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Brasil cria duas maiores reservas marinhas da história em PE e ES

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Cordilheira submersa entre Vitória e a ilha de Trindade | Foto: João Luiz Gasparini/Divulgação

O Brasil acaba de criar as duas maiores reservas marinhas da história: parte dos arquipélagos de São Pedro e São Paulo, em Pernambuco, e de Trindade e Martim Vaz, no Espírito Santo, agora são unidades de conservação da marinha do Brasil.

O decreto que transforma os arquipélagos em reservas marinhas protegidas foi assinado pelo presidente Michel Temer e publicado no Diário Oficial da União.

Foram criadas duas Áreas de Proteção Ambiental (APA) e dois Monumentos Naturais (Mona) nas proximidades dos arquipélagos, num total de 92 milhões de hectares – uma área equivalente aos Estados de Minas Gerais e Goiás somados.

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o decreto faz com que a porção de águas marinhas protegidas no Brasil passe de 1,5% a 25%.

Isso permite que o país cumpra com folga um acordo internacional que prevê a proteção de 17% das águas marinhas e costeiras até 2020.

Para Angela Kuczac, diretora-executiva da Rede Pró-Unidades de Conservação, o decreto representou “uma vitória para a natureza”.

“Os limites (das unidades) poderiam ser melhores, o desenho das áreas poderia ser mais representativo e ter incorporado áreas que ficaram de fora, mas é inegável o ganho e o avanço que tivemos hoje”, afirmou.

‘Floresta no fundo do mar’

Uma das reservas criadas abarca uma formação que o biólogo capixaba João Luiz Gasparini define como “uma floresta tropical no fundo do mar” – a cordilheira composta por cerca de 30 montes submarinos de origem vulcânica entre a cidade de Vitória e a ilha de Trindade, a 1.200 km do continente.

A proteção da cordilheira – dona da maior variedade de espécies que vivem em recifes entre todas as ilhas brasileiras – era uma demanda antiga de pesquisadores, que a consideram essencial para a manutenção de estoques pesqueiros em águas vizinhas e um dos melhores laboratórios naturais do mundo.

A cadeia ganhou visibilidade global em agosto de 2017, quando um estudo baseado na formação de sua fauna foi capa da revista científica Nature.

Coautor do artigo, João Luiz Gasparini descreve o espanto de sua primeira visita a Trindade, em 1995.

Logo após desembarcar na ilha, diz ter encontrado numa poça de maré uma espécie que jamais havia sido catalogada pela ciência – um peixe azulado com uma mancha amarela no topo.

“De cara percebi que existia ali um universo fantástico para ser explorado”, ele diz.

Espécies raras

O animal, batizado Stegastes trindadensis, integra o grupo de 13 espécies de peixes recifais endêmicas (restritas ao local) registradas na cordilheira até agora.

Somando-as às que também habitam outras regiões, a lista alcança 270 espécies de peixes recifais – 24 delas ameaçadas de extinção –, uma das mais altas taxas de diversidade entre todas as ilhas do Atlântico.

Também habitam a cordilheira cerca de 140 tipos de moluscos, 28 de esponjas, 87 de peixes de mar aberto, 17 de tubarões e 12 de golfinhos e baleias.

Para Gasparini, há muitas outras espécies a descobrir. “A gente ainda mal arranhou a casca do ovo da biodiversidade da cadeia Vitória-Trindade.”

Pesquisadores tentam agora ultrapassar pela primeira vez o ponto no fundo do mar a partir do qual a temperatura cai drasticamente, uma variação conhecida como termoclina. Por enquanto, alcançaram no máximo 80 metros de profundidade.

Abaixo dessa zona, sobre montes mais distantes da superfície, esperam encontrar espécies distintas das vistas até agora. “Os recifes mais profundos são o novo éden, a próxima fronteira para quem quer fazer mergulho científico no mundo”, diz Gasparini.

Fonte: Só Notícia Boa

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