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Mochos, águias e esquilos estão entre 120 animais resgatados após incêndio em Portugal

Animal salvo de incêndio

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Ele vinha “directamente de uma zona de incêndio” em Pedrógão Grande, em Portugal, e parecia “desnorteado”, “desidratado” e “magro”. Depois de algum tempo em tratamento, se recuperou e foi libertado.

Animal salvo de incêndio
Foto: CERAS

Como este alcaravão, mais de uma centena de animais chegou ao CERAS. “Desde o dia em que se deu o grande incêndio de Pedrógão, entraram 120 animais. Este é um número completamente anormal para a época do ano em que estamos”. Foi assim que Ana Filipa Lopes, responsável clínica do CERAS, descreveu a situação que se vive actualmente no Centro.

Neste momento, estão internados 53 animais. Mas, no final de Junho, chegaram a estar cerca de “100 em recuperação”, destaca a médica veterinária, acrescentando que a média habitual para esta época é de 30 a 40 internados.

A responsável clínica acredita que, na maioria dos casos, há uma relação com os incêndios que deflagraram na região desde meados de Junho. No entanto, a profissional afirma que não é possível dar garantias sem um estudo “mais a fundo”.

Alcaravão que esteve em recuperação no CERAS e foi libertado no dia 18 de Julho
Alcaravão que esteve em recuperação no CERAS e foi libertado no dia 18 de Julho. Foto: CERAS – Quercus

“Estão muitos a entrar desidratados e mal nutridos, sem outra alteração. São, portanto, animais que não estão a conseguir ter alimento suficiente na natureza”, explica.

Quanto às espécies, a variedade é grande: “Neste momento temos uma águia imperial ibérica em recuperação. Temos também uma abetarda [ave de pernas altas]”, descreve Ana Filipa Lopes.

Além destes animais, têm chegado ao centro andorinhas, mochos galegos, cegonhas, esquilos, abutres, entre outros.

Dos 120 animais resgatados nas últimas semanas, muitos já foram devolvidos à natureza. Contudo, outros não resistiram e morreram no internamento.

CERAS: Um hospital para a fauna selvagem

O Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens é uma estrutura da Quercus e tem como missão a “recepção de animais selvagens debilitados, sua recuperação e devolução ao meio natural”, segundo o site da associação.

A grande maioria dos animais chega ao CERAS através do Serviço de Equipa de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), da GNR.

No entanto, a médica veterinária conta que há muitas pessoas que, nas últimas semanas, entregam os animais pessoalmente, “por perceberem que neste momento as equipas do ambiente da GNR estão muito ocupadas, no combate aos incêndios”.

No CERAS, o tratamento envolve medicação, análises, alimentação ou intervenções mais profundas, consoante cada caso. Uma vez recuperados, os animais são libertados na natureza novamente.

Ser padrinho de um animal selvagem

Quem quiser pode contribuir para a recuperação dos animais resgatados, através do apadrinhamento – apoio financeiro para o tratamento de um animal – ou de voluntariado – realização de tarefas no centro. A informação está disponível no site do CERAS.

O CERAS tem reforçado as campanhas de apelo à participação nestes programas de apoio e, desde Junho, o número de pessoas que se oferecem para ajudar tem aumentado significativamente.

“Recebemos muitos pedidos de voluntariado e estamos com vários voluntários a ajudar-nos”, diz Ana Filipa Lopes. Neste momento, colaboram com o Centro, pelo menos, dez voluntários.

Também os pedidos de apadrinhamento aumentaram, “sobretudo nos dias logo a seguir aos incêndios”. As “espécies ameaçadas” são aquelas que as pessoas mais procuram apadrinhar, conta a médica veterinária.

Os incêndios florestais consumiram este ano mais de 128 mil hectares até 31 de Julho. É a maior área ardida no mesmo período na última década e quase cinco vezes mais do que a média anual dos últimos dez anos.

*Esta notícia foi escrita, originalmente, em português europeu e foi mantida em seus padrões linguísticos e ortográficos, em respeito a nossos leitores.

Fonte: Renascença

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