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Remédio tradicional chinês tem sido a morte para os burros

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A alta demanda por ejiao, uma medicina tradicional feita a partir de gelatina extraída de peles de burro cozidas, levou a um aumento nos sequestros do animal em muitos países
A alta demanda por ejiao, uma medicina tradicional feita a partir de gelatina extraída de peles de burro cozidas, levou a um aumento nos sequestros do animal em muitos países Crédito: Rachel Nuwer/The New York Times

“Este é o local”, disse Morris Njeru, olhando para um lote de terra onde recentemente encontrou os corpos ensanguentados de David, Mukurino e Scratch –seus últimos burros.

Njeru, 44, carregador do mercado que depende de seus animais para transportar produtos pela cidade, já havia perdido cinco burros no início do ano. Toda vez, os sequestradores cortaram a garganta dos animais e arrancaram sua pele do pescoço para baixo, deixando a carne para os abutres e as hienas.

Quatro meses depois, tudo o que Njeru conseguiu achar dos animais foi um único casco, que guardou de lembrança. Também na lembrança está a vida confortável que Njeru levava.

Para Njeru e milhões de pessoas em todo o mundo, os burros são os principais meios de transporte de alimentos, água, lenha, bens e pessoas.

Na China, no entanto, eles têm outro propósito: a produção do ejiao, um medicamento tradicional feito de uma gelatina extraída da fervura do couro de burro.

O ejiao era prescrito principalmente como suplemento para a perda de sangue e para equilibrar o yin-yang, mas hoje é procurado para uma série de males, desde retardar o envelhecimento e aumentar a libido até tratar efeitos colaterais da quimioterapia e prevenir a infertilidade, o aborto espontâneo e a irregularidade menstrual.

Mesmo o ejiao existindo há séculos, sua popularidade moderna começou a crescer em torno de 2010, quando empresas como a Dong-E-E-Jiao –a maior fabricante chinesa– deram início a campanhas publicitárias agressivas.

Quinze anos atrás, meio quilo de ejiao era vendido por US$ 9 (R$ 28); agora, custa cerca de US$ 400 (R$ 1.257).

À medida que a demanda foi aumentando, a população de burros da China –que já foi a maior do mundo– caiu de 11 milhões para menos de 6 milhões, e algumas estimativas contam possivelmente apenas 3 milhões.

As tentativas de criação industrial se revelaram um desafio: ao contrário de vacas ou porcos, os burros não podem ser criados de maneira intensiva.

As fêmeas produzem apenas um potro por ano e são propensas a abortos espontâneos sob condições estressantes.

Então, as empresas chinesas começaram a comprar couro de burro de países em desenvolvimento. De uma população global de 44 milhões, cerca de 1,8 milhão de burros são mortos por ano para produzir o ejiao, de acordo com um relatório publicado no ano passado pelo Donkey Sanctuary, uma organização sem fins lucrativos com sede no Reino Unido.

“Há um enorme apetite por ejiao na China, que não mostra sinais de diminuição. Como resultado, os burros estão desaparecendo de comunidades que dependem deles”, disse Simon Pope, gerente de campanhas da organização.

Em novembro, pesquisadores da Universidade Florestal de Pequim advertiram que a demanda chinesa por ejiao pode transformar os burros nos “próximos pangolins”.

“A China escolhe importar burros de todo o mundo a alto custo, o que pode levar a uma crise potencial “, escreveram pesquisadores na revistas científica “Equine Veterinary”.

A pele dos animais segue para a China oriunda de nações tão variadas quanto o Quirguistão, o Brasil e o México. Mas a África é o epicentro do tráfico, tanto em termos de número de animais mortos quanto de impacto.

“Em 2016, o negócio dos burros eclodiu. Havia um número crescente de casos de pessoas que passavam pela área de Maasai, sequestravam burros e os levavam para a fábrica de propriedade chinesa”, disse Obassy Nguvillah, superintendente da polícia no distrito de Monduli, na Tanzânia, perto da fronteira do Quênia.

Em Esilalei –aldeia localizada em uma savana seca sob a supervisão de Nguvillah– os moradores perderam quase 475 burros em um único ano. Cerca de 175 animais foram recuperados na perseguição aos sequestradores pela mata, mas a polícia acredita que o restante foi vendido aos matadouros.

Incapazes de adquirir outros exemplares, os antigos guardiões ainda estão se recuperando.

Quatorze países africanos, juntamente com o Paquistão, promulgaram várias proibições contra o tráfico internacional de burros. A Tanzânia juntou-se à lista em junho, citando preocupações de que os burros logo desapareceriam se a matança continuasse.

Rimoinet Shamburi, administrador da aldeia de Esilalei, disse que o sequestro de burros diminuiu desde a proibição, mas não acabou completamente. Ele acredita que o tráfico no Quênia é o culpado. “As coisas ainda estão ruins porque há uma indústria em Nairóbi que apoia o sequestro de burros”, disse ele.

Fonte: Uol

Nota da Redação: O assassinato brutal de burros para alimentar o mercado de medicina chinesa tradicional é uma prática que precisa ser extinta. No entanto, também é necessário acabar com a exploração de burros em serviços exaustivos. Eles são animais sencientes que sofrem com o estresse, o cansaço e com as dores que desenvolve em decorrência da exploração. É necessário que a sociedade se conscientize da crueldade desta prática e lute para libertar estes animais que são abusados no mundo inteiro.

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