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Médico mata cadela no PR e afirma: “voltarei para matar os outros cães”

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O médico pediatra do hospital Angelina Caron, identificado apenas como Marcelo, foi autuado pelo crime de maus-tratos e porte ilegal de arma após atirar em uma cadela, que não resistiu aos ferimentos. O crime aconteceu na Estrada Ecológica do Município de Pinhais, no Paraná. Segundo a protetora de animais Patrícia Almeida Satyro, Marcelo também ameaçou voltar ao local para matar o restante dos cães.

A cadela foi morta pelo médico pediatra do hospital Angelina Caron, identificado como Marcelo (Foto: Patrícia Almeida)

A protetora conta que a violência cometida contra a cadela foi um desdobramento de um caso que aconteceu há cerca de 15 dias. Ela explica que após alimentar os cães abandonados, observou que eles latiam para uma mulher que caminhava pela estrada. Enquanto a protetora retornava ao local com seu carro, observou que a mulher fez um movimento com a sacola em direção aos cães, na tentativa de espantá-los. Assustado, um deles reagiu com uma mordida que, segundo Patrícia, foi superficial.

A protetora afirma que os cachorros nunca haviam mordido ninguém, já que são dóceis. Ela acredita que eles tenham latido para a mulher na intenção de proteger a protetora, que ainda estava perto do local. O fato dos cães serem comumente maltratados na rua explica, segundo Patrícia, a reação que um deles teve ao morder a mulher, como forma de se defender da sacola que ela movimentou na direção dos cães. “Esses cachorros levam pedradas. São maltratados pela vizinhança. Tem gente que joga o carro em cima deles”, disse Patrícia.

A mulher entrou no carro de Patrícia, que sugeriu levá-la ao hospital. Ela, no entanto, preferiu ir para casa. A protetora conta que, inclusive, foi questionada pela mulher durante o trajeto sobre a possibilidade do cão ter reagido ao se assustar com a sacola e perguntou se aqueles cachorros mordiam frequentemente quem por ali passava. A protetora explicou que os cães não têm histórico de mordidas a pedestres e que não são violentos ou agressivos.

Dias depois, a mulher fez uma publicação nas redes sociais. Segundo Patrícia o texto, que se referia ao caso com os dizeres “cachorros que atacam todos os pedestres”, incitou violência e gerou comentários cruéis como “cachorro abandonado tem que ser sacrificado”. Prevendo o pior, a protetora afirma ter entrado em contato com colegas que também atuam na causa animal, sugerindo que os cães fossem retirados do local para segurança deles. “Há anos pedimos resgate e adoção. Todos são vacinados e castrados”, afirmou Patrícia.

Ontem (30), os possíveis resultados da publicação feita pela mulher incitando a violência contra os cães começaram a aparecer quando o médico se dirigiu a estrada onde os cachorros vivem. Patrícia conta que Marcelo foi até o local três vezes ontem. Na primeira, encontrou a protetora Débora, a quem coagiu afirmando que ela não poderia alimentar cães abandonados, enquanto contava que sua empregada havia sido mordida por um dos cachorros. A conversa chegou ao fim com o médico tirando fotos, segundo Patrícia, de Débora e de seu carro.

A cadela no abrigo improvisado feito pela protetora Patrícia (Foto: Patrícia Almeida)

Um tempo depois, ainda na última segunda-feira (30), quando Patrícia já havia chegado ao local, o médico retornou. Ele alegava, segundo a protetora, que tratava-se de crime alimentar os cães, enquanto fotografava o carro de Patrícia. A protetora afirma ter respondido Marcelo dizendo que o ato de coação e intimidação praticado por ele que era, na verdade, crime. Foi então que o médico, de acordo com Patrícia, se alterou e passou a gritar e desferir chutes na tentativa de acertar os cães. Para se defender, os cães reagiram e morderam Marcelo.

“Se os cachorros fossem violentos, eu não conseguiria afastá-los de perto do médico apenas com as minhas mãos. Eles não são violentos, estavam se protegendo. Eu fui com minhas mãos e me coloquei entre ele e os cães e gritei para saírem e os cachorros obedeceram”, afirmou a protetora. Patrícia conta que, neste momento, o médico entrou no carro e, antes de ir embora, afirmou: “vocês vão ver como vou resolver isso”.

A protetora afirma que o crime foi premeditado. Já que, minutos depois, Marcelo voltou ao local armado, ameaçou Débora e Patrícia e atirou contra a cadela, que morreu. “Ela nem latiu pra ele”, contou Patrícia.

“Entrei na frente dos outros cães para protegê-los enquanto pedia para ele parar com isso”, disse a protetora, que afirmou também que o médico saiu do local ameaçando voltar para matar os outros cachorros.

Um inquérito policial foi aberto e Marcelo foi autuado e mas, após menos de um dia preso, foi liberado sem pagar fiança. A arma foi apreendida pela polícia. Orientada pelo advogado Alvaro Alves Guergolet, que tem prestado assessoria jurídica voluntária ao caso, por intermédio da ONG Patinhas Pinhais, Patrícia decidiu que irá entrar com uma representação contra o médico, segundo ela, “não só pela cadela que ele matou, mas também pelas vidas que ele ameaçou”.

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