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Animais mortos na praia mostram degradação no Litoral do Paraná

Baleia Minke foi encontrada morta na Ilha do Mel no doa 8 de novembro.

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90% dos animais foram encontrados mortos, o que indica degradação do ecossistema superior à esperada pelos especialistas do LEC (Laboratório de Ecologia e Conservação) do CEM-UFPR.

Baleia Minke foi encontrada morta na Ilha do Mel no doa 8 de novembro.
Baleia Minke foi encontrada morta na Ilha do Mel no doa 8 de novembro. Foto: LEC

Formado por 56 integrantes, o grupo multidisciplinar faz o monitoramento diário da região – um trabalho que é desenvolvido simultaneamente em várias estados brasileiros e conduzido como condicionante ambiental pelo Ibama.

A Universidade Federal do Paraná faz parte de uma coalizão de 14 instituições que atuam em colaboração para cobrir 800 quilômetros de praia entre Laguna-SC a Ubatuba-SP. No Paraná, o PMP-BS é executado desde 2015.

As ações são uma das exigências para o licenciamento ambiental federal de atividades da Petrobras para produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos. A proposta é avaliar a interferência destas atividades sobre aves, tartarugas e mamíferos marinhos.

O trabalho envolve a avaliação e o atendimento veterinário a animais encontrados vivos pelas equipes. Os animais mortos passam por necrópsia para identificação da causa da morte e da condição de saúde do indivíduo pré-morte. Os resultados das análises realizadas podem apontar se houve ligação com atividades humanas, como pesca, colisão com embarcações e até contaminação por óleo.

O monitoramento é diário na parte continental do litoral do Paraná e em praias expostas da Ilha do Mel. Além disso, há ações semanais em praias das ilhas das Peças e Superagüi.

O projeto, que também acontece nas Bacias Potiguar e de Campos, é considerado inédito no mundo, pela intensidade de esforço de monitoramento e qualidade de dados gerados, principalmente com enfoque em espécies marinhas ameaçadas de extinção.

Grau de degradação

A coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação, Camila Domit, conta que muitos animais atendidos apresentam doenças crônicas e relacionadas ao estresse ambiental. “Pela análise dos dados, concluímos que o grau de degradação do ecossistema é superior ao que nós estimávamos. Também registramos eventos agudos que causam a morte, algumas relacionadas a interações com petrechos pesqueiros e garrafas PET ou sacolas plásticas”, explica.

As informações coletadas permitem avaliar que a saúde do ecossistema marinho não vai bem, já que os animais monitorados são considerados indicadores e sentinelas quanto à qualidade ambiental.

“O Paraná é uma área de concentração de biodiversidade marinha, mas os dados nos trazem um alerta sobre a urgência de mudança de práticas em atividades humanas responsáveis pela poluição dos oceanos e degradação dos ecossistemas costeiros e marinhos”, alerta a pesquisadora da UFPR.

O cenário é resultado de um conjunto de ações que alteram o ecossistema e impactam diretamente os animais. Os pesquisadores apontam entre as causas as atividades dos portos e indústrias, dragagem, intenso tráfego de embarcação, pesca e atividades de desenvolvimento urbano desordenados, uso de produtos químicos nas lavouras, exploração de petróleo e gás, falta de tratamento de esgoto em alguns locais, entre outras.

Para buscar o equilíbrio ecossistêmico, a professora da UFPR destaca a necessidade de mudanças na legislação e em ações cotidianas. “A legislação brasileira demanda reforço para coibir ações de alto impacto, mas acima disso precisamos melhorar as atitudes de toda a sociedade, voltadas para a prevenção, mitigação e compensação de impactos”, conclui.

O futuro do projeto

As atividades do PMP-BS continuam. De acordo com a pesquisadora Camila Domit, a renovação do projeto será debatida até o mês de março de 2018, mas ainda neste mês de novembro a UFPR espera receber as licenças estaduais e municipais para dar início à construção do Centro de Reabilitação da Fauna Marinha. O espaço está associado ao PMP/BS e será um legado para a UFPR e para o estado do Paraná.

“Mantemos o contrato com a Univali (Universidade do Vale do Itajaí), que é responsável por coordenar as atividades da rede de instituições. Esperamos dar continuidade ao projeto pelos próximos anos”, afirma.

Atendimento na Ilha do Mel

A equipe da UFPR, com apoio da Capitania dos Portos do Paraná e da Polícia Ambiental, atendeu uma baleia Minke-anã, no início do mês de novembro. A baleia – uma das menores espécies do mundo – media aproximadamente 4,8 metros e morreu após encalhar na Ilha do Mel, durante a maré alta.

A equipe do projeto realizou a necrópsia no local do encalhe e foram obtidas diversas amostras para estudos de avaliação biológica e de saúde. Por análises macroscópicas, ficou evidente que a morte da baleia foi relacionada a uma infecção generalizada.

Centro de Estudos do Mar UFPR

O Centro de Estudos do Mar é uma unidade de ensino, pesquisa e extensão da UFPR criada em dezembro de 1992. A unidade foi criada após os trabalhos desenvolvidos pelo antigo Centro de Biologia Marinha tomarem grandes proporções.

Atualmente, o centro conta com outros quatro cursos de graduação, além da graduação em Oceanografia e a Pós-Graduação em Sistemas Costeiros e Oceânicos. As pesquisas desenvolvidas envolvem as áreas de estudo das principais disciplinas da Física, Geologia, Biologia e Manejo Costeiro.

Localizado na desembocadura do Complexo Estuarino de Paranaguá, em Pontal do Paraná, o Centro de Estudos do Mar é uma grande usina de pesquisas e ações aplicadas à gestão ambiental, além de possuir um programa de atendimento a instituições de ensino, com atividades nos ecossistemas do litoral paranaense.

Fonte: Correio do Litoral

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