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“Cãodomínio” abriga cachorros abandonados no Litoral Norte do RS

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Paulo Giglio, o Paulinho da Filler, é o dono do sítio às margens da RS-407 | Tadeu Vilani / Agencia RBS

As casas, em sua maioria, seguem um padrão: pintadas de verde, com ampla área arborizada e “espaço gourmet” individual para cada morador. O serviço de limpeza é diário.

“Que acharam? Não tem segunda impressão aqui. Para mim, a primeira é a que fica. Então, gostaram?”, indaga, ansioso, o representante comercial aposentado Paulo Roberto Giglio, às vésperas de completar 65 anos.

Paulinho da Filler, como Giglio ficou conhecido no Litoral Norte — o apelido faz referência à empresa de alimentos para a qual trabalhou por anos —, é o feliz proprietário do Cão-domínio, um pequeno sítio às margens da RS-407 que abriga 141 cães, muitos com alguma deficiência ou sequela de doença grave. São animais abandonados, alguns em plena rodovia, uma das mais movimentadas da região, outros nas praias de Xangri-lá, Capão da Canoa, Imbé e arredores.

À beira da estrada que poderia ser o caminho sem volta desses animais, Paulinho organizou o acolhimento. São gastos cerca de R$ 8 mil mensais em cem quilos de ração por dia, além de medicamentos e consultas ao veterinário. O trabalho já foi alvo de críticas, mas, ao longo dos anos, ganhou apoio e, hoje, o aposentado conta com a ajuda (pouca, porém, valiosa) de doações e parcerias que viabilizam a assistência aos cães.

Onde não há sombra, Paulinho instalou guarda-sóis | Tadeu Vilani / Agencia RBS

“Não, não estão para doação, nem para a venda. São meus filhos e sou feliz em cuidá-los. Um bom pai não dá, não vende nem abandona seus filhos”, adianta Paulinho.

Na área, a matilha se divide entre os que ficam soltos no pátio enorme e os que ficam amarrados na área externa, nas casinhas verdes que se enxerga da pista. Onde não há sombra suficiente para aplacar o sol escaldante, Paulinho colocou guarda-sóis. Tudo é diariamente higienizado para evitar odores desagradáveis, parasitas e reclamações dos vizinhos. Os visitantes podem comprovar o resultado dessa dedicação.

Paulinho conta que em outros tempos havia mais abandono na RS-407. Carros paravam e, sem dó nem piedade, abriam as portas e deixavam, ao deus-dará, cães de todas as raças e idades. Muitos morriam por ali mesmo, atropelados, se não tivessem a sorte de serem avistados pelo cuidador. A época de veraneio, conta ele, é a mais dramática, porque muita gente deixa os bichos para trás.

“Já foi pior, acho que o pessoal está mais consciente. Vez ou outra ainda encontro animais na estrada”, diz.

Paulinho preocupa-se com o destino dos animais. Não quer ampliar o grupo, mas se dedicar aos que lá estão. Há cinco anos, ele sofreu um infarto; pouco tempo atrás, ficou viúvo. Sozinho, percebe que a idade começa a apresentar suas contas, tanto para ele quanto para os próprios cachorros, que vão se fragilizando com o passar dos anos. Alugou um cantinho em Capão da Canoa e deixou o sítio para os animais. Na agropecuária Casa da Lavoura, ele busca a ração quase que diariamente, porque estocá-la no sítio não é seguro. Já furtaram doações inteiras do lugar. Paulinho vira-se como pode, com o dinheiro da aposentadoria e a colaboração de quem acredita no trabalho. Muita gente vai à agropecuária e deixa pago um tanto de alimentos para os bichos ou remédios. Tudo espontaneamente.

“Não sou pedinte. Nunca faltou e nunca vai faltar”.

“Um bom pai não dá, não vende nem abandona seus filhos”, diz Paulinho
| Tadeu Vilani / Agencia RBS

Para ajudar

Contatos com Paulinho pelo fone (51) 99791-2606.

A Casa da Lavoura, em Capão da Canoa, também recebe doações, informações pelo fone (51) 3665-4153.

Fonte: Gaúcha ZH

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