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MPF sugere interrupção de dragagem que ameaça vida de botos-cinza

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O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro e em Angra dos Reis, cidades pertencentes ao estado do Rio de Janeiro, expediu documento ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e à Companhia Portuária Baía de Sepetiba (CPBS) por meio do qual recomenda a suspensão imediata da licença de dragagem do fundo da Baía de Sepetiba.

Cento e setenta botos já foram mortos pelo vírus (Foto: Instituto Boto Cinza)

O sugestão do MPF é de manter a licença suspensa até o fim do surto de morbilivirose, que já matou 170 botos-cinza nas baías de Sepetiba e de Ilha Grande.

Realizada desde o último dia 12 de janeiro pela CPBS – que opera o terminal de minério da empresa Vale -, a dragagem, que atinge 1,8 milhão de metros cúbicos, foi autorizada pelo Inea em 2017.

Segundo os procuradores Sérgio Suiama e Igor Miranda da Silva “é inaceitável que, diante de tão grave situação de saúde de espécie ameaçada da fauna brasileira, o órgão ambiental mantenha a atividade de dragagem em área contaminada, colocando ainda mais em risco a sobrevivência dos botos-cinza, símbolo da cidade do Rio de Janeiro”.

Pesquisadores investigam se há outras doenças associadas ao morbilivírus na causa da morte dos botos, que têm a imunidade comprometida pelo vírus. As informações são do portal G1.

A sugestão de interrupção da dragagem feita pelo MPF foi baseada em documento produzido pelo Laboratório de Bioacústica e Ecologia de Cetáceos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que afirma que “em relação às baleias e golfinhos, têm sido reportados impactos negativos que envolvem principalmente o abandono temporário ou permanente do ambiente. Além disso, a dragagem pode levantar plumas de sedimentos que, se contaminados, podem tornar os metais pesados biodisponíveis aos golfinhos e as baleias”.

O documento diz ainda que as “altas concentrações de contaminantes desse tipo estão ligadas à depressão do sistema imune, principalmente em relação ao mercúrio, cádmio, chumbo, selênio e zinco, como foi o caso reportado para os golfinhos-nariz-de-garrafa”.

Além disso, segundo o laboratório, o ruído produzido pela dragagem “tem o potencial de induzir estresse, que, por sua vez, pode reduzir a eficiência de forrageamento de mamíferos marinhos ou aumentar sua suscetibilidade a patógenos e aos efeitos das toxinas”.

A Vale informou, por meio de nota, que “ainda não foi oficialmente comunicada desta recomendação do MPF. A empresa ressalta, no entanto, que todas as suas atividades na Baía de Sepetiba estão devidamente licenciadas e sob fiscalização das autoridades competentes, seguindo os mais altos padrões de segurança em todas as suas operações”.

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