• Home
  • Outubro Rosa também vale para cadelas e gatas

Outubro Rosa também vale para cadelas e gatas

0 comments

Divulgação

O Outubro Rosa, campanha anual de prevenção ao câncer de mama, também pode ser estendida para os animais. Isso porque um gesto simples e indolor como a apalpação das mamas também pode detectar os nódulos em seu estágio inicial em cadelas e gatas. Mas vale lembrar que nem todo nódulo é maligno, mas por menor que seja deve ser investigado por um veterinário.

A veterinária Priscila Pedra Mendonça, do Animal Care – Centro de Especialidades Veterinárias (SP), ressalta a importância desse exame: “Gatas e cadelas não têm a mama como a nossa, notamos apenas os mamilos, portanto, os nódulos ficam superficiais e por essa razão não há necessidade de exames de imagem para a detecção. A palpação e inspeção visual são as maneiras mais práticas para detecção dos nódulos que quanto antes forem descobertos melhor”, explica.

A prevenção de câncer de mama em cadelas e gatas também se faz por meio da castração antes de um ano de idade: “O que ajuda a prevenir é a castração precoce. Realizada até o segundo cio diminui a incidência de câncer de mama. Em países de primeiro mundo, onde a castração é feita precocemente, o número de ocorrências de câncer é bem menor. É um tipo de tumor dependente de ação hormonal, portanto, interromper esse ciclo hormonal logo no início de vida do animal ajuda a prevenir o câncer de mama. O ideal é esperar o primeiro cio para que o animal complete seu desenvolvimento e castrar logo depois. A castração pode ser feita antes do primeiro cio, mas há risco do animal ficar subdesenvolvido ou ter problemas com incontinência urinária”, comenta a veterinária.

Quanto as fêmeas castradas com mais idade, depois de vários cios, a veterinária diz que o procedimento é importante por conta do controle populacional, mas nesses casos já não tem mais o benefício de prevenção ao câncer de mama: “Isso porque o tecido mamário já foi sensibilizado ao longo dos anos pela ação hormonal. É somente até o segundo cio que se consegue diminuir o risco de câncer de mama. O macho também pode ter esse tipo de câncer, mas é raro”.

Quanto aos sintomas, ela explica que só surgem mais adiante, no progresso da doença, e é por isso que muitos casos deixam de ser tratados logo no início: “Quando começam as secreções ou outras alterações é porque o câncer já está em estágio mais avançado. Um proprietário cuidadoso consegue perceber por meio da palpação um nódulo com tamanho de até um grão de arroz, mas às vezes não leva o animal ao veterinário se ele não sente dor e nem manifesta nenhum outro sintoma. Isso pode agravar o câncer até a sua detecção”.

Vale lembrar ainda que fêmeas castradas têm menos chance de desenvolver o câncer de mama, mas não estão 100% livres da doença. E mais: “O uso de anticoncepcional injetável também aumenta o risco de câncer e pode causar hiperplasia mamária (aumento do tecido mamário que pode ou não estar relacionado a inflamação) que faz o animal sofrer bastante”, diz a veterinária.

O tratamento principal é a cirurgia para controle local da doença: “Na cadela se faz a mastectomia total unilateral (remoção de todas as mamas do lado onde está presente o nódulo) e na gata a bilateral (tira as duas cadeias mamárias porque elas se comunicam entre si). Dependendo do tipo e grau do tumor, e se há metástase é que se define se há necessidade de quimioterapia. Em geral os animais se recuperam bem da cirurgia e a quimioterapia não causa neles tantos efeitos colaterais como nos humanos. O que temos visto é uma sobrevida boa, mas ainda faltam estudos mais minuciosos no Brasil para avaliar eficiência dos tratamentos e até mesmo cura total”.

Exames sofisticados

A veterinária Paula Cava Rodrigues, responsável pelo setor de oncologia do Vet Quality Hospital Veterinário (SP), também assinala que a detecção é feita pela palpação, mas se um nódulo for encontrado o animal passa por uma bateria de exames sofisticados: “Solicitamos exames para estadiamento, ou seja, para investigação do envolvimento de outros órgãos. Realizamos exames laboratoriais de sangue e exames de imagem como radiografias torácicas, ultrassom de abdômen ou tomografia computadorizada para detecção de metástase”, explica.

Segundo a veterinária, o diagnóstico definitivo, ou seja, que apontará o tipo tumoral e o grau de agressividade é realizado após a remoção da cadeia mamária: “A partir do resultado podemos solicitar um exame do material chamado imunoistoquímica para avaliar a agressividade e potencial metastático do tumor. Dependendo do tipo tumoral, pode ser indicada quimioterapia adjuvante, ou seja, posteriormente à cirurgia para prevenção do desenvolvimento de metástases”.

Obesidade e fumaça de cigarro

Uma fêmea pode desenvolver a doença a partir dos seis anos de idade, mas não é regra, podendo variar de 5 a 13 anos. A veterinária Paula Cava diz que, embora o principal agente causador do câncer de mama seja o hormonal, uma dieta rica em gorduras e fatores genéticos também influenciam no desenvolvimento do tumor de mama: “Existem estudos que demonstram que a condição nutricional da paciente pode influenciar no desenvolvimento do tumor mamário. Dietas muito gordurosas e obesidade podem ser fatores predisponentes nesse tumor. Indicamos uma dieta balanceada”.

A veterinária Priscila Pedra diz que a castração aumenta risco de obesidade, por isso, é preciso usar ração para animais castrados com menos calorias, evitar alimentação inadequada e motivar o animal a fazer exercícios”. E ela aponta mais um fator de risco: “A exposição à fumaça do cigarro (quando os animais se tornam fumantes passivos por contato com tutores tabagistas) pode ser outro fator de risco”.

Como a homeopatia pode ajudar

Segundo o veterinário José Francisco Costa Neto, da Clínica Soft Dogs (SP), especializado em homeopatia, o tratamento à base de produtos naturais pode contribuir para com o bem-estar geral de animais com câncer: “A homeopatia pode também retardar a recidiva de um tumor. É um tratamento sem contraindicação e que visa a qualidade do funcionamento de todos os órgãos e isso é fundamental para o animal se sentir melhor em vários aspectos”. Outra vantagem da homeopatia como um tratamento complementar do câncer é a fácil administração dos glóbulos, pois, como são sem sabor e sem cheiro: “Os animais costumam engolir, chupar e beber sem problemas. A homeopatia também existe em forma líquida e spray”.

* Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

About the Author

Follow me


{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}
>