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Indústrias de fast food estão destruindo florestas na América do Sul

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Uma nova investigação mostra como as indústrias de fast food estão diretamente ligadas à destruição das florestas tropicais e dos habitats vitais da vida selvagem. A agricultura é responsável por 80% do desmatamento em todo o mundo, fazendo com que humanos e animais percam suas casas, desequilibrando ecossistemas inteiros. Embora isso possa não parecer inédito devido à população do planeta e a necessidade produzir alimentos. O problema é que a maioria dessa destruição está sendo produzida para produzir carne e laticínios baratos e, como resultado, o cultivo desacerbado de soja para animais em matadouros e deixa quase um bilhão de pessoas com fome ao redor do mundo.

A produção descontrolada de grãos de soja está destruindo ecossistemas.
A produção desacerbada de soja está impactando negativamente o meio ambiente. (Foto: Jim Wickens/Ecostorm)

Um exemplo desse processo destrutivo está na forma de produção de soja. A produção descontrolada de soja é responsável pela destruição de quatro milhões de hectares de floresta na América do Sul todos os anos. No Paraguai, as plantações de soja cobrem cerca de 80% das terras cultivadas. No total, cerca de  18 milhões de acres de floresta são destruídos em todo o mundo a cada ano para a soja que em grande parte é utilizada para engordar os animais nos matadouros e isso representa 75% da soja no mundo. A pecuária norte-americana consome mais de 30 milhões de toneladas de farelo de soja por ano, grande quantidade é importada da América do Sul.

A produção de soja está se expandindo em toda a América Latina e, infelizmente, isso significa que é também um “foco global” para o desmatamento. A Cargill, a maior empresa privada de alimentos e agricultura do mundo, e a Bunge, outra empresa global de carnes, são as principais responsáveis por esse processo. Para ilustrar os resultados do sistema alimentar baseado em carne e laticínios relacionados a destruição da América do Sul, a organização “Mighty Earth” em tradução livre “Terra Poderosa”, realizou uma investigação sobre o impacto da indústria da carne e produtos lácteos europeus.

Fazendeiros usam grãos de soja para engordar animais em matadouros.
A soja é utilizada como ração para animais em matadouros. (Foto: Jim Wickens/Ecostorm)

A Europa é o segundo maior mercado de soja, depois da China, com a Europa importando 46,8 milhões de toneladas de produtos de soja em 2016 e 27,8 milhões de toneladas dessa soja vinda diretamente da América Latina. De acordo com a Mighty Earth, são necessários 8,8 milhões de hectares de terra para cultivar a soja que é importada para a União Européia a cada ano, o que equivale a uma área maior que a Áustria.

A região do Gran Chaco, na América do Sul, abrange toda a Argentina, Paraguai e Bolívia. Esta região é perdendo apenas para a Amazônia em biodiversidade, composta de florestas baixas e savanas, uma floresta seca em oposição à floresta amazônica. Com a maior taxa de desmatamento do mundo, espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, a anta e o tatu-canastra estão sendo levadas à beira da extinção.

As baixas florestas  estão sendo perdidas em proporções alarmantes que correspondem ou até excedem as de florestas tropicais como a Amazônia – que está chegando a um ponto sem retorno graças ao desmatamento. Como a Mighty Earth relata, somente a Argentina perdeu 22% de suas florestas entre 1990 e 2015, principalmente devido às fazendas de soja.

(Foto: Jim Wickens/Ecostorm)

Conforme a organização, o clima rigoroso do Chaco não é naturalmente adequado para vastas monoculturas. Como resultado, a soja cultivada aqui é geneticamente modificada e requer grandes quantidades de fertilizantes químicos e pesticidas tóxicos, como o herbicida glifosato. Estes também estão transformando o Chaco. As vias aquáticas se tornaram poluídas e os membros da comunidade local relatam um surto de defeitos congênitos, cânceres e doenças respiratórias. Até mesmo os animais domésticos e animais selvagens estão sentindo os impactos – muitas famílias relataram que seus animais morreram devido a essa exposição a herbicidas.

Pessoas, animais e o meio ambiente estão sofrendo por causa da expansão da soja como alimentação para animais em matadouros. Tragicamente, devido à alta demanda e à aparente corrupção nas cadeias de fornecimento, embora a Cargill e a Bunge tenham assumido compromissos públicos com cadeias de fornecimento com desmatamento zero, não há como garantir verdadeiramente que essas medidas estão sendo cumpridas. Além disso, embora este relatório se concentre na Europa, os EUA não são menos culpados por essa destruição.

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