias de gatos é uma medida que tem sido adotada em cidades como Roma, Nova Iorque, Paris e também em São Paulo.

Ao se dizimar uma colônia que está saudável e controlada – o que já é um crime contra animais – abre-se espaço para outra colônia se formar no local. A própria Organização Mundial de Saúde preconiza o método conhecido como CED (Captura, Esterilização e Devolução ao local de origem) como a melhor forma de se lidar e estabilizar colônias de animais que vivem soltos.

O clube deveria usar de bom senso e buscar uma solução ética pensada em conjunto e (com respeito) as pessoas que cuidam dos gatos há tantos anos com recursos próprios. Afinal, essas pessoas investiram seu dinheiro e tempo para manter os animais saudáveis. Caberia ao clube reconhecer esse esforço e investir no combate ao abandono de animais no local. Aliás, uma placa explicando que abandono de animais é crime seria muito mais útil que uma que incentiva violência contra os indefesos e pequenos felinos.

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Quer ajudar os gatos de Jaú? Então envie e-mails para os jornais e jornalistas da região pedindo que façam reportagens a respeito:

redacao@comerciodojahu.com.br g1@tvtem.com karinavictor@comerciodojahu.com.br joao@comerciodojahu.com.br

* Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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