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Desastre ambiental no Pará pode ter contaminado bois para abate no exterior

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O desastre ambiental causado pela mineradora Hydro Alunorte, localizada em Barcarena (PA), região metropolitana de Belém, pode ter implicações ainda maiores.

Conforme constatou laudo do Instituto Evandro Chagas (IEC), acionado pelo Ministério Público Estadual e Federal, a empresa norueguesa foi responsável pela contaminação da água através do vazamento de barragens e despejo irregular de rejeitos por meio de dutos clandestinos.

Sódio, nitrato, alumínio, chumbo e outras substâncias foram encontradas nas amostras examinadas pela perícia. Os riscos à saúde de animais humanos e não humanos em contato direto ou indireto com a água contaminada vão de distúrbios gastrintestinais e problemas dermatológicos até câncer.

Relatório elaborado por parlamentares estaduais aponta que mais de duas dezenas de incidentes como os ocorridos recentemente já ocorreram desde o ano 2000, colocando em risco a população de muitos municípios paraenses, inclusive a capital. Essas conclusões devem ser encaminhadas à Organização das Nações Unidas (ONU), à Comissão Internacional do Comércio (ICC) e à Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O que não vem sendo comentado, no entanto, é a relação existente entre essa tragédia e outro tema que tem agitado os noticiários: a exportação de gado vivo.

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Bem próximo às instalações da Hydro está localizado o porto Vila do Conde, onde já foram embarcados, só em março de 2018, cerca de 23 mil bois tratados como commodities com destino à Turquia e ao Líbano. Nos próximos dias, o mesmo deve ocorrer com mais 27 mil animais.

Vale destacar que o navio NADA – retido no porto de Santos/SP pela Justiça Federal no mês passado antes de rumar para a Turquia sob denúncias de maus-tratos – deve atracar nesta quinta (15) no Pará para levar mais 22 mil animais.

Ocorre que, conforme determina o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), todos os animais destinados à exportação devem ser reunidos em Estabelecimentos de Pré-Embarque (EPEs) previamente aprovados e situados em distância que não implique mais que 8 horas de transporte rodoviário até o local de embarque.

O Pará possui cerca de 30 propriedades credenciadas para essa função, localizadas nos municípios de Abaetetuba, Moju, Santa Maria do Pará, Acará, Santa Maria do Pará, Inhangapi, Irituia, Tailândia e Tomé Açu.

Abaetetuba, que sedia 10 desses estabelecimentos, fica a apenas 34 quilômetros do local do vazamento. O mais distante dos EPEs fica a 180 quilômetros de distância e também estaria sob risco de contaminação.

Se considerarmos que um boi pesando cerca de 450 kg consome em torno de 67 litros de água por dia, tem-se uma situação extremamente alarmante, senão pela integridade dos próprios animais, mas pelo fato de serem destinados à morte para consumo humano.

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Em um país de fraquíssima fiscalização isso não causa espanto, mas para importadores cada vez mais exigentes, uma possível contaminação desses animais pode representar outro duro golpe para a pecuária brasileira, já fragilizada internacionalmente pelos escândalos envolvendo a repercussão, sobretudo na Turquia, das péssimas condições dos animais que exportamos vivos e a Operação “Carne Fraca” da Polícia Federal, que apura a corrupção de agentes públicos, crimes contra a saúde pública, falsificação de laudos e graves infrações sanitárias.

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