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Girafas passam silenciosamente para lista de espécies ameaçadas

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A União Internacional para a Conservação da Natureza, órgão que administra a lista oficial de espécies ameaçadas do mundo, anunciou ontem que está transferindo a girafa da lista de espécie de menor preocupação de extinção para o status de vulnerabilidade, em seu relatório da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. Isso significa que o animal enfrentará a extinção na vida selvagem no futuro a médio prazo, se nada for feito para minimizar as ameaças à sua vida ou habitat.

A caça de elefantes e rinocerontes e o comércio de pangolins ofuscaram os problemas com as girafas na última década. Mas o jornalista Damian Carrington, editor sobre Meio Ambiente do jornal The Guardian, relata que os números de girafas caíram vertiginosamente nos últimos 31 anos, de 157 mil indivíduos em 1985 para 97,5 mil na última contagem.

(Foto: Animal.dk)

“Enquanto girafas são comumente vistas em safáris, na mídia e em jardins zoológicos, as pessoas não sabem que esses animais majestosos estão passando por uma extinção silenciosa. Com um declínio de quase 40% nas últimas três décadas, o animal mais alto do mundo está sob severa pressão em algumas de suas principais áreas em toda a África Oriental, Central e Ocidental. Considerado um dos animais mais icônicos do mundo, é oportuno que nós coloquemos nosso pescoço na girafa antes que seja tarde demais”, afirmou Julian Fennessy, co-presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN)Giraffe and Okapi, em um comunicado de imprensa.

As girafas enfrentam duas ameaças principais, as invasões de cidades e vilas em seu habitat e caça, que tornou-se cada vez mais problemática. Alguns aldeões matam os animais por sua carne, mas Jani Actman, da National Geographic, informa que muitas girafas são mortas apenas pelas caudas, que são consideradas um símbolo de status e usadas como dote em algumas culturas quando alguém pede ao pai de uma noiva a permissão para o casamento.

Patrick Healy, do The New York Times, salienta que a lista vermelha divide a girafa em nove subespécies. Cinco dessas subespécies estão declínio populacional, enquanto duas populações estão aumentando e uma está estável. As girafas da África Ocidental, a menor subespécie, cresceram de 50 indivíduos nos anos 90 para cerca de 400 atualmente. Mas esse sucesso exigiu um enorme esforço do governo do nigeriano e dos grupos de conservação ambiental.

(Foto: Greenme)

Serão necessários esforços semelhantes em toda a ampla variedade da girafa para deter seus declínios populacionais. Derek Lee, fundador do “Wild Nature Institute“, em tradução livre “Instituto da Natureza Selvagem”, que contribuiu para a atualização da IUCN, explica que tanto a caça quanto a invasão de habitat precisam ser interrompidas para salvar a espécie. “Estes são problemas em todos os lugares para girafas. Você precisa parar as duas ameaças”, acrescentou.

Embora o aumento do financiamento para os esforços de combate à caça possa fazer algum bem, Lee acredita que impedir a invasão de habitats é uma perspectiva mais difícil, já que isso significaria interferir no desenvolvimento da terra, mineração e outras atividades econômicas.

O maior problema para as girafas poderá ser a falta de atenção ao longo dos anos. “Estou absolutamente espantado que ninguém tenha a menor ideia. Esta extinção silenciosa, algumas populações com menos de 400. Isso é mais ameaçado do que qualquer gorila, ou quase qualquer mamífero de grande porte no mundo”, disse Julian Fennessy, diretor executivo da Giraffe Conservation Foundation.

“Há uma forte tendência em pensar que espécies familiares (como girafas, chimpanzés, etc.) devem estar bem, porque são familiares e são vistos em zoológicos”, disse o biólogo Stuart Pimm, da Universidade Duke, à agência de notícias Associated Press. Na verdade, as girafas foram extintas em toda a África no último século. O animal já se foi de sete países, Burkina Faso, Eritreia, Guiné, Malawi, Mauritânia, Nigéria e Senegal.

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