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Doria corta vagas para castração de animais de rua, denuncia protetora

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A psicóloga Andreia Freitas, de 42 anos, que também é protetora de animais, denunciou o corte de vagas para castração de animais de rua promovido pelo prefeito de São Paulo, João Doria. As cirurgias, realizadas pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não estariam mais sendo disponibilizadas às ONGs e protetores independentes. A justificativa do órgão é de que não há vagas.

A protetora explica que o benefício garantia 10 agendamentos de castração por mês no CCZ Santana, na Zona Norte, e no CCZ São Mateus, na Zona Leste. “Eles dizem que não têm vagas. Anotam as informações dos animais que temos para castrar e orientam que, caso tenhamos outros meios, procuremos outras entidades porque não há previsão de datas”, disse.

Protetora independente denuncia corte de vagas para castração de animais de rua em SP (Foto: Divulgação)

Informações divulgadas pelo portal Agora São Paulo dão conta de que os munícipes também têm encontrado dificuldades para castrar os animais que tutelam. A castração de cães e gatos pelo programa gratuito mantido pela Prefeitura tem levado até quatro meses para acontecer, período suficiente para que os animais tenham até duas ninhadas. O benefício não se estende à animais de rua.

Andreia lamenta a ausência de vagas no programa de castração do CCZ e explica que sem poder castrar os animais, o trabalho dos protetores fica impossibilitado. “O serviço era marcado rapidamente, o que nos proporcionava a oportunidade de doar os animais castrados e já recolher outros animais da rua. Sem o programa de castração para animais de rua, muitos protetores pararão de recolher animais abandonados porque a castração é muito cara em São Paulo”, explicou.

Em São Paulo, a castração de cadelas e gatas custa, em média, de R$ 200 a R$ 600, e a de cachorros e gatos varia de R$ 150 a R$ 450. Clínicas localizadas em bairros mais nobres, segundo o Agora São Paulo, podem cobrar até R$ 1.000.

Andreia, que afirma ter parado com os resgates por não ter condições de pagar pelas castrações, diz que desde agosto castrou apenas três animais – com recursos próprios -, quando poderia, com o auxílio do programa de castrações, ter castrado 20. “Não temos [os protetores] recursos particulares para isso, nem vamos resgatar mais animal nenhum até que o prefeito retome o programa”, diz.

A ausência de vagas para castração é uma questão que, segundo a protetora, gera um aumento populacional dos animais e agrava a situação de abandono. Ela explica que em quatro meses uma única gata pode ficar grávida e gerar uma média de sete filhotes. “Digamos que cada gata gere 21 novos gatos por ano. Lá pela metade do ano, os filhotes desta gata também começarão a se reproduzir e, em um ano, um mesmo bairro estará lotado de gatos de rua reproduzindo”, explicou.

O problema é o mesmo em relação aos cães. “Uma cadela tem mais ou menos o mesmo período de gestação de uma gata, mas pode gerar 12 filhotes. Ao longo de um ano, a cadela pode ter 36 filhotes, que na metade do ano já começarão a se reproduzir”, disse.

Resposta do CCZ

O Centro de Controle de Zoonoses divulgou nota por meio da qual afirma que não houve suspensão das castrações destinadas às entidades de proteção animal. “Os protetores cadastrados no CCZ continuam a ser atendidos nos serviços próprios (CCZ e NEC São Mateus)”, afirmou.

De acordo com o órgão, em 2016 e no primeiro semestre de 2017, foram castrados 4.603 animais de protetores independentes. As informações são do portal Catraca Livre.

“É importante destacar que a castração gratuita se dá por meio do Programa Permanente de Controle Reprodutivo de Cães e Gatos (PPCRCG), cuja estrutura contempla também toda a questão de conscientização de guarda responsável e vale ressaltar que a Prefeitura de São Paulo, em parceria com a Associação AMPARA Animal, também realiza mutirões de castração de cães e gatos”, declarou o órgão.

A Prefeitura prometeu também construir, em parceria com a AMPARA, um centro especializado em castração na Zona Sul da cidade. O projeto deve ser anunciado hoje (27).

Sobre o corte de vagas denunciado pela protetora, o órgão se limitou a dizer que “os atendimentos são realizados nos locais citados, priorizando-se os animais de relevância à saúde pública, sendo as vagas remanescentes destinadas a protetores independentes cadastrados no CCZ”.

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