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Um divisor de água – a senciência dos animais – passado e presente

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A senciência dos animais é um marco indelével na história científica, um divisor de águas entre o passado e o presente, mudança radical de paradigma, trazendo consigo outro entendimento outrora descartado por cientistas. Tal fato se deve às inquestionáveis conclusões neurocientíficas, provando que os animais sentem como todos nós, fato que era sumariamente descartado pela Ciência oficial, desde os primórdios dos tempos, uma venda nos olhos do conhecimento.

Na verdade, a Ciência jamais se interessou pelos estudos sobre a vida animal com tanta eficiência quanto a dos neurocientistas capitaneados pelo ilustre dr. Philip Low, docente da Universidade Stanford e pesquisador do MIT – Massachussets Institute of Technology e sua laboriosa equipe, descortinando a verdade. A neurociência surgiu como estudo oficial na década de 70 e as pesquisas em relação aos animais tomou vulto a partir de 2012, ou seja, muito recentemente, revelando ao mundo que eles sentem como todos nós. A Declaração de Cambridge é a prova insofismável de tais afirmações.

O QUE SE MODIFICARÁ DAQUI PARA FRENTE?

Mas, qual a importância desses estudos e o que poderá se modificar daqui para frente?
A revelação da senciência animal é um paradigma importante, obrigando-nos a ter outro entendimento, a imperiosa necessidade de leis protetivas e contundentes em relação aos animais, hoje considerados em muitos países como sujeitos de direito. Mas, por que não havia interesse em tais estudos em tempos passados?
Possivelmente, por falta de tecnologia avançada e também pelo receio de modificar conceitos e prejudicar a economia mundial que explora, por exemplo, a proteína animal. Sabemos que lidar com uma sociedade consciente é o mesmo que lidar com constantes questionamentos, exigindo mudanças profundas. O ser humano consciente muda o mundo.

DESDE QUANDO PODER-SE-IA IMAGINAR QUE UM BOVINO, UM PEIXE, UM SUÍNO SERIAM SENCIENTES?

Desde quando poder-se-ia imaginar que um bovino, um peixe, um suíno e outros animais que fazem parte da cadeia alimentar humana teriam consciência e sentiriam como todos nós?

Imaginem amigos(as) se a Ciência tivesse interesse e condições em séculos passados em pesquisá-los, aonde teríamos chegado, o quanto seria evitado em relação ao sofrimento da vida animal ?

O VEGETARIANISMO E O VEGANISMO GANHANDO ESPAÇOS NO BRASIL E NO MUNDO

Hoje o entendimento é outro e a mudança de hábitos alimentares começa a ganhar espaços importantes, com o vegetarianismo e o veganismo, sendo divulgados e demonstrados que podemos prescindir da alimentação carnívora, evitando o sofrimento dos animais. Para que tenhamos melhor entendimento, no ano 2000 havia em torno de 1 milhão de vegetarianos no Brasil; hoje, são 16 milhões, além de um contingente em ascensão de veganos. Mudança de cultura alimentar é um desafio que está sendo enfrentado, rompendo barreiras milenares, grilhões do atraso que estão sendo rompidos.

QUEM PODERIA SUPOR QUE UM MOLUSCO COMO O POLVO TERIA CAPACIDADE DE SENTIR COMO TODOS NÓS?

Quando alguém poderia supor que um molusco como o polvo teria capacidade de sentir, ter uma visão periférica avançada, processando de maneira rápida a presença de animais, sejam predadores como a moreia ou um de sua cadeia alimentar, no caso, caranguejo? Desde quando poder-se-ia conceber a ideia que um simples inseto, como a mosca Drosophila Melanogaster, conhecida como mosca das frutas, teria capacidade de perceber, demonstrando memória seletiva?

A neurociência descobriu e agora não se pode negar os fatos.

Ora, isso não é conhecimento empírico, considerado à luz da observação diária ou de oitiva, “de ouvir falar”, algo sem comprovação. É resultado de profundos estudos científicos, em renomadas universidades estrangeiras e centros laboratoriais de grande respeitabilidade. Portanto, com a descoberta da senciência animal, dá-se à luz a um progresso inconteste no mundo científico que, certamente, modificará outros paradigmas, agradando a muitos e, ao mesmo tempo, desagradando aos que faturam milhões de reais, explorando a vida dos indefesos animais. Por isso, com as recentes descobertas, faz-se mister o surgimento de leis protetivas mais contundentes na defesa da fauna, punindo com rigor os exploradores contumazes.

INSISTIR COM O ASSUNTO SOBRE A EDUCAÇÃO NAS ESCOLAS É IMPERIOSA NECESSIDADE

Por isso, uma vez mais dou ênfase à imperiosa necessidade de educar-se nas escolas, para pôr fim à crueldade contra os animais. É inadmissível que a caça predatória, por exemplo, continue, destruindo a fauna, o contrabando de animais ainda uma triste realidade que ofende a vida. É indispensável a educação para prevenir e leis rigorosas para punir. Não há outro caminho para a libertação animal. É indispensável preparar-se a nova geração para que, as crianças de hoje e os jovens da atualidade, ao atingirem a fase adulta, sejam mais responsáveis e respeitadores à vida da fauna em amplo espectro.

Dou-me ao direito em insistir na propagação do alusivo assunto, para modificarmos o cenário de horror em relação à exploração animal. Há muito o que se fazer e não devemos esmorecer, afinal, as grandes conquistas sempre foram difíceis de serem conquistadas, ultrapassando barreiras conservadoras e delimitadas pela insensatez. Por isso, conjugar o verbo insistir no presente e futuro do indicativo é o meu lema. A minha luta diária é o estudo rotineiro para a conscientização da sociedade e de alunos nas escolas e universidades; a de outros defensores de animais é o acolhimento em abrigos e a criação de ONG’s em defesa da fauna.

Todos de mãos dadas pelo mesmo objetivo, afinal, a união faz a força e o bom sentimento sensibiliza corações. O passado é uma mácula, um atavismo de sofrimento que está sendo vencido; o presente uma constatação, outras ideias avançadas à luz da senciência; o futuro a concretização da liberdade de todos os animais na Terra.
– É o que penso!

* jornalista, palestrante em escolas, universidades sobre a senciência e direitos dos animais.

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