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Anta morre atropelada em rodovia no norte do Espírito Santo

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Mais um animal morreu vítima do excesso de velocidade dos veículos que cortam a BR 101 na região de Linhares e Sooretama, municípios localizados no Norte do Espírito Santo. A vítima, dessa vez, foi novamente uma anta fêmea adulta, já apta a se reproduzir.

Ao que tudo indica, o acidente envolveu um veículo de grande porte e ocorreu por volta das 21 horas, no trecho da rodovia que corta a Reserva Natural Vale e a Reserva Biológica de Sooretama (Rebio Sooretama).

Anta morre após ser atropelada (Foto: Divulgação)

Juntas, as duas reservas somam aproximadamente 50 mil hectares e abrigam uma variedade de espécies ameaçadas de extinção da fauna, na Mata Atlântica, além de corresponderem a aproximadamente 10% da cobertura florestal original remanescente desse bioma.

O animal foi levado até a Rebio Sooretama, onde a equipe do Programa Pró-Tapir realizou a necropsia. Segundo Moara Cuzzuol Gomes, veterinária responsável pela ação, a colisão foi tão forte que a anta teve costelas, pelve (bacia) e fêmur quebrados, vários hematomas musculares, além da ruptura do diafragma, pulmão e fígado. Havia várias escoriações pelo corpo do animal, especialmente do lado esquerdo, o que indicou também o local da colisão.

A anta é um animal herbívoro e que consome muitos frutos, inclusive de espécies exóticas, como a manga e a jaca, que ocorrem geralmente em paisagens com muitas propriedades rurais. Durante a necropsia foram encontrados muitos caroços dessas frutas em seu aparelho digestivo, o que atesta a presença desses alimentos em sua dieta.

“A ocorrência de diversas mangueiras na borda da rodovia acaba se tornando um fator de risco para esses e outros animais que habitam as reservas e que acabam indo em direção à rodovia atraídos por esse tipo de alimento”, explica a bióloga Andressa Gatti, que também é coordenadora do Programa Pró-Tapir.

“Com a perda desse animal, também se perdem todas as interações das quais ele participa, especialmente a possibilidade de dispersar sementes de frutos que só as antas conseguem consumir. A anta é uma espécie ameaçada de extinção, que já possui populações bastante reduzidas em toda a Mata Atlântica. Medidas urgentes precisam ser tomadas, como a supressão dessas árvores, o que poderá diminuir muito o risco das antas e de outros animais silvestres serem atropelados ao cruzarem a rodovia”, diz.

De acordo com Andressa, outra medida que pode amenizar o impacto do excesso de velocidade da rodovia nas populações de animais que habitam as duas reservas é a permanência dos redutores de velocidade, bem como a instalação de outros ao longo do trecho da BR que corta o bloco florestal.

Saiba mais sobre as antas

A anta (Tapirus terrestris) é o maior mamífero nativo terrestre do Brasil e o segundo da América do Sul, podendo chegar a pesar 250 kg e a medir 220 centímetros de comprimento. A espécie ocorre desde o sul da Venezuela até o norte da Argentina, em áreas abertas ou florestas próximas a cursos d’água. Possui uma dieta frugívora e tem um papel importante na dispersão de sementes nas florestas.

É um animal solitário e vive em territórios com 5 km² de área, em média. A anta tem reprodução lenta, com uma gestação que pode durar mais de 400 dias e nasce apenas um filhote por vez, que pesa entre 3,2 e 5,8 kg.

A anta é listada como Vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais e pelo ICMBio, no Brasil, onde não há mais registros da espécie na Caatinga. A espécie é ameaçada, principalmente, pela caça (por ter um ciclo reprodutivo muito lento), pela conversão de seu habitat em áreas cultivadas e pelos atropelamentos.

Fonte: Folha Vitória

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